3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Os vampiros no cinema

Vampiros de todos os tipos e idades!
Apenas este mês já publicamos cerca de 30 textos relacionados ao universo doa vampiros no cinema. Apesar de não cobrirmos tudo (nunca tivemos a ilusão de tal), é conteúdo suficiente para ocupar os leitores por um bom tempo.

Ficou atrasado esse mês? Acha que não vai dar conta de tanta leitura? Seus problemas acabaram! Confira a seguir esse vídeo do "Wat's on", programa dos intervalos do Universal Channel que faz uma rápida corrida pela trajetória dos bebedores de sangue pelo cinema. Assim, você pode ter uma rápida introdução, enquanto coloca calmamente a leitura em dia. Mas não deixe de ler, hein!

domingo, 30 de outubro de 2011

Entrevista com o vampiro

Sua oportunidade de saber tudo que queria sobre os vampiros. Isto é, na versão sedutora de Anne Rice. Assista à entrevista...

Interview with the vampire: The vampire chronicles
EUA - 1994
122min - colorido
Suspense

Direção: Neil Jordan

Roteiro: Anne Rice

Música: Elliot Goldenthal

Elenco: Tom Cruise, Brad Pitt, Antonio Banderas, Stephen Rea, Kirsten Dunst, Christian Slater.

Baseado no livro homônimo de Anne Rice.


sábado, 29 de outubro de 2011

Versão primitiva do Conde Drácula


Nosferatu me deixou confusa. Porque, ao mesmo tempo em que carrega os principais elementos da clássica história de Bram Stoker, consegue ser uma obra extremamente diferente de Drácula. À parte a questão dos direitos autorais, que foi "resolvida" com uma preguiçosa (e até picareta, eu diria) mudança de nomes e a alteração do desfecho, creio mesmo que F.W. Murnau tinha ambições distintas das de Tod Browning, diretor responsável pela adaptação com Bela Lugosi. Pesando os prós e os contras, acho que fico com a versão de 1931, embora digam que a produção alemã tenha conseguido ser mais fiel na caracterização do papel-título. Questão de gosto. Mas também fiquei curiosíssima para ler o romance original e ver o que, afinal, é baseado no livro e o que é pode ser considerado livre interpretação.

Embora o longa tenha suas qualidades - pioneirismo entre elas, sem sombra de dúvida -, não pude evitar a decepção. A começar pelo próprio Nosferatu: seguindo a estética do expressionismo alemão, a caracterização da criatura é propositalmente exagerada e assustadora, com suas orelhas disformes, dentes pontiagudos e garras enormes. Esqueça o título de nobreza, o conde Orlok/Dracula (Max Schrek) não passa de um monstro, uma besta que espalha doença por onde passa. Causa espanto até o fato de ele falar tão articuladamente (apenas nas primeiras participações, reparem), já que o visual é de um animal ávido por sangue bem próximo da irracionalidade. Confesso que a ideia de um vampiro dissimulado e sutil a ponto de se misturar aos demais me soa mais atraente. Outro aspecto interessante é que, apesar de ser o personagem principal, ele aparece muito pouco e, muitas vezes, acaba ofuscado pelos coadjuvantes. Sem falar que chegam a ser ridículas as cenas de Orlok correndo pela cidade de Bremen sorrateiramente, com seu caixãozinho debaixo do braço. Ele não poderia arrumar um servo só com o poder da sugestão para ajudá-lo nas tarefas mundanas?


Além disso, fazer um filme mudo tem suas limitações: o uso das cartelas, necessárias para a compreensão da história, ainda que comedido, acaba prejudicando o ritmo da narrativa. Elas não só diminuem a tensão em momentos decisivos como impossibilitam que o espectador faça suas próprias associações de ideias a partir das imagens. E nem vamos mencionar as interpretações, sempre um tom acima, como é inevitável em produções do tipo. Junte-se isso a uma certa inabilidade de conduzir as tramas paralelas (falha que poderia ser corrigida na hora da montagem) e o resultado são trechos absolutamente deslocados, como a "apresentação" do doutor Bullwer/Van Helsing (John Gottowt) numa chata aula sobre plantas carnívoras e pólipos. Era para ser uma metáfora, mas não funcionou muito bem. O personagem, que deveria ser importante, poderia ser totalmente limado da história que não faria a menor falta. Uma pena.

