3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Meu 2013 no Dvd

Não, eu não tenho 3 anos. Mas adoro filmes infantis. Dá pra ver?

Primeiramente, explico essa imagem que não tem nada a ver com o mote do blog. Essa é uma foto mesmo da minha estante de dvds, só da parte dedicada aos filmes infantis. Eu não queria caçar uma foto aleatória ou genérica para esse post, então produzi essa aqui em casa, dando um "até breve, e obrigado pelos peixes!" para 2013 e esperando alegremente por 2014. Agora, voltamos com a nossa programação normal.

Pessoalmente, 2013 foi um ano bem chatinho. Muita pressão no meu trabalho e estar às voltas com os dois últimos períodos da faculdade (e o temido TCC) me fez perder o fôlego no fim do ano. Infelizmente meus meses de outubro e novembro foram massacrados pela minha incompetência em manter meus compromissos aqui e os de fora em tempo. Mas não foi nada tão grave que mme faça querer desistir: sou brasileira, lembra? Então, vamos que vamos, que o show não pode parar!

A gente começou o ano arrasando, com os mês de ficção científica e o Brodway, onde vimos clássicos e nos deliciamos com cantorias sem fim (bem... se não faz seu estilo, faz o meu). Daí partimos pro momento realeza, onde tentamos fugir um pouco do óbvio "França-Inglaterra" - que foi representado também, com a votação do público - e o mês Scorcese. Aqui veio a minha primeira grande surpresa, ao descobrir que nem sou tão fã assim desse badalado diretor. Acho sim que ele faz bons trabalhos, mas não me parece ser nada extraordinário. Ele consegue arrancar grandes atuações de seus atores, marcantes mesmo, mas falta algo mais. Enfim, não sei explicar direito - nunca fui boa nisso. E então veio meu filme preferido dessa temporada no Dvd.

Mary e Max é o tipo de filme que cativa e faz pensar, que faz rir e chorar, que você se envolve mesmo que você não queira. Corações de pedra derretem se estiverem dispostos a se influenciar por esta pérola. O mês Off-Disney também me trouxe outro grande presente, A viagem de Chihiro. Um filme estranho e humano, delicado, sensível, fantástico. Adorei. E foi bom ter me encantado tanto assim com esses dois, pois o mês seguinte foi sofrido: Terror foi o nosso tema. Mesmo parecendo contraditório, O bebê de Rosemary é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos e gêneros. O suspense crescente, a trilha sonora, as histórias de bastidores, a incrível transformação de Mia Farrow... O filme é estranhamente fascinante. Poltergeist foi divertido, uma coisa que eu não acreditaria acontecer com um filme de terror - não para mim. E, claro, o meu filme de terror-personal kharma: O Exorcista, também conhecido pela alcunha "Aquele-que-não-deve-ser-revisto-nunca-mais-na-vida". Bom, pelo menos pra mim. Aqui tá o recibo de medrosa que eu resenhei para ele neste blog.

Então vieram os meses Shakespeare e Pequenos notáveis. Perdi dois filmes do bardo na sequência do mês, mas não perdi nenhum dos pequeninos. Diversão light e gostosa demais, para aliviar o trauma do mês anterior. Setembro foi meu mês negro, não consegui ver nenhum filme em tempo. Foi o período mais intenso de trabalho, onde o Rock in Rio (inspiração para o nosso tema) me consumiu por completo. Tentei me recuperar no mês Hitchcock, mas fora os dois primeiros (Psicose entre eles, o melhor filme que vi no ano), também falhei em ver os outros em tempo de publicar a resenha e buscar curiosidades. Ainda consegui ver Os pássaros em tempo, mas não consegui escrever a resenha e publicar antes que o mês acabasse. Aí o TCC acabou comigo.

