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formando cinéfilas melhores!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Curiosidades e prêmios de Carne trêmula

Jorge Sanz havia sido escalado para o papel de Victor. Uma semana antes do início das filmagens o diretor Pedro Almodóvar o substituiu por Liberto Rabal.

Pilar a mãe de Javier Bardem interpreta a parteira que entrega Victor no início do filme.

Em portugal o longa tem o título de "Em Carne Viva "

Premiações

BAFTA
Indicado como Melhor Filme em Língua Estrangeira

GOYA
  • Melhor Ator Coadjuvante - José Sancho

Indicado para Melhor Ator (Javier Bardem) e Melhor Atriz Coadjuvante (Ángela Molina)

SATELLITE AWARDS
Indicado para Melhor Filme em Língua Estrangeira

FESTIVAL DE CINEMA INTERNACIONAL DE SÃO PAULO
  •  2º Lugar - Prêmio Popular - Melhor Filme 

Saiba mais sobre Almodóvar e seus méritos em nosso mês dedicado ao diretor.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Prêmios de Almodóvar

A lista de prêmios do espanhol é tão extensa que tivemos medo de não caber em um só post. Confira abaixo, os prêmios de Pedro Almodóvar

OSCAR
Indicado para Melhor Filme Estrangeiro - Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988) e  Melhor Diretor - Fale com Ela (2002)

BAFTA
Indicações para Melhor Filme Estrangeiro - Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988), Melhor Filme Estrangeiro - Carne Trêmula (1997), Melhor Roteiro Original - Tudo Sobre Minha Mãe (1999)

INDEPENDENT SPIRIT AWARDS
Indicado para  Melhor Filme Estrangeiro - Tudo Sobre Minha Mãe (1999)

CÉSAR
  • 1991 - Melhor Filme Estrangeiro - De Salto Alto
  • 1999 - Melhor Filme Estrangeiro - Tudo Sobre Minha Mãe
  • 1999 - Prêmio honorário
Indicado - Melhor Filme Estrangeiro - Ata-me! (1990)

EUROPEAN FILM AWARDS
  • 1999 - Melhor Diretor - Júri Popular - Tudo Sobre Minha Mãe
  • 2002 - Melhor Diretor - Fale com Ela
  • 2002 - Melhor Diretor - Júri Popular - Fale com Ela
  • 2002 - Melhor Roteiro - Fale com Ela
  • 2006 - Melhor Diretor - Volver
Indicado - Melhor Diretor - Má Educação (2004),  - Melhor Diretor - Júri Popular - Má Educação (2004), Melhor Roteiro - Volver (2006)

GOYA
Indicado - Melhor Diretor - Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988), Melhor Diretor - Ata-me! (1990), - Melhor Roteiro Original - Ata-me! (1990),  Melhor Roteiro Original - Tudo Sobre Minha Mãe (1999), Melhor Diretor - A Flor do Meu Segredo (1995), - Melhor Diretor - Fale com Ela (2002), Melhor Roteiro Original - Fale com Ela (2002), Melhor Diretor - Má Educação (2004), Melhor Diretor - Volver (2006), Melhor Roteiro Original - Volver (2006).

GRANDE PRÊMIO DO CINEMA BRASILEIRO

FESTIVAL DE CANNES

FESTIVAL DE BERLIM
  • 1987 - Prêmio Teddy - A Lei do Desejo

FESTIVAL DE VENEZA

FESTIVAL DE GRAMADO
  • 1991 - Melhor Diretor - De Salto Alto

FESTIVAL DE PALM SPRINGS
  • 2000 - International Filmmaker

FESTIVAL DE SAN SEBASTIÁN

FESTIVAL DE TORONTO

BODIL
Saiba mais sobre o diretor e seus filmes, ns posts mês Almodóvar.

domingo, 28 de agosto de 2011

Carne trêmula

Emoções exacerbadas à flor da pele, no ultimo filme do mês Almodovar aqui no blog.

Carne trémula
Espanha, 1997
147 min - cor
Drama

Direção: Pedro Almodóvar

Roteiro: Pedro Almodóvar, Jorge Guerricaechevarría e Ray Loriga

Música: Alberto Iglesias

Elenco: Javier Bardem, Francesca Neri, Liberto Rabal, Penelope Cruz...

 Baseado em livro de Ruth Rendell.

sábado, 27 de agosto de 2011

De perto ninguém é normal


Existe uma razão para eu ser fã de Almodóvar. Aliás, duas: ao mesmo tempo em que é um diretor único em termos de estilo e sensível, é um roteirista originalíssimo. Eu não sei como ele faz isso, mas consegue me convencer da história mais mirabolante do mundo. Acha que estou exagerando? Então faça um exercício e me diga quem mais poderia filmar Mulheres à beira de um ataque de nervos sem cair no ridículo, um filme que envolve o drama de uma mulher abandonada pelo amante, o filho dele e a noiva esquisita, a ex-mulher enlouquecida e uma modelo enganada por um terrorista xiita (!). Tudo muito improvável, mas perfeitamente possível nessa gama de personagens almodovarianos, onde, de perto, ninguém é mesmo muito normal.

Na trama, Pepa (Carmen Maura) passa por todos os estágios de sentimentos em relação a Iván (Fernando Guillén): o amor se despedaçou em tristeza, angústia, desespero, ódio. O sujeito, um ator metido a galã da terceira idade, não se digna nem mesmo a aparecer para buscar suas coisas e se limita a deixar recados covardes na secretária eletrônica dela. Entre tantos desencontros, outras personagens vão surgindo na vida de Pepa, tão perdidas quanto ela.