Acho que ficou bem claro que Murnau não tinha a pretensão de eternizar a figura de Orlok/Dracula como o vampiro-modelo que ele viria a se tornar nas décadas seguintes. Para ele, mais importante que caracterizar um ser mitológico vulnerável a água benta, alho e estacas era criar um ambiente de medo que tomasse conta de toda a população. Na trama, todos acreditam que uma pesta seja a causa de tanta morte e destruição, o que muitos associam ao clima pós-Primeira Guerra Mundial. A questão fica ainda mais alegórica ao pensarmos que a ameaça termina assim que Orlok/Dracula é atingido pelos primeiros raios de sol da manhã. Imediatamente, a doença desaparece. Não deixa de ser um fim esperançoso: por mais longo que seja o período das trevas, amanhã é outro dia.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Clássico sonolento

Quem nunca tomou um susto com uma sombra, que atire a primeira pedra!

Ok, esse pode não ter sido o meu melhor dia para ver esse filme. E não é porque o filme é mudo que ele é chato: muito pelo contrário, muitas das melhores experiências que tive aqui no blog vieram de filmes mudos - como Aurora (do próprio Murnau, diga-se), Luzes da cidade e Metrópolis, que vimos no ano passado. Mas, #DevoConfessarQue não curti muito esse Nosferatu (Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens, 1922).

Achei interessante a ambientação, a visão dos vampiros como monstros, a caracterização espetacular dos personagens - sem cores pra chamar a nossa atenção, a maquiagem foi muito bem construída e a caracterização de figurinos também. A ambientação de luz também é bacana, especialmente pela sacada genial de fazer a presença de Nosferatu (Max Schrek) assombrando a todos como uma sombra. Os dedos anormalmente longos da criatura não eram nada práticos ou plásticos, mas faziam toda a diferença no jogo de sombra.

Mas não consegui resistir à sonolência da trilha sonora. Eu juro que tentei, que lutei, que voltei algumas vezes desde o ponto onde havia cochilado antes. Mas não deu. Achei meio deslocada a trilha, que tinha momentos de tensão não condizentes com o que se via na tela. Prometo dar uma nova chance a este filme, até porque eu não acho muito digno eu dizer que não gostei porque eu não consegui ficar acordada. Se da segunda chance eu melhorar o meu conceito, eu aviso.

Outras encarnações de Nosferatu

Como foi muito bem observado pelos nossos prestativos leitores Hugo e Jaqueline, assim que anunciamos o filme da semana, Nosferatu não é um vilão de um filme só. Não houve sequências ou histórias anteriores ao filme de Murnau, mas o vampiro original no cinema visitou as telonas mais duas vezes.


Nosferatu - O vampiro da noite

(Nosferatu: Phantom der Nacht, 1979)

A produção francesa e alemã dirigida por Werner Herzog é uma adaptação do romance de Bram Stoker, mas também uma homenagem ao filme de Murnau. Ná época da produção, a história já era de domínio público, logo não havia empecilhos para o uso do nome Drácula. Nosferatu aparece em um livro que Jonathan Harker (Bruno Ganz) carrega consigo, no visual do vilão e, claro, no título. O enredo tem diferenças em relação à obra escrita e à versão de 1922, vinculando o vampirismo à peste negra.


1922
1979


A sombra do vampiro
(Shadow of the vampire, 2000)

Dirigido por E. Elias Merhige, sua história se passa durante as filmagens de Nosferatu, em 1921, e se aproveita do boato da época de que Max Schreck, intérprete original do vilão, seria realmente um vampiro. Criando um suspense ficcional com personagens da vida real, John Malkovich dá vida a F. W. Murnau, diretor de Nosferatu, que teria arriscado tudo por uma interpretação. Já o papel de Schreck, o vampiro, é vivido por um muito bem caracterizado Willem Dafoe.