Novembro, meu mês, e o faroeste de John Wayne que eu queria tanto dar uma segunda chance (nunca fui muito fã do gênero) passou batido por mim como se fosse um cavalo selvagem em fuga. Consegui pôr em dia depois, mas também não mudou muito meu gosto: ainda não curto muito faroeste. Sorry, John. Aí eu resolvi tomar vergonha na cara e ver todos os filmes de dezembro. Qual é, mês de contos de fadas e eu iria dar mole? Nunca! Finalmente vi a versão de A Bela e a Fera que eu só ouvia falar e ainda revi um dos filmes mais fofos da Drew Barrymore (que já é, em si, um poço de fofura), Para sempre Cinderella. Para fechar com chave de ouro o ano do Dvd, que teve alguns problemas no percurso - mais do que nos outros anos - mas estamos nos ajustando. Afinal, a parceria com o Adoro Cinema está sendo ajustada, e novidades interessantes estão chegando. 

O que esperar de 2014? Não faço a menor ideia, mas com certeza estarei esperando o melhor. Ah, sim. Se você ficou curioso, fique sabendo que valeu a pena o esforço e a pseudo-negligência com o blog: passei no TCC! 

Retrospectiva 2013 - mais 1 ano de cinefilia

Julieta já está pronta para
os fogos, e você?
2013 chegou ao fim, e junto com ele mais um ano da maratona para formar cinéfilas melhores. Mais 50 clássicos (ou não) do cinema entraram para nossa lista de tarefa cumprida, com direito à resenhas curiosidades e vídeos. Para celebrar, aproveitamos o último dia do ano para fazer uma retrospectiva de tudo que passou em nossos DVDs. Relembre nossos melhores momentos.

Você lembra de todos os filmes? Quantos assistiu? Quais seus favoritos? Quantos consegue reconhecer em nossa retrospectiva em vídeo? O que você acha que devemos assistir em 2013? Dê seus pitacos!

domingo, 29 de dezembro de 2013

É assim que aprendo história!

Uma vez estava explicando para uma prima adolescente, as licenças poéticas de um filme que retratava a 2ª Guerra Mundial: "Isso aconteceu mesmo, mas aquilo ou aquele personagem não existia, eles só criaram com o propósito de.... É assim que eu aprendo história!". Acredite ou não, eu já aprendi mais história vendo filmes do que na sala de aula. E se dá para aprender sobre história do mundo deste jeito, porque não aprenderíamos nossa própria história assim?

É claro, que Carlota Joaquina, Princesa do Brasil de Carla Camurati é cheio de licenças poéticas e leva tudo para o lado do humor. Mas, como toda piada tem um fundo de verdade...

A princesa espanhola Carlota Joaquina tinha apenas 10 anos quando viajou à Portugal para casar-se com Dom João VI, um segundo filho que não seria rei. Não é que anos e algumas tragédias mais tarde Carlota se viu na situação de esposa do Principe Regente e futura Rainha de Portugal? Para azar dela, esse reinado se passava em tempos conturbados, Napoleão aterrorizava a Europa. Em um ato de esperteza (ou covardia) Dom João evita o confronto mudando toda a corte para o Brasil, para desespero de sua geniosa esposa. Cheia de amantes e criadora de "causo" por natureza, a moça apronta bastante antes de finalmente deixar aliviada terras tupiniquins.

O longa traz ótimas atuações do elenco, especialmente Marieta Severo (Carlota), Marco Nanini (Don João) e da então pequena Ludimila Dayer (joven Carlota). O longa abusa do bom humor, e das piadas relacionadas às figuras históricas para cativar a audiência. Além de trazer para tela grande um pouco do tom novelesco ao que o brasileiro está tão acostumado, o que facilita a empatia do público com o formato. Sempre vale lembrar, que Carlota Joaquina é considerado o marco zero da Retomada do Cinema Brasileiro, e o formato foi crucial para se relacionar com um público que não estava mais acostumado a se ver na telona. 

O único equivoco é a introdução,onde Lorde Strangford (que é o nome de um diplomata irlandês que realmente existiu nos tempos de Napoleão) apresenta já no século XX a história da Princesa do Brasil para a jovem Yolanda (também Ludimila Dayer). Tudo isso em inglês, com narrações eventuais até o fim do filme. Não era necessário, ainda mais em outro idioma. Afinal tem muita criança do Brasil que ainda não ouviu essa história.

