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sábado, 31 de agosto de 2013

Leon e Mathilda

Muito antes de Hit Girl (Kick-Ass) chamar atenção ao empunhar várias armas habilmente em cena, existiu Mathilda. O papel de estreia de Natalie Portman pode não ter o currículo da super-heroína-mirim, mas surpreende em realismo. Contudo ,comecemos pelo princípio, o titulo original do filme é Leon.

E Leon (Jean Reno) é um matador solitário, que tem sua rotina alterada quando aceita a pequena Mathilda como aprendiz. Não que a menina já não vivesse em um ambiente violentamente estimulante. Sua família fora chacinada por causa do envolvimento de seu pai com drogas. Sangue frio, a menina chega em casa quando os assassinos ainda estão no local, compreende a situação, disfarça e passa direto de seu apartamento para bater às porta de Leon. Casou ainda não esteja envolvido pelo longa, após esta cena o interesse é inevitável. 

Acompanhamos então essa relação improvável se desenvolver, disfarçada de filme de ação. Meio lento intelectualmente e reprimido emocionalmente Leon é uma figura paterna para lá de inapropriada, mas é o melhor que Mathilda já teve. Solitária e problemática é a menina que insiste na convivência inicialmente forçada, que não demora muito a gerar incomuns laços de afeto.

Incomuns e reais, Mathilda e Leon tem defeitos e problemas reais e sua relação se desenvolve em torno e apesar deles. Tudo isso sem ser piegas ou clichês, e com atuação impecável especialmente da pequena Natalie que graças à lentidão intelectual e sentimental de Leon, por vezes carrega sozinha o convívio.  

Com protagonistas tão realistas, o vilão precisa ser mais caricato. Ok, isso não é uma regra real, mas aqui funciona muito bem. Gary Oldman aparece cheio de trejeitos e com uma maldade exageradamente doentia. Bastam poucos minutos em cena para causar terror.

Apesar de Mathillda e Leon serem personagens cheios de facetas difíceis de se encontrar no gênero, ainda é preciso boas cenas de perseguição e tiroteio, distribuídas pontualmente, até alcançar o frenético clímax. Afinal ainda é um filme de ação. Ação inteligente, simples, bem executada, com bons personagens e atuações impressionantes. Nem era preciso Mathilda empunhar tantas armas quanto a Hit Girl!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Profissionais


Leon (Reno) e Mathilda (Portman) durante o treinamento: dupla fatal
O profissional (Leon, 1994) tem o título no singular, mas deveria ser no plural. O time de atores é imbatível e nossa pequena notável da semana, Natalie Portman, simplesmente arrasa. Ainda novinha já mostrava que tinha um talento incrível: as cenas desse filme não eram nem um pouco fáceis, e ela foi simplesmente fantástica. Em dupla com Jean Reno e um ligeiramente exagerado Gary Oldman (que tem lugar cativo no meu coração), a pequena não fez feio. Uma história tocante, apesar de estarmos falando de um assassino profissional.

Stan (Oldman) e Mathilda (Portman)
Leon (Jean Reno, inspiradíssimo) é um assassino profissional de elite. Certeiro, frio, excelente. Perfeito. Um dia ele cruza o caminho com a vizinha, uma esperta garota de seus 12 anos que fumava escondida do pai. Ela pede para Leon não contar sobre isso à ele, pois seria mais uma encrenca para ela. Aí nós conhecemos o caótico lar da garota: um pai traficante ameaçado, uma madrasta prostituta, uma meio-irmã que não ligava à mínima pra ela e o pequeno anjinho da casa. No dia seguinte, enquanto a garota estava no mercado comprando coisas para ela e os dois litros de leite de Leon (tentando conquistar a confiança dele), ela volta pra casa e sua família está morta. Bem, na verdade, a família foi massacrada pelo psicopata em forma de policial Stan (Gary Oldman, meio tom acima porém ainda excelente). Sabendo que sua vida estava por um fio, Mathilda (Natalie Portman, um talento precoce absurdo) dirigiu-se diretamente para a porta do vizinho e rezou para que ele abrisse a porta. A partir do momento em que ele abre a porta, a vida dos dois nunca mais seria a mesma.

Não quero contar muito mais sobre o enredo. Ainda tem muita gente que não viu o filme (eu, por exemplo, nunca tinha visto até hoje - nem mesmo quando ele passava nos Corujões da vida) e eu não quero ser uma estraga-prazeres. O diretor fez uma excelente escolha de seus atores, principalmente ao escalar Reno e Portman para os papeis principais. O filme é baseado na sede de vingança de Mathilda, que deseja aprender como se tornar uma assassina e vingar a morte do irmão - ela sabia que o pai não era nenhum inocente, mas a morte do irmão foi demais pra ela. A maturidade da interpretação de Natalie impressiona e emociona. Reno foi magistral na composição de um Leon adulto e assassino profissional frio, mas que tinha sido abusado pela vida, refém de um coração partido. A forma gradativa como ele se abre à garota é sensacional, e nunca pesa pro piegas. A direção segura de Luc Besson, com alguns ângulos inusitados e jogos de luz interessantes (especialmente nas primeiras cenas, com Leon na ativa) amarram todos os pontos e fazem o filme "descer redondo". 