Dafoe como Nosferatu
Malkovich - Murnau

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A primeira mordida a gente não esquece!

Conde Orlok (Max Schreck) resolve se mudar e consegue, com a ajuda do agente imobiliário Thomas Hutter (Gustav von Wangenheim). Infelizmente o excêntrico, e visualmente esquisito, senhor é na verdade um vampiro que deseja se mudar em busca de novos pescoços. E o pobre Hutter só descobre o fato quando já é tarde demais para impedir a viagem. Por onde Orlok passa a contagem de cadáveres, com duas pequenas marcas no pescoço, é alta. Até chegar ao seu novo lar, uma cidadezinha que logo acredita estar sendo assolada por uma praga.

Como avaliar o filme que deu o ponta-pé inicial na trajetória vampiresca no cinema? E para complicar, o longa ainda é um dos maiores expoentes do Expressionismo Alemão. Seria redundante afirmar que seu jogo de luz e sombra, e vários outros detalhes sobre trajetórias vampirescas influenciaram várias obras que vieram a seguir. Então não vou mencionar isso (ops! já foi)

Nosferatu não é um filme fácil. Afinal é em preto e branco, mudo e tem o ritmo e estilo de sua época. Foi lançado em 1922. As aterrorizantes cenas do vampiro, que propositalmente aparece pouco, para aumentar a tensão, hoje não metem medo. Até nos fazem rir, (vide a forma estilosa que o conde tem de levantar de seu caixão, lembra um boneco de trem fantasma de parque de diversões itinerante, estes alais devem ter sido inspirados em Orlok) entretanto ainda carregam o suspense.

É o suspense bem construído, aliado a uma história tão boa que vale arriscar um processo, que o tornam um clássico. O ritmo é estranho, algumas cenas são muito longas, as atuação é exagerada, e se trata da história do vampiro mais famoso do mundo (as cartelas da cópia que vi, até tinha o nome Drácula ao invés de Orlok), logo você sabe o que está por vir. Ainda assim, se preocupa com os personagens, e fica tenso com o suspense, o clímax que nunca chega.

E apesar de ser baseado em Drácula de Bram Stoker, ainda guarda uma surpresa para o final. - SPOILER - A morte pelo sol, ao invés de pelas mãos de Van Helsing, foi mais uma estratégia "falida" para não sofrer um processo. Mas acabou criando uma das características mais interessantes da mitologia vampiresca. Além disso o fato de não haver uma grande luta, mas sim um grande sacrifício, tornam o climax do filme incomum. - FIM DO SPOILER.

Nosferatu, não é divertido ou imprevisível, mas é interessante. Qualidade difícil de preservar após quase 100 anos de existência. Obrigatório para todo cinéfilo!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Curiosidades de Nosferatu

- Nosferatu é baseado em "Drácula", de Bram Stoker, contudo os herdeiros do escritor não autorizaram a produção. A solução foi alterar alguns nomes e lugares para continuar a produção. Mesmo assim, a obra foi processada por violação de direitos autorais, e a Justiça ordenou que se destruíssem as cópias do filme. Felizmente, muitas já havias sido distribuídas e algumas permaneceram guardadas até a morte da viúva de Bram Stoker.

- Filmado entre agosto e outubro de 1921.

- Count Orlok pisca apenas uma vez durante todo o filme.

- Muitas cenas com Graf Orlok foram filmadas durante o dia e, quando vistas em preto e branco, isso se torna extremamente óbvio. Esta gafe potencial foi corrigida quando as versões "oficiais" do filme foram tingidas de azul para representar a noite.

- O diretor F.W. Murnau achou Max Schreck "notavelmente feio" na vida real e decidiu que, para a maquiagem de vampiro, bastaria apenas orelhas pontudas e dentes falsos.

- A criatura que dizem ser um lobisomem, durante a cena no Inn, é na verdade uma hiena.

- O filme foi proibido na Suécia devido ao horror excessivo. A proibição foi finalmente suspensa em 1972.

- Houve diferentes nomes para os personagens principais em diferentes versões em inglês. Em alguns, Hutter é chamado de Thomas, em outros é Jonathon. Apesar de a esposa de Hutter ser creditada como Ellen, em algumas versões ela é chamada de Nina.