Um filme que não apenas ajuda a aprender história, mas também faz parte da história do cinema nacional. Este é o mérito de Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, produção obrigatória para qualquer cinéfilo, que ainda diverte!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A vida em preto e branco

Marji é uma dessas pessoas que  nascem para se destacar, para fazer a diferença
Que a vida não é cor-de-rosa, todo mundo sabe. E quando se fala em cinema em preto e branco é fácil se associar ao glamour da era de ouro de Hollywood. Mas o preto e branco que retratam a vida de Marjane Satrapi (Chiara Mastroianni) também não tem nada de glamouroso. A guerra consegue tirar quase todos os tons coloridos da vida, mas nem por isso ela deixa de ter sua graça, seu encanto. Persépolis (Persepolis, 2007) conta as memórias de Marjane, uma mulher iraniana que acaba expatriada e se pega em busca de sua identidade.

A guerra revolução chega e a pequena Marji se vê em questionamentos sobre o que é certo, religião e política, quem  faz o bem?, como sobreviver em outro mundo diferente do que o que ela estava acostumada a viver. O Irã estava em processo de revolução e Marji estava crescendo, descobrindo o mundo e as agruras de ser uma estrangeira em sua própria terra - e depois, uma incompreendida forasteira em um mundo dito civilizado. O filme é denso e uma forte crítica social, mais atual que nunca. O quanto nós somos rotulados pelas nossas escolhas, pelo que somos? O quanto isso afeta nossa vida? Passamos tão atribulados pela nossa existência que poucas vezes paramos para nos questionar isso - mas no caso de alguns grupos "fora do padrão", isso é a constante deles. Por que não me encaixo na sociedade? Será tão errado assim sermos quem nós somos, não o que os outros esperam da gente? Afinal, não somos todos humanos? Importante reflexão para a vida, apesar de entrar na minha lista de favoritos desse ano.

Passarinho, que som é esse?

Quem diria que seria assim tão fácil escapar?
Pois é, é um som bem estranho o das gaivotas assassinas do filme Pássaros (Birds, 1963), de Hitchcok. Do nada elas chegam e infestam a a cidade e Bodega Bay (adorei o nome da cidade) e simplesmente atacam a tudo e a todos. Mas, assim... Não faz muito sentido. Ok, pensar que um dia aqueles pombos chatos que vivem ciscando atrás de migalhas de pipoca e comidas de todos os gêneros nas cidades grandes decidissem que nós dávamos umas boas migalhas. Mas devo dizer que esse filme não me impressionou tanto quanto o anterior que vi (Psicose, devo dizer).

Os efeitos toscos são mais do respeitados aqui (principalmente porque temos a consciência que não era fácil fazer efeitos especiais naquela época), mas há algumas soluções visuais que realmente me deixaram decepcionadas. Algumas sequências simplesmente não fazem muito sentido, como a que a mocinha corre para uma cabine telefônica em meio ao ataque feroz das aves à cidade. Outra coisa que também não engoli foi a estranha cena final: as aves que atacavam sem nenhum aviso parecem estar no quintal, à espera de um sinal que as faça voar e atacar. Mas não atacam, mesmo sendo importunadas. Vai entender. Tippi tambem não me convenceu como uma boa mocinha, afetada demais. Enfim, fiquei de birra - esperava mais, muito mais. Mas não deixa de ser um filme obrigatório para qualquer cinéfilo que se preze, afinal entender as grandes mentes do cinema e admirar suas obras é o que nos faz seguir em frente, certo?

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Rockstars de verdade

It's only rock'nroll, but we like it
Confesso que quando escolhemos o filme para aparecer aqui no blog durante o mês do rock eu não sabia o que esperar. Talvez a tradução tenha me feito acreditar em algo diferente do que vi em Os piratas do rock (The boat that rocked, 2009) em algo menos literal do que uma rádio de rock que funcionava em um navio. Não sei. Mas ao me deixar levar pela história, acabei descobrindo um universo muito diferente do nosso atual.

Eram os anos 1960, e todo mundo era meio louco (ou isso é o querem fazer a gente acreditar). O mais certo era que todos queriam maia amor e menos guerra, então a filosofia de curtir a vida, viver jovem para sempre, não se adequar a padrões antiquados. Então o rock só veio reforçar essa filosofia, e que me perdoem os rockstars de hoje em dia, mas ninguém será tão rock'n roll quanto quanto os jovens dos anos 60 e 70. Eles sim não estavam seguindo ou copiando um estilo, eles eram daquele jeito. Então ver aqueles homens todos que toparam o desafio de ir viver em alto mar pelo puro amor à música soa autêntico.

