3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Grandes olhos


Grandes olhos (Big eyes, 2015) é, inacreditavelmente, uma história real. É meio surreal a forma como a protagonista Margaret (Amy Adams) e o seu futuro marido, Walter Keane (Christopher Waltz, dispensa apresentações) se conhecem e se apaixonam. E mais surreal ainda é como as coisas se desenrolam.

Ela é uma mãe recém-separada, à procura de um emprego que lhe garanta o sustento de sua filha. Em meio à dificuldade de se conseguir quem a considere respeitável, nas horas vagas entre as buscas do emprego, ela vende as obras de arte que produz. Seu verdadeiro talento está em reproduzir crianças ligeiramente deprimidas, e a característica mais impressionantes são os olhos: enormes, expressivos, intensos. Mesmo em uma simples caricatura no parque, o estilo estava lá.


Walter se aproxima da moça, jogando todo o seu charme para ela, que não resite. Em pouco tempo, Margaret, a filha e Walter são uma família feliz. As coisas vão bem para eles até que Walter começa tomar crédito pela obra de Margaret. Seu tino comercial o faz expor seus quadros e o de sua esposa (que agora assina Keane em vez do habitual Ulbrich, já que não estava mais solteira) dentro de um bar. Os quadros nem chamam muito a atenção até que ele se envolve em uma briga com o dono do lugar.

Depois da briga, que rendeu lucro para ambos, e de uma certa ajudinha de um jornalista, os Keane começam a sentir o gostinho da fama. Margaret ficou insatisfeita e triste quando descobriu o que o marido estava fazendo, mas ele acabou vonvencendo-a de que era o melhor a se fazer. E, depois de começarem a fazer fama, ela não poderia desmentir o marido sem que ambos fossem acusados formalmente de fraude. Começava, aí, o inferno de Margaret.

O filme é bem bacana, tem uma estória bem louca (e verdadeira), com sequências ótimas - que melhoram pro final, e atuações muito boas de Waltz e Adams. Ele exagera nos trambiques e nos faz rir até quando seu personagem se torna odioso, e ela segura bem as pontas de uma mulher submissa e presa em uma sociedade privadora dos direitos da mulher que descobre, aos poucos, que ela pode (e deve, e merece) conquistar uma vida melhor.

Leve e divertido, retratando bem os fatos quase inacreditáveis da história real em que se baseia, o longa vai se delineando aos poucos. As personagens parecem pintadas em tintas mais fortes, como toda a patifaria e inocência descabidas nos personagens principais, mas ainda assim é bastante crível. 


O que causa estranheza é ver o nome de Tim Burton nos créditos. Sabe quando você sabe exatamente o que esperar de alguém e essa pessoa te surpreende e você não sabe se gostou da surpresa ou não? Pois é essa a sensação que se tem ao sair do cinema. Às vezes a gente se esquece que é ele quem está por trás das câmeras (se não fosse por uma cena estranhamente inserida no filme, a "mão" dele passaria despercebida), o que chegou a passar pela minha cabeça de que não fosse ele mesmo quem tivesse dirigido, mas outra pessoa (qualquer, diga-se) de talento mediano que o tivesse feito e ele levado os créditos. Talvez essa tenha sido a real intenção do diretor, o que faria desse "Grandes olhos" um filme genial em sua piada. Mas, ao acender das luzes, é apenas um filme leve e divertido, que vai ficar à sombra de outros grandes trabalhos do diretor.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A mulher de preto 2 - O anjo da morte

Eve (Fox): seus problemas do passado vão vir à tona com a presença sinistra
Pelo começo do filme é de se esperar que A mulher de preto 2 - Anjo da morte (The woman in black 2 - angel of death, 2015) seja um bom filme de suspense, mas o filme acaba caindo na mesma rotina de filmes de terror atuais: sustos gratuitos, som alto súbito e alguma maquiagem macabra te fazem dar pulos na poltrona - o que não quer dizer, necessariamente, que você teve genuíno medo. Existem fatores bons no filme, especialmente a fotografia e a atuação das duas atrizes principais, mas o filme ficou aquém da expectativa. Depois de um bom primeiro filme, onde há tensão provocada pelo ritmo lento e a descoberta do mistério que assombra a mansão Eel Marsh, o segundo escorrega na falta de mistério. 

