3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Prêmios de Alfred Hitchcock

Oscar
  • Irving G. Thalberg Memorial Award (1968)
Indicado para melhor diretor em 1941 (Rebecca), 1945 (Lifeboat), 1946 (Spellbound), 1955 (Janela Indiscreta), 1961 (Psicose).

Globo de Ouro
  • Best TV Show - Alfred Hitchcock Presents (1958)
  • Cecil B. DeMille Award (1972)
Indicado Best Director - Motion Picture - Frenzy (1972)

Emmy Awards
Indicado para Best Director - Film Series Alfred Hitchcock Presents For episode "The Case of Mr. Pelham" (1955). Best Male Personality - Continuing Performance (1957)Best Direction of a Single Program of a Dramatic Series - Less Than One Hour Alfred Hitchcock Presents For episode "Lamb to the Slaughter" (1959).

BAFTA Awards
  • Academy Fellowship (1971)

Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, USA
  • Posthumous Award (1994)

American Film Institute, USA
  • Life Achievement Award(1979)

Cannes Film Festival
Indicado Grand Prize of the Festival - Notorious (1946), Grand Prize of the Festival - I Confess (1953), Palme d'Or - The Man Who Knew Too Much (1956).

Directors Guild of America
  • Lifetime Achievement Award (1968)
Indicado Outstanding Directorial Achievement in Motion Pictures - Strangers on a Train (1951), Dial M for Murder (1954), Rear Window (1954), The Man Who Knew Too Much (1956), The Trouble with Harry (1955), Vertigo (1958), North by Northwest (1959), Psycho (1960).

Film Society of Lincoln Center
  • Gala Tribute (1974)

Jussi Awards
  • Best Foreign Filmmaker(1984)

Kinema Junpo Awards
  • Best Foreign Language Film - Suspicion (1948)

Laurel Awards
  • Best Producer-Director (1971)
  • Producer-Director (1966,1970)
  • Top Producer/Director(1959, 1960, 1962, 1964)
2nd place - Top Producer/Director (1958, 1963), Producer-Director (1956, 1967)
Nomeado Producer-Director - 6th place (1968).

Locarno International Film Festival
  • Stage Fright (1950)


National Board of Review, USA
  • Best Director - Topaz (1969)

New York Film Critics Circle Awards
  • Best Director - The Lady Vanishes (1938)
2nd place - The Man Who Knew Too Much (1934), The 39 Steps (1935), Rear Window (1954)

San Sebastián International Film Festival
  • Vertigo (1958)
  • North by Northwest (1959)

Venice Film Festival
  • Nomeado To Catch a Thief (1955)

Calçada da Fama, duas estrelas uma por TV outra por Cinema - 1960



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Um pouco mais de Alfred Hitchcock

Sir Alfred Joseph Hitchcock, nasceu em Londres em 1899 e morreu em Los Angeles em 1980. Durante suas oito décadas de vida tornou-se um dos mais populares realizadores de filmes do século XX. E mantém até hoje a alcunha de Mestre do Suspense.

Depois de uma infância rígida que incluía um pai excêntrico, um colégio de Jesuitas e uma mãe da qual pouco falava quando adulto, Alfred começou a definir sua carreira profissional aos 14 anos. Estudou engenharia na School of Engineering and Navigation, e fez cursos de desenho no departamento de Belas Artes da Universidade de Londres, alé de ajudar os pais em seu comércio. Foi nessa época que descobriu um novo hobby, o cinema, que estava começando a se estabelecer como uma das mais importantes atividades recreativas em Londres.

Depois da morte do seu pai, e com a primeira guerra se aproximando, arrumou um trabalho na Telegraph Henley, um empresa de cabos elétricos. Depois de alguns meses foi transferido para o departamento de publicidade da empresa. Neste trabalho podia explorar sua criatividade e foi poupado do recrutamento militar, pois a empresa colaborava com a guerra, e também devido a sua obesidade.

Foi só em 1920, quando uma empresa americana decidiu criar um estúdio em Londres que Hitchcock entrou para o mundo do cinema. Ele bateu às portas da Famous Players-Lasky Company levando consigo alguns esboços de letreiros para filmes mudos que tinha projetado com a ajuda de seu chefe no departamento de publicidade da Henley. Conseguiu o trabalho de desenhista de letreiros e no segundo ano já era responsável por cenários e pequenos diálogos em novos filmes. Trabalhava sob a tutela de George Fitzmaurice, que também lhe ensinou as primeiras técnicas de filmagem.

Dial M for Murder

Em 1924, Seymour Hicks ofereceu a Hitchcock a co-direção de um filme menor, Always Tell Your Wife. Depois colaborou em um filme inacabado por falta de verba, Mrs. Peabody. Nos estúdios, Hitchcock conheceu Alma Reville, juntos trabalharam em vários filmes dirigidos por Graham e Cutts, e viajaram para a Alemanha para produzir um filme cujo roteiro ele mesmo havia escrito, The prude's fall. No navio de retorno a Inglaterra, Hitchcock declarou-se a Alma e logo iniciaram um longo noivado. E continuaram trabalhando em filmes da produtora de Michael Balcon, a Gainsbouroug Pictures Ltda.

