3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Retrospectiva 2014 - o projeto completa 5 anos

5 anos! Merecemos um brinde?
Isso mesmo, o desafio/projeto para formar cinéfilas melhores completou nada menos que 5 anos! Em 2014 exatamente 48 filmes de diferentes gêneros, épocas e países entraram em nossa lista de "tarefa cumprida". E o sentimento de ser um cinéfilo exemplar fica cada vez mais próximo!

Mas chega de "bla bla bla", é o último dia do ano, e se você não é leitor iniciante, já deve estar imaginando o que vamos postar. Segue então a retrospectiva com os filmes do ano. Você lembra, conhece, assistiu todos os títulos que vimos nos últimos 12 meses?


Assista as retrospectivas de 2010, 2011, 2012 e 2013

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Não recomendado para as aulas de história

Você era uma pessoa politizada na década de 1980? (eu nem ao menos sabia ler) É estudioso da história britânica? Ou no mínimo um aluno muito dedicado nas aulas de história do mundo? Seja você parte de um dos grupos mencionados acima, ou um completo desconhecedor da trajetória de Margareth Thatcher, meu conselho para assistir A Dama de Ferro é o mesmo: relaxe e apenas curta a atuação de Meryl Streep.
É com narrativas em 3 tempos diferentes que o roteiro tenta apresentar a trajetória de Thatcher (Meryl Streep). Já em idade avançada e lutando contra o mal de Alzheimer, que a faz ter alucinações com o marido morto (Jim Broadbent), a Dama de Ferro nos apresenta trechos de sua época no poder. E mesmo de tempos anteriores, sua juventude humilde de mulher letrada porém submissa tentando se libertar. Neste trecho a protagonista é vivida por Alexandra Roach.

É nesse vai-e-vem, repleto de figuras mais, ou menos, conhecidas do público e com passagens da história mundial apresentadas de forma aleatória, que a maioria dos expectadores vai se perder. Falta unicidade e coerência, ao apresentar uma história que funcionaria muito bem se apresentada na "fora de moda" ordem cronológica. É verdade que traçar paralelos entre diferentes épocas da vida, intercalando experiências torna o roteiro mais interessante, mas apenas se roteirista e diretor souberem o que estão fazendo.

Não é o caso de A Dama de Ferro,. que além de confundir o expectador ao jogá-lo de um ponto da história ao outro sem aviso. Dificulta também a criação de empatia com a personagem, uma vez que os saltos de tempo eliminam o desenvolvimento de sua personalidade, que justificariam suas mudanças de comportamento. Assim, vemos uma Dama que não apenas governa com mão de ferro, mas também muda de ideia frequentemente. Uma contradição ambulante.

Mas tudo bem, se você tem uma equipe de caracterização competente, que criam cabelo, próteses e maquiagem impecáveis, para transformar as duas intérpretes em diferentes versões da primeira ministra. E mais importante, se você tem uma intérprete como Meryl Streep, que faz o dever de casa. Incorpora maneirismos, trabalho gestual e de inflexão de voz em sua construção de personagem. Criando, muitos disseram, uma versão do mito Thatcher, mais pais reconhecível que a verdadeira Margareth.

Hipérboles a parte, são de fato a atuação de Streep e sua caracterização, os maiores méritos do longa. E como não é raro, coisa semelhante aconteceu em Piaf - Um Hino ao amor, é a intérprete quem carrega o longa nas costas. Sem nem mesmo certo apuro histórico, em se tratando do biografias, para ajudá-la. 
Logo, se você realmente conhece a trajetória da primeira mulher a ocupar o cargo de Primeira Ministra provavelmente vai ficar confuso ou irritado com as inúmeras alterações, usadas como meras "licenças poéticas". Se desconhece, provavelmente não vai aprender muita coisa. 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Quem ama, sofre

 
Ditos populares são ótimos termômetros da vida. Sempre aparecem quando a gente aprende alguma coisa, seja porque acertamos ou porque erramos. Confesso que nunca tinha visto um dito popular ser tão acertado na vida de alguém quanto o que dá título a essa resenha e a história de Piaf - um hino ao amor (La Môme, 2007).

