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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Um filme cheio de escolhas felizes


Quentin Tarantino é famoso por seu estilo pop e sua estética mangá: muitas citações cool, cabeças cortadas, sangue jorrando etc. Mas sempre fui da opinião de que o melhor de seus filmes são os diálogos. Se você puxar pela memória, vai lembrar que várias cenas inesquecíveis de seus filmes são de pessoas conversando em torno de uma mesa, como a antológica discussão sobre "Like a virgin" em Cães de aluguel ou o desabafo de Jules em Pulp fiction. Pois em Bastardos inglórios, são duas sequências longas e tensas que o transformam num clássico instantâneo. A abertura, em que o coronel Landa aborda uma humilde família francesa em busca de judeus e o encontro de um oficial nazista com os conspiradores no porão de um bar em Paris.

Os dois momentos não acabam bem, óbvio. Mas os tiros e eventuais mortes decorrentes disso são apenas um desfecho anestesiante para momentos angustiantes, brilhantemente planejados e executados, em que cada palavra aumenta a tensão no ambiente, tornando-o irrespirável. Só esses momentos já valem o filme inteiro, mas o longa ainda executa Hitler (Martin Wuttke), numa das vinganças mais inusitadas da História. Tarantino se superou, mais uma vez.


Se a trajetória da judia Shoshanna (Mélanie Laurent) é marcada pela tragédia que matou sua família e a obrigou a viver sob falsa identidade na França ocupada pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, os Bastardos Inglórios, soldados liderados pelo tenente Aldo Raine (Brad Pitt), garantem o toque de humor necessário para dar equilíbrio ao filme. Debochados, os militares que retiram escalpos e marcam os prisioneiros com uma suástica na testa são o pesadelo-mor do próprio Führer, retratado como um ser, digamos, risivel: agem na surdina, fazem pouco dos oficiais germânicos e conquistam uma fama indesejada, que se espalha mais rapidamente do que seus inimigos gostariam.

Curiosamente, o plano desse exército é quase idêntico ao da jovem fugitiva, e ambos só conseguem ir adiante graças a um vaidoso soldado, Fredrik Zoller (Daniel Brühl), que se aproxima de Emmanuelle sem desconfiar que ela é, na verdade, Shoshanna. Herói de guerra e celebridade depois de sua atuação em um filme idealizado por Goebbels (Sylvester Groth) para difundir o ideal antissemita do Terceiro Reich, ele é quem promove o temido e improvável reencontro dela com seu algoz, o coronel Hans Landa (Christoph Waltz), em outro momento eletrizante do filme.



Mas nada, nada mesmo, prepara o espectador para aquele desfecho catártico e extremamente significativo - ou você acha que a justiça ser feita dentro de uma sala de cinema é obra do acaso? Ousado, criativo e sem pontas soltas, o roteiro é um dos grandes trunfos da produção, assim como o elenco espetacular. Cada cena de Waltz é impecável: cruel e de fala mansa, o Caçador de Judeus consegue impor medo sem fazer ameaças diretas, mas também diverte com seu bordão involuntário "That's a bingo!". E Brad Pitt surpreende num papel bastante incomum em sua filmografia. As escolhas de Tarantino se revelam extremamente felizes, e é por isso que este é um dos grandes filmes da carreira do diretor

Retrospectiva 2012: relembre os melhores momentos do ano aqui no blog

Um brinde a 2013
A maratona continua, e as blogueiras atrasadinhas prometem invadir o ano que se inicia postando as impressões sobre os filmes de 2012. Mas hoje é dia de celebrar o que o desafio cinematográfico dos últimos 12 meses trouxe para o nosso sofá. Acompanhou com a gente? Então é hora de relembrar os clássicos que assistimos este ano. Não conseguiu ver tudo? Ainda dá tempo! Pra ficar um gostinho de quero mais, segue o vídeo editado pela Fabiane com os melhores momentos da nossa lista. 

Ano que vem tem mais! Feliz 2013!


E que se dane a história, eu matei o Hittler!

Ah, o doce sabor da vingança...
Acho que é isso o que mais me chama a atenção nesse filme: a história é tipicamente Tarantina, com um monte de referências, vários personagens com histórias intrincadas, reviravoltas, sangue, interpretações memoráveis. O figurino perfeito, a caracterização minuciosa de cada personagem, a trilha sonora - marca registrada dos filmes de Quentin Tarantino - os cenários e locações lindíssimos... Tudo minuciosamente pensado, trabalhado e explorado. Mas a liberdade de fazer o que quiser no cinema, de contar a história que se quer contar, independente de se ater à realidade, faz desse filme uma catarse. Afinal, quem não gostaria de ter tido a oportunidade de colocar toda a cúpula do Reich nazista num cinema e explodi-lo?

O filme é todo pautado no grupo que ficou conhecido como os Bastardos, aqueles que não tão nem aí para a glória e que dão o nome à trama. O que eles querem? Matar nazistas. Porquê? Bom, uns porque já vinham sofrendo com a represália por ser judeu, como o cabo Wilhem Wicki - conhecido como O Urso Judeu (Gedeon Buckhard, ótimo) por matar os soldados nazistas com um bastão de beisebol (brutalidade, a gente vê por aqui), ou o sargento Stiglitz (Til Schweiger, excelente), que matou 13 oficiais da Gestapo sendo um genuíno alemão (com consciência, claro). O grupo era capitaneado pelo tenente Aldo Raine (Brad Pitt, com um nauseante sotaque do Tenesse - explicado no fim do filme), descendente de apaches (?!) e que queria os escalpos dos soldados mortos pelo grupo. Eles eram uma boa meia dúzia, mas conseguiram enfurecer o füher de tantos soldados alemães que mataram e/ou humilharam. Mas a história não começa a ser contada por aí. Eles só entram no capítulo 2. O capítulo 1 pertence à Shoshana (Mélanie Laurent, excelente) e sua triste história: sua família é massacrada no assoalho da sala onde viviam escondidos depois de terem sido delatados por seu protetor. Única sobrevivente, poucos anos depois, ela viria a se tornar a única herdeira de um cinema em Paris, onde acidentalmente iria chamar a tenção de ninguém menos que o herói alemão Fredik Zoeller (Daniel Brühl, suspira) e, involuntariamente, acabaria atraindo para seu pequeno cinema toda a elite do Reich, incluindo o ministro da propaganda nazista Joseph Goebbles (Sylvester Groth, muito bom), o próprio füher Hitler (Martin Wuttke, per-fei-to) e ninguém menos que o carrasco de sua família: aquele conhecido como O Caçador de judeus, coronel Hans Landa (Christoph Waltz, soberbo, brilhante). Enquanto Shoshana se prepara para sua própria vingança, os Bastardos também querem aproveitar a chance que lhes aparece.