- Esta é a primeira vez na história do cinema em que um vampiro é morto pela luz solar. Murnau sabia que seria processado por se basear demais no romance de Bram Stoker sem permissão. Por isso, ele mudou o final. É deste filme que vem o conceito da cultura popular de que a luz solar é letal para os vampiros.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Assista a Nosferatu

Nosferatu já é uma obra de domínio público. Ou seja, pode ser exibido e distribuído sem maiores problemas. Logo não é surpresa encontrar o filme na íntegra no YouTube. Como aqui no sofá não perdemos a oportunidade de levar o máximo de informação dos filmes para você, não podíamos deixar de postar o filme na íntegra aqui no blog.  

Assista a Nosferatu e comente conosco!


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Galeria de pôsteres de Nosferatu

Escolher a imagem que ilustraria a ficha de Nosferatu, no DVD, Sofá e Pipoca, não foi tarefa fácil. Assim como seu "colega" Drácula, as várias décadas de existência renderam dezenas de pôsteres do vampiros. Ao longo de seus 89 anos, o longa ganhou diferentes imagens entre cartazes de relançamentos, exibições especiais e capas de DVD. 

Confira alguns destes pôsteres abaixo. O primeiro da galeria é datado em 15 de março de 1922, provavelmente da época do lançamento do filme.




















domingo, 23 de outubro de 2011

Nosferatu

O primeiro de muitos Dráculas do cinema!

Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens
Alemanha - 1922
80 min - P&B
Terror

Direção: F.W. Murnau

Roteiro: Henrik Galee

Elenco: Max Schreck, Greta Schröder, Karl Etlinger, John Gottowt.

Baseado, embora não oficialmente devido aos direitos autorais, em Drácula de Bram Stoker.



sábado, 22 de outubro de 2011

Ótimo filme pipoca de vampiros


Depois de um filme existencialista e um clássico que ajudou a consolidar a cultura vampiresca no cinema, nada melhor que um longa que prova que esse universo também pode ser muito divertido. Foi ótimo descobrir agora Os garotos perdidos, que figuraria fácil entre os meus preferidos de um ranking "Sessão da tarde". Com um elenco incrível em mãos, Joel Schumacher lança mão de bons efeitos especiais com moderação na hora de contar a história, que atrai mesmo pelo desenrolar do roteiro bem-humorado.

Dá para entender perfeitamente por que Sam (Corey Haim) achou meio ridículo o papo de Edgar (Corey Feldman) e Alan (Jamison Newlander) sobre as tais criaturas das trevas. A cidadezinha de Santa Clara, na Califórnia, tem mesmo um ar inofensivo, e falar sobre vampiros parece ser uma tática para assustar os recém-chegados. Mas quando seu irmão Michael (Jason Patric) volta meio estranho de uma noitada, com hipersensibilidade à luz e sem reflexo no espelho, é hora de pedir ajuda.


Kiefer Sutherland, ainda com aquele inacreditável cabelo parafinado que lhe dava ar de bad boy em Conta comigo, continua um rebelde sem causa - com a vantagem de poder aprontar e se divertir sem consequências por toda a eternidade. Agora, líder de uma gangue que parece assustadora de verdade e que curte The Doors,  ele e Feldman (ídolo dos anos 80, também de Conta comigo e Os goonies) estão em lados opostos mais uma vez. A preparação para a guerra, que envolve várias cabeças de alho e água benta roubada da igreja durante um batizado, é de rolar de rir. Mas para eles é coisa séria: o visual à la Rambo não os deixa mentir. E impressiona a coragem com que aqueles moleques partem para as batalhas, embora na hora H, role um certo desespero...

No elenco "adulto", Diane Weist é perfeita como a mãe compreensiva e incrédula. Seu romance com Max (Edward Herrman) parece ser apenas pano de fundo para as aventuras adolescentes, mas garante momentos deliciosos à trama, como a cena do jantar, em que Sam, Edgar e Alan fazem todos os testes para se certificar que o convidado é mesmo o chefe dos vampiros. Ao mesmo tempo em que é leve, a trama é superbem amarrada e as sequências de ação têm o ritmo perfeito. Não tem como não curtir.