Leon (Reno) e sua vítima: perfeito
Com algumas cenas divertidas e outras até poéticas, essa história nos faz pensar no quanto amadurecemos e embrutecemos quando algo ruim acontece, e o quanto nós deixamos intocados no fundo de nossa almas porque tivemos que amadurecer e embrutecer. Uma ótima pedida, para qualquer dia. Obrigada aos nossos amigos de sofá, que me deram essa grata surpresa.

Galeria: bastidores de O Profissional

Confira imagens dos bastidores da produção de O Profissional. Leia mais sobre o filme em nosso especial.

Clique nas imagens para ampliar.













quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Prêmios de O Profissional

Awards of the Japanese Academy
Nomeado para Best Foreign Film

Czech Lions
  • Best Foreign Language Film (Nejlepsí zahranicní film) - Luc Besson

César Awards
Nomeado para Best Actor (Meilleur acteur - Jean Reno), Best Cinematography (Meilleure photographie), Best Director (Meilleur réalisateur), Best Editing (Meilleur montage), Best Film (Meilleur film), Best Music (Meilleure musique), Best Sound (Meilleur son).

Golden Reel Award - Motion Picture Sound Editors
  • Best Sound Editing - Foreign Feature

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Curiosidades de O Profissional

Inicialmente Natalie Portman  fora descartada para o papel de Mathilda por ser joven demais. Tinha apenas 11 anos. Mas ela voltou para as audições e impressionou o diretor Luc Besson ao apresentar intensa profundidade ao interpretar a cena em que Mathilda lamenta a morte de seu irmão. Confira o vídeo com a audição de Natalie aqui.

Liv Tyler foi considerada para o papel de Mathilda, mas, aos 15 anos, ela foi julgada velha demais.

De acordo com Luc Besson, o papel de Léon sempre foi destinado para Jean Reno e mais ninguém. No entanto, de acordo com a faixa informativa sobre a edição em DVD de luxo, Mel Gibson e Keanu Reeves estavam extremamente interessados no papel.

De acordo com Jean Reno, ele decidiu interpretar Léon como se ele fosse um pouco mentalmente lento e emocionalmente reprimida. Ele achava que isso iria fazer o público relaxar e perceber que ele não era alguém que iria aproveitar uma jovem vulnerável. Reno afirma que para Leon, a possibilidade de um relacionamento físico com Mathilde não é sequer imaginável, e como tal, durante as cenas quando tal relação é discutida, Reno permitiu a Mathilde estar emocionalmente no controle das cenas.

O roteiro original contém algumas cenas envolvendo uma desajeitada tensão sexual entre os personagens Léon e Mathilda. Estas cenas foram retiradas na versão americana do filme, mas esteve presente na versão lançada na Europa. Em DVD elas estão presentes entre as cenas deletadas.


Em 26 de junho de 1996, foi lançada nos cinemas franceses a versão do diretor de O Profissional, que tem 26 minutos extras.

Durante as filmagens, em uma cena envolvendo carros de polícia na rua, um homem saiu correndo de uma loja que ele tinha acabado de roubar. Quando encontrou o set de filmagens por acidente, e viu todos os "políciais", ele se entregou aos oficiais, que na verdade era figurantes uniformizados.

Natalie Portman afirmou que para fazer a cena em que estava vestida como Marilyn Monroe ela se inspirou em uma cena do filme Quanto Mais Idiota Melhor. Ela admitiu que no momento Léon foi filmado ela realmente nunca tinha visto qualquer filme estrelado por Monroe.

Natalie e o diretor Luc Besson
Stansfield diz que ele e seus capangas vão aparecer ao meio-dia. Na casa de León, vemos um relógio que mostra 11h58. A seqüência a seguir tem exatamente dois minutos e eles chegam exatamente ao meio-dia.

Mathilda cadastra a si mesma e Léon e sob o nome de "MacGuffin". "MacGuffin" é um termo cunhado pelo filme Alfred Hitchcock para um objeto que não têm a menor importância para quem assiste ao filme, mas pode ser imprescindível para a personagem da trama.

Os pais de Natalie Portman estavam extremamente preocupados com as cenas de fumo no filme. Por isso, antes de permitir que Natalie participasse, eles elaboraram um contrato com Luc Besson, com restrições à representação de fumar: só poderia haver cinco cenas de fumo no filme, Portman nunca seria vista inalando ou exalando fumaça e Mathilde desistiria do hábito no decorrer do filme. Todas as restrições foram respeitadas pela produção.

O personagem Léon tem este nome em homenagem a Léon Gaumont, inventor que desenvolveu técnicas cinematográficas no século XIX ao lado dos irmãos Lumiere. Gaumont é o nome da produtora do longa.