Eu conhecia a cantora apenas de nome, e algumas das músicas apenas por ter ouvido aqui ou acolá, seja como trilha de algum filme ou nos estudos de francês da minha mãe. Não sabia que ela era O ícone da música francesa, que suas canções tinham letras que mesclavam drama romântico e comédia cotidiana. E não podia imaginar a tragédia que era sua vida pessoal. O abandono da mãe, a saúde frágil, a infância no bordel da avó, a relutância em aceitar seu dom - mas a necessidade de sobreviver fazendo descobrir-se uma artista, a adolescência desregrada e toda a luta e ajuda que recebeu até chegar ao estrelato.

O retrato que pintaram dela nos deixa uma impressão triste. Piaf não foi uma mulher feliz em sua vida, apenas uma mulher movida à esperança. Até mesmo a melhor coisa que lhe poderia ter acontecido, seu maravilhoso dom de cantar, no fim transformou-se em um amargo vício. Mesmo debilitada, ela precisava cantar pois precisava se illudir que era feliz. Mesmo que já não tivesse mais forças para estar de pé, cantar era a única coisa que importava para ela - pois quando ela era Edith Piaf, no palco, encantando a França e o mundo, ela era maior do que aquela garotinha doente e sua trágica história de vida. Cantando, ela era alguém.

Uma história triste de um ícone mundial, contado de forma brilhante. A narrativa e forma de linha do tempo desconstruída é interessante, pois nos faz pensar no processo de ação e reação. Ela se tornou uma mulher arrogante e egocêntrica porque se sentia no direito de esbanjar as coisas que tinha tão arduamente conquistado. Um talento extraordinário e a personalidade forte foram moldados na infância dura e na saúde frágil. Uma mulher que amava a vida tão intensamente fora privada de suas paixões: o homem que amava e a música. É fascinante a forma como tudo é explicado nas entrelinhas do filme.
A produção é afinada. Fotografia, direção de arte, figurino e maquiagem, elenco, direção e, claro, a trilha sonora. Tudo funciona como uma orquestra. Até mesmo uma certa inconstância na atuação de Marion Cotillard - que na maior parte está maravilhosa, mas vez ou outra escorregava na afetação, mas provavelmente eu estou sendo crítica demais - não afetam o resultado final estupendo. O filme termina e a gente se sente atropelado por um caminhão, ao ter presenciado o nascimento, a ascenção e a queda de um mito. Devia ser a mesma sensação dos que tiveram o privilégio de conhecê-la pessoalmente.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Êxodo - Deuses e reis


Moisés (Bale): são poucas as cenas de batalha, mas elas são maravilhosas

O diretor Ridley Scott gosta de se arriscar. Nem sempre acerta, mas não tem medo de se desafiar e tampouco se acomoda em um só estilo ou gênero. Sendo assim, fui assistir Êxodo - Deuses e reis (Exodus - Gods and Kings, 2014) com um certo receio. Afinal, a história de Moisés salvando o povo hebreu da escravidão de seu irmão faraó é pra lá de conhecida, e não dá pra fugir de um certo misticismo ao contá-la. Pois o diretor conseguiu nos entregar uma produção luxuosa, repleta de efeitos especiais e batalhas espetaculares, repaginou um anti-herói e não caiu no piegas. Em outras palavras, ele conseguiu equilibrar todos os pratos que tinha na mão e não deixou nenhum cair - e só essa façanha já merece aplausos.

