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quinta-feira, 30 de março de 2017

A Vigilante do Amanhã


A vigilante do amanhã (Ghost in the shell, 2017) é um deleite para os olhos e amantes de ficção científica. Baseado na animação japonesa de Mamoru Oshii de 1995 (que por sua vez foi inspirado no mangá de Masamune Shirow), esta vesão precisou ajustar alguns detalhes para justificar a presença de Scarlett Johansson como a protagonista Major - mas no fim, tudo fez sentido. O visual extravagante do filme futurista é de encher os olhos, e um dos pontos altos do longa.

Já no começo do filme vemos a construção de um corpo humanoide que recebe um cérebro humano recém retirado de uma jovem aparentemente resgatada de um acidente (não fica claro como ela foi parar na mesa de cirurgia). Logo percebemos que a atitude de devolvê-la à vida não é nada nobre: Cutter (Peter Ferdinando), responsável pelo projeto da Hanka Robotic, tem uma conversa nada amigável com a dra. Oulet (Juliette Binoche) e afirma que a jovem deverá ser transformada em uma arma. Após três anos desse procedimento, Mira Killian (Johansson) já é a Major, a primeira híbrida bem sucedida de máquina e humanos (mesmo em um futuro onde é comum que humanos se aperfeiçoem com enxertos mecânicos), a chefe de uma força policial que combate o ciberterrorismo. 

Major (Johansson): uma ciborgue contra o ciberterrorismo
Monitorando a cidade, ela percebe o ataque iminente ao presidente da corporação Hanka (a empresa que criou seu corpo robótico) e aciona sua equipe tática - a Seção 9. Como eles estão longe do local e não chegarão a tempo de impedir o crime, ela decide passar por cima da ordem direta do seu chefe, o senhor Aramaki (Takeshi Kitano, excelente), e agir. Apesar de ter minimizado os danos, Major não conseguiu impedir que o hacker chamado Kuze consiga informações cruciais sobre a Hanka Robotic. Intrigada com a tática brutal e sem saber quais os propósitos nem a identidade real de Kuze, Major e a equipe correm contra o tempo para rastreá-lo e impedir que ele cometa mais crimes. Porém, no intuito de resolver o crime rapidamente, Major age impulsivamente de novo - dessa vez se expondo à Kuze. Após o contato virtual, ela experimenta algumas falhas de comando. O que vem a descobrir depois mudará para sempre sua realidade.

Visual intrigante e bizarro é fascinante
Para além do visual intrigante, o roteiro de Johnathan Herman e Jamie Moss explora a humanidade dos personagens e o dilema moral da tecnologia: até que ponto podemos ir adiante com os avanços tecnológicos sem que isso nos destrua? O dilema interno de Mira, que até aceita o novo corpo com o tempo porém sem nunca conseguir se encaixar em nenhum grupo leva a uma reflexão profunda: seria inevitável que um dia nos tornaremos meio máquina (mesmo que isso não signifique ter partes do corpo mecanizadas)? O diretor Rupert Sanders acerta em cheio ao dar equilibrar drama e ação quase ininterruptas, embora não haja tantas surpresas ou reviravoltas no roteiro - o que, aliás, não é a proposta mesmo. 

A escolha acertada do elenco também ajuda na credibilidade dos personagens - e Scarlett Johansson pode até não ganhar nenhuma indicação a prêmios por essa interpretação, mas com certeza irá silenciar os haters que criticaram sua escolha para a protagonista (eles sempre existem). Confesso que até eu fiquei descrente a princípio, pois mesmo sem ter visto o longa original eu sabia se tratar de uma adaptação de animação japonesa - e a atriz não possui qualquer traço oriental. Mas, para o bem de todos, ela dá conta do recado. O incômodo de estar em um corpo que não lhe pertence fica evidente no trabalho corporal de Johansson.

Aramaki (Kitano): melhor ator em cena
A vigilante do amanhã renova o fôlego de um gênero que vem sofrendo com muitos lançamentos mais preocupados com efeitos especiais mirabolantes do que um roteiro que tenha algo a dizer, e é um alívio ver que a ficção científica sobrevive. Se pensar que o original foi criado nos anos 1990 e está ainda mais atual, volto a ter esperança de que novos bons filmes sobre o gênero ainda estão por vir. Vale a pipoca e o ingresso mais caro do 3D (não perca os lindos efeitos visuais nessa modalidade!).

quinta-feira, 23 de março de 2017

Fragmentado



Fragmentado (Split, 2017) tinha tudo para ser a volta por cima do diretor M. Night Shyamalan, mas ficou de recuperação por um décimo. O tema é bastante intrigante: no corpo de um homem habitam 23 personalidades, totalmente distintas em várias formas. Elas parecem sob controle, mas o que aconteceria se uma resolvesse tomar o controle? Esse é o mote principal, mas alguns detalhes bobos impediram esse bom filme de ser ótimo.