Em 1925, Balcon lhe ofereceu a produção The Pleasure Garden. Hitchcock agradou os dirigentes do estúdio em sua primeira oportunidade de direção. Naquele mesmo ano ele dirigiu outros dois filmes The mountain eagle e The Lodger: A Story of the London Fog. Este último mostra a história de uma família que desconfia que seu inquilino seja Jack, o Estripador, seu primeiro suspense.

Durante a produção destes filmes se casou com Alma, com quem viveu até o fim da vida. E iniciou sua tradição de fazer aparições não creditadas em seus longas.

Hitch e Alma - 1975
Hitch na Inglaterra
Seu primeiro sucesso veio em 1929 com Blackmail. O longa foi o primeiro de uma linga lista de suspenses de sucesso dirigidos por ele em solo britânico. Em 1933 foi trabalhar na Gaumont-British Picture Corporation. Foi nesse período, Hitchcock estabeleceu algumas inovações que caracterizaram seu estilo.

Seu sucesso chamou a atenção dos produtores de Hollywood para a habilidade do diretor em usar o suspense, a partir de tramas plausíveis em que explorava psicologicamente os temores humanos. Em 1939, Hitchcock mudou-se para os Estados Unidos e assinou contrato com David Selznick.

Hitch em Hollywood

Sua estréia em solo americano foi com Rebecca (1940). A partir daí passou a dirigir praticamnte 1 filme por ano nas três décadas seguintes. E passeou por outros gêneros como comédia e noir.

Em 1942 começou a ter seus filmes produzidos pela Universal Pictures. A partir de 1948, ele foi seu próprio produtor e atravessou os anos 1950 com uma série de filmes de suspense com grandes orçamentos e contando com algumas das principais estrelas do cinema norte-americano, como Grace Kelly e James Stewart.

Em 1955, ganhou um programa de televisão chamado Alfred Hitchcock Presents. O programa apresentava dramas, thrillers e mistério, apresentados pelo diretor, mas não necessariamente dirigidos por ele. Também este ano ele tornou-se cidadão norte-americano.

Foi após a má recepção de Intriga Internacional (1959), que o diretor resolveu mudar as coisas. Escolhendo um livro considerado de mal gosto, que foi rejeitado pela Universal. O diretor bancou do próprio bolso, barateou os custos usando a equipe de filmagem de TV, dispensando as estrelas de Hollywood e filmando em apenas 36. Psicose, é provavelmente seu filme mais conhecido até os dias de hoje.

m 1972 Hitchcok surpreendeu novamente ao lançar Frenzy (Frenesi), um thriller sobre crime que trouxe pela primeira vez cenas de nudez e palavras de baixo calão em um de seus filmes. O seu último filme foi Family Plot (1076).

Alfred Hitchcock recebeu em 1980, a KBE da Ordem do Império Britânico, das mãos da Rainha Elizabeth II. O, então Sir Hitchcock, morreu quatro meses depois, de insuficiência renal, em sua casa em Los Angeles. Seu corpo foi cremado, e suas cinzas espalhadas.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Curiosidades de Mistério do Número 17

Alfred Hitchcock não queria fazer este filme. Ele queria dirigir uma produção de prestígio da peça de John Van Druten London Wall, mas para punir Hitchcock pelo fracasso financeiro de seu filme anterior o chefe da British International Pictures John Maxwell o tirou de London Wall e colocou em Mistério do Número 17.

Hitchcock se referiu à produção como "um filme terrível ... melodrama muito barato".

Este foi o último filme de Alfred Hitchcock como diretor da British International Pictures, embora ele tenha feito mais um filme para eles como produtor: "Lord Camber's Ladies", dirigido por Benn W. Levy.

A participação especial de Hitchcock neste longa não é confirmada. Aficionados afirmam que ele aparece como um dos passageiros do ônibus.


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O Mistério do Número 17

Você escolheu, e um mistério bem curtinho encerra nosso mês dedicado ao mestre do suspense.

Number Seventeen
1932 - Reino Unido
63 min, preto e branco
suspense

Direção: Alfred Hitchcockk

Roteiro: Alfred Hitchcock, Alma Reville, Rodney Ackland

Música: Adolph Hallis

Elenco: John Stuart, Anne Grey, Leon M. Lion, Donald Calthrop, Barry Jones, Ann Casson

Baseado na peça de Joseph Jefferson Farjeon.


domingo, 27 de outubro de 2013

Você sabe o que é MacGuffin?

Não. Isso não é um MacGuffin.
MacGuffin é o termo cunhado por Alfred Hitchcock, para designar  o objecto que serve de pretexto para avançar na história, e que não tem tanta importância assim. Um objeto, uma pessoa ou mesmo um item misterioso, o MacGuffin  impulsiona a ação dos personagens, mas geralmente não tem tanta importância no conteúdo do filme, ou mesmo perde seu significado quando encontrado. Sua grande função na trama é oferecer a motivação para que esta exita.

Para usar um longa de Hitchcock como exemplo, em Psicose o MacGuffin é o dinheiro roubado por Marion, que logo perde a importância após a cena do Chuveiro. Eis alguns MccGuffins famosos:

Rosebud (Cidadão Kane), este é um dos misteriosos. É preciso assistir assistir à toda a vida Charles Foster Kane, antes de descobrir o que significava "Rosebud", última palavra que o protagonista sussurrou antes de morrer.