Alho, água benta e uma pitada de humor

A gangue de vampiros rebeldes: tocavam o terror em Santa Clara

Nunca pensei que um filme de terror que envolvesse vampiros fosse ser tão divertido, ainda mais se ele mantém o verdadeiro espírito dos vampiros. Os garotos perdidos (The lost boys, 1987) é assim: tem os tão famigerados e maléficos vampiros que queimam no sol e derretem com água benta, que só entram em casa quando são convidados, que seduzem e depois matam, mas tem também os nerds que levam a sério história em quadrinhos e um senhor senil e fanfarrão pra salpicar com bom humor o enredo. Fora a delícia que é reconhecer carinhas conhecidas (alguém me explica como o Sr. Gilmore foi parar em Santa Clara?).

Há algo de estranho na pacata cidade de Santa Clara: várias pessoas na cidade estão desaparecidas, e a gente chega a ver alguns desses desaparecimentos sinistros. Afinal, ser arrancado de dentro do seu carro para o alto não deve ser uma sensação muito boa... Sem ter conhecimento desses episódios estranhos, Sam (Corey Haim) e Michael (Jason Patrick) se mudam para lá com a mãe após o divórcio do casal. Eles vão morar na casa do avô empalhador de bichos. Logo que se mudam, todos vão ao parque da cidade para se distrair. A mãe acaba arrumando um emprego numa locadora de vídeos, Sam conhece os nerds mais nerds da cidade e Mike acaba se encantando pela garota errada. E é aí que começa a história.

Aqui é quando o filme fica mais divertido. Os irmãos Frog, Edgar (Corey Feldman, um dos reis do cinema de aventura dos anos 80) e Allan (Jamison Newlander) entram em ação. Junto com Sam, e com a ajuda de Mike, eles invadem o covil onde os vampiros dormiam. Mike resgata Star e o pequeno Led que, como Mike, ainda não eram vampiros de verdade porque ainda não tinham matado ninguém. Encontram os vampiros dormindo e resolvem matar um deles - mas esse não era o líder. Lógico que David não ia deixar barato, né? Fugindo aos trancos e barrancos, conseguiram conseguiram chegar em casa e lá se armaram para exterminar de vez os vampiros - sabiam que David e os outros viriam atrás deles. E aí sim, o terror mostra as garrinhas. A maquiagem e os efeitos de luz são bem impressionantes. O sangue nojento jorrando pra tudo que é lado do vampiro morto na banheira, o outro que morre eletrocutado... Nojento e medonho! E o que dizer da cena em que o pequeno Led, um garotinho fofo, se transforma em vampiro e sai arrebentando a cama em pedacinhos? Parecia cena de O exorcista, cruzes!Star (Jami Gertz) anda com o grupo de David (Kiefer Sutherland, adoro) - os caras mais rebeldes da cidade. Eles são vampiros, e se entocam numa casa de festas há muito engolida por um terremoto. Mike é levado até lá e é seduzido a tomar um gole de 'vinho', que na verdade é sangue de vampiro. Assim, Mike se transforma em um deles. Avisado por seus amigos nerds e protegido por Nanuke, o cachorro da família, Sam descobre o que está acontecendo com o irmão e resolve ajudá-lo: quer impedir que ele se transforme para sempre em um vampiro. Como? Simples, só precisa matar o vampiro chefe. Fácil, não?

Porque vampiro que é vampiro assusta, dá medo e... usa brinco na orelha esquerda.

No fim das contas, quando todos os vampiros conhecidos já estão mortos, a maldição não se desfaz. Sinal de que o vampiro-chefe ainda estava vivo. Mas quem seria? Ninguém desconfiaria de novo de Max (Edward Herrman, mais conhecido como Richard Gilmore por esta blogueira que vos escreve), o pacato dono da locadora - ainda mais depois de ele ter passado no teste dos irmãos Frog durante o jantar supostamente romântico (aliás, uma das melhores cenas do filme).