Dennis (McAvoy): uma das muitas - e mais sombrias - personalidades de Kevin
Casey (Anya Taylor-Joy) é uma menina problemática, vive isolada dos colegas de escola, mas acabou sendo convidada para a festa de aniversário de Claire (Haley Lu Richardson) - o que causou estranhamento até em Marcia (Jessica Sula), melhor amiga de Claire. Quando o pai da garota oferece carona para levá-las até em casa, algo estranho acontece. Um homem totalmente desconhecido sequestra as garotas e as leva para um porão super bem cuidado. Temendo pelo pior, as melhores amigas entram em desespero - Casey, porém, usa seus conhecimentos de caça que aprendeu com o pai e o tio para se manter viva. Elas logo descobrirão que Dennis, o sequestrador, é só uma pequena parte do problema.

Paralelo a isso, temos a história do próprio sequestrador e suas múltiplas personalidades. A doutora Karen Fletcher (Betty Buckley, excelente) atende a seu paciente Barry (James McAvoy), uma das muitas personas que vivem em Kevin. Ela parece fascinada com o rapaz, tanto que procura usá-lo como exemplo para suas palestras de Transtorno de Identidade Dissociativo. Por estar ajudando-o há muitos anos, ela percebe que algo não está indo bem. Ela calmamente tenta descobrir o que está acontecendo, tentando evitar o pior - mas talvez já seja tarde demais.

Barry (McAvoy) em consulta com a dra. Fletcher (Buckley): os melhores em cena
É interessante acompanhar o desenrolar da trama, embora o espectador mais atento já saiba o que vai acontecer. Há muitos pontos frágeis nessa produção, embora dois pontos fortes sejam o suficiente para sustentar o longa até o fim. As interpretações inspiradas de Betty Buckley, que fez da doutora uma personagem memorável (uma mistura de deslumbramento e profissionalismo que vai se provar desastrosa) e de James McAvoy, que está espetacular na construção dos personagens - especialmente na transição entre eles - são, com certeza, o ponto alto do longa. As jovens atrizes que formam as vítimas de Kevin são, no máximo, medianas - e isso enfraquece demais. Chega uma hora que a gente até para de torcer para elas se salvarem. Taylor-Joy, que interpreta Casey, é a melhor das três porém fica apenas na média num filme onde as atuações de peso contrastam gritantemente com as mais fracas. 

Casey (Taylo-Joy): atriz tem potencial
O próprio McAvoy acaba exagerando em algumas cenas, mas aí eu culpo diretamente o diretor: é típico dele arrastar a trama para colocar toda a ação no momento de clímax, porém a opção pelo susto gratuito e os clichês de terror não foi a melhor escolha. Há formas mais criativas e emocionantes de se trabalhar o jogo de gato e rato do que fazer o predador correr de um lado para outro de um corredor estilo os desenhos do Scooby-Doo. Até o tema latente do “quem é o verdadeiro monstro?” que chegou a ser rascunhado nas entrelinhas do roteiro pareceu meio banal depois dessa cena. Outro ponto frustrante foram as tão faladas 23 personalidades, mas que nós só conhecemos uma meia dúzia. Ao que tudo indicava, havia ainda mais escondidas - e pelo ator escolhido, a gente tem certeza que daria para os outros aparecerem sem problemas. Aliás, seria esse o motivo delas não aparecerem?

A cena exagerada: não precisava disso pra ser aterrorizante
Para os fãs, há uma aparição surpresa, um easter egg e aquela pegadinha no final - parece até uma cena pós-créditos, só que faz parte do fim do filme - e deixa uma pulga atrás da orelha. Mas ainda assim, o filme será memorável apenas pela atuação de McAvoy. De qualquer forma, é bom ver que o mesmo espírito de suspense de O Sexto Sentido e Sinais está de volta. Quem sabe no próximo ele consiga acertar em cheio.

terça-feira, 14 de março de 2017

A Bela e a Fera


Chegou o esperado dia! A ansiedade corroeu os corações dos aficionados por Disney e fãs de Emma Watson, mas, enfim, a espera acabou. Essa semana estreia nos cinemas a versão live action da animação primorosa dos estúdios Disney (que, aliás, foi a primeira da História a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme - e não de Animação). E o que tenho a dizer sobre o longa? Bem. Apesar de já ter passado alguns dias desde a exibição para a imprensa, eu ainda não sei dizer se gostei do filme ou não. Nem sei dizer se isso é só implicância minha. Portanto, hoje eu resolvi fazer uma resenha diferente: vou analisar caso a caso e ver se descubro o que, de fato, eu senti pelo longa de Bill Condon.