Onde tudo começou: Landa caçando Shoshana
Com a ajuda de uma agente dupla, a famosa estrela Bridget von Hammersmark (Diane Krueger, lembrando os tempos áureos das divas americanas), o grupo tenta se programar para detonar o prédio quando a cúpula do Terceiro Reich estiver assistindo ao filme de Zoeller. Mas uma infeliz coincidência acaba por destruir os planos do grupo: um jovem soldado foi comemorar o nascimento do filho no lugar onde os Bastardos e a diva se encontrariam para combinar o atentado e o tenente inglês Archie Hicox (Michael Fassbender, suspira duas vezes) mandado para conversar com a agente dupla acaba por se denunciar como um falso oficial alemão para um legítimo - um simples gesto errado e a carnificina foi completa. O melhor plano dos Bastardos foi por água abaixo, até a atriz que serviria de álibi para a entrada do grupo estava ferida, e a operação estava comprometida. Após o massacre, Landa ainda aparece e descobre vestígios da presença de Von Hammersmark e soma 2+2. No dia da apresentação, ele desmascara a atriz e arruina os planos de Raine, que tinha ido como um cineasta italiano (simplesmente hilária a cena em que Landa tenta decifrar o sotaque dos 3 Bastardos, um acrítica ácida ao padrão americano de achar que não precisam saber nenhuma outra língua a não ser a própria). Dois de seus homens ainda estão no cinema, mas ele fora capturado por Landa, que assassina Von Hammersmark e vai ter com os conspiradores. Surpreendentemente, ele se oferece para ser levado como refém, se for dado a ele salvo conduto e algumas regalias. Então, chegamos ao clímax do filme: a tão sonhada vingança da Humanidade contra o führer

Krueger e Fassbender: quando o plano perfeito parece que vai para o ralo

A chacina dos Bastardos é apenas uma parcela do caos criado por Shoshana. No meio da apresentação do filme, ela projeta um desafio ao Reich, se assume como a judia foragida e promete a vingança de seu povo. Com a ajuda de seu namorado e único funcionário, após a declaração, ele põe fogo nos 350 rolos de filme de 35mm que eram do acervo do cinema - produto altamente incendiário. E fez-se o inferno no cinema, e os Bastardos se vingam metralhando todos os alemães desesperados, oficiais, políticos... Destaque para a cena marcante do Urso Judeu desfigurando o rosto de Hitler com tiros enquanto Shoshana proclama a vingança do povo judeu. Sensacional. São pequenas ligações assim que conectam o filme todo, e trazem um humor negro e uma sensação de vingança. Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds, 2009) é um filme único: inteligente, mordaz, cheio de reviravoltas no momento certo, surpreendente, maduro, com excelente elenco e atuações mais que inspiradas. Dá para perceber o orgulho de Tarantino ao ver a última fala de Aldo Raine na última cena do filme, quando ele finalmente humilha o coronel Landa como ele merecia, e tirando ele de seu falso pedestal, ao fazer uma suástica na testa deste (assim como fizera com todos os outros raros sobreviventes de seus ataques às tropas alemãs): "Acho que essa é a minha obra-prima". Acho que preciso concordar com ele. 

Uma boa ideia desperdiçada



Existem filmes que se tornam clássicos por seus próprios méritos, outros por conta de fatores externos que se tornam maiores que a própria obra. O corvo se encaixa no segundo caso. Tenho dúvidas se ele se tornaria um filme tão cultuado se não fosse a fatídica morte de Brandon Lee durante as filmagens, o que aumentou consideravelmente a (mórbida, sem dúvida) curiosidade do público e criou uma aura inexplicável em torno de uma adptação cinematográfica apenas mediana, que tinha potencial para ser bem melhor.

O longa de Alex Proyas conta uma história de vingança bastante sinistra, baseada no HQ de James O'Barr. Não fosse o fato de o protagonista, Eric Draven (Lee) voltar dos mortos para reparar o próprio assassinato e o de sua noiva, o acerto de contas não seria diferente de tantos outros que você já viu no cinema. E é exatamente aí que reside o problema. O filme chama a atenção por ser underground, com uma estética suja e dark, e abusar da violência. Mas o resto é de uma superficialidade que incomoda.

O motivo do crime não poderia ser mais banal. Um bando de arruaceiros, que gosta de tocar fogo na cidade na chamada Noite do Diabo, véspera do Halloween, resolve "dar um susto" em Shelly Webster (Sofia Shinas), mas a presença do noivo da jovem muda os planos iniciais e a situação toma um rumo trágico. A ausência de explicações para o retorno de Eric e mesmo a ligação com o corvo que dá nome à produção prejudica a história, que só ganha mais consistência na execução da vingança propriamente dita. A presença do impiedoso mascarado aterroriza mais suas vítimas do que a iminência da morte.

Só que todos parecem lidar muito bem com a ideia de um justiceiro do além. O sargento Albrecht (Ernie Hudson), em poucos minutos, digere a informação e trata seu mais novo amigo com uma naturalidade que impressiona. Já a menina Sarah (Rochelle Davis) é a personagem que tem o melhor desenvolvimento dentro da trama. Traumatizada com a morte da babá e amiga, ela vive uma vida independente, apesar da pouca idade, já que a mãe, uma garçonete viciada, só quer saber do namorado e de drogas. A boa atuação da atriz chama a atenção, e são dela as melhores cenas do filme, como a do emocionante reencontro com Eric. Cena, aliás, gravada com o dublê, disfarçado pela contraluz, claramente feita após a morte de Brandon.

Se os demais personagens ganhassem uma complexidade semelhante, o filme teria um resultado muito superior. Mas o roteiro de David J. Schow e John Shirley constrói caricaturas, como se vê no caso dos vilões. O corvo é um filme que privilegia a estética e busca agradar aos fãs da HQ e de filmes violentos, mas não se preocupa em criar um perfil mais apurado, em ir além da ação pura e simples, que pode funcionar nos quadrinhos, mas demanda algo mais no cinema. 

sábado, 29 de dezembro de 2012

Uma história de amor macabra



Eric (Lee) e Shelly (Shinas): uma amor para além da vida
Posso dizer que me surpreendi com O Corvo (The Crow, 1994). Para início de conversa, conhecia o mínimo sobre ele - a triste coincidência da morte de Brando Lee, estética gótica, vingança com as próprias mãos. Achava que o romance seria somente o mote para o massacre, a vingança desenfreada, a carnificina. E não é isso o que acontece. Na tela, a gente entende porque Eric Draven (Lee, em performance surpreendente) volta do túmulo para vingar a morte brutal de sua amada Shelly (Sofia Shinas). Eles não eram o protótipo de casal perfeito, mas tinham em seu apartamento uma cápsula em que o mundo era perfeito - colorido, sorridente, aconchegante, cheio de amor. Tanto que a menina Sarah (Rochelle Davis) preferiu adotá-los como família em vez de continuar sofrendo com a mãe viciada.

É Sarah quem narra o início do filme, quando acompanhamos os policiais recolhendo o corpo de Draven do chão, após ter sido jogado pela janela pelos quatro bandidos que foram amedrontar o casal depois de reclamarem de algumas regras de inquilinato (a vida imita a arte, a arte imita a vida...) e de terem estuprado Shelly - que ainda foi encontrada com vida, mas não resistiu aos ferimentos. Uma tragédia no dia da véspera do Halloween, conhecido como "A noite do diabo". Uma organização criminosa estava por trás dos incêndios que assustavam a cidade e davam poder à ela pelo medo que causavam à população. O policial Albretch (Ernie Hudson) acompanha o resgate do casal, que se casaria no dia seguinte, e consola Sarah. Mas ela não deixa se enganar, sabe que a situação de seus amigos é irreversível. Desolado com a violência , o sargento Albretch até tenta investigar o caso - mas é embarreirado por seus superiores e não consegue muito mais pista em campo porque nas ruas havia o medo de represálias. 