A trilha sonora do filme é incrível (como não poderia deixar de ser) e boas atuações de todo o elenco garantem o 'feeling good' ao fim da sessão. A aparição meteórica de Emma Thompson é genial, Brannagh arrasou como o estressado e ultrapassado diretor da BBC e eu sempre me surpreendo com a versatilidade de Phillip Seymour-Hoffman (e as aparições dele em filmes que não fazem o perfil dele). Divertido, emocionante e cheio de easter eggs (tente descobrir em quais outros filmes você já viu os outros atores), vale a pipoca de um sábado à tarde espreguiçada no sofá.

Frases do ano - 2013

Então apareceram várias páginas dedicadas à "frases de filmes" nas redes sociais. Mas elas só fazem isso, ilustram as citações mais óbvias de produções conhecidas em montagens de preguiçosas no photoshop. Mesmo assim, a galera adora. Então pensamos, porque não?

Afinal nós realmente assistimos os filmes, estudamos sua produção, descobrimos curiosidades, nada mais natural que exaltemos suas frases mais legais. Então só de brincadeira, começamos nossa própria coleção de "frases de filmes". Nem de longe representamos todas as 50 produções que contemplamos este ano, mesmo assim já conseguimos uma coleção bastante eclética. Confira!

Então escolha ser o Superman!
Queremos muito que seja verdade!
Quem nunca repetiu essa, que atire a primeira pedra!
Porque sonhos viram realidade!

#FicaADica
I love you baby,....
Só não precisa exagerar na loucura!
Mãe só tem uma! Guarde a sempre com você.
Isso também acontece no Norte, Sul e Leste!
Simples assim!
E assim surgiram os peixes voadores!
#SambaNaCaraDaCorte
E Fim!

domingo, 22 de dezembro de 2013

Deliciosa versão moderna pós-feminista de um conto outrora machista

Acho que inconscientemente queríamos nos dar um presente de natal quando escolhemos o filme que encerraria a lista de 2014. Um dos mais jovens e últimos "clássicos da sessão da tarde" (depois disso a qualidade dos filmes do horário só caiu) é um dos raros títulos escolhidos, que já era conhecido (de cor e salteado, diga-se de passagem) por toda a equipe do blog.

Caso você tenha sido transmutado em uma abóbora nos últimos 15 anos, e não faça ideia do que se trata o filme. Para Sempre Cinderela, é mais uma versão para o cinema do conto da Gata Borralheira (dã). A diferença aqui é que a magia é substituída por um pouco de realismo histórico, com licenças poéticas, claro!

Então, a decidida Danielle de Barbarac (Drew Barrymore) é criada apenas pelo pai na França renascentista com conforto e boa educação. Ainda menina fica animada ao ganhar uma madrasta e irmãs, é claro que ela não conhecia a reputação das madrastas. Depois da morte repentina do pai, ela passa a ser tratada como criada por sua nova família. As coisas começam a mudar, quando ela acidentalmente "esbarra" em Henry (Dougray Scott), príncipe da França que sofre de um casamento arranjado e não tem vontade de assumir o trono. Nada de  amor à primeira vista, eles discutem bastante sobre os dilemas da vida e daí nasce o romance. O resto você já sabe, madrasta atrapalhando, baile, sapato e antes do final feliz um divertido castigo para as megeras.

Versão moderna pós-feminista para um conto bastante machista, o roteiro trata de colocar Danielle como dona de seu destino e ações. Sim, ela vive em uma situação injusta comum para a época, mas não se lamenta por isso e faz o possível para melhorar. É capaz de resgatar criados, se libertar de senhores e correntes, inspirar príncipes que precisam encontrar um rumo na vida, e ainda consegue manter a casa um brinco e aparecer diva em um baile. Convenhamos, que garota dos nossos tempos não gostaria de ser assim?

Com uma protagonista tão decidida não sobra muito para o príncipe fazer, embora ele até tente. Dougray Scott (que perdeu a chance de estrelato ao precisar desistir do papel de Wolverine por quebrar o braço), se sai bem ao dar vida ao encantador, porém perdido príncipe. Naquele que provavelmente será o único personagem dele do qual você vai se lembrar.