Ramsés (Edgerton): ele mal sabia o que estava por vir
O filme começa com Moisés (Christian Bale) já adulto e general do exército de seu pai, o faraó Seti (John Turturro), ao lado de seu irmão Ramsés (Joel Edgerton). Fica óbvio que ele sabe de sua posição de privilegiado, mas impossivelmente herdeiro do trono por não ser filho legítimo de Seti. Ainda assim, o pai os ama igualmente, e chega a confessar a Moisés que confiava mais nele liderando seu povo do que o próprio herdeiro. Quando uma profecia insinua que um comandante será salvo em batalha e haverá uma cisão entre eles, pois um comandará exércitos e outro liderará um povo, a relação entre Ramsés e Moisés fica estremecida. Após ser salvo por seu irmão em batalha, Ramsés passa a temer que a profecia se realize - mesmo que ambos sejam descrentes dela. Depois de Moisés ir até Píton averiguar uma queixa do vice-rei e lá descobrir que ele desconhecia suas próprias raízes, a desconfiança só aumentou com as intrigas que o próprio vice-rei vai fomentar.

O momento da decisão: quem é o verdadeiro Moisés?
Com a morte do faraó, Ramsés assume o trono e, vaidoso e arrogante, fica incomodado com a intriga do vice-rei (que foi fofocar o que seus espiões descobriram sobre o passado de Moisés, que era tido como o salvador da profecia). O faraó perde a cabeça - ameaça Míriam (Tara Fitzgerald) e Bítia (Hiam Abbass), as criadas responsáveis por trazer Moisés ainda bebê para o palácio, e Moisés as defende - conseguindo, assim, que todos fossem expulsos para o deserto. Lá começa a trajetória errante do homem, que agora já não sabe mais o que é. A angústia de Moisés só vai embora depois que ele encontra um vila de pastores de cabras e conhece Séfora (María Valverde), que vem a ser sua esposa. Anos se passam e Moisés estavam finalmente em paz, com sua família. Até o dia em que ele se vê obrigado a ir até a montanha sagrada dos antepassados de Séfora e lá tem um encontro inexplicável com Deus. Duvidando de sua própria sanidade, Moisés passa a ter encontros mais frequentes com o menino misterioso e descobre que precisa voltar para Píton e entender melhor a profecia. Ao voltar, encontra seu povo oprimido por Ramsés e sua megalomania: o faraó sacrificava ainda mais o povo para a construção de um monumento gigantesco para sua própria exaltação. É aí que o ex-general percebe que pode ser o único a salvar seu povo, e sua primeira medida é tentar negociar com o faraó a libertação dos escravos. 

Ramsés (Edgerton) enfrentando as pragas do Egito: efeitos especiais de encher os olhos
O faraó é intransigente, e então Moisés se vê obrigado a retaliar. Usando de seus conhecimentos do exército, ele reúne alguns dos homens de seu povo e começa uma guerrilha. Acreditando estar fazendo o possível para a libertação do seu povo, tem um novo encontro com o menino-Deus, que se mostra extremamente decepcionado com ele. Ele quer o povo liberto logo, e as táticas de  Moisés surtirão efeito apenas em longo prazo. Ele então ameaça abandonar tudo e voltar para sua família, já que não está mesmo fazendo um bom trabalho. É quando o estranho garoto resolve mostrar seu poder e inflige no Egito as famosas 10 pragas, que culminam na morte dos primogênitos não protegidos pelo sangue do cordeiro - inclusive o filho do faraó. Somente depois dessa tragédia Ramsés decide expulsar todos os escravos hebreus, e Moisés, tomando isso como um sinal de acordo de libertação, os leva de volta para o outro lado do Mar Vermelho - para a prometida Canaã. Depois do enterro de seu filho, o faraó acaba por querer se vingar de Moisés e seu povo, e lidera a empreitada do exército egípcio na caçada aos 400 mil escravos que o profeta levou consigo.  O resultado é a famosa travessia do povo hebreu, com o mar sendo recuado por obra divina e o exército inimigo sendo engolido por ele.