De acordo com Patrice Ledoux, Luc Besson planejado Léon como um "tapa buraco". Na época, ele já tinha começado a trabalhar em O Quinto Elemento, mas a produção foi adiada devido à agenda de Bruce Willis. Ao invés de demitir a equipe de produção e perder seu impulso criativo, Besson escreveu Léon. Ele levou apenas 30 dias para escrever o roteiro e as filmagens duraram apenas 90 dias.

Todos os interiores do apartamento de Léon foram filmados em Paris, todos as cenas do corredor do lado de fora foram filmadas seis semanas mais cedo em Nova York.


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Audição de Natalie Portman para O Profissional

Inicialmente Natalie Portman  fora descartada para o papel de Mathilda por ser joven demais. Tinha apenas 11 anos. Mas ela voltou para as audições e impressionou o diretor Luc Besson ao apresentar intensa profundidade ao interpretar a cena em que Mathilda lamenta a morte de seu irmão.

Confira um vídeo com parte do teste de Natalie para o papel.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O Profissional

Você votou, e a estreia de peso de Natalie Portman no cinema encerra nosso mês dedicado aos astros-mirins.
Leon
1994 - EUA/frança
110 min, colorido
ação/drama

Direção: Luc Besson

Roteiro: Luc Besson

Música: Eric Serra

Elenco: Jean Reno, Gary Oldman, Natalie Portman, Danny Aiello, Peter Appel, Michael Badalucco, Ellen Greene, Elizabeth Regen, Carl J. Matusovich

sábado, 24 de agosto de 2013

Vale a pena ver de novo (e de novo)


Você só vai entender completamente esta cena quando revir o filme
Existem alguns filmes que são surpreendentes quando se vê pela primeira vez, mas perdem um pouco da graça quando você revê porque o elemento surpresa do final do filme foi revelado e já não tem impacto quando revelado de novo. Esse, definitivamente, não é o caso de O sexto sentido (The sixth sense, 1999). O filme tem uma revelação chocante logo no meio do filme e o final pegou muita gente de surpresa quando o filme foi lançado. E como só foi revelado na última sequência, os últimos 5 minutos de filme, pode dar essa falsa sensação de que rever não vai ser mais tão legal. Não é verdade. A história é muito boa e a abordagem do diretor M. Knight Shyamalan foi bastante criativa (o que, aliás, fica mais evidente quando se revê o filme). 

O filme começa num momento tranquilo a vida do Dr. Malcolm Crowe (Bruce Willis, quase inexpressivo como sempre) e sua esposa: eles comemoravam a placa de reconhecimento pelo trabalho do psicólogo com crianças na Filadélfia. A comemoração foi interrompida quando o casal foi surpreendido por um ex-paciente de Crowe invade a casa deles, acusando-o de não o ter ajudado, de não ter compreendido seu problema. Decidido a dar um basta e com uma raiva incontrolável, ele atira no doutor e depois em sua própria cabeça. Atormentado pela culpa de não ter podido ajudar Vincent (o problemático rapaz), Malcolm fica obcecado com o caso. Quando ele vê que o pequeno Cole Sear (Haley Joel Osment, provável garoto-mais-fofo-de-Hollywood-de-todos-os-tempos) e sua ficha incrivelmente parecida com a de Vincent, ele se decide: precisa ajudar aquele garoto porque sente que assim estaria ajudando ao outro menino do passado.

Cole mora com a mãe, Lynn (Toni Collete, maravilhosa como sempre) e é o típico menino desajustado: usa os grandes óculos do pai, sem as lentes, como uma máscara para se proteger do mundo, brinca com seus bonequinhos, não tem amigos na escola. Malcolm tem uma primeira conversa com Cole rapidamente, dentro da igreja (um local bem incomum para uma consulta) e conquista, aos poucos, a confiança do menino - até que ele lhe revele seu grande segredo. Após ser preso em um armário por seus colegas de escola durante uma festinha de aniversário, Cole precisou ir para o hospital: sem compreender o que realmente se passou, a mãe acreditava que o filho tivesse sofrido algum ataque de pânico, histeria ou convulsão dentro do armário, pois saíra de lá machucado. Os médicos chegaram a pensar que a própria mãe maltratava o menino. Cole então revela a Malcolm que ele podia ver gente morta, e que às vezes eles tinham tanta raiva que o machucavam. Frustrado em não poder ajudar o pequeno, pois acredita que ele sofre de paranoia e está além de seu poder ajudá-lo. Em casa, sua situação com a esposa piora cada vez mais. O casal quase não conversa mais e está se distanciando cada vez mais, e tudo por causa da obsessão de Malcolm em ajudar Cole.