O Corvo obtendo sua vingança: era só o início
Um ano se passou, Sarah não havia esquecido. Continuava a visitar os túmulos de seus amigos, sua mãe continuava a se drogar, Albretch continuava seu amigo. Então (sem maiores explicações, e isso incomodou um pouco), na noite do diabo, Eric volta à vida sob o chamado de um corvo. Guiado pelo bicho, ele volta à sua antiga casa, e lembra-se de tudo o que aconteceu. Decide se vingar matando todos os envolvidos no crime ocorrido em sua casa. Descobre que não pode ser morto, uma vez que seus ferimentos se curam sozinhos. Então parte para a caçada. Em um beco escuro, encontra o primeiro assassino: após fazê-lo se lembrar de seu crime, o mata com suas próprias armas, uma boa meia dúzia de facas cravadas no peito, e deixa sua primeira marca: um corvo, desenhado com o sangue do criminoso, na parede. Continuando sua busca implacável aos seus assassinos, Draven vai até uma loja de penhores, em busca do anel de noivado que era de Shelly. Lá, ele mostra que não voltou da morte para causar terror aleatório - somente queria vingar aqueles que cometeram a violência contra ele e sua amada. Draven deixa o gerente do local vivo, mas pede para que um recado seja passado ao restante do grupo, de que 'a morte chegaria para eles'.

A marca do corvo após os assassinatos
Após a explosão do lugar, o tal gerente vai ao chefão do tráfico, o que organiza os incêndios todos, somente para causar terror: um homem esquisito, com uma irmã mais esquisita ainda, que tem aquela aura de 'senhores da magia negra'. Quando outros dois morrem (uma amarrado ao carro cheio de explosivos que ele utilizaria para assombrar a cidade, e o outro é encontrado morto com uma bando de seringas de heroína cravadas no peito), ele começa a se incomodar com a presença desse justiceiro. Mas a irmã se fixa mais na ideia de ele não poder morrer - ela acredita que isso possa ser passado para eles, então ele vira objeto de interesse dos irmãos. Numa reunião com a nata do crime, o único sobrevivente do grupo que matou Eric e Shelly, é convocado a participar. Ele era o chamariz para que o Corvo aparecesse. E não deu outra, ele aparece - mas não queria que ninguém mais fosse envolvido, somente queria a vida do último carrasco da sua. Quando o chefão decide protegê-lo, ele sentencia todos à morte. Aí sim temos uma carnificina, tiros comendo pra todo o lado sem maiores explicações a não ser o espetáculo do duelo. No fim das contas, o chefão e a irmã fogem, e o criminoso foi morto, atirado pela janela - assim com Eric foi. E quando ele tenta buscar a paz, voltar para seu túmulo e sua amada, já com a missão cumprida...

Os irmãozinhos sinistros: querendo a imortalidade de Draven para si

O tal chefão não pensava da mesma forma. Queria o poder da imortalidade para si. Usam Sarah como isca para atrair o Corvo para a igreja e lá matá-lo. A tentativa de atingir o corvo para acabar com a imortalidade de Eric dá certo, e a irmã sinistra consegue capturar a ave. Eric está gravemente ferido, e só não é eliminado porque o sargento Albretch acaba por aparecer e dar cobertura para ele. O vilão foge com Sarah para o telhado da igreja, Albretch é atingido por um tiro, a irmã sinistra tem os olhos comidos pelo corvo (adorei essa cena), e cabe a Eric, ferido e quase morrendo pela segunda vez, salvar a vida de sua amiga. Depois de muita luta, o vilão consegue ferir Eric com uma espada, um ferimento mortal. E assume sua parte de culpa na primeira morte dele, pois foi ele quem mandou o grupo para o apartamento de Eric e Shelly. Indignado, Eric usa sua última arma contra o último responsável por sua morte: ele reverte para este o sofrimento que sua amada teve no hospital (que ele conseguiu sentir quando tocou os olhos do sargento, quando ainda queria  mais informações sobre seu assassinato). Vilão derrotado, Sarah salva, finalmente a paz e sua amada, vindo buscá-lo para que finalmente tivessem descanso.


Cena já com dublê: rosto de Draven não aparece
Um filme gótico, de estética estranha, mas com uma história bem contada. É bem verdade que o chamariz para esse filme foi a trágica morte do ator principal durante as filmagens, e por este ser Brandon Lee, filho da lenda das artes marciais e do cinema Bruce Lee. Eric Draven é um personagem interessante, um justiceiro que não abre mão de sua vingança, mas que tem consciência suficiente para salvar a vida de da mãe de Sarah, tirando toda a droga que ela havia injetado em si e a mandando para casa. Mas o filme, em si, é uma bela canção de amor. Tem lá seus defeitos, é meio trash, mas fala com uma poesia surpreendente para um filme tão violento. É tocante quanto ao sentimento, pois o personagem principal não é movido pelo ódio puro, pela vingança desmedida. É mais como uma súplica por alívio, pela paz de espírito. Gostei da fotografia do filme, sombria na medida certa, com efeitos de luz bem colocados... No geral agradou. Talvez não seja um filme memorável, e seu maior chamariz seja a curiosidade de ser o último filme de Lee, e toda a trágica história envolvida. Mas foi uma grata surpresa. Só imaginava, o tempo todo, um bando de brutamontes assistindo a esse filme esperando carnificina e vendo tanta poesia sobre um amor tão forte que ultrapassava os limites da lógica e da vida. Para mim, isso é a prova de que mesmo em corações mais sombrios, ainda existe a  capacidades de amar, ilimitadamente.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Mais do que aparenta à primeira vista


Uma garota pobre e um garoto rico se apaixonam e precisam enfrentar o preconceito dos amigos para ficarem juntos. A sinopse até está correta, mas não chega nem perto de traduzir o espírito de A garota de rosa-shocking, outro clássico da filmografia de John Hughes (desta vez como roteirista) que ajudou a tornar Molly Ringwald a heroína da minha adolescência. Ainda bem que o filme é bem mais do que isso.

Andie é uma estudante de classe baixa que precisa se adaptar ao colégio de riquinhos que frequenta. Autêntica e de personalidade forte, ela não abaixa a cabeça para as colegas que insistem em praticar bullying, termo que nem era moda na época. Ela só titubeia quando se apaixona por Blane (Andrew McCarthy), que corresponde, mas acaba cedendo à pressão dos amigos que não aprovam esse relacionamento. 

Embora a reação natural seja torcer pelo casalzinho, o relacionamento em si não é dos mais empolgantes. Tudo acontece muito rápido, os dois se apaixonam em dois segundos e continuam estranhos um para o outro. Para completar, Blane não inspira muita confiança e se deixa levar com facilidade: ou seja, é um banana. A discussão sobre aceitação, necessidade de autoafirmação, pertencimento e pressão social, no entanto, é válida. E claro que tudo isso aparece de forma natural. 