Moisés (Bale) e seu exército protegem a retaguarda dos hebreus em fuga
Esse filme é a prova de que não existe estória tão velha que não possa ser recontada. O filme funciona muito bem como entretenimento, mesmo para quem não curte a ideia religiosa. Os efeitos especiais são capazes de prender qualquer um na poltrona e manter-nos atentos em meio à confusão das cenas de batalha, e o talento de Bale nos prende ao personagem principal quando a batalha cessa. Aliás, é mérito do ator e do diretor a recriação de um personagem tão icônico: Moisés nunca foi tão humano quanto nesse filme. Um homem descrente, um soldado, um pai de família apaixonado, um profeta que reluta em aceitar seu fardo, um líder. A produção de arte do filme é maravilhosa, assim como a maquiagem e os já citados efeitos especiais - as pragas do Egito são algo arrepiante de ver, principalmente por parecerem tão reais. A travessia do Mar Vermelho se torna ainda mais empolgante por ter uma cena de batalha no meio, que, aliás, todas são muito bacanas. Em 3D Imax, então, parecia que a gente estava dentro das bigornas, no meio da batalha. As pequenas participações especiais de John Turturro, Sir Ben Kingley e Aaron Paul são cerejas do bolo, mas não se pode dizer o mesmo de Sigourney Weaver. Uma ponta de luxo, com umas duas falas, e olhe lá!, não disse a que veio. Tal decepção só é superada por Joel Edgerton, que faz um Ramsés, no mínimo, estranho. O ator é fraco, e ao lado de um Bale inspirado, fica ainda mais evidente que ele não segurou a onda. Apesar disso, sua performance ruim não chega a comprometer o filme. A agradável surpresa fica por conta do pequeno Isaac Andrews como Deus, que é retratado de uma forma bem interessante e que ele interpreta de forma brilhante. Por tudo isso, o filme tem tudo para ser uma boa opção para o fim de ano, já que aparentemente não compromete a visão mais mística do personagem como também funciona como um bom entretenimento. Não deve entrar para o rol de filmes memoráveis do diretor, mas também não fez feio.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Interrompemos a programação em 2014

É a base do projeto, uma lista aleatoriamente projetada de filmes antigos (às vezes não muito) para nos tornar cinéfilos melhores. Entretanto, em 2014 fomos além e interrompemos nossa programação vez ou outra para dar uma espiadinha nos lançamentos deste ano.

O resultado foram algumas resenhas surpresas, que não tinham ligação com o tema ou o filme da semana. Hábito divertido que decidimos manter em 2015. A maioria das resenhas é da blogueira Geisy Almeida.

Confira todas as resenhas "extra" deste ano:

Clique nas imagens para ler as resenhas

     Amantes Eternos                     O Grande Hotel Budapeste

Como  treinar seu dragão 2               Maze Runner - Correr ou Morrer

Sem Evicências                       Festa no Céu
 

domingo, 21 de dezembro de 2014

"The Last Goodbye"

Já que o trailer de com a música do Pippin gerou lágrima nos olhos, nada mais natural que chamar Billy Boyd para interpretar a última trilha sonora da hexalogia da Terra Média. "The Last Goodbye" foi interpretada e co-escrita pelo intérprete de Peregrin Tuck. O vídeo clipe traz não apenas cenas de A Batalha dos Cinco Exércitos, mas de todos os filmes baseados na obra de Tolkien.

Confira o vídeo, e mais abaixo a tradução da música:



The Last Goodbye

I saw the light fade from the sky
On the wind I heard a sigh
As the snowflakes cover my fallen brothers
I will say this last goodbye

Night is now falling
So ends this day
The road is now calling
And I must away
Over hill and under tree
Through lands where never light has shone
By silver streams that run down to the sea

Under cloud, beneath the stars
Over snow one winter's morn
I turn at last to paths that lead home
And though where the road then takes me
I cannot tell
We came all this way
But now comes the day
To bid you farewell

Many places I have been
Many sorrows I have seen
But I don't regret
Nor will I forget
All who took the road with me


Night is now falling
So ends this day
The road is now calling
And I must away
Over hill and under tree
Through lands where never light has shone
By silver streams that run down to the sea

To these memories I will hold
With your blessing I will go
To turn at last to paths that lead home
And though where the road then takes me
I cannot tell
We came all this way
But now comes the day
To bid you farewell