A obsessão de Crowe (Willis) em solucionar o caso de Cole (Osment) o consumia
É nessa hora que as coisas começam a mudar. escutando novamente uma fita de uma sessão de Vincent em seu escritório, em casa, Malcolm percebe que o menino realmente estava sendo perseguido por algo que ele não conseguia compreender. Nos poucos minutos que deixou o menino sozinho no escritório e não havia mais ninguém ali, ele ouviu na gravação uma voz chorosa, desesperada, falando em espanhol para Vincent "yo no quiero morrir". Finalmente ele percebeu que era o mesmo que acontecia aos dois meninos: eles eram assombrados realmente por fantasmas, que procuravam ajuda. Ele corre de volta a Cole para informar que ele acreditava nele e que queria continuar ajudando o menino. Disse que, talvez, ao que os fantasmas queriam dele era somente ajuda. Então ele encorajou Cole a não fugir, mas a tentar conversar. Quando o fantasma de uma menina aparece no seu canto secreto, em seu quarto, a primeira reação do menino é fugir. mas depois, dominando o medo, ele volta até ela e pergunta o que ela quer dele. Ela queria que ele fosse até a casa dela e mostrasse pro pai a fita que ela gravou, mostrando que a mãe/madrasta a estava envenenando (e, pelos comentários entreouvidos da cena, envenenava à irmã mais nova dela também).

Cole encontrou o equilíbrio, já não tinha mais medo dos fantasmas. Malcolm já tinha feito o que podia para trazer paz para a criança, embora não tivesse podido resolver o problema - mas tinha achado uma solução satisfatória para o garoto. Cole se sente seguro o suficiente para contar à mãe sobre seu segredo (na cena mais emocionante do filme todo, quando ele conta para ela que sua avó - mãe de Lynn, já falecida - o visitava de vez em quando e conta sobre o mistério do pingente e que ela se orgulhava da filha todo dia). Era hora de ele voltar a cuidar de sua esposa, de seu casamento ou ele iria perdê-la em breve. Seguindo um conselho de Cole, Malcolm tenta conversar com a mulher enquanto ela está adormecida no sofá. Só então ele percebe que ele não resistiu ao tiro que levou, que ele não estava vivo. Então todas as frases de Cole fazem sentido: "eles não sabem que estão mortos, não podem se ver", "eles só veem o que querem ver". Finalmente pronto para partir, Malcolm se despede da esposa e ela pode, enfim, seguir a vida.

Cole (Osment) finalmente conta pra sua mãe (Collete) o seu segredo
Quando eu falei, logo no início, que rever o filme é interessante e acrescenta ao filme, eu quis dizer que é só quando a gente revê que percebemos a sutileza do trabalho de Shyamalan. As soluções visuais que ele encontrou para manter o suspense são inteligentíssimas: cortes de cenas na hora certa, direção de atores em cena (nenhum ator esbarra em outro, nem mesmo os figurantes, em momento algum - funciona como uma orquestra, não dá pra perceber que Malcolm está realmente morto até que ele mesmo se dê conta disso), a preferência por maquiagens e mudanças de ponto de vista ao invés de utilizar efeitos especiais mirabolantes... Antes de O sexto sentido, esses recursos não eram tão bem explorados e, principalmente, pareciam ter sido esquecidos nos filmes de terror/suspense. Ok, ele apela quando sincroniza um som alto súbito quando um fantasma cruza a tela, mas nem por isso chega a irritar. Com certeza o filme tem mais méritos pra compensar isso. A começar pela escalação de Toni Collete e de Haley Joel Osment. Toni é excelente, e sua relação com o pequeno é emocionante. Dá pra ver o quanto ela sofre por ter que cuidar do menino sozinha, trabalhando duro, sem entender porque aqueles machucados aparecem ou porque seu filho tem tanto medo. Mas ela nunca deixaria de amar o garoto, e foi como uma leoa para cima das mães dos amiguinhos que possivelmente estavam maltratando Cole. 

Osment é tão talentoso quanto fofo: que vontade de apertar essas bochechas!
E Haley Joel, bem... O que dizer? Extremamente fofo e talentoso, dá vontade de agarrar o menino no colo toda vez que ele fazia cara de assustado. Desde a primeira vez que ele aparece, correndo de Malcolm e indo se esconder na igreja; ele se certificando que a casa está vazia antes de se arriscar a ir ao banheiro, ele contando pra mãe que não mexeu no pingente da avó, quando ele chega pedindo pra dormir com a mãe (se ela não estiver muito brava com ele)... Houve muitas cenas difíceis pra um ator, com extremos de emoção ou situações amedrontadoras (possivelmente traumatizantes, falo por mim - uma medrosa de carteirinha) e, pra usar uma expressão bem acertiva, Haley own it. Impossível nçao se deixar levar por aquela carinha inocente, pelo crescente sutil da narrativa. Shyamalan fez todas as opções certas para o filme, mas sem Haley o filme nunca seria tão bom.

Clube do Terror - The Tale of the Dream Girl


Segundo M. Night Shyamalan, O Sexto Sentido foi inspirado em um episódio de Are You Afraid of the Dark? (Clube do Terror no Brasil) chamado The Tale of the Dream Girl dirigido por David Winning.

Nunca ouviu falar? Eu também não conhecia, felizmente o episódio em questão está na íntegra no YouTube.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Ih! O Bruce Willis...