Mas a história de amor nem é o diferencial do filme. O que torna Andie admirável é a linda relação de cumplicidade que tem com o pai, depois de um momento difícil: a mãe da jovem simplesmente abandonou marido e filha, criando um vazio irreparável na família. Depois disso, o pai se tornou alcoólatra e tem dificuldade de conseguir um emprego, e é ela quem assume a autoridade na casa, lembrando-o de seus compromissos, dizendo "Estou orgulhosa de você" e "Ela nos deixou, supere isso". A cena em que os dois finalmente dizem umas verdades um para o outro não poderia ser mais verdadeira e mais emocionante. E essa relação de cumplicidade também lembra muito a de Sam e seu pai em Gatinhas e gatões.

A atuação de Jon Cryer como Duckie, em seu papel de maior destaque no cinema até hoje, é outro grande destaque do filme. Completamente à vontade na pele do amigo sem noção (o nerd da vez, função que nos outros filmes era preenchida por Anthony Michael Hall), ele brinca em cena e nos proporciona momentos antológicos como o da dança na loja de discos. Ao mesmo tempo em que funciona como o bobo da corte, também consegue ser verdadeiro ao sofrer com o amor secreto que nutre por sua melhor amiga. O fato de ele ter consciência de que não possui nenhuma chance com ela não aplaca sua dor. Nem seu bom humor.

Rever A garota de rosa-shocking (e os outros filmes do mês John Hughes) é fazer uma viagem no tempo, da qual posso tirar duas conclusões. A primeira é a de que os anos 80 deviam ser definitivamente banidos do calendário fashion do universo. A segunda é a de que já não se fazem filmes adolescentes como antigamente. Já disse aqui neste blog que o diretor e roteirista entende a alma jovem como ninguém. Mas fato é que obras como essas não são produzidas hoje em dia por pura falta de sensibilidade, já que os tempos mudaram, mas os conflitos, nem tanto.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Como contar um romance adolescente

Comece escalando Molly Ringwald, já são 50% de chance de acerto
A garota de rosa shocking (Pretty in pink, 1986) é quase um conto de fadas. Menina pobre é apaixonada por menino rico, que se apaixona por ela e depois de percalços, vivem juntos para sempre. Mesmo que esse 'para sempre' seja só a noite do baile. O filme é fofo e tem coisa bem engraçadas, principalmente nas cenas em que Jon Cryer aparece - ele rouba a cena com seus trejeitos esquisitos e óculos escuros à la John Lennon. Há também o humor involuntário da indumentária oitentista, claro, e da tecnologia avançada dos computadores da biblioteca. Fora isso, é um filme adolescente normal. E isso não é demérito.

Andie (Molly Ringwald, musa esquisita e desengonçada - tipicamente adolescente) é uma menina pobre que tem gosto pela moda. Cria seus próprios modelitos, o que a faz diferente das patricinhas oxigenadas da escola. Ela não sabia, mas já tinha chamado a atenção do bonitão Blane (Andrew McCarthy, gatinho), mas sabia que o interesse do outro bonitão, Steff (James Spader), era pura massagem no ego - dele. O que Andie não sabia era dos sentimentos de seu melhor amigo Duckie (Jon Cryer, hilário), que sempre fora dedicado à ela, mas nunca havia aberto o bico pra se declarar. E que momento ele resolve escolher pra isso: dentro da loja de discos (reparem, eu disse loja de discos) onde Andie trabalha, ele resolve cantar para a amada, para expor seus sentimentos. Vergonha alheia define. Se bem que a declaração propriamente dita não é nessa cena, mas ali já estava mais do que claro para qualquer um que quisesse ver (o que não era o caso da Andie) que ele estava perdidamente e idiotamente apaixonado pela melhor amiga. Quem nunca?

Duckie (Jon Cryer) em sua fase paixão-obssessiva
Então acontece aquilo que todo mundo já sabia que ia acontecer: Andie fica meio abalada por descobrir os sentimentos do amigo e porque tem vergonha de ser pobre, o amigo rico e seboso acaba por abalar a confiança de Blane e o clima entre os pombinhos fica meio estranho. E então... Aparece ele: o vestido cor de rosa. O tal do nome do filme. Que, na verdade não é assim tão rosa-choque. É um rosa normal, e um vestido lindo até - inspirado nos anos 1950, com lacinho, anágua de tom mais claro... Mas a nossa protagonista é uma especialista em moda, certo? E o que ela fez? Customizou, antes de isso virar modinha. E gente... Que decepção! O vestido ficou horrível. Ok, isso é um comentário muito mulherzinha, mas o vestido é o que dá o nome do filme - traduzindo bem toscamente do inglês, bela em cor-de-rosa. Ou seja, era pra ela estar linda com o vestido, e uma vez que este não está, assim, tão bonito... Enfim. Ela aparece no baile, sozinha, com seu vestido rosa e encontra Duckie, também arrasador. O que Andie não esperava era que Blane também tivesse ido sozinho ao baile, demonstrando que ele realmente não estava afim de ter nenhuma outra garota que não ela. Duckie finalmente se dá conta de que está sobrando, e pede para a amiga correr atrás do príncipe encantado dela. Lógico, um personagem tão bacana e divertido não podia terminar o filme numa bad. Então, ele logo se arruma com outra menina do baile, também vestida de rosa - mas com um vestido mil vezes mais feio e cafona, inclusive para padrões oitentistas. Então chegamos na cena final, o beijo de reconciliação do casalzinho fofo Andie e Blane.

Arrasando em pink. Ou não?

As angústias da adolescente que sabe que é esquisita, mas que é assim porque não quer ser igual ao resto das patricinhas do colégio, o que vai ser do futuro?, melhor amigo que gosta da melhor amiga, conflito entre classes sociais... Um simples filme de romance adolescente tem tudo isso e ainda diverte, anos depois de filmado. Por isso John Hugues é um gênio. Conseguiu eternizar essas dúvidas e criar moldes para os milhares de filmes com a mesma temática, porque os anos passam, mas os adolescentes passa por esses mesmos dilemas - e em qualquer lugar do planeta. Uma cena ótima e que traduz bem isso é quando Andie vai visitar a amiga punk, mais velha e dona da loja onde ela trabalha, e vê o vestido rosa pela primeira vez. Ela conta uma história de quando ela foi ao baile, 'uma das piores coisas que aconteceram na vida dela', e a de uma amiga que optou por não ir. A vida desta é supertranquila, mas de vez em quando ela se pergunta se tem alguma coisa errada e se dá conta de que o que está faltando é a experiência de ter ido ao baile de formatura. Hugues vai além de só mostrar a história, ainda nos faz refletir sobre o futuro - será que não deixamos passar nada em branco? Será que aproveitamos a nossa adolescência direito? Será que não vamos nos culpar por não ter ido àquele baile?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Filme nota 9

Wyatt e Gary: vudu eletrônico faz nascer a mulher nota 1000
Ok, ok. Eu gostei de Mulher nota 1000 (Weird science, 1985), mas não tanto quanto dos outros filmes que vi. Das coisas mais legais que já posso adiantar, foi ter visto Robert Downey Jr (ainda assinado Robert Downey) novinho, bancando o valentão que adorava atormentar a vida de Gary (Anthony Michael-Hall, hilário) e Wyatt (Ilan Mitchell-Smith). Divertido como ele vira um banana quando a musa do filme aparece. Pena que o divertimento não é constante, vem em pequenas cápsulas nesse filme. John Hugues sabia os desejos dos nerds e conseguiu resumir bem os sonhos deles - os caras eram humilhados por todo mundo, principalmente pelos bonitões descolados, e ficavam babando nas garotas bonitinhas do colégio acabam se vingando de todos quando criam uma mulher perfeita por computador. A ideia é ótima, mas não sei porque,  ficou a sensação de que faltava mais alguma coisa na realização do filme...