No fim, quem chega pra salvar o mundo? Claro, o vovô muito louco. Barnard Hughes foi fantástico: nas pouquíssimas aparições durante o filme, roubou a cena. E é impagável a forma como o filme acaba: mãe e dois filhos, que acabaram de ser salvos de vampiros assasinos, olham perplexos pro avô, que calmamente se dirige até a geladeira resmungando "o único problema de se viver aqui em Santa Clara são esses malditos vampiros!", como se ele estivesse reclamando de um enxame de mosquitos. Bem, no fundo são todos "chupadores de sangue", não é? Vovô sabe o que diz...

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Quando os Goonies visitaram Supernatural...

Você se mudaria para a capital nacional dos assassinatos? A divorciada Lucy Emerson (Dianne Wiest) se mudou. Sem opção ela foi morar com o pai, e levou seus dois filhos adolescentes em uma cidade na qual os muros são cobertos por cartazes desaparecidos. Basta uma olhada na cidade para descobrir que esses adolescentes iriam se meter em encrenca. Enquanto o mais velho Michael (Jason Patric), se encanta com uma moça ao mesmo tempo que se envolvia com a gangue de motoqueiros da qual ela faz parte. O caçula Sam (Corey Haim) conhece outros garotos com estranha obsessão por quadrinhos de vampiros.

Os Garotos Perdidos, carrega a mesma atmosfera que outros filmes dos anos de 1980, colocando garotos comuns em grandes aventuras, que aqui envolve um fator sobrenatural e muitos, muitos litros de sangue. Assim como outras produções da época, tem uma única pretensão, ser um bom entretenimento. E esse é seu maior mérito.

Aos poucos vamos descobrindo o que torna a cidade de Santa Carla tão singular. As características dos vampiros,  as formas de combatê-los. Ao mesmo tempo que assistimos as personagens serem levadas, sem muita escolha para o centro da ação. Até que, se envolver na aventura se tone inevitável, seja para eles ou para nós.

Com o visual, e trilha sonora, característicos da década estilo não falta aos sangue-sugas, que tem um jovem Kiefer Sutherland (décadas antes de se quer sonhar ser o Jack Bauer) como líder. Motoqueiros arruaceiros, cheios de roupas, acessórios, e o impeto da adolescência, muito distante dos modos contidos, fraque e capa de seu antepassado mor, Drácula. Não se engane em pensar que o cabelo volumoso, e os enormes óculos escuros possam parecer ultrapassado, o visual apenas dá mais charme às criaturas já tão misteriosas e atraentes.

Também não ficam ultrapassados, as metáforas aos desafios da adolescência, como ritos de passagens, conflito de gerações e aceitação de responsabilidades adultas. Afinal os adolescentes estão por aí, a linguagem até muda, mas os conflitos são os mesmos.

É verdade que o romance entre Mike e a vampira Star (Jami Gertz), poderia ser melhor desenvolvido. Assim como os irmãos Frog (Corey Feldman e Jamison Newlander), poderiam ser melhor aproveitados. Embora nesse caso é provavel que a dupla roubasse a cena. Mas o misto de tensão, mistério,  aventura e até uma ou outra reviravolta, sem a obrigação de se levar a sério compensa as falhas.

Divertido como se os Gonnies visitassem um epsódio de Supernatural. Um clássico de uma década que provou que o entretenimento sem compromisso, pode não apenas ser bom, mas também envelhecer muito bem.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Curiosidades e prêmios de Os Garotos Perdidos

A expressão "vamp out" foi usada primeiro em Garotos Perdidos e depois foi usada em Buffy - A Caça-Vampiros (1997);


No roteiro original de Janice Fischer e James Jeremias, os personagens centrais teriam menos de 10 anos de idade. Schumacher odiou a ideia e disse aos produtores que só faria o filme se pudesse mudá-los para adolescentes, tornando-so mais sexies e interessantes

Os garotos perdidos de Peter Pan, maneiras
bastantes distintas de não envelhecer
O título do filme é uma referência aos personagens de Peter Pan que nunca envelhecem;