Um Anel (Trilogia O Senhor dos Anéis), pequeno, supostamente fácil de carregar, é por causa dele que conhecemos toda a Terra Média ao acompanhar a jornada de Frodo e Sam para destruí-lo. Também assistimos um bando de gente se empenhar em uma guerra por ele. Apesar de poderoso, ele não parece fazer muito além de tornar seu portador em um viciado que pode ficar invisível, e servir de GPS para o olho de Sauron.

Arca da Aliança (Indiana Jones - E os Caçadores da Arca Perdida) eles pesquisam sua história, encontram seu paradeiro, caçam a arca, brigam pela arca, e no final o artefato divino serve apenas como pretexto para matar um monte de nazistas malvados, antes de ser escondida novamente.

Planos da Estrela da Morte (Star Wars - Ep. IV: Uma Nova Esperança) não lembra? É para manter essas plantas a salvo, para aos rebeldes que Leia envia o R2D2 para Tatooine e inicia toda a jornada de "resgate a princesa". Só vamos lembrar dele por alguns segundos, quando alguém pluga um "usb" no robozinho para fazer o download.

Acompanhando o raciocínio, lembramos ainda da maleta em Pulp Fiction, o colar Coração do Oceano em Titanic, o pé de coelho em Missão Impossível 3, o Santo Graal em uma dezena de filmes.

Se ainda está difícil de entender, acompanhe a explicação pelo próprio Hitchcock e depois confira esta lista com todos os MacGuffins de seus filmes.

sábado, 26 de outubro de 2013

Alma, Hitch e seus trabalhos

Volta e meia ouvimos alguém dizer: o livro é melhor (que o filme)! Em raríssimas ocasiões o que ocorre é o oposto. Nas melhores, ambos se igualam em qualidade. Hitchcock é um desses felizes casos.

Assim como no livro, o filme nos mostra os bastidores de Psicose, sem deixar de antes nos apresentar brevemente Ed Gein. O assassino real, que inspirou Norman Bates, é personagem na trama. Um alter ego de Alfred Hitchcock (Anthony Hopkins), que mostra desde o início seu nível de envolvimento com o trabalho e a trama do filme.

Conhecemos então, Hitch e sua esposa Alma (Hellen Mirren), à procura de um novo projeto, após a recepção ruim de Intriga Internacional. É claro, Hitch se interessou pelo material mais improvável possível, considerado uma péssima ideia, e uma história de muito mal gosto, os problemas começaram aí. Com a descrença e recusa da Paramount em patrocinar o filme.

Tendo que financiar o próprio projeto, o diretor e seus fiéis colaboradores vão à luta para fazer tudo da forma mais barata possível, sem perder a qualidade. Assim vemos Joseph Stephano (Ralph Macchio) ser escolhido pelo próprio Hitchcock para o projeto. A estranha relação do diretor com o elenco, encantado por Janet Leigh, meio indiferente, embora aparentemente satisfeito com Anthony Perkins, e seu desprezo por Vera Miles. A atriz seria estrela de Um Corpo que Cai, mas desistiu pouco antes do início das filmagens, quando descobriu estar grávida. Hitch não conseguia entender como a moça preferiu ser mãe e dona de casa, à ser estrela de Hollywood. Como "castigo", lhe deu um papel menor, peruca e figurinos feios, e não falava direito com a moça.

Mas é sua relação com a esposa Alma o coração desta trama. Diferente do livro, bastante detalhista quanto a produção, o longa deixa alguns desses detalhes de lado, para tentar apresentar a figura mítica que era Alfred Hitchcock. Muito longe de ser exatamente "amantes", eles eram amigos e companheiros. Alma era sua mais fiel e longeva colaboradora, e provavelmente a única que o entedia e encarava. Em alguns momentos um personagem chega a dizer, que para o diretor, era a opinião dela que realmente importava.

Muito bem explorada, em parte graças ao talento de Mirren e Hopkins, a relação apresenta um Hitchcock mais "humano" em contraponto com a poderosa "máquina de fazer filme" que aparentava ser. E Alma como, uma personalidade forte que o mantinha nos eixos. Não tão bem acertada são as conversas (dentro da própria mente) do diretor e Ed. Gein (Michael Wincott). Uma tentativa de mostrar a intensidade da relação do cineasta com suas obras, torna sua figura um tanto quanto assustadora em alguns momentos. Será que em prol do trabalho, ele faria as mesmas coisa que Gein?

De volta à produção de Psicose, a produção de arte recria com eficiência não apenas a época, mas os cenários e roupas da produção original. A escalação do elenco espertamente escolhe as beldades Scarlett Johansson e Jessica Biel para viver respectivamente Janet Leigh e Vera Miles. Johansson surpreende ao replicar com eficiência as expressões de Leigh nas cenas da viagem de carro. Entretanto, o que impressiona mesmo é a semelhança visual e gestual de James D'Arcy com Anthony Perkins. Não acredito que o Perkins fosse assim na vida real, mas no filme, durante cena de sua entrevista para o papel, já ficamos com medo de Norman Bates. Tem ainda Toni Collete em ponta de luxo.