As professoras e as crianças chegam à mansão
Durante a Segunda Guerra, a Inglaterra estava sendo bombardeada constantemente e os civis sofriam para tentar sobreviver. Muitas pessoas reuniam o pouco que tinham para tentar salvar ao menos os filhos, e alguns conseguiam fazer com que as crianças fossem levadas para o interior do país - que era menos atacado - sob a tutela de professoras e governantas. Assim, acompanhamos a união de um grupo de crianças nessas condições (algumas órfãs também inclusas) que embarcam em um trem junto com as professora Eve (Phoebe Fox) e Jean Hogg (Helen McCrory). Edward (Oaklee Pendergast), uma das crianças do grupo, ficou órfão recentemente e recusa-se a falar. No trem, a jovem Eve conhece o piloto Harry (Jeremy Irvine), que se interessa pela moça e oferece ajuda, caso ela precise.

Ao chegarem na cidade, ela parece estranhamente abandonada - justificada pelo que aconteceu ali há 40 anos. Ainda assim, eles conseguem chegar à mansão Eel Marsh, que lhes servirá de abrigo durante o período da guerra. As crianças são acomodadas no andar térreo e as duas mulheres no andar superior. Já na primeira noite na casa, Eve não em uma noite tranquila. Ouve vozes e passos, e as crianças também. Edward, durante uma brincadeira com os amiguinhos, acaba tendo um encontro forçado com a Mulher de Preto - e as consequências são terríveis. Aos poucos Eve vai se dando conta do perigo em que se encontra e tenta alertar Jean, mas mesmo com a ajuda de Harry, pode ser tarde demais para se evitar uma tragédia.

Inconstância entre boas cenas de suspense e clichês afeta o resultado final: uma pena
Seguindo a fórmula do primeiro, a estória começa a se agitar da metade para o final. Mesclando boas cenas de suspense com os sustos gratuitos (com mais ênfase nos sustos), o filme chega a um clímax explosivo mas não sustenta o final. Aqui eu culpo o roteiro, repleto de clichês, que insere cenas bobas - e às vezes incoerentes - somente para fazer o espectador mais desatento se assustar e deixa de fora bons ganchos. As interpretações de Fox e McCrory são o que salvam o filme do desastre, pois ambas defendem suas personagens com veracidade. No geral, deve agradar ao público que gosta de se assustar no cinema, mas não deve se tornar muito mais do que isso.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Birdman - ou A inesperada virtude da ignorância

O filme já chegou em terras tupiniquins laureado com um Globo de Ouro pela (brilhante) atuação de Michael Keaton no papel principal do longa, mas posso dizer que fui surpreendida por Birdman  - ou A inesperada virtude da ignorância (Birdman - or The unexpected virtue of Ignorance, 2015). Talvez não soubesse o que esperar de Iñárritu nesse longa, mas certamente não era nada do que vi na tela.

Os bastidores da Brodway viram metáfora para a vida real: todo o elenco tem atuação espetacular
Uma crítica ácida e contundente à nossa sociedade, à sociedade do espetáculo, à nossa mania de grandeza, ao nosso desespero por querer ser amado a qualquer custo. Metaforizando a vida em arte dramática, o diretor nos leva a vê-la através da cabeça perturbada de Rigga Thomson (Keaton), um ator decadente que teve seu momento de glória quando era jovem e interpretava um famoso super-herói conhecido por Birdman. Agora, já velho para o cinema de ação, ele tenta provar para todos (inclusive a si mesmo) que é um artista e não apenas um fantasma do passado. Enfrentando problemas para a montagem de uma peça na Brodway, ele tem que lidar com problemas familiares e egos diversos para que sua peça não seja o maior fracasso da história.

Thomson (Keaton) e Shiner (Northon): briga de egos
É muito interessante a composição visual com a câmera em primeira pessoa; somada à voz do próprio Birdman assombrando os pensamentos do ator, temos a sensação de que ele também nos persegue - e no fundo, fica a sensação de "somos todos Birdman". A linha do horizonte está sempre desnivelada, o filme todo, e a montagem alucinante que faz parecer que o filme é todo um enorme plano sequência só reforçam a ideia de que algo na mente de Thompson não vai bem. Uma esperteza do diretor, que ainda conseguiu grandes interpretações de todo o elenco - com destaque para Keaton e Edward Northon, que brilham mais no elenco afinado. Emma Stone também não deixa a desejar, e (à despeito de minha antiga antipatia pela moça) mostra que está pronta para voos mais altos em termos de atuação.