I bid you all a very fond farewell
O Último Adeus

Eu vi a luz desaparecer no céu
No vento eu ouvi um suspiro
Enquanto os flocos de neve cobrem meus amigos caídos
Eu direi esse último adeus

A noite está caindo
Assim termina o dia
A estrada está chamando
E eu preciso ir
Pelas montanhas e abaixo das árvores
Pelas terras onde a luz nunca brilhou


Por riachos de prata que vão em direção ao mar

Por baixo das nuvens e das estrelas
Por cima da neve e das manhãs de inverno
Eu deixei para trás os caminhos que me guiavam para casa
E fui pela estrada em que eles me levaram


Eu não posso dizer
Nós chegamos até aqui
Mas agora chegou o dia
De dizer adeus

Já estive em muitos lugares
Já vi muitas lamentações
Mas eu não me arrependo
E nem me esquecerei
De todos que seguiram nesse caminho ao meu lado

A noite está caindo
Assim termina o dia
A estrada está chamando
E eu preciso ir
Pelas montanhas e abaixo das árvores
Pelas terras onde a luz nunca brilhou


Por riachos de prata que vão em direção ao mar

A essas memórias eu me segurarei
E vou seguir com sua benção
Para me despedir dos caminhos que me guiaram para casa
E fui pela estrada em que eles me levaram


Eu não posso dizer
Nós chegamos até aqui
Mas agora chegou o dia
De dizer adeus

Vou dar a todos um afetuoso adeus

sábado, 20 de dezembro de 2014

O Hobbit - A batalha dos cinco exércitos tem mais erros que acertos


"O Hobbit - A batalha dos cinco exércitos" dá um passo além em relação aos filmes anteriores da trilogia: começa com uma ameaça real, o dragão Smaug (voz de Benedict Cumberbatch) à solta e sedento por vingança, e promete, como diz o título, um confronto grandioso. Até então, os outros dois longas jamais conseguiram atingir o nível épico esperado para a nova saga na Terra Média: poderiam ser descritos, em resumo, como uma longa jornada com algumas peripécias pelo caminho. O problema é que a terceira parte da aventura de Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) não cumpre o que promete. Quando a imagem em 4K é a coisa que mais te impressiona em algum filme, é sinal de que algo está errado.

Para uma trama de 144 minutos, resolver um dos principais conflitos da história antes dos créditos de abertura parece um pouco apressado. O roteiro leva o espectador a acreditar que foi só um aperitivo, e que algo maior está por vir. De fato, a dinâmica da disputa pelo tesouro de Erebor lembra, timidamente, um grande momento de "As duas torres": a batalha do abismo de Helm. Humanos da Cidade do Lago dispostos a se reerguer, sob o comando de Bard (Luke Evans); elfos determinados a retomar o que lhes pertence da montanha, chefiados por Thranduil (Lee Pace); e os orcs liderados por Azog (Manu Bennett), que querem... destruição.

A batalha, que ocupa boa parte do filme, tem seus momentos de destaque. Peter Jackson já provou que comandar sequências do tipo é tarefa que ele domina. Além disso, os efeitos especiais não decepcionam. Mas toda a qualidade técnica não esconde o maior defeito do filme: o enredo. Um exemplo é a Pedra Arken, conhecida como Coração da Montanha, que é anunciada como um objeto de extrema importância e é usada como o estopim da guerra, mas acaba negligenciada pelos roteiristas.


Mas "A batalha dos cinco exércitos" tem ainda outras dificuldades. Na hora em que seu personagem mais exigiu, por exemplo, Richard Armitage não deu conta do recado. O aguardado momento em que Thorin Escudo de Carvalho é tomado pela maldição de Erebor tinha tudo para ser um dos pontos altos do filme, mas isso é tratado de forma superficial na história. E os olhares enviesados do ator não transmitiram nem de longe o tormento do rei dos anões.