Responsável por tornar o cineasta conhecido no resto do mundo, Mulheres à beira de um ataque de nervos tem vários dos elementos perfeitamente identificáveis na filmografia do diretor: personagens exóticos, situações inusitadas, cores fortes (com destaque especial para o vermelho) e uma extrema sensibilidade para retratar o universo feminino. E não deixa de ser curioso como o fio central deste longa lembra o filme da semana passada, A flor do meu segredo. A diferença é que este transforma em risos o que no outro provocava lágrimas. Interessante como o sofrimento de uma mulher abandonada pode ser vista por ângulos tão diferentes. 

Nessa produção, no entanto, os coadjuvantes não só tem mais força como são essenciais para segurar a história. Carmen Maura dá o tom exato a Pepa em todas as suas nuances, mas a comédia só funciona graças a eles. Gosto muito da trama de Candela (María Barranco), por exemplo. Sem nenhum vínculo familiar com os outros personagens, ela é a mais deslocada e, talvez por isso mesmo, a mais divertida. Medrosa e histérica, ela não consegue chamar a atenção para si, apesar de estar realmente em apuros, até resolver apelar para um ato extremo. E a relação dela com Carlos (Antonio Banderas, antes de se tornar o latin lover de Hollywood) também é divertida. 


Mas é Julieta Serrano, como Lucía, quem rouba a cena sempre que pode. Outra vítima da lábia de Iván, ela vive como se os últimos 20 anos, período em que esteve internada, não tivessem existido e agora busca vingança. Se todas as outras estavam à beira de um ataque de nervos, ela já havia entrado em colapso há muito tempo. As sequências finais são todas dela, merecidíssimas. E, apesar de toda a loucura da personagem, impossível não simpatizar com ela, ou, ao menos, compreender sua motivação. O que não dá para entender é o que elas viram nesse Iván...

A falta que faz um celular...

Encontros e desencontros são o mote desse fime

Se à época de produção desse filme os celulares já estivessem presentes nas nossas vidas como são hoje em dia, duvido muito que o filme conseguisse fazer tanto sentido. Um único ruído na comunicação causa tanstornos quase incorrigíveis e no fim, tudo se resolve - de um jeito ou de outro - e a vida segue. O mais engraçado é que eu não conseguia parar de pensar: se tivessem um celular, metade dessas coisas não teria acontecido. E isso seria um pecado! Divertidíssimo esse filme!

E agora?

Mulheres à beira de um ataque de nervos (Mujeres al borde de un ataque de nervios, 1988) tem a ssinatura de Almodóvar: cores fortes, enquadramentos diferenciados, um roteiro simples, uma cenografia quase funcional [simples, mas que dialoga com a cena], atores fantásticos e um final que te dá aquela impressão: "a vida continua, companheiro". E aqui o diretor consegue imprimir ritmo e humor em situações comuns, tingindo em cores fortes os sentimentos mais profundos: o amor ao extremo, o ciúme, a vingança, o desespero. As mulheres retradas são absolutamente comuns, mas sob a ótica do diretor tomam um ar de heroínas. Ou você não acha que enfrentar a loucura do dia a dia tentando não enlouquecer ou desistir é fácil?

E agora?!

Pepa (Carmen Maura, excelente) tem um caso com Juan (Fernando Guillén), seu colega de trabalho - um raro filme onde é retradado o trabalho do dublador, uma artista que quase nunca é reconhecido pelo seu trabalho. Juan era casado e tinha um filho, que estava procurando um apartamento para alugar com a noiva. Ambos foram parar na casa de Pepa ao mesmo tempo em que a amiga de Pepa, Candela (María Barranco, hilária), chega desesperada buscando a ajuda da amiga - ela havia se envolvido com um terrorista xiita e sabia dos planos deles de explodir um avião. Sem conseguir falar com seu amante, que a deixara, para avisar que estava grávida, Pepa tenta ajudar a amiga enrascada e ainda é encurralada pela ex-mulher de Juan. Polícia, suco de tomate com calmante, telefone e secretaria eletrônica voando pela janela, tentativas de suicídio, tentativa de homicídio, um taxista com gosto pra decoração deveras duvidoso e muito riso. Uma ótima reflexão sobre a vida, sobre pensar em desistir, mas continuar tentando e como achar graça mesmo nas maiores desgraças.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

TPM coletiva

Pepa  (Carmen Maura) deve ser uma pessoa mais feliz hoje em dia, quando todos tem um celular. Afinal graças a ele somos facilmente encontrados e nos livramos da secretária eletrônica. Além disso seus modelos são muito mais fáceis de se atirar pela janela que seu baquelite vermelho, quando a ligação que esperamos não chega.

A obsessão da protagonista tem um nome, Ivan. Recém separada do ex-amante está decidida a ter uma "ultima conversa" com o homem, que tem o hábito de fugir de suas ex. É ou não para afetar os nervos? Mas como o filme se chama Mulheres à beira de um ataque de nervos, Pepa não é a única moça com problemas por lá. Sua amiga Candela (María Barranco) se enamorou de um terrorista xiita e foi usada por ele, virou cúmplice e teme ser presa. A literalmente louca, primeira esposa de Ivan, Lucia (Julieta Serrano), e o filho Carlos (Antonio Banderas), acompanhado da noiva Marisa (Rossy de Palma), também dão as caras no apartamento de Pepa. Não extamente juntos, mas tudo acaba chegando a um improvável e estranho encontro. 

Inicialmente lento e confuso, o ritmo da narrativa tem uma "aceleração constante", culminando em uma hilária e frenética cena de perseguição. Seguida pela calmaria que sempre vem após uma grande tormenta. Envolvente e divertido!

O fato de Pepa e Ivan, serem atores e trabalharem com dublagem*, apenas aumenta os conflitos da moça. Ela é capaz de reconhece-lo com apenas uma palavra, ao telefone. E assim acaba por descobrir os que o ex anda aprontando por aí. Ok! Admito que o fato de ela seguir seus passos por Barcelona à fora também ajuda. 