Rigga Thomson (Keaton) e seu alter-ego Birdman: o anjinho em seu ombro?
Iñárritu tinha boas cartas na mão e soube usar todas elas nos momentos oportunos. Os diálogos espertíssimos e a montagem são apenas dois exemplos de bons trunfos que ele tinha, e foram genialmente orquestrados. No fim das contas, Birdman pode não agradar a muita gente por não ser uma comédia americana típica, como se poderia esperar (e acho que muita gente desavisada está esperando por isso), mas é um bom tapa na cara se você estiver disposto a se aventurar. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Em 2014 eu...

... completei 5 anos de desafio ininterrupto, junto com este projeto para formar cinéfilas melhores. Sim, como sempre, um filme u outro ficou de fora, mas as dívidas deste ano foram curtas.

Embora tenha terminado 2013, buscando um filme que me aterrorizasse, um novo mês do Terror não estava em nossos planos. Logo, ainda estou à procura.


E como comemorávamos o 5º ano, nos demos ao luxo de colocar títulos por pura diversão. Como um mês dedicado aos X-Men, a dupla unanimidade do sofá Depp e Burton, e até escalar aquele filme de infância que você fica indignada por pouca gente conhecer.

Ah! E por falar m filmes de infância, descobrimos as surpresas de rever coisas que nossas mentes infantis amáveis. Em outras palavras, não foi uma tortura rever Super-Xuxa Contra Baixo Astral, como imaginávamos, mas foi uma experiência no mínimo curiosa.

Assistir à filmes de futebol também foi muito mais divertido do que eu esperava, mas não ajudou nem um pouco nossa seleção. Mas essa não foi a maior tristeza do ano, muita gente talentosa partiu em 2014 (sério! A homenagem aos falecidos no Oscar, deve levar uns 30 minutos este ano). Provavelmente a mais chocante foi a perda de Robin Williams, que veio acompanhada por um sentimento de culpa: como assim em 5 anos não havíamos visto nenhum filme deste ícone de nossa infância? Nos redimimos de nosso erro, mudando nossa programação, e assistindo alguns favoritos e outros nunca vistos do ator.

Na natureza selvagem, me deixou com raiva de Alex Supertramp, que queria tanto aproveitar a vida do seu jeito que a desperdiçou. Como ele não pôde ver? Já a Escolha de Sofia me deixou sem palavras. E é bom mesmo que eu não diga nada, para que quem nunca viu possa ter o mesmo privilégio.

Ainda ouvimos sueco, idioma estranho na trilogia Millenium, que nos trouxe uma maravilhosa protagonista feminina. Acha Katniss durona? Conheça Lisbeth.

No geral 2014 foi um ano estranho, corrido, cansativo, produtivo, interessante, tudo junto e misturado. Pela primeira vez começamos a perceber o resultado desta experiência, bagagem. Agora tempos muito mais, e isso faz muita diferença. E depois de desaceleramos ao nos despedirmos definitivamente (por enquanto) da Terra Média, decidimos descansar.

Começamos 2015 com uma merecida pausa mais longa. Assim temos tempo de planejar o próximo passo, trazer novidades e recuperar o fôlego. Mas, ainda não achamos que nossa bagem seja satisfatória, então logo estaremos de volta.

Afinal, ainda não achei quele filme de terror que me deixe sem dormir!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Nem melhor, nem pior: apenas Ed Wood


Edward D. Wood, Jr. foi um tremendo oportunista. Aproveitou todas as oportunidades que lhe apareceram na frente, de qualquer jeito. E quem poderia julgá-lo? Afinal, não é todo dia que se tem uma chance em Hollywood. Ed Wood (Ed Wood, 1994) narra a história de um cara meio esquisito, mas que adoraria contar suas ideias para o mundo - e olha que o que não lhe faltava era uma ideia.

Ok, nenhuma era lá um primor. Mas, sob momentos de pressão, porque não arriscar adaptar uma coisa ou outra? E por que não aproveitar a presença de um grande - porém já debilitado e esquecido - ator como Bela Lugosi (interpretado magistralmente por Martin Landau) para dar um certo prestígio? Pois foi exatamente o que ele fez.

