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formando cinéfilas melhores!

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A Garota no Trem


A Garota no Trem (The Girl on the Train, 2016) é, para dizer o mínimo, interessante. A princípio, parece que acompanharemos apenas a suspeita de Rachel (Emily Blunt, em boa atuação) sobre a vida de um jovem que ela admira ao passar todo dia em frente à casa dela. Pela janela do trem ela vê a garota quase todo dia, acompanha sua rotina e fantasia sobre a vida perfeita que ela tem - e, principalmente, uma que ela própria não teve.

Aos poucos vamos conhecendo melhor como funciona a cabeça de Rachel. Alcoólatra, divorciada, vivendo em um apartamento compartilhado. Tudo está dando errado para ela. E, como se não bastasse, tudo parece ir bem para seu ex, Tom (Justin Theroux), e a nova esposa dele, Anna (Rebecca Ferguson). Ela, aliás, havia sido amante dele enquanto Rachel e Tom ainda eram casados. Tudo parece tão humilhante para ela, que se afunda cada vez mais em seu vício. O que Rachel não sabe é que a vida que ela inveja não é exatamente o mar de rosas que ela fantasia. Megan (Haley Bennet, surpreendente) é uma jovem com muitos problemas. Mesmo tendo um marido lindo, que a ama, e tendo uma vida de comercial de margarina, ela se sente sufocada naquela rotina. Muito de seus problemas tem uma raiz muito mais profunda, que ela não compartilhava nem com seu marido.

Tom (Theroux) e Rachel (Blunt): relação de ex-casal complicada
Tudo começa a ir mal quando, um dia, Rachel vê, pela janela do trem, Megan beijando outro homem. Obcecada em descobrir quem é aquele cara, e irritada com a jovem por supostamente estar estragando sua felicidade, Rachel começa a surtar. De novo. O ex-marido e a nova esposa voltam a temer que ela tente alguma coisa contra sua bebê, Evie. O fundo do poço chega quando Megan é dada como desaparecida, e Rachel resolve interferir no caso. Acreditando que aquele homem misterioso está envolvido no desaparecimento, Rachel procura Scott (Luke Evans), marido de Megan, e se passa por amiga dela para lhe revelar as suas suspeitas.

Scott (Evans) e Megan (Bennet): teriam mesmo uma vida perfeita?
O longa tem trama intrincada e pesada. Por mais que já se tenha visto algo parecido (não há nada de revolucionário na forma como foi filmado ou editado), o filme prende a a atenção do início ao fim. Algumas cenas são impactantes, e a temática da violência permeia todo o enredo: interna, doméstica, a causada pelo excesso de álcool, a inconsciente permissão da violência, o prazer das pequenas vilanias, rompantes de fúria a que todos estamos sujeitos. É um soco na cara, uma estória que te faz abrir os olhos para o sofrimento velado. Julgar é fácil, mas enfrentar os próprios medos é algo que só os fortes são capazes.

Anna (Ferguson): a amante que virou esposa agora teme a ex do marido
A direção de Tate Taylor é especial no sentido de extrair o melhor dos atores, que também se esforçaram para compor personagens tão fortes, e por manter o clima tenso do início ao fim. Destaques para Bennet e Theroux, que eu pouco conhecia o trabalho anterior e que impressionam. Uma estória forte e impactante, que te faz refletir ao sair do cinema. Mais do que apenas uma adaptação de livro, um bom filme no momento certo da História.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Inferno


Inferno (Inferno, 2016) é o novo filme de Ron Howard, também diretor dos longas anteriores da franquia (O código DaVinci, Anjos e demônios), e traz de volta Tom Hanks no papel de Robert Langdon - um especialista em simbologia que acaba sempre arrastado para resolver algum enigma indecifrável para salvar o mundo. Dessa vez, o desastre pode atingir proporções inimagináveis: o vírus da peste negra está prestes a ser liberado e tem capacidade de extinguir até 95% da população mundial. 

Langdon (Hanks) começa o filme muito mal: internado em um hospital, com um grave ferimento na cabeça, tenta se lembrar como ele foi parar ali. Por conta da lesão, ele não lembra do que aconteceu com ele nas últimas 48h - então não sabe porque ou quem o está perseguindo. Ele está claramente envolvido em algum tipo de enigma, mas as alucinações que sofre sobre o inferno descrito por Dante o confundem ainda mais. A doutora Siena Brooks (Felicity Jones) acaba sendo obrigada a ajudá-lo quando ele sofre um novo atentado no hospital, e as coisas começam a ficar mais preocupantes.

Langdon (Hanks) e dra. Brooks (Jones): decifrando o enigma
Está claro que Langdon sabe de alguma coisa e essa informação é vital, porém ele ainda sofre dos efeitos colaterais de seu ataque. Ele descobre um micro projetor em seu bolso que contém a imagem clássica do desenho do inferno como concebido pelo autor italiano Dante - porém há algo de errado. O desenho fora alterado e as pistas levam Langdon e a dra. Brooks a ter que fugir pela cidade de Florença sem saber quem é amigo ou inimigo. Eles descobrem quem fez a alteração, e é o bilionário Bertrand Zobrick (Ben Foster) o responsável pelo problema: suas ideias radicais sobre as mazelas que a superpopulação humana e seu comportamento nocivo ao planeta o levaram a usar seus recursos ilimitados para recriar o vírus da peste negra. Ao ser perseguido por agentes da OMS (Organização Mundial de Saúde), ele prefere se matar antes de revelar onde pretende lançar o vírus - porém deixou pistas escondidas para que qualquer um de seus inúmeros seguidores pudessem descobrir e liberá-lo, terminando, assim, sua macabra obra.

Percebendo que estava na pista desse vírus, ainda sem saber em quem confiar - pois até a polícia parecia estar no encalço dos dois, Langdon e Siena correm contra o tempo enquanto coletam e decifram informações sobre o escritor Dante, suas referências ao inferno e viajam para diversas cidades tentando evitar o apocalipse.

Alucinações de Langdon: muito efeito especial macabro
Baseado em obra de sucesso de Dan Brown, o filme se mostra um bom entretenimento. Não apresenta nada muito original ou diferente dos outros dois primeiros longas, embora o ritmo de ação deste seja bem mais ágil que o dos antecessores. Com o ganho em ação, perde-se em detalhes. A missão do bilionário soa como um capricho de “menino rico” em seu propósito quando não se explora o suficiente o porquê dele ser tão obcecado com o suposto “bem-estar” do planeta. Diferente do primeiro longa, onde as pessoas podiam também aproveitar um pouco das obras enquanto o protagonista analisava e tentava decifrar os mistérios, nesse ritmo acelerado a gente mal consegue ver ou se localizar. Outro detalhe que me incomodou particularmente foi excesso de efeitos especiais na sequência inicial: além de pouco impressionar, fiquei na dúvida se foi para parecer real ou propositadamente falso. Um destaque positivo vai para a deliciosa participação de Irrfan Khan como o chefe de uma empresa de segurança privada que está envolvida com os segredos do bilionário Zorbrist - em atuação inspirada, rouba a cena nas poucas vezes que aparece na tela.

Irrfan Khan como Harry Sims: uma das melhores surpresas do filme
No fim das contas, o longa pode agradar a quem procura um filme sem maiores pretensões do que somente uma boa pipoca, Inferno está valendo. Consegue prender a atenção até o fim, mesmo que não seja um resultado final brilhante. Uma boa pedida para o feriado, deve agradar aos fãs da franquia no cinema.