Já Alfrid (Ryan Gage), apresentado como um novo antagonista, poderia ser melhor aproveitado. Com potencial para se tornar um personagem marcante, como uma espécie de novo Grima Língua de Cobra (Brad Dourif), em "As duas torres", ou Denethor (John Noble), em "O retorno do rei", ele ganhou pouco tempo de tela para mostrar a que veio, mas garantiu algumas boas cenas. Destaque também para Evans, que defendeu com bravura o posto de herói da vez, e Freeman, que achou o tom exato para a oscilação entre coragem e medo de Bilbo.

Quanto aos personagens antigos, fica a impressão de que foram inseridos apenas para reforçar a ligação com a saga anterior. Até mesmo Gandalf (Ian McKellen), figura sempre decisiva na história, tem participação discreta. É o caso também de Galadriel (Cate Blanchett), numa cena que remete a "A sociedade do anel", e Saruman (Christopher Lee). Elrond (Hugo Weaving), por sua vez, é quase uma figuração de luxo.


Mas quem mais deixa a desejar é Legolas (Orlando Bloom), teoricamente um guerreiro ativo na narrativa. Perdido na trama em função da insossa Tauriel (Evangeline Lily), é bastante desperdiçado. Algumas informações cifradas sobre seu passado são levantadas ao longo do filme, sem nunca fazerem sentido (aposto um doce como serão explicadas na versão estendida do DVD). Mas nada supera o diálogo final entre o elfo e seu pai, que procura desesperadamente explicar a futura relação do filho com os personagens de "O senhor dos anéis", sem, no entanto, oferecer uma justificativa plausível.

Assim como toda a trilogia, "O Hobbit - A batalha dos cinco exércitos" é problemático. Tem a vantagem de ter uma grande guerra, que lhe dá um ar mais épico, como era de se esperar de um desfecho para uma obra de Tolkien. Mas o roteiro irregular apresenta tantas falhas que o espectador sai do cinema com mais perguntas do que respostas. E a certeza de que Peter Jackson fez a coisa certa ao dirigir a outra trilogia primeiro. Se o cineasta neozelandês tivesse optado por seguir a ordem cronológica de Bilbo e companhia, talvez a história fosse outra, bem diferente.

Cativados por aquele universo fantástico e seus personagens, nos sentimos quase obrigados a visitar os velhos amigos para amenizar a saudade. Mas esse impulso é pouco para manter o interesse em nove horas de história que nunca chegam a empolgar. Um filme único mostrando o início da saga do anel (o único fato realmente importante da nova empreitada) estaria de bom tamanho - e a impagável sequência de Gollum (Andy Serkis) e Bilbo já valeria o ingresso. O restante foi só para cumprir tabela. Da próxima vez que sentir falta da Terra Média, saiba que "O senhor dos anéis" sempre pode ser visto em DVD.

"Edge of Night" - o primeiro trailer de "A Batalha dos Cinco Exércitos"

A maioria das pessoas a conhece por "The Pippin's Song", mas o verdadeiro nome da música interpretada por Billy Boyd em O Retorno do Rei é "Edge of Night". A melancólica canção é provavelmente uma das favoritas dos tolkianos, e sua sequencia emocionou os expectadores em geral. Ciente disso, Peter Jackson usou a música como trilha sonora do primeiro trailer de A Batalha dos Cinco Exércitos.

O resultado foi nó na garganta, lágrima nos olhos e a real sensação de despedida definitiva da Terra Média. Mas, você não precisa acreditar em mim, assista por sua conta e risco...

*Em nosso especial de O Retorno do Rei , publicamos a cena do filme e a tradução da música, confira aqui.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Galeria de posteres de "A Batalha dos Cinco Exércitos"

No primeiro filme não economizaram, no segundo exageraram, agora vamos ver a galeria de posteres da aventura derradeira de Bilbo e Cia.

Confira a galeria de imagens promocionais de A Batalha dos Cinco Exércitos
(Clique nas imagens para ampliar)
Posteres horizontais
aqueles que você usa como capa do "Face"









Personagens
em poses dramáticas




 Agora em close-up, com neve se possível





 Em duplas...



 Aquele com o título antigo


Haja zoom
para conseguir enxergar todo mundo na cena