Coisinha nojenta...
Talvez porque esse tenha sido mais voltado para nerds-meninos, não rolou tanta identificação. Em outros filmes fica mais evidente que o diretor entendia as necessidades de toda uma geração de loosers que, futuramente, vieram a se vingar. Mas aqui, com dois amigos criando uma mulher supergostosona somente para se vingar dos colegas que os sacaneavam... O argumento ficou meio fajuto. Era mais como dois nerds se vingando do mundo, usando o mesmo artifício que os bonitões-fortões-sem-cérebro usam para diminuir os outros mortais: uma namorada gostosona. Sinceramente, achei bem bobinho isso. Não digo que não foi divertido ver os equipamentos de 'última geração' dentro do quarto de um adolescente de 16 anos, e como eles conseguiram dar vida à uma mulher inteligente e bonita, com poderes mágicos à la 'Jeannie é um gênio' e estilo Madonna-Like-a-virgin, fazendo um vudu com apenas alguns cabos eletrônicos, uma boneca Barbie e sutiãs na cabeça. O filme rende boas cenas, como Wyatt usando a calcinha de Lisa (Kelly LeBrock, a musa do filme), os avós congelados dentro do armário da cozinha e Michael-Hall roubando a cena sempre que possível. O mais divertido foi ver como ela conseguiu que os pais de Gary o liberassem para sair de noite com ela.

Um jeito eficiente de conseguir que os pais liberem seu amigo pra festa: se a moda pega...

Mas o filme é meio chato. A festa invadida por motoqueiros bárbaros, a coisa gosmenta em que Lisa  transforma o irmão de Gary... Enfim, não me pareceu tão divertido quanto eu me lembrava. E o finalzinho previsível, em que os garotos conseguem namorar as meninas que eles queriam por terem se tornado tão populares, também é meio estranho. Será que não haveria outra forma delas se apaixonarem por eles que não fosse depois que eles fossem superpopulares? Acho que tinha, mas... Dos filmes do Hugues, esse foi o que menos gostei.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A vida secreta dos brinquedos

Quem nunca desejou que os brinquedos ganhassem vida? A certa altura da vida eles eram seus mais fiéis companheiros, e guardavam todos os seus segredos. Não é atoa que Toy Story alcança diversas gerações desde seu lançamento. Fosse uma bola de meia, ou um caro robô super-sônico, todos tivemos um brinquedo alguma vez.

Andy é um garoto sortudo, tem ótimos brinquedos e seu aniversário vai chegar mais cedo. Sua mãe decidiu adiantar a festa em uma semana para que os coleguinhas possam comemorar com ele antes que a família se mude para uma nova casa. Para os brinquedos a situação não é tão feliz. Na verdade é critica! A cada natal e aniversário surge a ameaça de o garoto ganhar um presente mais legal, e deixar de lado seus antigos companheiros.

Não priemos cânico!!!
O boneco cowboy Wood (voz de Tom Hanks), tenta alcamar todos, afinal Andy sempre tivera espaço no coração para mais um briquedo. Ninguém seria substituído. Mas ele não contava com a era espacial e a chegada do astronauta a pilhas Buzz Ligth Year (Tim Allen), que tomou seu lugar de brinquedo favorito no topo da cama. O receio de ser substituído faz Woody cometer erros, e lançar a si mesmo e ao recém chegado (que não sabe que é um briquedo) a uma jornada pela cidade.

Sim, Toy Story é um road-movie, e o roteiro é até bem simples, mas eficiente e bem executado narrativa e visualmente. E incrivelmente sobrevive ao teste do tempo que aqui é duplo. Além de se manter atual para as novas gerações, não perde o encanto para quem já passou e muito da idade do público alvo.

Se você já viu as duas sequencias ou qualquer outra criação da Pixar, alguns detalhes como o cachorro do vizinho não parece tão perfeito quanto em 1995, mas nada que comprometa o encanto. E convenhamos, foi o primeiro filme do gênero lançado, e não havia com o que comparar. Hoje temos em Frankweenie o mesmo cão com um visual melhor (e olha que é um cão morto!), mas este não seria possível sem aquele primeiro cachorro do vizinho.

Personagens carismáticos (como não? Tem a voz do Tom Hanks!), histórias simples e sem pontas soltas, piadas e lições para as crianças. Nem precisava realizar o maior sonho dos pequenos e dar vida aos pequenos companheiros, e realizar o sonho de “11 em cada 10” crianças. Mas já que o faz, e ainda bem que o faz, como resistir a Buzz Woody e cia?


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Glória feita de...

Coronel Dax (Douglas) e a difícil tarefa de levar seus homens vivos para casa
Eu podia e devia enfileirar um monte de palavrões à sequencia do meu título, mas fico com "babaquice" para definir. Sim, porque acho guerras em geral a maior babaquice já inventada pelo homem. Glória feita de sangue (Paths of glory, 1957) mostra bem isso. Kubrick mostra em um recorte da Segunda Guerra, um episódio nada importante para a definição do resultado da odiosa guerra, mas que era importante para os homens que ali viveram (e morreram). Há quem diga que as guerras são como jogos de xadrez, mas eu discordo - os peões que morrem no tabuleiro não são vidas humanas e sempre podem entrar no jogo de novo. Guerras na vida real nunca são travadas com peões de brinquedo, e sempre há muitas mortes em ambos os lados - vencedores só perdem menos soldados que os vencedores. Pra mim, só se começa uma briga quando não se consegue mais argumentar - e não conseguir argumentar pondo em risco a vida de milhares de soldados nunca é a melhor opção.

Tudo começa pela vaidade e orgulho de quem começa a querer mais do que tem. Cobiça, ganância e, no caso da Segunda Guerra, preconceito e racismo, levaram uma nação a achar que podiam (melhor, deviam) reorganizar o mundo. Daí vieram os que tentaram argumentar, e não foram ouvidos.  Parte-se, então, para a briga. No caso, uma guerra mundial. Então começam as outras vaidades: quem entra pra briga, não quer saber de perder. Seja uma batalha, o prestígio, o que quer que seja. E por orgulho, para que seus generais pudessem "ganhar uma estrelinha da tia", o Coronel Dax (Kirk Douglas, espetacular) é obrigado a levar seu regimento a uma missão suicida. A frente inimiga estava bem solidificada e havia poucos homens para tentar o assalto e manter a nova posição. Ainda assim, ele lidera o ataque e boa parte de seus homens morrem. Outra parte, que estava sob o comando de outro capitão (um tremendo covarde, que já havia provado sua covardia ao não assumir a responsabilidade pela morte de um soldado em uma missão anterior fracassada por sua precipitação) não avançou. O superior que ali estava para comandar a missão ordena então que se atire nas próprias fileiras para que eles marchem para a morte ou morram sob os tiros de seus próprios companheiros.