Não. Eu não vivenciei aquela incrível surpresa ao final de O Sexto Sentido na primeira vez que assisti ao longa. Lá, nos tempos do VHS, cometi o erro de assistir ao longa com a minha mãe, e pelo meio da sessão ela percebeu (inconvenientemente em voz alta): ih! O Bruce Willis...

O final da frase acima você já deve imaginar. Se não, admito, tenho inveja de você, que ainda pode se surpreender com este filme que colocou o, agora malfadado, nome de M. Night Shyamalan no mapa. E me questiono, como ainda você não sabe?

O psicólogo infantil Malcolm Crowe (Bruce Willis), ganhou um prêmio por seu trabalho e viu um de seus pacientes cometer suicídio na mesma noite. Após viver céu e inferno com a distância de segundos, não é de se admirar que ele precise recuperar a auto-confiança. É nesse momento que ele decide tratar de Cole (Haley Joel Osment), que aos 8 anos apresenta problemas semelhantes ao de seu paciente suicida.

Simples assim. O roteiro acompanha a relação entre médico e paciente, assim como a relação de Cole com sua mãe, e de Malcolm com sua esposa, enquanto tenta desvendar o que realmente acontece com o menino. Apesar do contexto de mistério, são as relações que dão o tom de suspense.

Intimista e sem exageros Shyamalan leva o espectador a vivenciar o dia-a-dia destas "pessoas comuns". Como não se importar com quem você toma café da manhã ou faz compras no mercado? As informações incomuns que ajudam a desvendar o mistério, são apresentadas de forma orgânica, a maioria passa despercebida, sendo notada apenas quando desvendada a importância de seu conhecimento, ou nem isso.

Cena estrategicamente pensada para te enganar!

Claro! Para basear o filme apenas em seus personagens e relações, estes tem de ser bem construídos, o que inclui o trabalho do elenco. Sim, a maioria de nós vai tratar Malcolm pelo nome de seu intérprete e não pelo nome de seu personagem. O que não significa que Bruce Willis não entrega um ótimo trabalho ao mostrar a dedicação, fragilidade e ansiedade de seu psicólogo, que tenta compreender e solucionar dois grandes problemas: o quadro de Cole, e o distanciamento de sua esposa. Não aprendemos a chamá-lo de Malcolm, mas acreditamos e nos preocupamos com ele da mesma forma.


Haley Joel Osment já tinha 11 anos (e não 8 como seu personagem) quando deu vida a Cole. Ainda assim idade pouca para um personagem tão complexo. Mesmo assim, o menino entrega um personagem incrivelmente verossímil, apesar das coisas impossíveis que o cercam. Construindo um menino atormentado com trejeitos e expressões sutis.

Menos alardeada, mas tão eficiente quanto, Toni Collette apresenta uma mãe dos nossos tempos. Abandonada pelo marido, trabalha demais para conseguir criar o filho sozinha. Não consegue compreender o que se passa com Cole, sabe que o filho está sofrendo e sente que não tem as ferramentas para ajuda-lo. É muito peso para uma pessoa carregar, e Collette deixa isso evidente. Mesmo assim é uma personagem forte, que não desiste e com doçura faz o melhor que pode pela felicidade do filho. Seja empenhando uma corrida em um carrinho de supermercado, ou inventando um dia melhor do que tiveram.

É fato, 99% das pessoas, quando questionadas, vai lembrar de O Sexto Sentido como o filme com uma das melhores reviravoltas do cinema. Mas a grande revelação não seria nada se roteiro e personagens bem construídos e desenvolvidos não nos fizessem importar tanto com eles. E nem mencionei a direção de arte e fotografia melancólicas que ajudam a dar o tom daquele triste universo. Duvida? Faça o teste, remova tudo da equação e o surpreendente "ih! O Bruce Willis..." não terá efeito nenhum.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Prêmios de O Sexto Sentido

O Sexto Sentido é um dos únicos quatro filmes de terror a receber uma indicação ao Oscar de Melhor Filme, os outros três foram  O ExorcistaTubarão O Silêncio dos Inocentes. Não levou nenhum prêmio da academia, mas coleciona estatuetas de diversas partes do mundo.


Oscar
Indicado para Melhor Ator Coadjuvante (Haley Joel Osment), Melhor atriz coadjuvante (Toni Collette), melhor diretor, melhor filme, melhor edição, melhor fotografia, melhor roteiro original.

ASCAP Film and Television Music Awards
  • ASCAP Award - Top Box Office Films
  • Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films,
  • Best Horror Film
  • Best Performance by a Younger Actor/Actress (Haley Joel Osment)
Indicado Best Actor (Bruce Willis), Best Writer (M. Night Shyamalan)

Amanda Awards, Noruega
Indicado para Best Foreign Feature Film

American Cinema Editors
Indicado para Best Edited Feature Film - Dramatic

American Society of Cinematographers
Nomeado para Outstanding Achievement in Cinematography in Theatrical Releases

Australian Film Institute
Nomeado para Best Foreign Film Award

Awards of the Japanese Academy
  • Best Foreign Film

BAFTA Awards
Nomeado para Best Editing, Best Film, Best Screenplay - Original, David Lean Award for Direction.