É Anjelica Huston que rouba a cena ao dar vida à Baroness Rodmilla de Ghent, a madrasa má. Elegantemente fria e calculista, ao abrir caminho para a coroa, junto com sua filha Marguerite (Megan Dodds, muito bem no papel). Ambas mentem e maltratam todos até a doce e atrapalhada Jacqueline (Melanie Lynskey, divertida), a irmã boazinha, afinal nem todos podem ser maus.

E se não temos fada madrinha temos Leonardo Da Vinci, o velhinho divertido é a voz da razão para os corações confusos por estarem apaixonados. Além usar invenções malucas e carregar um famoso quadro consigo.

Antes que digam que sou apenas elogios ao longa (o que provavelmente é verdade, afinal é difícil ver defeitos em seus filmes favoritos), eis uma questão (ou talvez um erro) que não sai da minha mente: A história é narrada por uma rainha francesa, que vive no mesmo palácio em que a história se passa. Essa mesma rainha, afirma que o retrato da Cinderela pintado por Da Vinci ficou nas paredes da universidade até a revolução. E se essa revolução não nomeada é a francesa, como esta senhora pode ser majestade? Afinal a frança não teve mais reis desde que decapitaram Maria Antonieta, certo? Alguém aí, que estudou mais história que eu, pode desvendar e me explicar este enigma?

Enquanto a dúvida continua, o jeito é curtir o longa. Para Sempre Cinderela, é um filme de "menininha", executado na medida certa, equilibrando humor, aventura e romance sem grandes pretensões. Sem dúvida uma ótima maneira de encerrar o ano.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Drew, Da Vinci e Sessão da Tarde

Danielle (Barrymore) lendo o último livro que seu pai lhe dera, Utopia
Essas são as primeiras coisas que me vêm à mente quando se fala de Para sempre Cinderela (Ever After, 1997). Drew Barrymore faz a mais fofa de todas as Cinderelas existentes do cinema, e a adaptação com os sutis toques de humor - bem diferentes dos reais toques sombrios das versões originais - dão todo o charme dessa produção super divertida e despretensiosa. Aqui não há preocupação com a veracidade da história, embora haja toda uma possível reconstrução de como o conto foi escrito pelos irmãos Grimm.

O filme começa com uma nobre senhora (erroneamente chamada de Vossa Alteza - não há monarcas na França desde a Revolução; leiam os livros de história, roteiristas!) conta aos irmãos Grimm como realmente aconteceu a história da Cinderela. Ela soube que eles escreveram o conto baseado em boatos, então ela quis contar como sua tataravó deu origem aos boatos. Danielle de Barbarac (Anna Maguire quando criança e Drew Barrymore quando adulta) vivia com seu pai Auguste (Jeroen Krabbé) em uma pequena fazenda no interior da França. Um dia seu pai retorna de viagem com uma esposa, a baronesa Rodmila de Ghent (Anjelica Houston, para sempre Mortícia Adams), e as duas filhas dela, Marguerite (Megan Dodds na fase adulta) e Jacqueline (Melanie Lynskey, também adulta). O trio de forasteiras não estava acostumado com a vida no campo, e antes mesmo que elas se enturmassem com Danielle, o pai dela morre de ataque cardíaco. Desde então, a baronesa passa a viver esbanjando o pouco dinheiro que herdara, dando vida de princesa para as filhas legítimas, e renegando Danielle a ser apenas mais uma serva da casa.