Os executados: porque alguém tinha que ser responsabilizado pela m&*¨# que os chefes fizeram
Quando sua ordem não é acatada pelo responsável pela retaguarda, o capitão cancela o ataque e leva o caso à corte marcial. Às pressas, ele pretende encontrar culpados para o fracasso de uma operação designada a ele e que o promoveria. Sobra para o coronel Dax escolher entre seus homens quem será morto. Sim, porque a corte foi mera formalidade - uma vez que não acataram a ordem, então todos deveriam morrer. Não importa se o instinto humano de sobrevivência tenha gritado, o que importa é a insolência e insubordinação. Plenamente puníveis com a morte. Querendo desmoralizar e acabar com a sombra de uma derrota em seu currículo, por ele todo o regimento 701 seria fuzilado. Em vez disso, o coronel Dax consegue que apenas um de cada pelotão fosse a julgamento, acreditando ser possível salvá-los. Não consegue, e então ele vê seus homens morrerem: os escolhidos são um desafeto de um capitão e outros dois sorteados aleatoriamente. O quão banal é a vida de um ser humano, não é?

Uma crítica ácida e ferrenha à guerra, onde os contrastes de ambiente são gritantes (as condições de vida dos grandes oficiais e as trincheiras são dois lados de uma mesma moeda) e as vidas dos subalternos não interessam às políticas são reforçadas pela dramaticidade e inteligência da fotografia e dos planos escolhidos pelo diretor. As brilhantes atuações de todo o elenco, com destaque para Kirk Douglas em seu atordoado e impotente papel de um coronel que precisa obedecer e que ainda tem um pouco de humanidade e juízo, são outro ponto forte do filme. A direção de Kubrick, segura e sem medo de expor a soberba, arrogância e as terríveis consequências dos egos inflados colocam sal na ferida. O tocante final, em que o coronel vê seus homens se divertindo antes da próxima batalha, com aquela expressão de "deixe que se divirtam, amanhã estarão todos mortos - de um jeito ou de outro" é emblemática. Um dos melhores filmes de guerra a que já tive o prazer de assistir.

Dívidas e balanços 2012!

Não, o mundo não acabou em 21/12/12. Isso significa que 2013 vem aí, e é hora de pagar as dívidas e começar o ano novo, "no azul". 

Calma! Não estamos devendo ao cartão de crédito. É que como conciliar vida de blogueira e vida real pode ser muito complicado, algumas semanas foram atarefadas demais para as as blogueiras que nesse sofá sentam, e alguns filmes foram perdidos.

Também vamos aproveitar os próximos dias, para publicar nossos balanços de temporada, retrospectivas, entre outras coisas que inventarmos. Então, meninas, preparem suas listas! 

É hora de levar panetone e rabanada para o sofá, e aproveitar para descansar dos festejos e dos parentes natalinos. Aproveite você também caro leitor para escapar do especial do Roberto Carlos e daquela retrospectiva séria cheia de notícias de catástrofes!

Está aberta a temporada de dívidas e balanços.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Botões iluminados, bip-bips e low definition!

As vezes o apocalipse vem mas simplesmente não acontece. Nas versões mais animadas ele é evitado por rapazes, um velho bebado e um anjo caído. Em O Enigma de Andrômeda, o futuro está nas mãos de um grupo de cientistas escolhidos a dedo depois que uma cidadezinha é dizimada por...

... essa é a questão! Ninguém sabe como a população sofreu morte instantânea. Mais misterioso ainda é como um velho e um bebê sobreviveram. Contudo está enganado se acha que o mistério é a coisa mais complicada de entender neste longa.

Cercado de tecnologia (estilo anos 70, muitos botões iluminados e barulhos, mas pouca definição), e abarrotados de protocolos, fica difícil compreender a lógica da estação cientifica com cinco níveis e super-isolada. Mesmo o filme perdendo bastante tempo para mostrar os diversos níveis de descontaminação pelo quais os cientistas tem de passar antes de lidar com as cobaias.

Sim, "cobaias"! É assim que são tratados pela maioria o velho e o bebê. Apesar da nomenclatura, crueldade mesmo são os experimentos com os animais. Curiosamente os cientistas tem dúvidas na hora de decidir se vão eliminar a possível forma de vida que está causando isso, por provavelmente ser inteligente, mas não hesitam em sacrificar animais em sua pesquisa. E a crueldade é aparente na tela, e nos faz questionar se nos créditos vai ter aquela frase: "nenhum animal foi ferido durante as filmagens".

A montagem "moderninha", usa diversos quadros para mostrar várias coisas ao mesmo tempo na tela. Não é super-original, mas surpreende uma vez que você não espera encontrar em um pacato filme dos anos 70.

Sim, "pacato"! Fora a tensão gerada pelo desconhecido e o iminente perigo de morte, nada mais acontece no filme. São duas horas, de discussões, linguagem técnica, escolhas estranhas dos protagonistas e monitores de computador em duas cores. Ainda assim, é difícil não continuar assistindo. Se pela forma como é o mistério é conduzido ou pelo interesse no futuro da humanidade, não sei dizer. Mas é hipnotizante!

Mas uma coisa é certa, as vezes o apocalipse acontece. As vezes é remediado, evitado. Mas o mais bizarro é que algumas vezes não deveria existir e muito menos ser contornado. E além dessa mensagem, este filme, mais cientifico que apocalíptico traz uma experiencia incrível fora da tela.

P.S.: Incríveis os trajes sanfona, da sala de exames!!!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Erro 601

Pois é, no meio do filme eu fiz igual ao computador responsável por analisar as informações dadas pelos cientistas: travei com excesso de informação. Mas nem por isso deixei de gostar do filme. O enigma de Andrômeda (The Andromeda strain, 1971) é um ótimo filme de ficção científica tipicamente dos anos 1970: em plena Guerra Fria, além das descobertas científicas havia muita politicagem envolvida; computadores gigantes e cheios de luzinhas que não serviam para nada... Mas a história é boa - e apavorante. Uma cidade americana completamente isolada simplesmente é encontrada morta após uma possível queda de meteorito. E a equipe que foi lá fazer a primeira vistoria sumiu em plena transmissão do relatório, apavorando a base a que se reportavam e criando a necessidade de chamar uma equipe especializada imediatamente para a solução do problema.

Uma cidade morta instantaneamente e só dois sobreviventes: um velho bêbado e um bebê. Que enigma é esse?
Sem nenhuma pista do que teria acontecido por lá, a nova equipe recrutada vai em busca do satélite que transmitia os dados da equipe desaparecida e levar tudo o que fosse encontrado para análise em um laboratório supersecreto e seguro. O que os especialistas não esperavam era encontrar sobreviventes: um bebê, milagrosamente vivo após tanto tempo sem cuidados de um adulto, e um senhor muito debilitado, que parecia alucinado e só conseguiu pronunciar "Vocês são os culpados!" antes de desfalecer. Além dos sobreviventes, os cientistas levam para lá a cápsula que veio do espaço e que havia atingido a cidadezinha.  A probabilidade de se encontrar alguém vivo por lá era muito remota, o cenário é apocalíptico: todos estavam mortos como se suas vidas tivessem sido tiradas instantaneamente - quase como se fosse possível causar um ataque cardíaco fulminante coletivo. O mistério se estende até o fim, quando finalmente descobrem oque causou tanto estrago. E as consequências dele também...