Apesar de não ser preso ao "passo-a-passo" do livro, nem term o tom documental que a obra literária oferece. Como toda biografia, traz muitos personagens. Ter um pouco de conhecimento da história, ou ao menos assistido à Psicose, ajuda na hora do "quem-é-quem". Também da parte histórica, conhecemos o interessante órgão censor da época, que evitava que cenas de mal gosto, como a de um sanitário dando descarga, chegasse à audiência.

Obrigatório para quem gosta de cinema e do cineasta e por um motivo ou outro ainda não pode ler o livro. Divertido e bem produzido para o público em geral. Não sei seu personagem/personalidade principal aprovaria, mas Hitchcock é um ótimo filme.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose

Toda a produção de Psicose, foi extremamente confidencial. Alfred Hitchcock queria preservar os segredos da história, a tal ponto que obrigou toda equipe a fazer juramento. Proibiu fotógrafos, mesmo que fossem da equipe de marketing, e ainda distribuiu para a imprensa fotos dos estúdios guardados por vários seguranças. Logo, para um cinéfilo comum daquela época, ou mesmo dos tempos de hoje, saber detalhes da produção seria tarefa difícil, não fosse o livro de Stephen Rebello.

Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose (Alfred Hitchcock and the Making of Psyco), foi lançado originalmente em 1990, mas só chegou ao Brasil em 2013. O lançamento acompanhou a estréia de Hitchcock, filme baseado na publicação.

Rebello entrevistou quase toda a equipe de filmagem e recontou o passo-a-passo para a criação do clássico, que deveria dar um "up" da carreira do cineasta. Depois de uma recepção ruim de seu Intriga Internacional, Hitchcock ainda sem um próximo projeto, queria encontrar algo que chocasse o público e ainda mostrasse que ainda tinha boas histórias para contar. 

Assim, o livro aborda desde as atrocidades de Ed Gein, um homicida que também exumava cadáveres do cemitério da cidadezinha onde morava, para fazer "artesanato", entre outras coisas. Os crimes foram descobertos em 1957, e horrorizaram pessoas em manchetes de todo o país. Serviu de inspiração para o livro Psyco de Robert Bloch. E posteriormente para os personagens Buffalo Bill - ( O Silêncio dos Inocentes ) e Leatherface - (O Massacre da Serra Elétrica);  

Até o lançamento do filme, seus frutos, e trabalhos posteriores de elenco e equipe. Passando pela escolha do livro, burocráticos acordos de produção, roteiro, escolha de elenco, filmagem e pós produção. Além de mostrar um vislumbre de quem era Hitchcock, suas idiossincrasias e influência na indústria cinematográfica na época.

Leitura obrigatória para que gosta de Psicose, Hitchcock, ou apenas interessa pela história do cinema e pelo processo de produção do e um filme. Com tradução de Rogério Durst, lançado pela Intrínseca

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Hitchcock e suas aparições surpresa!

Frenesi (Frensy, 1972)
Gosta de procurar o Stan Lee nos filmes que adaptam seus quadrinhos para as telas? Pois essa brincadeira não é novidade na sétima arte. E se teve alguém que elevou o "onde está" a um novo nível, foi ninguém menos que Alfred Hitchcock.

O diretor apareceu pela primeira vez em Inquilino Sinistro (The Lodger, 1927), quando precisou substituir um figurante. Acabou virando um hábito do diretor, que adorava amaciar o próprio ego, e uma brincadeira para os expectadores.

A expectativa pelas aparições do diretor era tamanha que em algumas produções comoem  Psicose e Os Pássaros, Hitchcock optou por fazer sua participação logo no início. O objetivo era não desviar a atenção do público na história.
Hitch e seus pets (os cães eram mesmo dele) passeando em "Os Pássaros" 
Festim Diabólico
Já em Festim Diabólico, que se passa inteiramente em um apartamento, e tem pouquíssimos personagens, Hitch aparece na forma de um logotipo. Sua famosa silhoueta que pode ser vista pela janela aos 55 minutos de projeção. O mesmo aconteceu com Um Barco e Nove Destinos (Lifeboat, 1944), o filme se passa em um barco, a solução foi colocar a imagem do diretor em uma anúncio de jornal.

Um Barco e Nove Destinos
Sua última aparição foi em Trama Macabra (Family Plot, 1976). O diretor fez aparições em mais de 30 de seus longas. Em sua série de TV Alfred Hitchcock Presents no entanto apareceu apenas uma vez, em 1958 no episódio "Dip in the Pool".

É claro, que não podíamos deixar de vasculhar a internet atrás de uma lista com todas as aparições. Convenientemente, encontramos este vídeo.

Então, você já encontrou Hitch, em todos os seus filmes?

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Hitchcock pede: desliguem seus celulares!

Não vai desligar? Tem certeza? Atenda por sua conta e risco
Ele morreu antes da "era do celular", mas se estivesse vivo e na ativa com certeza faria isso!

Neste criativo promocional do longa Hitchcock, o diretor em pessoa (aqui vivido por Anthony Hopkins) pede enfaticamente para os expectadores desligarem seus telefones móveis durante a sessão, antes que isso leve as pessoas à "Psicose".

Afinal não existe nada pior que um celular tocando no cinema!