Entre uma busca e outra pela cidade, a moça acaba por colecionar os mais diferentes tipos em seu apartamento. A boa escolha do elenco só completa as idiossincrasias de cada um dos integrantes deste inusitado grupo. Carmen Maura, quando não aparenta está a beira das lágrimas, parece meio fora do juízo perfeito. Já Maria Barranco (que não sei porque me lembra Andréa Beltão), rouba cena como amiga deseperada, a ponto de rejeitar os beijos de um joven Antonio Bandeiras. 

Em um filme de encontros, onde o Ivam é o único desencontro, Almodóvar nos apresnta as situções mais absurdas possíveis. Seja como ter a "sorte" de encontrar o mesmo simpático taxista sempre embarca em um carro. Ou do filho de seu amante ser um dos candidato a alugar seu apartamento. É improvável, absurdo mas acreditamos. E pior ao final achamos que faz muito sentido toda aquela bangunça. 

Talvez porque, ao menos para as mulheres, é facil simpatizar com aquela "TPM coletiva", seja quais forem os motivos para as situações absurdas e os acessos de raiva por que passam as personagens. Além de descobrirmos um ótimo uso para os descartáveis aparelhos de celular que dispensamos pelo modelo da moda: atire-os pela janela e torça para que ele leve junto seus problemas, ou ao menos sua agonia.


*Imposssível não imaginar o dublador de verdade, fazendo a dublagem de alguém que está dublando. Situação curiosa!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Um café com Almodóvar

A Illy Art Collection costuma homenagear artistas em suas peças. Em 2009 lançou uma coleção de xícaras inspiradas em Pedro Almodóvar. As seis  peças foram criadas por Juan Gatti, que faz os gráficos para os filmes do diretor espanhol. E tornam qualquer café mais interessante, não?

Confira imagens de cada uma delas, e torça para a hora do cafézinho chegar logo.
Má educação

Mulheres a beira de um ataque de nervos

A flor do meu segredo

Ata-me

Volver


De salto alto

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Curiosidades e prêmios de Mulheres à beira de um ataque de nervos

Mulheres a beira de um ataque de nervos foi o primeiro dos dois filmes de Pedro Almodóvar que foram indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.O outro foi Tudo sobre minha mãe.

Victoria Abril recusou o papel de "Candela", que ficou com Maria Barranco.

A o relacionamento pessoal ente Almodóvar e Carmen Maura foi bastante conturbado durante as filmagens.  Maura o definiu como "vivendo no inferno". Levou 18 anos para que os dois trabalhassem juntos novamente.

Prêmios

Oscar
Indicado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. 

Globo de Ouro 
Indicado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

BAFTA 
Indicado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. 

Prêmio Goya 

  • Melhor Filme
  • Melhor Atriz (Carmen Maura)
  • Melhor Atriz Coadjuvante (María Barranco)
  • Melhor Roteiro Original
  • Melhor Edição (Montagem). 

Indicado nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Guillermo Montesinos), Melhor Atriz Coadjuvante (Julieta Serrano), Melhor Fotografia, Melhor Desenho de Produção, Melhor Maquiagem, Melhor Trilha Sonora, Melhor Figurino, Melhor Som, Melhor Direção de Produção e Melhores Efeitos Especiais. 

Festival de Veneza 

  • Melhor Roteiro

Festival Internacional de Toronto 

  • Prêmio do Público. 

Prêmio David di Donatello 

  • Melhor Diretor estrangeiro (Pedro Almodóvar). 


National Board of Review (EUA) 

  • Melhor Filme em Língua Estrangeira.

Prêmios Sant Jordi (Espanha) 

  • Melhor Atriz Espanhola (María Barranco)

domingo, 21 de agosto de 2011

Mulheres à beira de um ataque de nervos

Porque a vida tem muito drama, mas às vezes é uma grande comédia.

Mujeres al borde de un ataque de nervios
Espanha, 1988
90 min - cor
Comédia

Direção: Pedro Almodóvar

Roteiro: Pedro Almodóvar

Música: Bernardo Bonezzi

Elenco: Carmen Maura, Antonio Banderas, Julieta Serrano, María Barranco, Rossy de Palma, Chus Lampreave.

sábado, 20 de agosto de 2011

A vida como ela é

Um brinde às doces descobertas da vida, que sempre acontecem depois que se prova o amargo

Bittersweet é uma palavra inglesa de que gosto muito: resume muita coisa numa única palavra, amargo, doce, gostoso, estranho, azedo, gostinho de "quero mais". Acho que essa seria a palavra que eu descreveria a vida. E então eu acho bem lógico usar a mesma palavra pra descrever esse retrato que Almodóvar fez da vida. A flor do meu segredo (La flor de mi secreto, 1995) conta a história de Leo (Marisa Paredes, divina), uma escritora que se esconde atrás de um pseudônimo - Amanda Gris - e escreve romances água-com-açúcar, mas que fazem o maior sucesso. Mas em seu interior, Leo está morrendo... Seu casamento está em pedaços, e sua dor não deixa que sua escrita seja tão leve quanto os seus editores gostariam.

Pra completar, a mãe dela, que mora com a irmã, não dá sossego: faz drama por qualquer coisa, implica com a filha mais nova, que, apesar das dificuldades, cuida dela. A única segurança e apoio que encontra é em Blanca (Manuela Vargas), sua empregada. Aos poucos a vida vai pregando peças - como ver um livro seu ser publicado por outra pessoa, ser obrigada a escrever uma resenha sobre seu próprio livro e descobrir que seu marido a traía com sua melhor amiga, mas também vai dando oportunidades. A amizade com o novo editor, a volta pra casa com a mãe (e o afastamento merecido do sofrimento que passava), a descoberta do talento da empregada. Coisas simples, mas que fazem a diferença na vida de quem acha que não tem mais chance de ser feliz na vida. E quando ela descobre que certas coisas são inevitáveis, e ela encontra coragem para enfrentar seu maior medo e finalmente ouve aquilo que nunca gostaria de ouvir, então as coisas começam a melhorar. Ninguém disse que seria fácil, mas depois que o medo é vencido, fica mais fácil se manter na luta.