Danielle (Barrymore) e a baronesa (Houston):
era só dar um pouquinho de amor pra garota...
Daniele sofre demais com a saudade do pai e a falta de amor da madrasta, mas consegue ser feliz com a ajuda das fiéis escudeiras Paullete (Kate Lansbury) e Louise (Matyelok Gibbs) sempre a ajudando. Tudo ia bem até o dia em que o príncipe da França, Henry (Dougray Scott), fugindo de seu pai e seu casamento arrumado com a princesa da Espanha, resolve roubar um dos cavalos de Danielle. Ela acerta várias maçãs nele até reconhecer o símbolo real em seu roupa, deixando-o fugir. Pelo silêncio da moça, ele lhe oferta algumas moedas de ouro, que ela pretende usar para soltar Maurice (Walter Sparrow), que estava sendo deportado para as Américas. 
Em meio a fuga, o príncipe esbarra em ninguém menos que Leonardo Da Vinci (Patrick Godfrey, um fofo) sendo atacado por um bando de ciganos. implorando para que resgate uma de suas pinturas, Leonardo acaba por atrasar o príncipe o suficiente para este ser resgatado pela guarda real. Enquanto Henry e toda a comitiva voltavam para a casa de Danielle afim de devolver-lhe o cavalo roubado, ela estava na corte, fingindo-se de dama da corte, para tentar negociar a soltura de seu velho amigo. Maurice havia sido entregue à Coroa como pagamento de uma dívida da baronesa, e agora ele estava sendo enviado para o outro lado do oceano com outros ladrões. Danielle, que sempre fora influenciada pelo livro que seu pai lhe dera, Utopia, tenta argumentar com o brutamontes que leva a carruagem de presos, mas ele não lhe dá ouvidos. Quando ele grita com ela, o príncipe em pessoa intervém. Envergonhada, mas ainda convicta de que pode resgatar seu amigo, ela argumenta com o príncipe a favor de Maurice e impressiona o homem. 

Henry (Scott) e Nicole/Danielle (Barrymore): ah, o amor...
Sentindo-se atraído por aquela bela jovem, que ele nunca vira na vida, ele implora por uma oportunidade de conversar com ela. Ela lhe fornece o nome de sua mãe, Nicole de Lancret. O príncipe então passa a querer saber mais sobre essa fascinante jovem, mas  não consegue maiores informações sobre ela com ninguém na Corte. Enquanto todas as mulheres da Corte parecem querer a vaga de princesa do reino (e se esforçando muito para isso), Danielle volta pra casa com Maurice, e seguiria sua vida tranquilamente - não fosse um ocasional encontro com Da Vinci e o príncipe novamente. Cada vez mais apaixonado pela moça, ele a leva para conhecer uma universidade e na volta acabam se perdendo. Hneyr e Danielle acabam disputando com os ciganos por seus pertences, mas acabam passando a noite com eles em um clima de amizade. Obviamente, o interesse dele por uma mulher que ninguém conhecia estava alvoroçando toda a França - e estragando os planos da baronesa de casar sua Marguerite com ele.

Usando de compra de informações e troca de favores, ela consegue uma reunião com a rainha - e descobre que a tal moça que todos comentam é Nicole/Danielle. Sentindo-se traída, ela acaba por trancafiar Danielle na despensa da casa no dia do baile em homenagem a Da Vinci, o dia em que Henry deveria anunciar seu casamento. O rei havia dado a ele a oportunidade de encontrar uma mulher que amasse para se casar, ou então ele deveria anunciar a união com a Espanha. Henry estava perto de anunciar seu amor por Danielle, mas Rodmila mentiu, dizendo que ela estava noiva de outro homem. Sem poder se explicar para o príncipe, castigada e presa, Danielle acaba sendo liberta por Da Vinci, que a ajuda em sua fantasia de pássaro. Danielle consegue chegar na festa antes do rei anunciar o casamento, mas não consegue se explicar a Henry: a baronesa a acusa de enganar o príncipe no meio da festa. Cinderela sai às pressas do castelo e perde o sapato (como não poderia deixar de ser), mas o príncipe não se arrepende do que fez - nem mesmo quando Leonardo o confronta.

Que atire a primeira pedra a garota que nunca quis uma fantasia linda como a dela!
O tempo passa e Danielle acaba sendo vendida como escrava para um mercador, em troca de todos os pertences de seu pai de volta à sua própria casa  - a baronesa os havia vendido para manter o luxo, embora empobrecesse a casa. Henry quase se casa com a princesa da Espanha, mas seu choro infindável o fez ver que ele se sentia da mesma forma: apaixonado por outra pessoa, obrigado a se casar por conta de compromissos de seus pais. Assim, ele decide jogar tudo para o alto e correr atrás de sua amada, que descobrira estar cativa em outra mansão. Ao chegar lá, Danielle já havia conquistado sua própria liberdade. Ainda assim, ele a pede em casamento.Tornada rainha, ela agora pode se vingar da madrasta, mas deseja apenas que a tratem com a mesma forma que ela fora, desde criança, tratada pela baronesa. Com a madrasta e a irmã má castigadas, o final feliz era inevitável.