Blockbuster Entertainment Awards
  • Favorite Actor - Newcomer (Internet Only - Haley Joel Osment)
  • Favorite Actor - Suspense (Bruce Willis)
  • Favorite Supporting Actress - Suspense (Toni Collette)

Bogey Awards
  • Bogey Award in Gold

Bram Stoker Awards
  • Screenplay

Broadcast Film Critics Association Awards
  • Best Child Performance (Haley Joel Osment)
Nomeado para Best Picture

Cannes Film Festival (2003)
  • DVD Design Award - Tied with Capitão Conan (1996).

Casting Society of America
Nomeado para Best Casting for Feature Film, Drama

Chicago Film Critics Association Awards
Nomeado para Best Screenplay, Best Supporting Actor (Haley Joel Osment), Most Promising Actor (Haley Joel Osment)

Chlotrudis Awards
Nomeado para Best Screenplay, Best Supporting Actor (Haley Joel Osment), Best Supporting Actress (Toni Collette)

Cinema Audio Society
Indicado para Outstanding Achievement in Sound Mixing for a Feature Film

Dallas-Fort Worth Film Critics Association Awards
  • Best Supporting Actor (Haley Joel Osment)

Directors Guild of America
Indicado para Outstanding Directorial Achievement in Motion Pictures

Empire Awards
  • Best Director

Film Critics Circle of Australia Awards
Nomeado para Best Foreign Film

Florida Film Critics Circle Awards
  • Best Supporting Actor (Haley Joel Osment)

Golden Globes
Nomeado para Best Performance by an Actor in a Supporting Role in a Motion Picture (Haley Joel Osment), Best Screenplay - Motion Picture

Hugo Awards
  • Best Dramatic Presentation

International Horror Guild
  • Best Movie

Kansas City Film Critics Circle Awards
  • Best Supporting Actor (Haley Joel Osment)

Las Vegas Film Critics Society Awards
  • Best Supporting Actor (Haley Joel Osment)
  • Most Promising Actor (Haley Joel Osment)
  • Youth in Film (Haley Joel Osment)
Nomeado para Best Screenplay

MTV Movie Awards
  • Breakthrough Male Performance (Haley Joel Osment)

Indicado para Best Male Performance (Bruce Willis), Best Movie, Best On-Screen Duo (Bruce Willis, Haley Joel Osment)

Motion Picture Sound Editors
Nomeado para Best Sound Editing

National Society of Film Critics Awards
3rd place - NSFC Award - Best Supporting Actor (Haley Joel Osment)

Online Film Critics Society Awards
  • Best Supporting Actor (Haley Joel Osment)

Nomeado para Best Debut (Haley Joel Osment), Best Screenplay

People's Choice Awards
  • Favorite Dramatic Motion Picture
  • Favorite Motion Picture

Satellite Awards
  • Best Film Editing
  • Best Screenplay, Original
Nomeado para Best Performance by an Actress in a Supporting Role, Drama (Toni Collette), Best Sound

Science Fiction and Fantasy Writers of America
  • Nebula Award - Best Script

Screen Actors Guild Awards
Nomeado Outstanding Performance by a Male Actor in a Supporting Role (Haley Joel Osment)

Southeastern Film Critics Association Awards
  • Best Supporting Actor - Haley Joel Osment

Teen Choice Awards
  • Film - Choice Breakout Performance (Haley Joel Osment)
  • Film - Choice Drama
Nomeado para Film - Choice Sleazebag - Trevor Morgan

Writers Guild of America
Nomeado Best Screenplay Written Directly for the Screen

Young Artist Awards
  • Best Performance in a Feature Film - Leading Young Actor (Haley Joel Osment)

YoungStar Awards
  • Best Young Actor/Performance in a Motion Picture Drama (Haley Joel Osment)

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Um pouco mais de Haley Joel Osment


A gente lembra dele como 'o garotinho que vê gente morta o tempo todo', inegável dizer isso. Mas Haley Joel Osment já não é mais um garotinho há um bom tempo, e também não fez só esse papel no cinema. Sua mãe era professora, mas seu pai era ator e o gene artístico passou para os filhos. Haley tornou-se ator muito jovem, e fez grande sucesso. Sua irmã, Emily Osment também começou como atriz no seriado Hanna Montana, ao lado de Miley Cyrus, e hoje dá maior ênfase à sua carreira como cantora. 