Prêmios de Hitchcock

Oscar
Indicado para melhor maquiagem

Globo de Ouro
Indicado Best Performance by an Actress in a Motion Picture - Drama (Helen Mirren)

BAFTA
Nomeado para Best Leading Actress (Helen Mirren), Best Make Up/Hair

Screen Actors Guild Awards
Nomeado Outstanding Performance by a Female Actor in a Leading Role (Helen Mirren)

Saturn Award (Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films)
Nomeado para Best Independent Film, Best Actress (Helen Mirren), Best Make-Up

COLA (California on Location Awards)
  • Location Professional of the Year Independent Feature

Artios (Casting Society of America)
Nomeado Outstanding Achievement in Casting - Studio or Independent Feature - Comedy

COFCA Award (Central Ohio Film Critics Association)
Nomeado Best Actress (Helen Mirren)

DFWFCA Award (Dallas-Fort Worth Film Critics Association Awards )
  • 3rd place - Best Actress (Helen Mirren)

Golden Trailer Awards
Nomeado Best Drama TV Spot

ALFS Award (London Critics Circle Film Awards)
Nomeada British Actress of the Year (Helen Mirren)

PFCS Award (Phoenix Film Critics Society Awards)
Nomeada Best Actor in a Leading Role (Anthony Hopkins), Best Original Score (Danny Elfman)

WAFCA Award (Washington DC Area Film Critics Association Awards)
Nomeada Best Actress (Helen Mirren)

World Soundtrack Award
Nomeada para Film Composer of the Year (Danny Elfman)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Curiosidades de Hitchcock

Anthony Hopkins realmente conheceu Alfred Hitchcock quando era mais jovem. Hopkins foi acompanhado por seu agente que o apresentou a Hitchcock em um restaurante.

Assassino da vida real Ed Gein inspirou o personagem Norman Bates no livro de Robert Bloch novela Psicose. Gein também inspirou o personagem de Jame Gumb (Buffalo Bill) em O Silêncio dos Inocentes de Thomas Harris, cuja versão cinematográfica contou com a participação de Anthony Hopkins.

O filme foi rodado em 36 dias. Assim como as de Psicose.

Na cena final, um corvo pousa no ombro de Hitch, o que indica que seu próximo projeto será de Os Pássaros. Esse filme, e seu relacionamento / obsessão com a actriz Tippi Hedren foram a base para outro filme sobre Hitchcock, A Garota, transmitido neste mesmo ano.

O personagem de Ed Gein (Michael Wincott) não estava incluído no roteiro original.

Scarlett Johansson interpreta Janet Leigh no filme. Johansson e a filha de Leigh, Jamie Lee Curtis compartilham o dia de aniversário.

Coincidentemente, neste filme, Helen Mirren interpreta a esposa de um famoso diretor de cinema, na realidade, ela é casada com um famoso diretor de cinema, Taylor Hackford.

Após os créditos, há uma pequena cena de Anthony Hopkins como Hitchcock parado de perfil na frente de uma sala de cinema vazia.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Hitchcock

Gostamos tanto de Psicose que assistir é pouco. Queremos saber como foi feito um dos clássicos da sétima arte.
Hitchcock
2012 - EUA
98 min, cor
biografia, drama

Direção: Sacha Gervassi

Roteiro: John McLaughlin

Música: Danny Elfman

Elenco: Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, Toni Collette, Danny Huston, Jessica Biel, James D'Arcy, Michael Stuhlbarg, Ralph Macchio, Kurtwook Smith, Michael Wincott, Richard Portnow, Wallace Langham

Baseado no livro Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose, de Stephen Rebello.

Site Oficial

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Incidente em Bodega Bay

"Herdeira periguete" das antigas, Melanie Daniels (Tippi Hedren) não exita em entrar no carro de dirigir por horas até uma cidadezinha da qual nunca ouvira falar, apenas para reencontrar Mitch (Rod Taylor). A moça conheceu o rapaz em um encontro nada casual em uma loja de animais.

É simples assim, como uma relação moça-conhece/persegue-rapaz, que somos apresentados à pacata cidadezinha de Bodega Bay. Quando digo cidadezinha, é "inha" mesmo, daquelas onde todos se conhecem. E os moradores são tão poucos que todas as crianças da cidade, formam uma única turma na escola, aparentemente.

É claro, que Melanie chamou atenção, ao chegar por lá com seu estilo independente e atrevido. Infelizmente outro acontecimento interrompeu seus "15 minutos de fama" em Bodega Bay. Aves de diferentes espécies e tamanhos começam a se comportar de forma estranha. Incidentes isolados que não chamavam atenção dos moradores, vão crescendo gradualmente até...

Tecnicamente perfeito, desenvolve bem os personagens ao mesmo tempo que mantém uma tensão crescente. Aqui em 2013, já temos uma ideia do que vai acontecer, mas em 1963 (50 anos!) os expectadores foram pegos de surpresa quanto à forma e ritmo em que os eventos se desenrolam.

Sim, para os olhos treinados de 2013, os efeitos especiais parecem datados. Um olhar mais atento, entretanto, ou uma simples "googlada" sobre a produção evidenciam a qualidade da produção. Ao unir externa e estúdio, além de sobrepor perfeitamente várias camadas (fundo, pássaros extras, elenco) para criar ataques tão assustadores. Na cena da cabine telefônica por exemplo, há três: Melanie na cabine com os pássaros mais próximos, o bando de pássaros agitados, e a pintura no fundo.