ATENÇÃO: esta análise pode conter alguns spoilers. Se pretende descobrir quais são as mudanças em relação à trama da animação no cinema, esta resenha pode estragar algumas surpresas. ;)


Trama

Esse é um ponto superpositivo do filme. Apesar de ter feito questão de reprisar cenas encantadoras do filme de 1991, não se ateve a isso. O argumento de Stephen Chbosky e Evan Spiliotopoulos abre espaço para homenagear outras versões da história, como a versão de 1947 e o musical da Brodway, além de preencher lacunas que não foram resolvidas anteriormente.

Produção

Bela e funcional, é outro dos maiores trunfos desta versão. Os efeitos visuais beiram a magia, principalmente nos habitantes do castelo da Fera. Figurino, maquiagem, produção de arte estão "padrão Disney" - mas abro exceções. De alguma forma, o vestido de baile da Bela não causa o mesmo impacto que deveria (o efeito oposto ao que aconteceu na versão de Cinderela) e a caracterização do Príncipe Adam (também conhecido por Fera) é estranha. Não causa o encantamento que deveria - ou isso é apenas a minha alta expectativa frustrada falando mais alto.


Música

A clássica "Beauty and the Beast" não poderia jamais deixar de estar presente - mesmo que na versão com Ariana Grande e John Legend. Céline Dion, que interpretou a versão original da música que ganhou o Oscar de Melhor Canção foi homenageada, com outra música inédita (que toca ao fim dos créditos). Várias canções da animação também aparecem, mas de certa forma as músicas novas soam como se funcionassem melhor no palco do que no longa. A nova canção da Fera é linda, mas tem um quê de Les Miserábles que é impossível de ignorar.

Personagens e elenco

Aí a gente tem ir com calma. O elenco estelar conta com nomes de peso como Sir Ian McKellen e Emma Thompson, além de introduzir ao grande público as figuras de Dan Stevens (que fez a série Downtown Abbey e atualmente está em Legion) e Josh Gad (que deu voz ao Olaf, de Frozen - Uma Aventura Congelante). Aqui temos altos e baixos. Vamos aos destaques.

* Bela (Emma Watson)


Eu não quero parecer aquelas pessoas implicantes, mas... Acho que não funcionou tão bem quanto eu esperava. A Bela sempre me pareceu uma moça jovem, com espírito livre, com ânsia de viver mais do que aquela vida camponesa. Emma cria a Bela mais altiva, mais empoderada (100 pontos pra Grifinória!) porém é mais fechada, menos delicada. E era exatamente isso o que me encantava na princesa: ela era a prova viva de que você pode ser delicada, alegre, atenciosa e saber quem você é, o que você merece, quais as suas responsabilidades e o que quer para o seu futuro. Infelizmente, essa Bela ficou a desejar nesse quesito. Outra coisa que me irritou bastante: o auto-tune usado em Emma Watson. Fica bem evidente que houve modificação na voz da atriz, embora eu ache que ela podia ter cantado sem uma afinação perfeita que teria sido lindo do mesmo jeito.

* Fera (Dan Stevens)


Meus problemas com a Fera já começam na maquiagem. Fosse uma maquiagem real, como pelos aplicados diretamente no rosto do ator, então eu entenderia porquê não procuraram criar um visual mais animalesco - há uma limitação física. Mas se é digital, acho que poderiam ter ousado mais. A Fera é para assustar mesmo, é para causar estranheza, fazer a gente questionar a sanidade da Bela por se apaixonar por ele. Mais importante, é para que a única característica humana dele sejam os olhos - é neles que a Bela reconhece o amor que ele sente por ela e então tem certeza de que o príncipe é mesmo a Fera. Mas, dessa vez, eu tenho certeza que é pura implicância minha! Stevens faz um ótimo Fera, bastante intratável e, ao mesmo tempo, delicado - além de arrasar na belíssima nova canção do personagem. O trecho inicial, que conta a história da Fera até receber a maldição, também é bem empolgante. Mas, como par romântico, eu acho que teve o mesmo problema do Evans ao ser escalado como Gaston: ele parece velho demais para Emma Watson.