O produtor executivo Richard Donner seria o diretor de Garotos Perdidos, mas optou por dirigir Máquina Mortífera e contratou Joel Schumacher para o trabalho. Depois de que Richard Donner deixou a direção, Mary Lambert chegou a assumir o cargo, mas deixou devido a diferenças criativas;

Este foi o primeiro filme em que Corey Haim e Corey Feldman atuaram juntos, tornando-se uma referência para outros trabalhos e, inclusive, um seriado batizado "The Two Corey's";

Os nomes dos irmãos Frog, Edgar e Alan, são alusivos ao famoso escritor Edgar Allan Poe, um mestre da ficção e do suspense;

O nome 'Michael' é dito aproximadamente 118 vezes;

Os atores Keenan Wynn e John Carradine, veteranos no gênero vampiro, foram as escolhas originais para o papel de avô, mas Wynn morreu antes das filmagens e Carradine estava muito doente na época;

O personagem de Kiefer Sutherland usaria as luvas pretas somente quando fosse andar de moto, mas um acidente durante as filmagens fez com ele tivesse que usá-las durante todo o filme;

Gerou uma sequência em 2008, Lost Boys: The Tribe, estrelada por Corey Feldman e Corey Haim, e outra em 2010, Lost Boys: The Thrist, somente com Feldman porque Haim recusou-se a participar.
No set de Lost Boys: The Thrist

Embora as cenas com a atriz Kelly Jo Minter tenham sido cortadas (só aparece por cima dos ombros do personagem Lucy na locadora), ela teve seu nome inserido nos créditos. Suas cenas podem ser vistas no DVD Garotos Perdidos edição de 2004, nos bônus;

Quando Max chega a primeira vez na casa de Sam, Lucy e Michael ele espera ser convidado para entrar, já que de acordo com as lendas, um vampiro tem que ser convidado para entrar na casa de qualquer pessoa;

O filme foi rodado em Santa Cruz, na Califórnia, um lugar curioso para um longa que trata de vampiros, seres com aversão aos crucifixos;

Na seqüência de abertura, há uma tomada da multidão ao acaso que inclui um homem mais velho na distância com óculos de lentes grossas vestindo um robe preto estilo gótico com capuz. Embora sua aparência está em sintonia com o fator "assustador" do filme, ele é de fato um cristão semi-nômade.

Não é mostrado por muito tempo, mas Laddie é um menino desaparecido, o garoto na caixa de leite que Lucy pega do chão. Ele não tem qualquer relação com a Star, é apenas um garoto que os vampiros pegaram como companheiro para Star .

David (Kiefer Sutherland) é empalado com um par de chifres e não se desintegra como os outros vampiros. Apesar do que mais tarde Max diz, ele não está realmente morto. A intenção de ser utilizar a personagem na sequencia, "The Lost Girls", que que ganhou roteiro mas nunca foi filmado. Na mini-série dos quadrinhos, "The Lost Boys: Reign of a Frogs" (2008) - que ajuda a preencher a lacuna de 20 anos entre os filmes - é compreensível que 'David' não apenas sobreviveu à empalação, mas passou a criar 'Shane "vampiro a chefe em Lost Boys: The Tribe.


Prêmios

Saturn Award (Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films - EUA)

  • Recebeu o Prêmio Saturn na categoria de Melhor Filme de Terror.

Indicado nas categorias de Melhor Figurino, Melhor Maquiagem, Melhor Atuação de um Ator Jovem (Corey Haim) e Melhor Ator Coadjuvante (Barnard Hughes).

domingo, 16 de outubro de 2011

Os Garotos Perdidos

Embora também não envelheçam, estes não moram na terra do nunca.

The Lost Boys
EUA - 1987
98 min - Cor
Terror

Direção: Joel Schumacher

Roteiro: Jeffrey Boam, Janice Fischer e James Jeremia

Música: Thomas Newman

Elenco: Jason Patric, Corey Haim, Dianne Wiest, Bernard Hughes, Kiefer Sutherland...