Então Leo volta para Madri, mais forte, mais decidida. O medo ainda existe, mas ela se acha mais forte pra enfrentar a vida. Está livre de seu contrato porque Ángel (Juan Echanove) assumiu seu pseudônimo e escreveu dois livros como Amanda Gris. Ela já não tem as garantias de um casamento nem de um emprego fixo, mas a vida nunca pareceu tão boa e viva.

Quem não se apaixonar por esta senhorinha bom da cabeça não é!

O talento de Marisa Paredes é explorado ao máximo, e ela não se poupa. O desespero de Leo fica evidente em todas as tomadas, até que ela finalmente se livra desse peso em sua vida: então ela aparece radiante, renovada, maravilhosa. E a gente fica feliz de vê-la tão bem. Todo o elenco de apoio também é muito bom: destaco Juan Echanove, que fez de seu Ángel um cara apaixonado sem ser melodramático ou piegas - apesar de ele ser um escritor de romances "incubado", e a fofíssima Chus Lampreave, que faz a mãe de Leo. Gargalhei horrores com as loucuras da mãe chantagista emocional de primeira, mas que ainda tinha no coração muito amor pelas filhas e sábios conselhos a dar.

O filme é mais uma observação atenta aos detalhes da vida. O ritmo é tranquilo, nós somos observadores do desenrolar da história - assim como somos do espetáculo da vida. Não há acontecimentos extraordinários, tudo é muito linear - nada demais, porém não significa que não é importante. Toda vida tem drama, só existem pessoas que tem mais dificuldade em se livrar daquilo que as faz mal. Escritores usam seu talento para criar fugas dessa realidade ou dissecam o que veem. No filme, Almodóvar disseca a vida simples de quem escolheu melhorar a vida dos outros, mesmo quando sua própria vida não estava tão bem assim. A vida é tão simples quanto a palavra bittersweet, reúne tudo numa síntese difícil de explicar - mas que todo mundo entende.

Discreto na forma, mas melodrama na essência


A flor do meu segredo é elegante na forma, mas é melodrama na alma. Apesar das interpretações contidas, dos tons mais sóbrios, dos diálogos moderados, Leo, interpretada com maestria por Marisa Paredes, está sempre a ponto de explodir. É uma personagem complexa, densa. Seus sentimentos vão da depressão ao ódio, da euforia à indiferença, da esperança à conformidade o tempo todo. Talvez todos eles possam ser exprimidos por uma palavra: dor. Uma dor intensa, mostrada sem excessos, com apenas algumas lágrimas discretas. É um Almodóvar comedido, sem perder a essência.

A solitária escritora que ganha a vida publicando romances cor de rosa, por meio de um pseudônimo (Amanda Gris, cujo sobrenome significa cinza em espanhol), já não consegue controlar mais as palavras. Todos saem negros, como ela mesma diz, diante dessa verdadeira gangorra emocional que se tornou sua rotina desde que se instaurou uma crise praticamente incontornável em seu casamento. Mas ela tenta, a todo custo, manter as aparências. Não por acaso, em várias passagens do filme, vemos a protagonista coberta por uma espécie de véu, de cortina, ou refletida em um espelho. E o cineasta brinca com eles o tempo todo, inclusive em uma das cenas mais esperadas pelos espectadores: o reencontro com Paco (Imanol Arias). Ela deseja esse momento mais do que tudo. Mas o que se vê é apenas um reflexo fragmentado de um ex-casal apaixonado, a imagem perfeita para representar uma relação que já não existe de verdade há algum tempo.

Depois de enfrentar a inevitável verdade, Leo vira uma "vaca sem badalo", como diz sua mãe, usando uma expressão comum em seu povoado. Sem rumo na vida, perdida, desamparada. Sorte que em seu caminho existe um anjo. Ángel (Juan Echanove), na verdade, o editor do El País que aceita publicar seus artigos sobre literatura. Belíssima a cena em que a escritora, usando um casaco azul, sai a esmo no meio de um protesto de estudantes, todos convenientemente vestidos de branco. Quando ela não consegue mais se encontrar, é nos braços do novo amigo que ela encontra algum conforto. Esse episódio, aliás, é relembrado mais tarde pelo próprio Ángel, que faz uma simpática analogia a Casablanca. Adoro esse jeito que Almodóvar encontra de citar seus filmes preferidos em suas obras.


O modo como essa relação se desenrola, contudo, me incomoda um pouco por ser previsível demais. O que salva é a solução divertida que o diretor encontra para que o jornalista ajude Leo a se livrar da pressão da editora, que exige de forma agressiva os romances pré-estabelecidos por contrato. Um pouco de sarcasmo sempre vai bem... E os mais atentos devem ter reparado que o romance "Frigorífico", rejeitado pela mesma editora por não seguir o perfil água com açúcar das novelas de Amanda Gris, nada mais é do que o argumento de Volver! Assim como a enfermeira Manuela, que aparece apenas no início do filme, é a mesma personagem que seria interpretada por Cecilia Roth em Tudo sobre minha mãe quatro anos mais tarde. Gosto muito dessa ideia de seus filmes falarem entre si.