Excêntrico e sonhador, Edward (Johnny Depp) arruma um jeito de ajudar ao decadente ator - que vem a se tornar um queridíssimo amigo - e conseguir sua chance de contar ao mundo sua história, mesmo que de um jeito bastante distorcido. É delicioso ver como ele se mete em diversas enrascadas e como acaba saindo de todas elas. O elenco afinado e o clima noir em preto e branco só enfatizam a comicidade de certas situações e dão o clima sombrio e melancólico quando necessário.

Uma boa pipoca num sábado à tarde, uma estória única, um visual bacana. Divertido e pretensioso - no sentido de fazer jus a um homem que lutou pelos seus sonhos da forma como dava, e acabou tendo-os realizados. Ele pode até ter conquistado uma fama obscura e tardia, e não é nada elogioso ser considerado o pior cineasta do mundo, mas não podemos negar que ele realizou muito mais do que muita gente melhor que ele por aí. E é exatamente essa homenagem que Tim Burton tentou - e conseguiu - fazer.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Descobrindo meu favorito (da dupla em questão)

Curiosamente não foi por causa do longa de Tim Burton que eu descobri sobre A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça. É verdade que o filme foi o contato inicial (eu só assisti à animação da Disney depois), mas a pesquisa veio com a série da Fox Sleepy Hollow. Contudo, já que eu a conheço, e isto vai enriquecer a resenha...


A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, é o nome mais popular no Brasil para o conto The Legend of Sleepy Hollow, de Washington Irving. Inspirado pelo folclore germânico o conto de Irving foi publicado pela primeira vez em 1820. E conta a disputa de Ichabod Crane pelo amor de Katrina Van Tassel, luta que ele acaba perdendo por causa do tal Cavaleiro sem cabeça. A história se passa na vila real de Sleepy Hollow (New York, EUA, que passou a se chamar North Tarrytown em 1997). Também acredita-se que alguns personagens foram inspirados em moradores reais da época.

Sim, Burton renovou e muito a lenda. Em sua versão Ichabod (Johnny Depp) é um investigador das antigas (leia-se além de detetive, tem que fazer o trabalho do CSI e dos legistas, tudo com recursos do século XVIII) enviado para a cidadezinha de Sleepy Hollow onde moradores estão sendo misteriosamente decapitados. Katrina Van Tassel (Christina Ricci) é a bela da cidade, filha da família mais rica, e de gostos incomuns para moça com tal status. É claro, que ela acaba ajudando o assustado protagonista na investigação e como bônus ainda garante um relacionamento amoroso.

Oficialmente catalogado no gênero "terror", há muito mais humor, mistério e aventura que de fato horror nesta produção. É claro, é o humor negro no estilo Burton, sombrio e gótico. A trama repleta de reviravoltas surpreendente diverte, ao intercalar assassinatos, com os atrapalhados métodos de Crane.

Aliais foi provavelmente com Crane que muita gente percebeu, que Depp era um camaleão, com preferência por personagens excêntricos. E que a acertada parceria com Burton iniciada em Edward Mãos de Tesoura, continuava funcionando.

Mas, não é porque Depp é o protagonista que o restante do elenco não se destaca. Quem só lembrava de Christina Ricci como a sombria Wednesday de A Família Adams, ficou surpreso ao vê-la emprestar sua pele pálida para uma doce mocinha. O elenco conta ainda com excelentes atuações de veteranos como Miranda Richardson, Michael Gambon, Richard Griffiths, Jeffrey Jones, Martin Landau e Christopher Walken. Mesmo o ator mirin Marc Pickering não decepciona ao dar vida ao ajudante por falta de opção, o jovem Masbeth.

Com roteiro bem elaborado, elenco de peso empenhado, diretor afinado com o tema. A direção de arte, e trilha sonora não podiam decepcionar. Mas isso não foi um problema, já que Burton trouxe seus parceiros para garantir o visual e atmosfera característicos de sua produção. Inclua na lista, o compositor Danny Elfman.

Colocando a longa lista de parcerias de Depp e Burton em cheque, ouso dizer A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça é provavelmente meu favorito. Com uma equipe afinada por trabalhar junto novamente, mas ainda com o frescor e originalidade. Bem diferente dos espetáculos megalomaníacos e inflados pelo acréscimo no orçamento que se seguiram.