A ausência proposital de trilha sonora também é eficiente em aumentar o terror sobre criaturas, que sempre consideramos inofensivas. É uma baía, logo sons de pássaros estão sempre ao fundo, mas aos poucos o aumento do sons é mais ameaçador que qualquer trilha. Á certa altura, o terror chega antes de nós, ou mesmo as personagens, verem os pássaros. Apenas com o som!

Perfeição técnica, e roteiro bem desenvolvido, compensam (e muito) a falta de habilidade de atuação de Tippi. A moça realmente era muito ruim. Assim como o deslize da maquiagem quando Melanie é ferida, bastante inferior à cena com o cadáver, por exemplo. Para esta blogueira que vos escreve, pareceu muito amadora, embora rumores de bastidores afirmem que a perfeição nesta maquiagem foi tamanha, que fez Tippi passar mal.

Nos importamos com Melanie, Mitch, sua super-protetora mãe e a pequena Cathy (a competente Verônica Cartwright). E passamos horas pensando na situação que enfrentam e que virão a enfrentar após seu final em aberto. Enfrentar zumbis é fácil. Difícil é enfrentar as "hordas" de aves que Bodega Bay Abrigou!


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A Garota

A Garota é uma produção para a TV da HBO lançada em 2012. O drama biográfico aborda a relação entre Alfred Hitchcock e a atriz Tippi Hedren durante a produção de Os Pássaros.

The Girl
2012 - Reino Unido EUA
91 min, cor
Drama, Briografia

Direção: Julian Jarrold

Roteiro: Gwyneth Hughes

Elenco: Toby Jones, Sienna Miller, Penelope Wilton, Imelda Staunton, Candice D'Arcy, Carl Beukes, Conrad Kemp

Baseado no livro The Dark Side of Genius, de Donald Spoto.


A produção retrata o comportamento obsessivo de Hitchcock (Toby Jones) em relação a Tippi (Sienna Miller), além de suas técnicas nada ortodoxas para arrancar boas atuações da modelo. De temperamento difícil, meio tarado, sem limites e até cruel o longa apresenta Hitchccock como o grande vilão. Este ponto de vista exagerado (ou não), causou polêmica entre os dois lados possíveis da história. Enquanto defensores que conviveram com Hitchcock afirmavam que o relato era falso e exagerado, a própria Tippi defendeu a produção do filme.

Verdade ou não, a atuação de Toby convence em mostrar o famoso cineasta como o monstro gerado pelo poder, que ele certamente tinha. Incomoda apenas a caracterização forçada que além da maquiagem também contava com estranhos posicionamentos do ator, sempre de lado e fazendo biquinho, mesmo quando apenas na cozinha conversando com a esposa. Ok, ele tem que parecer Hitchcock, mas não precisa estar em sua icônica pose, na metade das cenas.

O destaque fica com a competência de Imelda Staunton, esposa e mais fiel colaboradora do cineasta. Que aqui, é uma das poucas que compreende o comportamento de seu parceiro, não exatamente amante. Sienna Miller também se sai incrivelmente bem, em viver uma modelo/atriz lutando para aprender a atuar ao mesmo tempo que se torna objeto de obsessão de alguém com muito poder.

O design de produção também se sai muito bem, em recriar não apenas a década de 1960, mas também os cenários e elementos da produção original. Infelizmente a sofreu sofreu ao ser lançada no mesmo ano que a super-produção para a tela grande Hitchcock, com ninguém menos que Sir Anthony Hopkins no papel de mestre do suspense. Fato curioso, pois é a segunda vez que Toby Jones precisa enfrentar a concorrência de uma "produção gêmea" com grandes nomes. Em 2005, a cinebiografia em que vivey Truman Capote, foi eclipsada pela versão com Philip Seymour Hoffman também lançada naquele ano. Hoffman acabou levando o Oscar pelo papel.

Recebeu 3 Indicações ao Globo de Ouro (Melhor Minissérie ou Filme Para Televisão, Melhor Atriz em Minissérie/Filme - Sienna Miller e Melhor Ator em Minissérie/Filme -Toby Jones. 1 Indicação ao Satellite Awards (Melhor Atriz em Minissérie/Filme - Sienna Miller). Recebeu 1 Indicação ao Broadcasting Press Guild Awards (Melhor Atriz em Minissérie/Filme - Sienna Miller).

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Prêmios de Os Pássaros

Oscar

Indicado para Best Effects, Special Visual Effects

Globo de Ouro
  • Most Promising Newcomer - Female (Tippi Hedren), junto com Ursula Andress pot O Satânico Dr. No (1962) e Elke Sommer por Criminosos não Merecem Prêmio (1963).

Saturn Award - Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films (2013)
Nomeado Best DVD/Blu-Ray Collection também por Intriga Internacional (1959), Psicose (1960), Um Corpo Que Cai (1958), Janela Indiscreta  (1954), Cortina Rasgada (1966), O Homem Que Sabia Demais (1956), Festim Diabólico (1948), Sombra de uma Dúvida (1943) and Trama Macabra (1976). Aflred Hitchcock: The Masterpiece Collection

Video Premiere Award - DVD Exclusive Awards (2001)

Best DVD Original Retrospective Documentary/Featurette - Laurent Bouzereau, por All About 'The Birds' (2000) da the Collector's Edition.