Por fim, não poderia deixar de mencionar o trabalho impecável de Chus Lampreave, que interpreta a mãe de Leo e faz uma bela dupla com Rossy de Palma, no papel de Rosa. As duas são responsáveis pelos momentos mais divertidos do filme. Segundo Almodóvar, que sempre que pode faz referências a passagens de sua infância e inclui elementos autobiográficos em seus trabalhos, elas têm muito de sua mãe e suas irmãs, no jeito de falar e no convívio complicado. Aliás, toda família tem um pouco disso, não é? É bom ver que, na vida, nem tudo precisa ser tão pesado sempre. Às vezes também é bom rir de si mesmo.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

À beira de um ataque de nervos


Em A flor do meu segredo, Léo (Marisa Paredes) é uma mulher frágil e iludida, assim como os romances açucarados que escreve sob o pseudônimo de Amanda Gris. Tão presa ao marido que vive fora, como as apertadas botas que ganhou dele, que se recusam a sair de seus pés facilmente. É difícil se encantar de primeira por ela. Mesmo porque as complicações que a deixam a ponto de desmoronar, à primeira vista parecem fúteis e super-estimadas. Então o quadro complica.

A crise em seu casamento chega a um ponto insustentável, o que afeta sua habilidade de escrever. Agora Léo se interessa por dramas mais verdadeiros, deixando os editores dos romances de Amanda Gris a ponto de processá-la. Sua empregada e "braço direito" parece ter outros planos de carreira. Quando ela ensaia  uma mudança, mesmo que pequena (escrever sobre literatura para um jornal), começamos a nos importar por ela e torcer para que esse vislumbre de confiança dure mais que alguns minutos de projeção.
A essa altura você já deve imaginar que a mudança exige da protagonista bem mais do que ela esperava. E o processo é lento e doloroso. Por vezes esporádicos, perdendo muito tempo com as poucas pessoas que a cercam (a mãe, a empregada, o filho drogado da editora), deixando o ritmo do longa arrastado, em alguns momentos.
O talento de Marisa Paredes compensa essas falhas ao apresentar várias nuances de uma mesma pessoa. Que  passa de uma escritora frágil e sensível a uma pessoa realista e auto-confiante. Embora de vez em quando a fragilidade se manifeste, em momentos tristes. Nada mais realista, afinal ninguém é completamente uma coisa ou outra, não é mesmo?

O paralelo entre sua personalidade e o que escreve só não é mais interessante que a crítica à indústria literária. Difícil crer o quão detalhado pode ser um acordo entre editora e autor. Neste caso, determina desde temática e estilo dos livros até o tipo de personagens e situações que pode, ou não, ter.

É claro que depois da tempestade vem a bonança. E assim, a duras penas, vemos Léo deixar de ser uma "vaca sem badalo" (uma das melhores analogias já mencionadas no cinema), tomar as rédeas de sua vida e aprender a viver por conta própria. Assim como não foi fácil para ela,  para nós também não é tão agradável ver os extremos do ser humano. Mas a lição que vem daí, essa tem muito valor. 

P.S.: A melhor amiga de Léo trabalha no instituto de transplantes. Ela ensina aos médicos como abordar os familiares de doadores em potencial, já que informar sobre a morte, e pedir os órgãos de uma pessoa a um parente em uma mesma conversa pode ser uma tarefa difícil. A moça que faz essas encenações se chama Manuela. Mesmo nome e profissão da personagem de Cecilia Roth em Tudo sobre minha mãe. Não pode ser coincidência, né!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Curiosidades de A flor do meu segredo

- Quando Leo encontra pela primeira vez Ángel em seu escritório, ela enumera uma série de escritores do sexo feminino que a inspiram. Uma delas é Dorothy Parker, autora da história que inspirou o roteiro.

- O livro que destoa da coleção feita pela personagem principal pode ser conferido no filme Volver

- Durante o filme, Leo fala sobre linhas de história para os livros. Uma das histórias é sobre uma garota que mata seu pai depois que ele tenta estuprá-la e, em seguida, junto com sua mãe esconde o corpo em um freezer de restaurante. Este é o enredo básico de Volver

- Este filme foi o primeiro trabalho de Pedro Almodóvar lançado pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 1995. O evento contou com a presença do diretor e de algumas atrizes, como Rossy de Palma e Marisa Paredes. 

- O filme tem, na trilha sonora, a canção "Tonada de luna llena", na voz de Caetano Veloso e executada nos créditos finais.


Prêmios

GOYA 
Indicações para  Melhor Diretor (Pedro Almodóvar),  Melhor Atriz (Marisa Paredes), Melhor Ator Coadjuvante (Rossy de Palma e Chus Lampreave), Melhor Cenografia, Melhor Maquiagem e Melhor Som.   

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Filmografia Almodóvar

Não são poucas as obras com direção de Almodóvar. Desde 1974, o diretor mantém uma média de um filme a cada dois anos. Curioso é descobrir que a lista de filme como ator também não é muito modesta. Mesmo quando a participação se limita a modestas aparições, o que geralmente acontece em alguns de seus filmes.

Filmes como diretor

2011 - A pele que habito (La piel que habito)
2009 - Abraços partidos (Los abrazos rotos)
2006 - Volver (Volver)
2004 - Má educação (La mala educación)
2002 - Fale com ela (Hable con ella)
1999 - Tudo sobre minha mãe (Todo sobre mi madre)
1997 - Carne trêmula (Carne trémula)
1995 - A flor do meu segredo (La flor de mi secreto)
1993 - Kika (Kika)
1991 - De salto alto (Tacones lejanos)
1989 - Ata-me! (Átame!)
1988 - Mulheres à beira de um ataque de nervos (Mujeres al borde de un ataque de nervios)
1987 - A lei do desejo (La ley del deseo)
1986 - Matador (Matador)
1985 - Traíler para amantes de lo prohibido
1984 - Que fiz eu para merecer isto? (Qué he hecho yo para merecer esto?)
1983 - Maus hábitos (Entre tinieblas)
1982 - Labirinto de paixões (Laberinto de pasiones)
1980 - Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón
1978 - Folle... Folle... Fólleme Tim! (curta-metragem)
1978 - Salomé (média-metragem)
1977 - Sexo va, sexo viene (curta-metragem)
1976 - Muerte en la carretera (curta-metragem)
1976 - Sea cariativo (curta-metragem)
1975 - Blancor (curta-metragem)
1975 - La caída de Sodoma (curta-metragem)
1975 - Homenaje (curta-metragem)
1975 - El sueño, o la estrella (curta-metragem)
1974 - Dos putas, o historia de amor que termina en boda (curta-metragem)
1974 - Filme político (Film político) (curta-metragem)