Baseado em história de Janice Fischer e James Jeremias. Seguido por Reign of Frogs , série em quadrinhos que serviu de prelúdio para a sequencia cinematográfica, Lost Boys: The Tribe, ambos de 2008. E por Lost Boys: The Thirst (2010)


sábado, 15 de outubro de 2011

Nasce um mito





Há quem prefira versões mais modernas, como vampiros que brilham ao sol (!), mas ninguém pode negar o poder de um clássico. Com toda sua limitação técnica e resquícios de interpretações teatrais herdadas do cinema mudo, Drácula tem o mérito de estabelecer o visual mais marcante para essas criaturas que nos fascinam até hoje. Ao contrário de vários filmes que tentam reinventar a mitologia dos mortos-vivos, dando-lhes uma aparência mais comum ou atribuindo-lhes sentimentos românticos até dizer chega, o longa de Tod Browning é terror puro e simples. Quem não teria medo do misterioso conde da Transilvânia, interpretado por Bela Lugosi, sempre impecável em sua capa preta e perigosamente sedutor?

A fotografia em branco e preto, a maquiagem, o figurino e a direção e a trilha sonora - esta uma poderosa e recém-descoberta ferramenta - são elementos importantíssimos para construir esse clima. Não é à toa que Reinfield (Dwight Frye) fica chocado ao entrar pela primeira vez no imponente castelo de Drácula. A enormidade do lugar o faz parecer apenas uma presa fácil logo no contato inicial com seu anfitrião. Pequeno e inocente como uma mosca desavisada caindo na teia da aranha que anseia por comida. Bela imagem, não? Poética mas direta, como tudo neste filme.


Sem dar ouvidos aos alertas da população do vilarejo próximo ("São apenas superstições"), o advogado ignora todos os sinais de perigo para firmar um contrato. Mal sabe ele que tal ato de bravura é sua própria condenação. Logo transformado em servo do poderoso conde, que segue para Londres, Reinfeld é considerado louco por seu repentino e estranho desejo de comer seres vivos. A peculiaridade chama a atenção do professor Van Helsing (Edward Van Sloan), que rapidamente julga estar diante de um caso de vampirismo: "Posso dar provas de que a superstição de ontem pode se tornar a realidade científica de hoje". E não é que ele tem razão?

Enquanto isso, Drácula se aproxima da bela Mina (Helen Chandler). A transformação propriamente dita não é mostrada: nenhuma prótese dentária com caninos prolongados foi usada durante as filmagens. O que vemos são closes da vítima, completamente indefesa, na cama, e de Bela Lugosi franzindo a sobrancelha, arregalando os olhos e contorcendo as mãos, numa postura supostamente assustadora, mas que pode provocar alguns risos hoje em dia. A mordida é apenas sugerida, talvez pelo erotismo que está implícito no ato. Mas é fácil perceber que a jovem está diferente, apesar de acreditar ter tido apenas um sonho ruim.Aposto que ela nunca olhou para o pescoço de John (David Manners) com olhos tão famintos...


E não deixa de ser engraçado ver que o verdadeiro herói da história não é o noivo desesperado, mas um cientista, armado apenas com seus conhecimentos e com um pequeno crucifixo. Nada mais poderoso que um objeto sagrado para afastar o ser das trevas, e disso o professor Van Helsing sabe muito bem. É curioso também que uma certa erva (e não alho, reparem) seja sinônimo de proteção contra uma criatura tão poderosa a ponto de assumir formas não-humanas (no caso, o morcego de papel e um lobo que nunca aparece em quadro) e controlar pessoas. E gostei da explicação para os vampiros dormirem em caixões, essa parte da lenda eu desconhecia. Para completar a mitologia, só senti falta da água benta e do fato de eles não entrarem em um lugar sem serem convidados. Mas o conjunto, que inclui ainda a falta de reflexo numa cena aparentemente despretensiosa, que acaba se tornando importante, é impecável.

A construção do mito é tão interessante que chega a se sobrepor ao roteiro em certos momentos. Quando o longa vai se encaminhando para o final, a ação não é exatamente imprevisível. Mas a graça é justamente mergulhar nesse universo tão peculiar. Não há purpurina, digo, nova roupagem na literatura vampiresca que faça este clássico envelhecer.