Terror Aventura empolgante com bons momentos de suspense apresentados de foma simples. Faltou apenas a Helena Bohan Carter para o quadro ficar completo. Mas nenhum filme é perfeito!
Foto com SPOILER! Ah, fala sério, o filme é de 1999!!!!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

NÃO ENTRE EM PÂNICO...

... a adaptação para as telas de O Guia do Mochileiro das Galáxias, é menos que a criativa obra de Douglas Adams merecia, mas não chega a ser um filme ruim.

Então Artur Dent (Martin Freeman, ótimo), um típico cidadão comum da terra está as voltas com a demolição de sua casa. Quando é resgatado por seu amigo Ford Prefect (Mos Def, divertido), de um problema maior a destruição do planeta Terra.

Mas esta história não é sobre uma dupla de heróis tentando salvar nosso planetinha insignificante. Mesmo porque, a destruição da Terra para a construção de uma hipervia galática é inevitável, e nossos protagonistas são comuns demais para feito tão grandioso. Grandioso para eles, o resto do universo provavelmente nunca ouviu falar de nosso planetinha, muito menos de sua destruição.

Ao invés disso, Ford e um chateado Artur pegam carona pela galáxia, sempre assegurado pela infalível toalha e pelo tal O Guia do Mochileiro das Galáxias, um compêndio (com cara de e-book, olha a ficção cientifica prevendo o futuro!) com as melhores dicas para qualquer viajante errante. Antes cedo do que tarde, eles conseguem carona na nave de Zaphod Beeblebox (Sam Rockwell, histérico e hilário). O presidente da Galáxia, está no comando da Coração de Ouro, única nave com um gerador de probabilidade infinita.

E nesse vai e vem, a dupla se descobre em busca da questão fundamental, da vida, do universo e tudo mais. Até porque a resposta já temos: é 42. Também embarcam na jornada a única outra sobrevivente da terra Trillian (Zooey Deschanel e seu cansativo ar blasé), o andróide paranóide depresivo Marv (corpo de Warwic Davis e voz de Alan Rickman) e claro a nave, com suas portas que suspiram, sua voz animada mesmo quando anuncia um desastre iminente e seu divertido gerador de improbabilidade. Quando ligado, este proporciona alguns dos melhore momentos do longa.

Também não podemos esquecer do Guia em si. Seja com a narração de Stephen Fry ou José Wilker (na versão nacional), sempre oferece de forma clara e objetiva informações sobre hábitos, tradições e histórias de todo o universo, geralmente acompanhado de uma bem produzida animação.


Aliais a escolha por animações tradicionais para o Guia, e stop-motion para os efeitos do gerador de improbabilidade infinita, são mais que acertados. A grande falha desta adaptação não reside nas escolhas de produção, efeitos especiais (que surpreendentemente conseguem não tirar o foco da história, mas complementá-la) ou elenco. Mas no roteiro.

"Faca de Luz", já tosta o pão enquanto corta, e vem no
modelo Sith. Quando vão começar a vender???
Primeiro, porque por mais que se esforcem algumas piadas não funcionam também nas telas. Segundo pelo didatismo que a Disney impõe à produção, aparentemente com medo que público em geral não entenda o humor britânico.

Contudo, mais gravemente nos desvios de roteiro, que alteram o desfecho da trama, e consequentemente criam algumas passagens inexistentes. Leitores não vão reconhecer o clímax do livro nas telas, e "não iniciados" mereciam um final melhor.


O roteiro também ameniza algumas das "percepções" de Adams sobre a natureza humana, nossa hipocrisia e habilidade para sermos idiotas, e críticas à religiões. Enfraquecendo todo o conteúdo filosófico da trama. É claro, estas últimas decisões tomadas como tentativa de tornar todo o conteúdo mais aceitável e palatável para as massas, e consequentemente aumentar seu público. O que nos cinemas não funcionou.