Filmes como ator

1991 - Na cama com Madonna (Truth or dare / In bed with Madonna)

1987 - A lei do desejo (La ley del deseo)
1986 - Matador
1984 - Que fiz para merecer isto? (¿Qué he hecho yo para merecer esto?)
1983 - Maus hábitos (Entre tinieblas) 
1982 - Labirinto de paixões (Laberinto de pasiones)

1980 - Pepi, Luci, Bom e outras garotas de montão (Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón)

1978 - Tiempos de constitución


domingo, 14 de agosto de 2011

A flor do meu segredo

Os dramas de uma escritora, será que blogueiras se identificam com ela?

La flor de mi secreto
Espanha/França - 1995
105 min - Cor
Drama

Direção: Pedro Almodóvar

Roteiro: Pedro Almodóvar

Música: Alberto Iglesias

Elenco: Marisa Paredes, Juan Echanove, Carmen Elias, Rossy de Palma...

Baseado em história de Dorothy Parker


sábado, 13 de agosto de 2011

O poeta é um fingidor

Transformar a tristeza em algo bom - eis o grande desafio

Almodóvar é um poeta, tira da dura vida de seus personagens exemplos fortes, marcantes, dores que ensinam e fazem crescer. Aqui ele pega o amor mais sublime que existe, o amor de mãe, expõe todas as feridas que um amor dessa magnitude é capaz de infligir. Mas nem por isso se pode amar menos, nem assim se pode desistir de ser feliz. Finge-se calma no meio da tempestade para que se possa sobreviver, e no peito carrega-se uma esperança, não se sabe em que, de um dia essa dor irá regredir e será possível a paz. Nem sempre as circunstâncias serão fáceis, nem é certo de que se conseguirá ter êxito nessa busca incessante pela cura.

Os sacrifícios que a mãe faz pelo filho, a dor de perdê-lo, a busca pelo passado que ela fugiu, o inesperado emprego, a inesperada ajuda, as impensáveis amizades, a inestimável perda, o reencontro, o desespero, a esperança renovada. Um filme emocionante, que tocou fundo em minha alma. Uma experiência primorosa, que me deixou muito a pensar. Faltam-me palavras para descrever o que vi em cena, pois Tudo sobre minha mãe (Todo sobre mi madre, 1999) é um relato emocional - você tem que se apegar às personagens, tem que sentir a dor delas, essas mulheres incríveis. Não dá pra racionalizar um filme desses. Tanto que não há "pegadinhas" no roteiro, tudo é explicado e tudo tem uma solução. O verbo desse filme é imperativo: sinta. Eu senti, e não me arrependo de ter aberto meu coração pra uma história dessas.

Um filme brilhante


Tudo sobre minha mãe é daqueles filmes que só podem ter uma assinatura: Pedro Almodóvar. É praticamente impossível imaginar qualquer outro diretor levando essa história, ao mesmo tempo tão improvável e tão crível, para o cinema com tanta segurança e sensibilidade. É até difícil convencer alguém com esse argumento: uma mãe que perde o filho no dia do aniversário de 17 anos, em pleno luto, tenta dar a notícia ao pai desaparecido, que agora atende por Lola e que engravidou uma jovem freira. Dizendo assim, parece se tratar de um roteiro de quinta, que não caberia nem em novela mexicana. Mas tudo na tela transpira verdade, e o filme é tão envolvente que, quando acaba, você só consegue dizer: "Nossa!". Porque, apesar da trama tão peculiar e de personagens únicos como esses, o longa fala é de sentimentos. E esses são universais.

A dor de uma mulher que vê seu filho partir de uma maneira estúpida. A dor de uma mulher que vê a pessoa amada se afundar nas drogas, prejudicar a carreira e destruir o relacionamento. A dor de uma mulher que é obrigada a esconder a gravidez de Deus e da família. A dor de uma mulher que não nasceu mulher. Todas essas histórias, que se cruzam continuamente durante os 101 minutos de projeção, são capazes de emocionar o espectador mais frio. E também o mais conservador. Porque o mais lindo no filme é que não há estereótipos, não há julgamentos, não há preconceitos. Não há certo e errado, embora todos errem mais do que acertem.


O objetivo também não é chocar. As palavras chulas são perfeitamente cabíveis em cada situação e em cada personagem. O casal lésbico mal se anuncia como tal: a questão é colocada com uma sutileza que eu nunca vi antes. Fica evidente que se trata de um casal como outro qualquer, e a homossexualidade ali não é uma questão a ser discutida ou bandeira a ser levantada. E o transsexualismo é visto sob a ótica do humor, mas sempre com respeito. Antes de tudo, são as pessoas que importam. E Almodóvar tem a sorte de contar com um elenco estupendo para nos convencer disso. 

Cecilia Roth, que tem a maior responsabilidade de todas, consegue construir uma Manuela vulnerável e forte. É difícil não chorar com ela. Marisa Paredes, Penélope Cruz e Candela Peña também estão excelentes, mas é mesmo Antonia San Juan que rouba a cena toda vez que tem oportunidade. Agrado ("Me chamam Agrado, porque toda a minha vida sempre tento agradar aos outros") é a personagem responsável pela parte cômica do filme, e a atriz realiza muitíssimo bem a tarefa. É sempre divertido vê-la em cena. Mas, no diálogo no teatro, ela também emociona. Depois da piada, que lhe é natural e faz parte do seu carisma, vem o que ela realmente pensa da vida - e que nos faz pensar também. "Custa muito ser autêntica, senhora. E, nessas coisas, não se deve economizar, porque se é mais autêntica quanto mais se parece com o que sonhou para si mesma". Será que alguém que sempre tenta agradar aos outros consegue ser autêntico? A que preço?