Indicado por Best DVD Overall Original Supplemental Material

Edgar Allan Poe Awards
Nomeado para Best Motion Picture

New York Film Critics Circle Awards
3rd place - Best Film, empatado com O Sol É Para Todos (1962) e Deu a Louca no Mundo (1963).

Satellite Awards (2005)
Nomeado Outstanding Classic DVD também por Sabotador (1942), Sombra de uma Dúvida (1943), Festim Diabólico (1948), Janela Indiscreta (1954), O Terceiro Tiro (1955), O Homem Que Sabia Demais (1956), Um Corpo Que Cai (1958), Psicose (1960), Marnie, Confissões de uma Ladra (1964), Cortina Rasgada (1966), Topázio (1969), Frenesi (1972) and Trama Macabra (1976). For Alfred Hitchcock - The Masterpiece Collection.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Curiosidades de Os Pássaros

Alfred Hitchcock abordou Joseph Stefano (roteirista de Psicose) para escrever o roteiro, mas ele não estava interessado na história. O roteiro final (a partir de um conto de Daphne Du Maurier) foi escrito por Evan Hunter, mais conhecido pelos fãs de histórias de detetive sob o pseudônimo de Ed McBain.

A história de Daphne Du Maurier "Os Pássaros" foi originalmente comprada para uso na séries de televisão, de Alfred Hitchcock, Alfred Hitchcock Presents.

Alfred Hitchcock viu Tippi Hedren em 1962 em um comercial exibido durante o The Today Show e a colocou sob contrato. No comercial para uma bebida de dieta, ela é vista andando por uma rua e um homem assobia para sua figura magra, atraente, e ela vira a cabeça com um sorriso de reconhecimento. Na cena de abertura do filme, a mesma coisa acontece quando ela caminha em direção à loja de aves. Isso foi uma piada interna de Hitchcock.

Embora não haja nenhuma nota musical composta para este filme, o compositor e colaborador Bernard Herrmann é creditado como um consultor de som. De acordo com Norman Lloyd, foi idéia de Bernard Herrmann não usar a música.

O filme conta com 370 tomadas de efeitos. A cena final é um composto de 32 elementos filmados separadamente.

O corvo que fica no ombro de Alfred Hitchcock, em todas as fotos promocionais não estava no filme. Ele foi adquirido após o filme ter sido feito. Um membro da equipe estúdio comprou quando avistou a ave domesticada no ombro de um rapaz de 12 anos de idade, andando pela rua. O menino foi recebeu uma proposta de US$10, mas estava hesitante, até que ele descobriu para que era necessário.


Quando deixou a sessão de estréia do filme o público do Odeon, Leicester Square, em Londres, foi recebidos na rua pelo som de gritos e bater asas vindos de alto-falantes escondidos nas árvores para assustá-los ainda mais. Também participaram da premiere de Londres dois flamingos, 50 cardeais vermelhas e estorninhos e seis pinguins.

Tippi Hedren foi realmente cortada no rosto por um pássaro em uma das cenas.

A filha de Tippi Hedren, Melanie Griffith ganhou um presente de Alfred Hitchcock durante as filmagens: uma boneca que parecia exatamente com Hedren. A bizarrice foi agravada pela caixa de madeira ornamentada em que veio dentro, a garota pensou ser um caixão.

Este foi o primeiro filme a levar o nome da Universal Pictures depois de deixar o nome Universal-International.

A arte do famoso cartaz do filme onde uma mulher é retratada gritando não é Tippi Hedren, mas é, na verdade Jessica Tandy retirado da cena em que os pássaros descem pela chaminé.

Alfred Hitchcock não gostava de filmar no local, então ele filmou, tanto quanto possível no estúdio.

A cena clássica em que Tippi Hedren observa pássaros atacando os habitantes da cidade foi filmada no estúdio a partir de uma cabine telefônica. Quando Melanie abre a porta da cabine, um treinador de pássaros tinha treinado gaivotas a voar direto para ela.

Melanie usa o mesmo terno verde durante todo o filme, então Tippi Hedren tinha seis ternos verdes idênticos para as filmagens.

Antes do lançamento do filme, Tippi Hedren foi destaque na capa da revista com o título "A nova Grace Kelly de Hitchcock".

Alfred Hitchcock manteve um gráfico em seu escritório, traçando a ascensão e queda dos ataques de aves no filme.

Atriz Veronica Cartwright comemorou seu aniversário de 13 anos durante as filmagens de Os Pássaros.

Alfred Hitchcock aparece no início do filme, andando com dois cães para fora da loja de animais (os cachorros eram, na verdade seus).

A cena em que Tippi Hedren é devastada por pássaros perto do final do filme levou uma semana para filmar. As aves estavam presas às suas roupas por fios de nylon longos para que não pudessem fugir.