Ao contrário de sua irmã, que ganhou os holofotes depois de mais velha, Haley Joel apareceu muito cedo  nas telonas e sua carinha fofa atraiu a atenção de todos. Seu primeiro papel foi como o filho de Tom Hanks em Forrest Gump - O contador de histórias (Forrest Gump, 1994), quando tinha apenas 6 anos - o que lhe rendeu uma indicação para o Young Artist Awards para melhor atuação de crianças menores de 10 anos (ele também foi nomeado uma segunda vez para esse prêmio, por Bogus, 1996). Com alguns outros filmes menores e uma participação em um seriado na tv, sua melhor atuação e o filme mais famoso veio 3 anos depois do début - quando ele deu vida ao pequeno Cole Sear que via os mortos em todo lugar. O filme de Shyamalan o fez famoso, pois era uma criancinha fofa atormentada por um dom tão sinistro - e o final surpreendente do filme contribuiu para o estrondoso sucesso do filme. Levou algum tempo até conseguir emplacar outro sucesso, com o filme A corrente do bem (Pay it forward, 2000), que não agradou tanto aos críticos porém fez um certo sucesso com o público. 

Mas a sua próxima atuação de derreter corações de aço foi em A.I. - Inteligência artificial (Artificial Intelligence, 2001) do diretor Steven Spielberg. Nesse filme, ele interpreta um jovem robô criado para preencher a vida de um casal que não podia ter filhos, mas tudo começa a dar errado para ele quando eles conseguem ter um filho de verdade. Este foi o último grande sucesso nas telonas de Haley, que após ter feito Lições para a vida toda (Secondhand lions, 2003), ao lado de Michael Caine, parece ter se dedicado ao trabalho de dublagem - especialmente dublagem para videogame. Participações nos seriados Family Guy e em longas de animação como O conrcunda de Notre-Dame II, ele interpretou o Mowgli em O livro das selvas (animação para tv, seriado) e Sora nos jogos Kingdom Hearts. Com participações em pequenas produções, Haley Joel parece ter entrado no time dos atores mirins que não conseguiram sustentar o sucesso após a chegada da adolescência, mas segue trabalhando. O que é ótimo, pois um talento tão precoce não poderia se desperdiçar, não é mesmo?

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Curiosidades de O Sexto Sentido

CUIDADO! Este texto pode conter SPOILES.
Entretanto, como assim você ainda não viu este filme??? É de 1999!!!!

O filme inicialmente iria estrear em outubro de 1999. Entretanto, o resultado final animou tanto os executivos que sua estréia foi antecipada em mais de 2 meses, para a concorrida temporada do verão americano.

Nos Estados Unidos, o filme liderou o ranking semanal de público durante 6 semanas, sendo ainda a 2ª maior bilheteria de 1999 nos EUA, perdendo apenas para Star Wars: Episódio 1 - A Ameaça-fantasma. No Brasil, o filme foi líder absoluto de público, tendo liderado o ranking semanal por mais de 2 meses e levando aos cinemas mais de 4 milhões de pessoas, tornando-se o filme que mais expectadores teve em 1999.

Filmado em seqüência.

É um dos únicos quatro filmes de terror a receber uma indicação ao Oscar de Melhor Filme, os outros três foram  O Exorcista, Tubarão e O Silêncio dos Inocentes.

M. Night Shyamalan descreveu o filme como um cruzamento entre O Exorcista e Gente Como a Gente.

De acordo com M. Night Shyamalan, o filme foi inspirado em um episódio de Are You Afraid of the Dark? chamado Are You Afraid of the Dark?: The Tale of the Dream Girl dirigido por David Winning

M. Night Shyamalan escreveu o papel de Malcolm Crowe com Bruce Willis em mente.

Quando toma notas, Bruce Willis faz isso com sua mão direita. Willis é na verdade canhoto, ele aprendeu a escrever com a mão direita para que os telespectadores não notassem que sua aliança de casamento já não estava em sua mão. Willis também desenha o círculo no sentido horário (como uma pessoa canhota faria), enquanto a maioria das pessoas destras iria desenhá-lo anti-horário.

Muitos membros da família de M. Night Shyamalan são médicos. Esta é a razão pela qual ele faz uma participação especial como um médico, um tributo à sua família.

Embora Cole tenha 9 anos, Haley Joel Osment estava na verdade com 11.

Supostamente, Haley Joel Osment conseguiu papel de Cole Sear por três motivos: Primeiro, ele era o melhor candidato. Em segundo lugar, ele era o único menino em audições que usava uma gravata. Em terceiro lugar, M. Night Shyamalan ficou surpreso quando perguntou a Haley Joel Osment se ele havia lido sua parte. Osment respondeu: "Eu li três vezes na noite passada." Shyamalan ficou impressionado dizendo: "Uau, você leu a sua parte três vezes?" Para o que Osment respondeu: "Não, eu li O script três vezes."
O ator Haley Joel Osment foi impedido por sua mãe de assistir ao filme por um motivo simples, a censura era 14 anos. Poderia ser que as cenas impressionassem o garoto, que na época tinha 11 anos de idade, por isso Haley não teve a oportunidade de se ver nas telas.

Na cena em que Cole diz que a famosa frase "Eu vejo gente morta", a câmera faz um close no rosto de Bruce Willis. Produtor Frank Marshall estava preocupado que poderia entregar o jogo. Que daria a entender que Malcolm era uma pessoa morta. Felizmente, nenhum dos públicos nas sessões de teste ou posteriormente matou a charada.