Como disse antes, o filme é pura diversão, sem preocupação nenhuma com fatos ou fazer uma versão mais realista do que seria o conto de fadas. O toque de humor é sutil: as trapalhadas de Henry, o príncipe mais desajeitado e que nunca resgata a mocinha; os ciganos e a hilária cena de Danielle carregando o príncipe às costas; as curtas aparições de Da Vinci e suas falas sempre espirituosas. Um filme fofo, que subverte um pouco o mito da princesa que sofre horrores esperando que o príncipe a salve, mas nada além disso. Vale a pipoca da tarde, toda vez que passar na tv. Ou quando bater a saudade, pegando o dvd.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Cinderela e a cultura pop

Atualmente Cinderela não é apenas uma personagem de histórias infantis. O termo e suas variações, como Gata Borralheira, são muitas vezes utilizados para designar pessoas que trabalham sob condições desumanas, são maltratadas ou subestimadas especialmente por aqueles que deviam se importar com elas. Em casos mais extremos é relacionado até mesmo a pessoas de baixa renda, que sonham e/ou conseguem melhorar de vida.

Cinderella (2006)
Logo, não é surpresa quando encontramos "Cinderelas" em produtos que não tem necessariamente ligação direta com o conto de fadas. Ou ainda pequenas referências homenagens e participações especiais nos mais diversos produtos. Confira alguns deles:

Cinderella (2006)
Longa de horror sul-coreano, conta a história de uma conturbada, assustadora e misteriosa relação entre mãe e filha.

Xuxa em O Mistério de Feiurinha (2009)
Cinderela (Xuxa, a rainha dos baixinhos), se reúne com outras princesas para desvendar o mistério de Feiurinha (Sasha), a moça também vive como uma gata borralheira entre as bruxas. Curioso é que as princesas são todas concunhadas já que todas casaram com um dos irmãos príncipes encantados, filhos de Hebe Camargo!


Deu a Louca na Cinderela (2007)
Essa animação tem uma Cinderela, mas subverte completamente seu conto de fadas, e vários outros também.

Floribella e Cheias de Charme
Outras que também tinham irmãs malvadas e vida de trabalhadora e príncipes encantados, eram a empreguete Cida (Isabelle Drummont) e a Floricienta, que na versão tupiniquim virou a Flor (Juliana Silveira). Ambas versões folhetim televisivo do conto.

Cinderela Baiana (1998)
Pérola do cinema nacional, atualmente sua exibição está proibida por causa de uma pendenga judicial. Cinebiografia da dançarina Carla Perez, virou clássico trash, com cenas do filme (selecionadas por seu humor involuntário) ganhando destaque em sites de streaming de vídeo, fóruns e blogs.

Uma Garota Encantada (2004)
Ella (Anne Hathaway) tem seus próprios desafios já que sua fada madrinha lhe deu o dom da obediência. Em comum com a gata borralheira ela tem, além da fada, duas irmãs malvadas e uma madrasta má.

Shrek
Shrek
Cinderella (voz de Amy Sedaris) é uma das amigas princesas de Fiona. Seguindo o estilo subversivo da franquia, é obcecada por limpeza e usa seus sapatinhos de cristal como uma arma.

Encantada (2007)
A princesa Giselle (Amy Addams) que acaba perdida na New York de 2008. Faz referência a vários clássicos dos contos de fadas produzidos por seu estúdio, a Disney. É claro, a certa altura da história, a moça faz faxina com ajuda de animaizinhos, perde um sapatinho em uma corrida alucinada e um príncipe encontra seu par ao achar alguém cujo pé sirva.


Once Upon a Time
A série de TV que reúne, mistura e oferece novas e modernas abordagens para diversos contos de fada também tem sua versão da gata borralheira. Aqui a moça não recebe a visita de uma boa fada, mas de Rumpeltinskin o senhor das trevas. E quase perde seu primeiro filho para o malvado, em troca da tal noite mágica no baile.