Não é clipe da Lady Gaga, é só um dos inúmeros processos de descontaminação

O filme tem um ritmo bem lento. O que a gente acompanha é todo o processo científico pra descoberta do elemento causador de tanto estrago. As personalidades dos cientistas são uma chave importante para o roteiro, como o constante mau humor da única mulher do grupo, ou a falta de jeito do cirurgião com o bebê - e até o próprio senhor infectado, que não para de cantar a enfermeira que está cuidando dele. Sem essas intervenções, o filme seria insuportável. Sim, porque acompanhamos todos os estágios de descontaminação do grupo, que são várias, e levam muito tempo pra acontecer. E também porque eles realizaram testes de verdade nos animais, uma crueldade só. Sorte que não foi nada realmente fatal para os bichinhos, mas... Mesmo assim. Incomodou muito ver, apesar de saber que essas práticas são comuns e, para o bem ou para o mal, necessárias. Não vou levantar bandeira nenhuma aqui, mas achei meio forte demais as cenas. 

No fim das contas, surge o causador de tudo. Uma partícula minúscula que se alimenta... Bem, pelo que entendi, de tudo. Sua estrutura molecular era perfeitamente adaptável e praticamente imune a quase tudo, uma verdadeira praga que, em pouco tempo, seria capaz de consumir o planeta inteiro. E aí entra a política na história -  a suspeita de que o governo já sabia do que estava acontecendo, ou até mesmo que tinha implantado o ser alienígena (não era vírus, era mais uma molécula... aí, pra não ficar na indecisão, melhor chamar de 'ser') na cidadezinha, para avaliar os efeitos, as possíveis utilizações disso, e, claro, a forma de combater, o antídoto.

A equipe responsável por identificar o microorganismo: tensão total
Uma guerra biológica. Esse seria nosso fim na visão deste filme. Independente de ter sido enviado para a Terra por alienígenas, ou por ter sido parte de um plano do governo, um ser que se reproduz até no vácuo, que consome todo tipo de matéria, que não desperdiça nada, que não para de evoluir... É uma ameaça muito maior do que qualquer um poderia sonhar em enfrentar. Como se mata uma coisa que não morre? Então, problemática: como fechar o filme se não tem como matar o vilão? O jeito foi encontrar uma 'falha' no sistema de defesa - uma estreita faixa de PH para que haja o desenvolvimento. Ótimo, temos um argumento, agora... Como evitar a destruição da Terra se não houve a detonação da bomba atômica (que só potencializaria os efeitos do ser, que já matava instantaneamente) ou a destruição do laboratório ultrassecreto onde estava sendo analisado? Se o Andrômeda, como foi batizado, era transmitido por via aérea, instantaneamente, como parar o fim do mundo?! Bem... O desfecho foi meio corrido, até pela lentidão do filme, em mostrar o processo delicado e demorado de se analisar minuciosamente uma ameaça à humanidade. E como seria 'cultivar nuvens' e controlar para que elas caíssem sobre o oceano para que o PH elevado deste eliminasse a ameaça? E quem garantiria que isso funcionaria, uma vez que o ser se adaptava com uma rapidez espantosa a qualquer condição e sua mutação era tão rápida que nem o computador superavançado conseguia acompanhar o ritmo?

Pois é. Como um todo, o filme é bacana; leva a algumas reflexões. As personagens principais são bacanas, e foram bem defendidas por seus intérpretes. Destaque para o mau humor da dra. Leavitt (Kate Reid), que rende ótimas piadas no processo de descontaminação. Achei o final meio apressado, com uma solução muito milagrosa e, pelos meus cálculos nada científicos, não muito eficaz. Mas nem por isso tiro o mérito do filme. Rola um excesso de informação, muitas características são bombardeadas em pouco tempo (e muito tempo é gasto para quase nada, nos processos inúmeros de descontaminação), mas no geral, o filme agradou. Só nos resta esperar que nenhum microorganismo desse tipo venha nos fazer uma visita, né? Porque não vai ser tão rápido assim pra descobrir o que é, como funciona, como vive, do que sobrevive, como parar a reprodução... Aerhakmfeinvg mgvea.... ERROR 601.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Selo Versatile Blogger

Do que nos gostamos? Selinhos! E quando gostamos? Quando ganhamos um!

Então imagina a felicidade quando recebemos um selinho duas vezes. As nossas colegas dos blogs Crítica Retrô e Clássicos, Não Antigos, nos presentearam com o mesmo selo, o Versatile Blogger.

Ao receber o selo devemos conta 7 coisas sobre nós e indicar outros blogueiros bacanas para participar. Mas, como esse blog tem três blogueiras, vamos tentar encontrar curiosidades nossas "em conjunto".

1 - O DVD, Sofá e Pipoca nasceu do entusiasmo pela arte da "blogagem" provocado por uma sessão de Julie & Julia no Festival do Rio de 2009.

2 - Giselle e Geisy são irmãs.

3 - Giselle e Fabiane se conheceram no curso de pós-graduação em Jornalismo Cultural em 2007.

4 - Geisy e Fabiane já escreviam juntas no blog a dois anos quando finalmente se conheceram pessoalmente, em 2012. O encontro foi na visita a exposição sobre Chaplin.

5 - A exposição sobre Charles Chaplin visitou o Rio, no mesmo mês em que fizemos um especial sobre o cineasta. Pura coincidência!

6 - Mesmo com todo o trabalho no DSP, as três ainda mantém blogs pessoais, além do "trabalho de verdade"

7 - Além de filmes, as três também são viciadas em séries de TV e livros. Provavelmente se viciariam facilmente em vídeo-games e viagens, mas aí o dia teria que ter 48h e o salário teria que crescer um bocado!

Seguem agora, nossos blogueiros indicados:

Blogueiros, carreguem o selo para suas páginas. Leitores visitem as páginas. E para aqueles que nos indicaram um muito obrigada!!!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Curiosidades de O Enigma de Andrômeda

Baseado no livro homônimo de Michael Crichton.

Michael Crichton escreveu o rascunho bruto para o romance que o filme foi adaptado enquanto ele ainda era um estudante de medicina. Ele disse que se sentiu inspirado depois de uma conversa com um dos seus professores sobre o conceito de formas de vida baseadas no cristal.

Michael Crichton foi convidado para fazer um tour pelos estúdios da Universal durante a produção desse filme. O seu guia era ninguém menos que Steven Spielberg, que depois adaptou sua obra mais famosa, Jurassic Park.

No livro, a personagem Leavitt é homem, mas no filme é mulher interpretada por Kate Reid.

Na cena da morte do macaco, ele foi isolado numa sala onde foi injetado gás carbônico. Quando a cena foi cortada, e o oxigênio foi finalmente liberado, ele estava desmaiado. Uma assistente de direção tinha um aparelho que recobrou sua consciência.

A bactéria do espaço custou 250 mil dólares para ser criada em efeitos especiais.

O set do laboratório científico custou mais de 300 mil dólares para ser construído, e foi descrito como sendo "provavelmente o mais elaborado e detalhado interior já construído."

Em setembro 1972, a Universal exibiu este em uma dobradinha com o Aeroporto com o slogan "Juntos em um programa Grande Família".