O filme não termina com o usual "THE END" porque Alfred Hitchcock queria dar a impressão de terror sem fim.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Os Pássaros

Olhe para cima, fique atento aos céus, pois vem aí...
The Birds
1963 - EUA
119 min, cor
suspense

Direção: Alfred Hitchcock

Roteiro: Evan Hunter

Música: Bernard Herman

Elenco: Tippi Hedren, Rod Taylor, Jessica Tandy, Suzanne Pleshette, Veronica Cartwright, Ethel Griffies, Charles McGraw, Ruth McDevitt

Baseado baseado em um conto de mesmo nome, da escritora britânica Daphne Du Maurier.

domingo, 13 de outubro de 2013

Festa estranha, com gente esquisita

Phillip (Granger) e Brandon (Dall): dois assassinos que resolvem dar uma festinha pós-crime

Festim diabólico (Rope, 1948) foi um tanto decepcionante para mim. Nem mesmo meu querido James Stewart no elenco conseguiu me prender à estória contada pelo mestre do suspense. Pensar em um assassinato a sangue frio por pura vaidade é algo bastante macabro, e Hitchcock o relata com extrema elegância em sua obra - mas talvez eu ainda estivesse impressionada com o dinamismo e a sequência de fatos ocorridos em Psicose (que vimos também para o blog, você pode conferir minha análise clicando aqui). Mas deixa eu contar pra vocês o que acontece na tela.

O filme começa mostrando o brutal assassinato de um homem, enforcado dentro de um apartamento (em plena luz do dia) por outros dois homens elegantemente vestidos. Aos poucos, descobre-se que a vítima era David Kentley (Dick Hogan), amigo dos dois rapazes que o enforcaram. Estes são Brandon Shaw (John Dall, excelente) e Philip Morgan (Farley Granger), que o assassinaram por pura vaidade. Baseado na estranha lógica de um ex-diretor de seu antigo colégio - uma teoria envolvendo seres humanos superiores e inferiores, estes podendo ser descartados pelos primeiros - Brandon levou a cabo o assassinato do amigo pura e simplesmente porque podia. Ele queria cometer o crime perfeito, e convenceu o medroso amigo Philip a participar do projeto - que incluía uma macabra celebração da morte do amigo com um jantar no dia e local do crime.

Depois de matarem David, Brandon e Philip escondem o corpo em cima de um baú na sala de estar, planejando se livrar dele no dia seguinte. Brandon havia marcado o jantar especialmente para "sambar na cara da sociedade"; já que ele tinha planejado o crime perfeito, queria celebrar sua genialidade acreditando que ninguém desconfiaria. A psicopatia de Brandon era tamanha que ele a lista de convidados para o jantar incluía sua ex-namorada e atual noiva de David, Janet Walker (Joan Chandler); um outro amigo e também ex-namorado de Janet, Kenneth Lawrence (Douglas Dick) - e ainda quis servir de "Santo Antônio" para eles; os pais de David, e somente o pai, o senhor Kentley (Cedric Hardwick), compareceu; e o mentor involuntário da sua macabra ideia, Rupert Cadell (James Stewart, excelente como sempre). 

Quem poderia desconfiar que David estava "presente" no local?

Cadell, aliás, fora chamado porque, para Brandon, ele iria apreciar sua atitude. Uma massagem no ego, eu diria. Brandon acreditava que ele seria o único a compreender a beleza (?!) de seu crime, e também tornaria mais interessante o jantar já que havia a possibilidade dele perceber o que estava acontecendo muito antes dos outros sequer desconfiarem. Ora, que seria do crime prefeito se não houvesse algum risco para sua perfeita conclusão? Philip estava nervoso demais, preocupado com as consequências e imediatamente arrependido de ter feito o que fez. Brandon estava radiante de confiança.

O filme transcorre nesse ambiente, a casa de Brandon como cenário, o baú com o corpo de David servindo de aparador para o jantar e o grupo de amigos do falecido banqueteando enquanto Brandon espera a oportunidade de contar a Cadell o que ele acabara de fazer. Cadell percebe que há algo errado naquela ocasião, principalmente por causa do sumiço de David - o jovem nunca se atrasava, e agora tinha desaparecido sem dar satisfações a ninguém. Depois de várias insinuações estranhas e da indisposição do senhor Kentley em permanecer no local enquanto sua esposa estava passando mal com a preocupação pelo desaparecimento do filho, Brandon considerou seu plano concluído. Sua obra-prima estava realizada. O que ele não contava era com a desaprovação de Cadell, que se mostrou horrorizado quando descobriu o que acontecera naquela sala durante o dia.

Quem sabe o delegado vá apreciar a sua obra-prima, rapazes?

Para mim, Festim diabólico foi uma experiência interessante. Não é que o filme seja ruim ou que seja desinteressante, apenas achei maçante o fato de só haver um único cenário e os longos planos sequência com diálogos recheados de informação. Obviamente esses dois fatores foram os fatos que tornaram esse filme célebre, e a genialidade do diretor não pode ser posta em dúvida por isso. Talvez eu estivesse esperando mais ação do filme, e a forma como foi montado (incrivelmente bem editado, dando a impressão que não há cortes no filme todo, como se estivéssemos mesmo no local, acompanhando todo o desenrolar da trama) nos põe impotentes na resolução do caso. Se em outros filmes do diretor a gente fica com o coração na mão pela expectativa do fim, de "quando é que vão perceber isso?", nesse filme apenas temos que esperar que Cadell ligue os pontos e resolva a questão. Senti falta de um elemento surpresa, ou algo que agitasse a trama. Talvez se eu tivesse visto o filme em outro dia, quando a adrenalina estivesse mais em alta, a experiência fosse diferente, mas, por hoje, fico com essa opinião.