Mas o roteiro e as atuações não são os únicos acertos da produção. Almodóvar nos conta essas histórias incríveis de uma forma não menos do que bela. Seja em planos inusitados como Esteban (Eloy Azorín) escrevendo sobre a câmera ou metafóricos como os longos túneis que representam as constantes fugas de Manuela. Sem mencionar, é claro, a antológica cena do atropelamento, linda, linda. Mas não pude deixar de notar também que, em dois momentos diferentes, vida e morte se entrelaçam de maneira forte no filme. Sempre tendo o hospital como cenário. A primeira, quando o adolescente é declarado morto, e seu saudável coração garante a sobrevida de um desconhecido. A segunda, quando Rosa está prestes a dar à luz. Em vez do parto, o que vemos é um enterro. Um Esteban morre, para que alguém viva. Alguém morre, para que outro Esteban nasça. Parece haver um certo equilíbrio aí. Um equilíbrio estranho, como tudo nesse mundo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sandy, Junior e Almodóvar


Pesquisando sobre Tudo sobre minha mãe na internet, acabei achando esse vídeo da então dupla Sandy e Junior. Dirigido por Fernando Andrade e pelo próprio Junior, o clipe de "Estranho jeito de amar", de 2006, é, na verdade, um curta de quase dez minutos que faz claras referências ao filme. A mais óbvia reproduz uma das cenas mais lindas (e tristes) do filme, quando a câmera mostra uma desesperada Manuela vendo seu filho perder a vida em questão de segundos. Na música, a personagem de Sandy corre ao encontro do namorado. Depois, no hospital, uma outra citação, mais sutil, mas perfeitamente identificável. 

Achei muito válida a iniciativa. Sou sempre a favor de fugir do óbvio - e quem imaginaria Sandy e Junior homenageando Almodóvar? A ideia, pelo que li numa entrevista, partiu do diretor, mas ainda assim é positiva. No fim das contas, o curta é bem realizado, e a cantora se sai bem na interpretação. Meu único senão vai para a parte propriamente "musical" do clipe. Tinha mesmo que cortar todo o clima da história para mostrar o Junior e a banda de apoio tocando e a Sandy posando de sexy? Não precisava. Mas ruim mesmo é a versão editada do vídeo, bem mais curta, que deve ter passado à beça nas MTVs da vida. Além de atrapalhar a compreensão total da história, tem um corte grotesco da cena que mencionei lá em cima. Perdeu totalmente o sentido e o resultado é péssimo. Vejam as duas versões e tirem suas conclusões.

"Estranho jeito de amar" na íntegra:



"Estranho jeito de amar" versão mutilada:

Não apenas sobre minha mãe...

Manuela (Cecilia Roth) é uma mãe solteira. Sua vida era cuidar de seu único filho, o escritor precoce Esteban (Eloy Azorín). Para comemorar os 17 anos do rapaz, mãe e filho vão assistir à peça Um bonde chamado desejo, estrelada por Huma Rojo (Marisa Paredes), de quem o rapaz é fã. Logo, não é de se espantar que Esteban convença a mãe a esperar na porta do teatro, debaixo de uma tempestade, para conseguir um autógrafo da musa. O rapaz é atropelado ao tentar alcançar o carro da atriz. A partir daí é que realmente passamos a conhecer tudo sobre sua mãe.

Sem chão, ao perder seu filho, Manuela tentou encontrar consolo até seguindo o coração doado por seu filho. Sem sucesso ela resolve encontrar o pai do rapaz, que nunca soubera de sua existência, para dar a notícia. E talvez ter alguém com quem compartilhar a dor.

Ela vai para Barcelona, direto para um ponto de protituição, pois o pai é um travesti, Lola (Toni Cantó). Reencontra Agrado (Antonia San Juan), também travesti e grande amiga do passado. Conhece, e ajuda, a Irmã María Rosa Sanz (Penélope Cruz), boa moça, também desencaminhada por Lola. Busca emprego e acaba se tornando assistente de Huma, musa por quem seu filho dera a vida. 

Somando tudo, parecem situações bizarras demais para acontecer, ainda mais com uma mesma pessoa. Entretanto a naturalidade com que são conduzidas e sua função na vida de Manuela a tornam críveis até para os mais detalhistas. Cada novo encontro coloca a protagonista um passo mais longe da depressão causada pela perda de Esteban. Mesmo quando esta fora causada pelo desespero e busca por um pouco de seu filho. É assim, por exemplo, que ela conhece Huma. 
  
Uma vez que as situações são um pouco absurdas, as atuações são contidas. Mesmo em cenas mais fortes, evitando sempre o "dramalhão". Cada cena cumpre sua função, na medida certa, assim como o trabalho do elenco, harmonioso mesmo com personagens tão opostos como Irmã Rosa e Agrado.

Embora Manuela seja o motor, cada personagem tem sua jornada, e seu passado. E, à exceção de Esteban, que se despede logo no início, todas as personagens principais são femininas (às vezes não exatamente mulheres, mas femininas). Mostrando não apenas a predileção de Almodóvar ao abordar o universo feminino, mas sua habilidade e delicadeza em fazê-lo.

Muito bem elaborado, executado e resolvido, Tudo sobre minha mãe é um drama sobre pessoas de verdade em situações extremas. E nos apresenta com respeito e sensibilidade não apenas a mãe de Esteban, mas várias mulheres (sejam nascidas assim, ou mulheres por opção), seus momentos, pensamentos e atitudes de forma sensível e inteligente.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Todos os prêmios de Tudo sobre minha mãe

O longa de Almodóvar coleciona prêmios. Tomara que "minha mãe" tenha muitas prateleiras em casa! 