O erro do computador "601" ocorreu devido a uma sobrecarga do sistema ao tentar simular o crescimento de Andrômeda e mutação. O número do erro é uma referência ao erro de sobrecarga de computador de "1202" (exatamente o dobro) que ocorreu no LEM durante a primeira descida lunar.

O Enigma de Andrômeda recebeu duas indicações ao Oscar (Direção de Arte e Edição), uma para o Globo de Ouro (Trilha Sonora) e uma para o Hugo Awards, mas não levou nenhuma estatueta.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Assista O Enigma de Andrômeda

Olha aí! Mais um filme que pode ser encontrado na íntegra e legendado no YouTube. Aproveite para assistir antes que tirem do ar, ou que o mundo acabe!

Continue acompanhando nosso especial com filmes apocalípticos e esteja pronto caso o mundo acabe.

domingo, 16 de dezembro de 2012

O Enigma de Andrômeda

Será que estamos começando nossa última semana na terra? Será tudo bobagem? De qualquer forma estamos preparadas, com nosso mês apocalípticos! Eis então aquele que pode ser o último filme em cartaz no DVD, Sofá e Pipoca.

The Andromeda Strain
1971 - EUA
131 min, cor.
Ficção científica, suspense

Direção: Robert Wise

Roteiro: Nelson Gidding

Música: Gil Melle

Elenco: James Olson, Arthur Hill, David Wayne, Kate Reid.

Baseado no livro homonimo de Michael Crichton.


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Guerra dos Mundos (versão do séc. XXI)

Uma adaptação do mesmo livro, não um re-make do filme de 1953, Guerra dos Mundos lançado em 2005 tem direção de Steven Spielberg, com Tom Cruise e Dakota Fanning e muitos efeitos especiais. Foi indicado a 3 Oscar todos técnicos.

A trama acompanha Ray (Cruise) e seus filhos Rachel(Dakota Fanning) e Robbie(Justin Chatwin) durante a invasão alienígena. Divorciado, ele não tem muito contato com os filhos. Situação que vai mudar com a convivência forçada, e as situações limites a que os três são submetidos em sua jornada para reencontrar a mãe das crianças, Mary(Miranda Otto).

Os detalhes da invasão, e seus resultados são os mesmos do livro e do filme de 1953. Com a diferença de que finalmente os tripods tem a aparência descrita na romance (no filme anterior não descobriram como fazer as máquinas funcionar). Mas o enfoque foge das estratégias militares e outras tentativas de solucionar o problema. O objetivo é sobreviver!

Confira o trailer e imagens abaixo:




quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A Guerra dos Mundos no rádio



Em 1938, Orson Welles produziu uma transmissão radiofônica intitulada A Guerra dos Mundos, adaptação da obra homônima de Herbert George Wells (o mesmo que inspirou versões homônimas de Spilberg, 2005 e de Byron Haskin, 1953).

O programa, encenado como uma invasão real, gerou terror nos desavisados, que acreditaram realmente estar sob invasão alienígena. A confusão incluiu até policiais tentando invadir a rádio.

O programa pode ser encontrado on-line.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Os marcianos nos vêem verdes!

Isso mesmo, os seres extraterrestres presentes em A Guerra dos Mundos nos vêem em tons de verde e cinza. A cor verde especificamente para nossa pele, o cinza para todo o resto. Se existe metáfora escondida nesta peculiaridade, inútil à trama, descoberta pelos protagonistas não sei dizer. Em toda sua curta duração o longa de 1953 não apresenta riqueza de metáforas. Pelo contrário, tudo é explicadinho, nos mínimos detalhes!

Até então, a "Guerra dos Mundos" que eu conhecia era a festa de efeitos especiais de Spillberg. O longa de 2005 não é um remake do longa de 1953, mas uma outra adaptação para uma mesma história. A invasão é a mesma, mas personagens e detalhes são próprios de cada produção. Informação que fora largamente divulgada no lançamento do longa mais recente.

Qual não foi minha surpresa ao descobrir várias semelhanças entre os filmes. Especialmente nos trechos em que os protagonistas de ambas as produções ficam presos em uma casa. E na incapacidade da protagonista do sexo feminino em se virar sozinha. O que para Sylvia (Ann Robinson), uma mulher adulta, soa muito mais patético que para a garotinha vivida por Dakota Fanning. Mas eram os anos 50 e as mocinhas deviam soar assim certo? Certo é que vou precisar ler o livro, e talvez ouvir a transmissão de rádio de Orson Welles, para descobrir como essas obras fazem referências umas as outras.

Voltando ao filme de 1953. Estranhos meteoros aterrissam na terra, logo descobre-se que não são meteoros. E que não vem em paz. Depois de especulações sem sentido, estratégias de defesa inúteis pouco se sabe sobre os marcianos (planeta de origem, tão deduzida quanto todo o resto). E quando até a arma mais poderosa que a humanidade inventou falha, o mundo se entrega ao desespero e selvageria. Em meio a tanta confusão o cientista Clayton Forrester (Gene Barry), ainda arruma tempo para um romance clichê.

Meteoros, estratégias militares, romance, luta pela sobrevivência, parece que cabe de tudo neste filme de cerca de 1h30 de duração. Além de efeitos especiais que incluem, raios da morte estilo "vela chuveirinho", naves espaciais penduradas por cabos, maquetes e fotos estáticas de diversas cidades do mundo, com naves e pessoas em movimento no primeiro plano.Tudo devidamente pontuado por uma narração intrusiva, que com a intenção de mostrar o cenário mundial cria cenas com cara de documentário que fica meio deslocado em meio a exagerada atuação dramática do elenco.

Sim, dramática! As pessoas gritam sacudindo as cabeças, se estapeiam desesperadamente em fuga e o mocinho (sem jeito mandou lembranças) precisa de mais delicadeza para abraçar a mocinha. E entre as cidades a que mais resiste é Washington, claro!

Os marcianos merecem um parágrafo à parte. Pouco vistos, tem um visual menos assustador do que esperado. De fato, dão mais medo antes de vermos seus olhos coloridos, e seu comportamento nada alienígena. 

A Guerra dos Mundos não soa nada crível para quem o assistiu após 60 anos de evolução alienígena no cinema. Seus efeitos são datados, e o roteiro traz vários erros (como assim uma bibliotecária pode ficar servindo cafézinho em meio uma armada militar? O que aconteceu com os militares e os esforços do governo no fim?) Mesmo assim é divertido!

É curioso ver a ingenuidade da direção de arte ao criar os monstros. Assim como a reação da "humanidade", apostando tudo nas armas ao invés de conhecer o inimigo. Tentando inutilmente melhorar a reputação de uma bomba atômica, colocando os mocinhos no raio da explosão. 

Não funciona, mas diverte! E nos faz pensar em que tipo de mundo produziu esta pérola da ficção cientifica? Um lugar tão estranho quanto as pessoas verdes que os marcianos enxergam.  


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Prêmios A Guerra dos Mundos

Oscar
  • Efeitos Especiais

Indicado para melhor Montagem e melhor Edição de Som.

Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, USA
  • Hall of Fame - George Pal  "War of the Worlds" on its 25th Anniversary

Hugo Awards
  • Best Dramatic Presentation

Motion Picture Sound Editors, USA
  • Golden Reel Award - Best Sound Editing - Feature Film