Entretanto como mencionei no título deste post em letras garrafais, não é preciso entrar em pânico. O Guia do Mochileiro das Galáxias ainda é uma aventura divertida, bem produzida e que traz a semente do humor britânico característico de Adams que agrada leitores desde 1970. Para quem acho a produção divertida e inteligente, é um ótimo ponto de partida para conhecer os livros e descobrir como ficção científica empolgante somada à sátira social e política, pode ser tanto incrivelmente divertido, quanto um bom formador de opinião.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

2014 em números

Primeiro post do ano, é hora do balanço do ano que passou. Mas este não é um balanço qualquer, pois 2014 foi o 5º ano do projeto para formar cinéfilas melhores. Caso não se lembre, este projeto curiosamente inspirado em um filme sobre culinária com a Meryl Streep, nasceu daquele sentimento de culpa que todo cinéfilo tem:  o de nunca ter tempo de assistir à filmes mais antigos, e acabar dando atenção apenas aos lançamentos.

Neste cinco anos, não apenas remediamos este problema e assistimos a clássicos indispensáveis, como ampliamos nossa lista original, assistimos filmes de diferentes épocas, países e estilos. E até nos demos ao luxo de assistir à alguns lançamentos. Eis então os números até aqui.

McKellen e Stewart celebrando 2014!
Desde 2010, assistimos, resenhamos e ainda descobrimos curiosidades de nada menos que 257 longas e curtas metragens. 48 deles apenas em 2014, e batemos nosso recorde de publicações com 398 posts. Foi em Março, o mês dedicado à "Fantasias dos anos 80", que postamos mais textos 41!

Já o post mais lido do ano, saiu no mês Mutante (aquele em que vimos todos os filmes de X-Men, no "esquenta" para Dias de Um Futuro Esquecido), os leitores adoraram descobrir a amizade entre os interpretes de Magneto e Charles, no texto Ian McKellen e Patrick Stewart "Parceiraços"!

Porque nem só de cinema vive o mundo, nos mantivemos atualizadas com os acontecimentos fora das telas, e promovemos um mês da Copa, só com filmes de futebol. Também chutamos nossa programação original após a morte de Robin Williams, quando percebemos, que ainda não havíamos assistido nenhum longa com o ícone de nossas infâncias. Após dias (mesmo!) de muita discussão conseguimos concordar em 5 títulos que acreditamos representar a diversidade de sua carreira, e assistimos todos em Setembro, mês dedicado ao ator.

Também torcemos para Meryl Streep ganhar mais um Oscar dedicando um  mês inteiro às suas interpretações dignas de um careca dourado. E de quebra ainda assistimos Julie & Julia, o filme só rendeu uma indicação para a recordista de nomeações, mas inspirou todo este blog então ganhou uma vaga.

No mês do Oscar, também tramamos nosso tradicional Bolão. E pela primeira vez, deu empate, nas três primeiras posições! Difícil de acreditar né, leia aqui. Mas os vencedores mesmo foram o site Pipoca Net, e a cinéfila Alice Aguiar, cada um com 21 acertos. Enquanto o resto do pessoal pulava carnaval, nós assistíamos, e comentávamos o Oscar ao lado do nosso parceiro o Ceti.


Finalmente nos rendemos ao nosso lado fã, e fizemos um esperado mês Depp+Burton. As parcerias da incomum dupla Tim Burton e Johnny Depp são tantas que os títulos invadiram o mês seguinte e Ed Wood, inaugurou nosso mês dedicado à Biografias. O que não significa que não tivéssemos nos deparado com vidas cine biografadas antes, o mês Pé na Estrada, trazia várias jornadas reais.

3 blogueiras, 1 hobbit, 13 anões....
Também deu tempo para fazer o clichê e transformar outubro em o mês das Bruxas, e tentar relaxar deste ano estressante com o inigualável Humor Britânico. E como de costume, abrimos e fechamos o ano com duas trilogias, a franquia sueca Millenium e a segunda incursão à terra média O Hobbit.

Fizemos novos amigos, como o site Take 148. Decidimos que era hora de deixar o conforto do sofá e nos aventuramos para ver lançamentos na sala escura, interrompendo nossa programação para resenhas fora de contexto. Culminando na épica sessão de A Batalha dos Cinco Exércitos, em 4k e 3D, reunindo todas as blogueiras do sofá, fora do mundo virtual.

Sim, fizemos de tudo um pouco em 2014. É muita coisa, mas não foi preciso ter medo de perder nada, pois estávamos sempre atualizadas em nossas redes sociais: Facebook, Twitter, G+, Tumblr, Blogloving  e Filmow, estamos em toda parte!

Se você ainda não nos segue, não perca mais tempo. Fique atento às novidades de 2015, será que depois de 5 anos de projeto, ainda tem filmes que não vimos???