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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Nosso dia de folga com Ferris

Ferris (Mathew Broderick) é o cara mais popular da escola. Com uma auto-confiança invejável só faz o que quer e sempre se dá bem. O acompanhamos durante um dia que ele considera ser perfeito demais para ser desperdiçado com a escola. Logo, ele mata aula, arrasta seu melhor amigo Cameron (Alan Ruck), sua namorada Sloane (Mia Sara) e a nós reles expectadores para seu excitante dia de folga.

Ele fala com a gente, literalmente. Quebra as regras, olha para a câmera e dispara suas importantes observações sobre a vida. Um registro fiel da juventude da época, filosófica, auditiva e visualmente (óculos escuros gigantes e que levantam as lentes, cool!).

É um clássico da sessão da tarde. Difícil achar alguém que não conheça e que não tenha desejado desesperadamente "curtir a vida adoidadamente" como Ferris. Ele age como gostaríamos agir. Fala o que queremos dizer. As normas que a sociedade nos obriga a seguir, "tô nem aí!" Por isso a empatia é imediata com qualquer um que se aventure nos seus 102 minutos de diversão.

Quando crianças curtimos a aventura de um dia sem adultos. Já adultos aprendemos a apreciar os personagens comuns, e infinitamente mais reais e ricos, que cercam o protagonista. Descobrimos o contraste enorme entre a vida que real, e a que deveríamos ter. Afinal, temos um pouco de cada um deles. As neuroses e os medos de Cameron, a frustração de Jeanie (Jennifer Grey) e o desejo de desmascarar os espertinhos que tiram vantagem de tudo, como o Diretor Rooney (Jeffrey Jones ). Mas, deveríamos, e adoraríamos, ter muito mais de Ferris.

Enquanto o trio curte o dia, os outros se afogam em suas vidinhas chatas. E nós percebemos o quanto agimos como bobos às vezes. É um filme que ensina a não se levar tanto a sério e curtir mais a vida.

Pouco antes de Ferris sacudir uma avenida com Twist and Shout, Cameron e Sloane conversam sobre o futuro e logo percebem: não se interessam por nada. É disso que se trata! Ter o direito de não se interessar por nada, viver apenas o momento, mesmo que por um único dia. Coisa que Cameron é incapaz de fazer, até Ferris o resgatar de sua seriedade. Então também é um filme sobre amizade pura. Sabe? Puxar o amigo para fora da piscina quando ele está se afogando.

Quem diria que um roteiro escrito em 6 dias poderia ser tão profundo?

Ainda está aí? Já terminou. Pode parar de ler.

2 comentários:

Daniel Caetano disse...

Olha só... (rs)
Sem dúvida é um dos clássicos e um dos preferidos de minha pratileira... e gostei muita sua descrição dele.
O único detalhe que eu acrescentaria é que o Cameron também não me parece exatamente um personagem realista; penso que tudo se passa como se Ferris fosse o ego do personagem e Cameron o superego deste mesmo personagem, este sim, bastante realista. :)

Fabiane Bastos disse...

Legal e também curioso vc dizer isso Caetano. Nos extas do DVD (não se na versão da sua prateleira tem)os atores brincam com essa coisa de ego, superego e id, em relação ao trio principal.

Obrigada e volte sempre! Semana que vem tem outro clássico nos nossos DVDs.