Quase nunca vemos uma queda na temperatura quando Malcolm está perto de Cole, pois o frio só ocorre quando um fantasma está com raiva ou chateado.

Todas as roupas que Bruce Willis usa durante todo o filme são variações sobre as roupas que ele usava no dia em que morreu.

O diretor usa a cor vermelha para indicar momentos em que o mundo dos vivos e o sobrenatural interagem.

É difícil evitar comparações entre O Sexto Sentido e Os Outros (2001, com Nicole Kidman). De fato, por causa do primeiro, muita gente matou a charada do segundo antes da hora!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O Sexto Sentido

Nem só de meninas de de filmes antigos vivem os astros mirins.
The Sixth Sense
1999 - EUA
107 min, colorido
suspense

Direção: M. Night Shyamalan

Roteiro: M. Night Shyamalan

Música: James Newton Howard

Elenco: Haley Joel Osment, Bruce Willis, Toni Collette, Olivia Williams, Donnie Wahlberg, Glenn Fitzgerald, Mischa Barton, Trevor Morgan, M. Night Shyamalan


domingo, 18 de agosto de 2013

Oh, minha nossa!

Elizabeth (Temple): até sapatear num piano de cauda ela podia e nunca ficava de castigo

A pequena órfã (Curly top, 1935) causou uma comoção nos EUA, mas (me chamem 'coração de pedra') não me cativou. Shirley Temple era fofa? Sim, dava vontade de apertar as bochechas gordas dela. As histórias eram mais ingênuas? Sim, e o ritmo de desenvolvimento da trama era mais lento - algo que eu aprecio em filmes antigos. Mas é aí que mora o problema: falta trama. Explico.

Elizabeth Blair (Temple) é uma fofíssima garotinha órfã que mora num orfanato com a irmã mais velha, Mary (Rochelle Hudson) e tem um pônei (?!) e um pato de estimação. Esse orfanato é sustentado pela doação de generosos benfeitores, e como um grupo deles iria visitar o local em breve, então nada podia dar errado. Então quando eles chegam e encontram as meninas dançando enquanto a pequena Elizabeth canta uma música animada e comanda a coreografia, não agrada em nada às responsáveis pelo orfanato nem ao idoso e rabugento que iria dar a contribuição mais generosa. Após uma reprimenda dele por ter brincado de imitá-lo, a pequena foi ameaçada de ir para um lar público. Mas o jovem advogado Edward Morgan (John Boles) se encanta pela garota e, principalmente, pela irmã dela. Decide, então ser o guardião delas, mas inventa um senhor Hiram Jones (que seria seu patrão) para deixar sua benfeitoria no anonimato.

As irmãs Blair e seu charme encantador: não tinha como o Edward resistir
Leva as crianças para viver com ele e sua tia Genevieve (Esther Dale) numa linda casa à beira do mar. Lá eles são uma família feliz, e Mary fica cada vez mais apaixonada por Edward. Mas ele só vai perceber que está apaixonado por ela quando descobre que ela ficou noiva. Pensando em ir embora para a Europa e deixar as meninas serem felizes, a pequena Cachinhos (Curly Top era o apelido dela e foi traduzido para Cachinhos) pede ele em casamento (?!) e ele tem que recusar - lógico. No fim das contas, Mary acaba por desmanchar o noivado e Edward finalmente se declara pra ela. E foram todos felizes para sempre. 

Então. É isso aí a trama. Ah, sim. O filme é pra Shirley mostrar seu talento como fofura master, então tem musiquinhas fofas e um show de talentos pra caridade (que a pequena idealizou para arrecadar fundos pro orfanato dela) onde ela interpreta as várias fases da vida - ela de velhinha é a coisa mais gostosa do mundo. Quanto ao pedido de casamento de Cachinhos ao seu protetor, tem explicação: ela diz que a irmã vai se casar, e que, por consequência, ele vai casar com ela também; mas ela queria mesmo que elas se casassem com Edward - até porque elas acreditavam que seu tutor era o imaginário Hiram Jones. Uma daquelas típicas coisas de criança que é mais fofo ainda quando dito por uma bonequinha em forma de gente.

Família feliz, e nem precisa de muita explicação
Bem, o filme acaba assim. Não explica a que veio nem pra onde vai. É só um desfile de esquetes para a fofura de Temple. O bordão da pequena (na versão dublada) era esse: "Oh, minha nossa!". Bordões são chatos por sua natureza repetitiva, tem que tomar muito cuidado na hora de utilizar. E nesse filme, ele é usado indiscriminadamente. Independente se a tradução foi mal feita, os bordões foram colocados na hora errada em 90% dos casos. É estranhíssimo o fato de ninguém achou estranho o tutor querer namorar/casar com a protegida menor de idade. Enfim, não fui cativada pelo filme e nem estou tentada a ver outros dela. Quem sabe, mais pra frente, eu mude de ideia...