* Gaston (Luke Evans)


Apesar de eu ter ficado empolgadíssima com a caraterização dele - faltaram apenas os olhos azuis para ele ser idêntico à versão original - Evans ficou caricato (e, cá entre nós, um tanto velho demais para a Bela tão jovem). Uma pena! Mas devo ressaltar que na parte musical, Evans deu um show à parte. A química entre Gaston e LeFou também funcionou, e o personagem realmente mostra as garras (com perdão do trocadilho) nessa versão.

* LeFou (Josh Gad)


Esqueça a polêmica em torno da homossexualidade de LeFou: se você viu a animação antes, você já sabia disso. O que esta versão fez foi explicitar isso, mas não acontece nada de escandaloso que possa alarmar os pais mais conservadores. Valendo-se da hilaridade do personagem, a subtrama passa leve e não altera em nada os acontecimentos. O personagem, aliás, ganha ainda mais camadas: se antes ele só massageava o ego de Gaston; agora ele tem consciência dos seus atos e ganha um final explicado (anteriormente, ele apenas sumia de cena).

* Maurice (Kevin Kline)


Uma grata surpresa. Maurice não é o fofo e atrapalhado inventor de geringonças, mas é um homem doce e adorável, um viúvo que carrega um amor incondicional pela esposa e pela única filha. Essa delicada combinação é lindamente por Kline, que encontra o tom certo entre drama e comédia. A história do pai da Bela se aproxima mais das outras versões, onde ele causa a fúria da Fera por roubar uma rosa de seu jardim. Essa versão da história dele me agrada mais, devo admitir.

* Lumiére (Ewan McGregor)


Simplesmente hilário, mesmo que McGregor tenha penado um bocado para fazer sotaque francês - mas o fez com maestria. As implicâncias com Horloge (McKellen) e sua paixão por Plumete (Gugu Mbatha-Raw) são divertidíssimas, mas ele arrasa mesmo quando canta. Acho que todos lembram de Moulin Rouge e o quanto ele é bom em musicais, não é? Pois o sucesso é garantido aqui também.

Por tudo isso que descrevi, das emoções que tive ao ver esse longa e ter revivido as outras experiências que já tive com o clássico conto infantil, A Bela e a Fera é um bom longa: emocionante e divertido, profundo. Só o tempo dirá se vou amá-la tanto quanto a animação original - quem sabe eu só precise deixar de reparar na aparência e descobrir o que há de bom na alma desse filme? ;)

quinta-feira, 9 de março de 2017

Kong: A Ilha da Caveira


Posso dizer que Kong: A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island, 2017) é surpreendente: apesar de algumas falhas e uma certa previsibilidade, a história veio bem amarradinha num roteiro enxuto; e toda a ação foi bem azeitada com a ajuda de uma fotografia excelente e um elenco estelar que deu conta do recado. A sequência inicial, situando a gente no tempo e no clima pós-guerra, já dá o tom do que virá a seguir. Com boas cenas de ação (principalmente quando o Kong se apresenta para o público), o longa de Jordan Vogt-Roberts tem tudo para ser um sucesso como reboot da franquia King Kong.

Tenente Packard (Jackson): o retrato do orgulho ferido
Logo que anunciam a retirada dos EUA na Guerra do Vietnã, o cientista Bill Randa (John Goodman) e seu assistente Houston Brooks (Corey Hawkings), ambos membros da pouco explorada agência governamental Monarch, correm contra o tempo afim de obter aprovação para uma expedição inusitada. A Ilha da Caveira é um território não mapeado que eles pretendem investigar, mas não o podem fazer sem a ajuda do governo. Obtida a autorização e apoio militar, eles partem para a expedição. Para tanto, vão precisar da ajuda de James Conrad (Tom Hiddlestone), um ex-capitão do exército britânico que tem bastante experiência em combate. A fotojornalista Mason Weaver (Brie Larson) consegue uma autorização para acompanhar a equipe, que ainda conta com a bióloga San Lin (Jing Tian) e um grupo de soldados - liderados pelo Tenente Packard (Samuel L. Jackson) - prestes a abandonar o Vietnã e voltar para casa.

A Ilha da Caveira não é para os fracos
Um grupo heterogêneo e com diversas motivações distintas acaba por conseguir entrar na quase impenetrável Ilha da Caveira, e lá descobrem mais do que estavam preparados para ver. Bom, pelo menos alguns deles. Ao se depararem com Kong - na verdade, serem quase dizimados por ele - o grupo acaba se separando. Com um prazo de apenas três dias para conseguir se reunirem novamente e chegarem ao ponto de resgate combinado, vão enfrentar perigos inesperados.