Supernatural
Supernatural
Sam e Dean já precisaram resgatar a Cinderela em sua série de TV. Na verdade uma garota que se encaixava na descrição, e foi escolhida por um espirito perdido de uma criança, que queria encenar na vida real seus contos favoritos.

The Cheetah Girls: As Feras da Música
Filme para TV da Disney, tem uma canção entitulada Cinderela, cujo tema é ter atitude e não esperar por um príncipe encantado como a Cinderella. Em outras palavras Girl Power.



Feiticeiros de Waverly Place
A série infantil sobre uma família de feiticeiros, também encenou sua versão do conto. Transformando seus personagens em parte da história quando um deles resolve ler um livro mágico. O episódio tem a participação de David Coperfield.

Olha só a Scarlett Johansson como Cinderela em um criativo ensaio fotográfico.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Outras Cinderelas

Um dos contos de fadas mais populares em todas as gerações, não faltam versões para as telas do conto da pequena gata borralheira. Reunimos aqui alumas delas, confira:

Cinderella (1899)
Primeira versão de que se tem notícia foi produzida por ninguém menos que Georges Méliès. Mudo e em preto e branco, tem cerca de 6 minutos e está em domínio público. Assita!



Cinderella (1914)
Mary Pickford estrelou outra versão muda da história dirigida por James Kirkwood. Com cerca de 50 minutos também pode ser visto on line.



Cinderella (1947)
A versão soviética, já tem som mais ainda é em preto e branco. Dirigida por Nadezhda Kosheverova e Mikhail Shapiro.

Cinderella (1950)
Versão mais popular produzida por Walt Disney é um musical em cores de 74 minutos em animação. Como todo clássico do estúdio é relançado regularmente, nos cinemas e em home-vídeo. Também é fácil encontra-lo em exibição na TV graças às versões remasterizadas da produção.

Cinderella (1957 - 1965 - 1997)
Versão musical para a TV escrito por Rodgers and Hammerstein. Originalmente tinha Julie Andrews no papel principal. Ganhou outras duas versões, em 1965 com Stuart Damon e Lesley Ann Warren. E em 1997 com uma princesa negra, Whitney Houston e Whoopi Goldberg no elenco.

O Cinderelo Trapalhão (1979)
Versão brasileira do conto coloca Renato Aragão como "gato borraleiro", sendo maltratado pelos seus colegas Dedé, Mussum e Zacarias, antes de abusar da licença poética e abandonar de vez o conto.

Cinderella (Zolushka - 1979)
Outra versão soviética é uma animação dirigida por Ivan Aksenchuk. Assista:



Cinderella (1994)
Lançada diretamente em home-vídeo, é uma co-produção entre EUA e Japão com 48 minutos. A animação musical foi lançada em DVD em 2000.

A versão com Drew Barrymore e Angelica Huston é o filme em cartaz desta semana. Acompanhe curiosidades e resenhas do longa, aqui.

Cinderella (2000)
Versão para a TV dirigida por Beeban Kidron. Traz Kathleen Turner como madrasta má.

A nova Cinderela (2004)
Comédia romântica adolescente, dirigida por Mark Rosman, é protagonizada por Hilary Duff e Chad Michael Murray. Traz o conto para os tempos atuais situa toda a ação em um típico high school americano e substitui o sapato por um celular.

Outro Conto da Nova Cinderela (2008)
Lançado diretamente em home-vídeo é uma sequencia temática para o filme de 2004. Traz Selena Gomez e Drew Seeley e conta outra versão moderna do conto. Dessa vez com uma Cinderela dançarina. Tem Jane Lynch no elenco.

A Cinderella Story: Once Upon a Song (2011)
Segunda sequência temática do filme de 2004. Traz Lucy Hale e Freddie Stroma no elenco e uma cinderela com o sonho de ser princesa.

Cinderella (2015)
Ainda no forno, a nova versão tem direção de Kenneth Branagh. Produzido pela Disney promete re-inventar a animação de 1950, em live action. No elenco Lily James, Richard Madden, Cate Blanchett, Helena Bonham Carter. 


Faltou alguma princesa? Qual sua versão favorita?