OSCAR 
  • Melhor Filme Estrangeiro 

Almodóvar e um dos vários Goya.
GOYA 
  • Melhor Filme 
  • Melhor Diretor - Pedro Almodóvar
  •  Melhor Atriz - Cecilia Roth
  •  Melhor Trilha Sonora 
  • Melhor Cenografia 
  • Melhor Maquiagem 
  • Melhor Som  

Indicado para,  Melhor Atriz Coadjuvante (Candela Peña),  Melhor Revelação Feminina (Antonia San Juan),  Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Direção de Arte e Melhor Roteiro Original.

GRANDE PRÊMIO DO CINEMA BRASILEIRO 
  • Ganhou Melhor Filme Estrangeiro 

FESTIVAL DE CANNES 
  • Melhor Diretor - Pedro Almodóvar. 


GLOBO DE OURO 
  • Melhor Filme Estrangeiro 

CÉSAR 
  •  Melhor Filme Estrangeiro 

BAFTA
  • Melhor filme em língua não inglesa 
  • Prêmio David Lean para direção (Pedro Almodóvar). 

Indicado na categoria de melhor roteiro original. 

PRÊMIO DAVID DI DONATELLO 
  • Melhor filme estrangeiro. 

INDEPENDET SPIRIT AWARDS
  • Melhor filme estrangeiro. 

PREMIO BODIL
  • Melhor filme não-americano.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Descobrindo tudo sobre minha mãe

- O nome original do filme, Todo sobre mi madre, é uma homenagem de Pedro Almodóvar ao filme All About Eve (no Brasil, A Malvada), de 1950. Ao assistir ao filme com sua mãe, Estebán reclama do título do filme, dizendo que este deveria ter sido traduzido ao pé da letra.

- Este é o segundo de quatro filmes em que o diretor e a atriz Penélope Cruz trabalharam juntos. Os demais foram Carne trêmula (1997), Volver (2006) e Abraços partidos (2009);

- É o quarto de seis filmes em que Almodóvar e a atriz Marisa Paredes trabalham juntos. Os anteriores foram Maus hábitos (1984), De salto alto (1991), A flor do meu segredo (1995), Fale com ela (2002) e La piel que habito (2011);

- Além do Festival de Cannes, onde foi premiado, o filme ainda participou dos Festivais do Rio e de Nova York;

- Tudo sobre minha mãe é a 18ª indicação de um filme espanhol na categoria de melhor filme estrangeiro do Oscar.

- O filme é dedicado a grandes mulheres do cinema e também à mãe de Almodóvar, que morrera logo após o final das filmagens.

- O monólogo de Agrado foi baseado em um evento da vida real. Quando o sistema eletrônico de um teatro argentino falhou, o diretor suspendeu o show. A atriz Lola Membribes decidiu dar a notícia para o público e torná-los uma oferta: se ia ficar, eles poderiam ouvir a narração de sua vida.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Amodóvar estilizado

A internet pode até ser a terra das baboseiras, mas sempre há algo interessante para encontrar quando se está "à deriva" na rede. Como esta imagem, com filmes do Almodóvar estilizados. Pena não conhecermos a autoria (é sua a imagem? Conte para a gente!).


Mulheres à beira de um ataque de nervos, Ata-me!, De salto alto, A flor do meu segredo, Carne trêmula, Tudo sobre minha mãe, Fale com ela, Má educação, Volver.

domingo, 7 de agosto de 2011

Tudo sobre minha mãe

O que elas não fazem por seus filhos?

Todo sobre mi madre
Epanha - 1999
101 min - Cor
Drama

Direção: Pedro Almodóvar

Roteiro: Pedro Almodóvar

Música: Alberto Iglesias

Elenco: Penélope Cruz, Cecilia Roth, Marisa Paredes, Antonia San Juan, Candela Peña....

Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Curiosidades de Má educação

- Má educação foi o primeiro filme espanhol a abrir o festival de Cannes, na edição de 2004.

- O diretor dedicou a sessão de estréia para as vítimas do atentado da Al'Qaeda que acontecera em Madri no mês anterior.

- Pedro Almodóvar trabalhou no roteiro por 10 anos.

- Mexicano, o ator Gael García Bernal precisou aprender o sotaque da Espanha para convencer Almodóvar a lhe dar o papel. Ele também teve de dominar a linguagem corporal espanhola. Teve aulas de flamenco, estudou os filmes de Barbara Stanwyck e Sara Montiel. Assim como as protagonistas anteriores de Almodóvar.

Poster japonês (!)
- No início do filme, há um cartaz de um filme fictício chamado "La abuela fantasma" na parede do estúdio de Enrique (é claramente visível quando Ignacio deixa depois de dar seu roteiro de Enrique). "La abuela fantasma" foi o título original de um outro Pedro Almodóvar filme, Volver.

- Quando Juan e Berenguer (Padre Manolo) vão ao cinema os filmes que vêem são A besta humana, de Jean Renoir, e Thérèse Raquin, de Marcel Camé. Dois filmes do noir francês. Em ambos são apresentadas situações semelhantes às das personagens, por isso eles dizem: "É como se todos esses filmes falassem de nós".

Prêmios

Prêmio NYFCC 2004 (New York Film Critics Circle Awards, EUA)

  • Venceu na categoria de melhor filme estrangeiro.

BAFTA 2005 (Reino Unido)
Indicação na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Poster Japonês(!)
Prêmio César 2005 (França)
Indicação na categoria de Melhor Filme Europeu.

Independent Spirit Awards 2005 (EUA)
Indicação na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Prêmio Goya 2005 (Espanha)
Indicações nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Direção de Arte e Melhor Desenho de Produção.

European Film Awards 2004
Indicações nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora, Melhor Diretor - Júri Popular e Melhor Ator - Júri Popular (Fele Martinez).