Kong está ainda mais impressionante

Esta é uma nova história do Kong, que busca explicar a mitologia dele e ampliar o universo (como sugere a cena pós-créditos). Não é absolutamente original em seu argumento, mas é bastante plausível: encaixa no espaço e no tempo onde surgiu o Kong, e mesmo com alguns exageros de CGI (às vezes imagino os produtores e criadores feito crianças com um brinquedo novo, viajando com as possibilidades mirabolantes que agora podem fazer), traz um resultado empolgante e bacana. Maior, mais jovem e mais forte, Kong nunca pareceu tão humano - mais humano até que alguns homens que foram invadir seu território. Esse questionamento de “quem é o verdadeiro monstro” é o cerne do mito Kong, e veio atualizado nesse roteiro - mesmo que toda a ação ainda se passe na década de 1970.

Reilly rouba a cena como Hank Marlow
Falando do mito, há muita homenagem ao rei da selva. A mocinha vivida por Larson não é a musa típica do Kong, embora não tenha tanta função na equipe de expedição - principalmente porque o discurso para colocá-la no navio junto com o grupo foi bastante contundente, mas a personagem perde a força durante o longa. Ainda estão lá o explorador obcecado pela fera e o aventureiro que compreende tarde demais que não era para mexer com quem estava quieto. Costurando homenagem e dando início a uma nova era Kong, A Ilha da Caveira se firma como um bom entretenimento. Credito o mérito maior ao elenco - com destaque para o paranoico Packard interpretado por Samuel L. Jackson e o sobrevivente de guerra Hank Marlow, pequena e maravilhosa participação de John C. Reilly. Vale a pipoca e a continuação.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Logan

Logan (Logan, 2017) é um filme ótimo que encerra com perfeição - e justiça - a trajetória cinematográfica de uma lenda: Hugh Jackman como Wolverine. Um dos mais amados (se não o mais amado) mutantes teve um representante de peso desde o início, mas a saga inicial dos X-Men e a trilogia solo do personagem ficaram muito aquém do personagem. Com este Logan, os fãs podem descansar em paz.

Num futuro próximo, a raça mutante já foi exposta e está quase extinta. Wolverine (Jackman) sobrevive como um motorista de limusine sem muitas perspectivas - apenas fazendo o que tem que fazer e protegendo o maior mutante ainda vivo:Xavier (Sir Patrick Stewart). O Professor X já não é mais o mesmo, com a saúde bastante debilitada e ataques epiléticos que podem causar danos terríveis, vive isolado e protegido por Logan e Caliban (Stephen Merchant) num lugar afastado de tudo.

Tudo muda quando uma mulher procura desesperadamente por Logan em busca de ajuda. Ela tem consigo uma criança, que ela jura estar sendo procurada. Tudo o que ela precisa é que ele as leve até o ponto de referência, e ela está disposta a pagar uma grande quantia de dinheiro pelo trabalho - o que seria suficiente para ele poder largar o subemprego e fugir com seus amigos. Mas os agentes que procuravam a criança acabam por interferir nos planos de paz do mutante.

Este não é um típico filme de herói, e exatamente por isso é excelente. Há uma preocupação enorme com o personagem, um carinho explícito na forma como se mostra a decadência dele. Sim, ele pode se regenerar - mas o tempo é cruel com todos. A química entre Jackman e a pequena Laura , que interpreta Laura, é perfeita. É o paradoxo perfeito da esperança e energia da juventude contra a resignação e resiliência da experiência. A interpretação de Stewart é emocionante: a fragilidade de Xavier e sua eterna confiança no melhor das pessoas arranca lágrimas até dos mais durões.

Mas não pense que o filme se deixa levar para o drama barato! Tem muito mais sangue e violência do que já se viu em qualquer filme dos mutantes (ou de qualquer heroi) antes - e a pequena Laura/X-23 (Dafne Keen) não é nem um pouco inofensiva. Ela, aliás,é uma pérola: calada pela primeira boa metade do filme (onde é apresentada como a arma em que foi transformada), mostra que ainda é apenas uma criança no momento mais importante. Uma criança especial, que aprendeu com os melhores, da pior forma possível.

Logan é absolutamente imperdível - mesmo para aqueles que nunca viram um filme sequer dos X-Men. Os detalhes técnicos são magistralmente conduzidos por James Mangold e criam uma obra empolgante,  divertida e emocionante. No mínimo, inesquecível.