3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Não é sempre que temos um filme como este!!!

Desenhos existem no mundo real. Dito isto, o grande magnata da animação é assassinado e o principal suspeito é o comediante Roger Rabbit. O coelho animado afirma, armara uma cilada para ele. E implora para que Eddie Valiant Investigue seu caso. Mas, o detetive perdeu o interesse em casos envolvendo desenhos desde que seu irmão foi assassinado por um.

Não fosse pela frase inicial deste texto é provável que ao ler a sinopse acima você não se desse conta de que Uma Cilada para Roger Rabbit é um filme com personagens animados. E como a maioria dos longas desse tipo, é confundido por um filme para crianças. Não é! Ou melhor, também é.

A criançada com certeza vai adorar a ideia dos desenhos no mundo real, e a comicidade natural deles. Entretanto sua trama deve e será apreciado pelas mentes adultas. Afinal é um filme de detetive, com assassinato, bode expiatório, supervilões, uma garota muito bonita (não é culpa dela, ela só foi desenhada assim...), e tudo que um bom mistério pode proporcionar. Ah! E também é uma comédia dos anos de 1988, logo tudo é abordado com muito bom humor e a violência é cartunesca, e ainda sem os pudores exagerados do politicamente correto.

Tenho certeza!
É assim mesmo que os desenhos são "filmados"
Não bastasse ser um filme com um ótimo roteiro, e bem desenvolvido Uma Cilada para Roger Rabbit é inigualável. Não era a primeira vez que humanos e desenhos contracenavam, mas esta foi a primeira vez que acreditamos que os personagens de traço e tinta estavam de fato em frente as câmeras. A qualidade da técnica que une live-action e animação é excelente e sobreviveu ao tempo. Mesmo assistido hoje deixa muito filme atual, repleto do mais caro CGI, parecendo trabalho amador.

É claro! As ótimas atuações do elenco liderado por Bob Hoskins (Eddie Valiant), Charles Fleischer (voz de Roger Rabbit) e Christopher Lloyd (Juiz Doom), são peças chaves no sucesso da empreitada. Esta tem a produção de Steven Spielberg e direção de Robert Zemeckis.

Achou pouco? Spielberg pôs seus contatos para trabalhar e conseguiu os direitos dos personagens de diferentes estúdios para participações especiais. Assim podemos ver Pato Donald e Patolino duelando no piano, Mickey e Pernalonga saltando de para-quedas, e ver interação de desenhos de diferentes épocas como a Betty Boop, ainda em preto e branco. Todos em potas de luxo, já que as animações principais do filme Roger, sua esposa Jessica, o bebê Herman e o Táxi Benny são personagens criados para o longa.

Bom roteiro, produção impecável, efeitos especiais que resiste ao tempo e seus personagens favoritos. Um filme assim não aparece sempre!
Tem tantos personagens aí, que você nem conhece a metade. Conhece?

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

De primeira classe

X-Men - Primeira Classe (X-Men - First Class, 2011) é um filme ótimo. O melhor dos mutantes, até agora. Que venham os mimimis dos fãs da HQ e as revoltas dos puristas que odeiam adaptações. Os mutantes aqui apresentados não são os da primeira formação, e muitos mutantes mais legais ficaram de fora dessa escalação. Mas o filme é bom, funciona como um entretenimento inteligente e uma ótima introdução aos mutantes para quem é absolutamente leigo no assunto - melhor que o primeiro X-men, em que tudo foi muito apressado. 

Na década de 1970 conhecemos um jovem brilhante, que defende a teoria da evolução das espécies através da mutação genética. O que ninguém sabe é que ele é um mutante, e seu poder telepático ainda em desenvolvimento é muitas vezes utilizado para conquistar garotas em bares. Sim, caros leitores, estou falando de Charles Xavier (James McAvoy, cada vez melhor), que futuramente será conhecido como o professor Xavier. Quando a agente Moira (Rose Byrne) testemunha um encontro muitíssimo suspeito entre um senador e um grupo de mutantes, ela decide buscar ajuda. Recruta o especialista em mutação genética Xavier para orientá-la. O que eles não sabiam é que havia um outro jovem que também sofria de mutação genética, que estava atrás de vingança. Eric Lansher (Michael Fassbender, #SenhorMultiplica) tem poderes magnéticos e consegue manipular metal - já descobriu quem ele vai se tornar, não é? - e está atrás do homem que lhe arruinou a vida: quando ainda criança, nos campos de concentração, um tenebroso Shaw (Kevin Bacon, em boa atuação) o forçou a testar seus limites e assassinou sua mãe na sua frente, traumatizando para sempre o garoto. Agora que estava adulto, e conseguia dominar seu dom, decidiu caçá-lo. O que ninguém sabia era que Shaw era um mutante, e havia se associado a outros poderosos companheiros a fim de conquistar mais poder político.

Os planos de Shaw incluíam uma guerra nuclear - e estávamos em época de Guerra Fria, não se esqueça - onde ele poderia absorver toda aquela energia e tornar-se ainda mais poderoso, além de eliminar a maioria dos humanos ralé. Eric, Xavier e Moira unem forças para evitar que a tragédia se concretize, mas tem que enfrentar a má vontade das autoridades e a descrença de todos. Reúnem na antiga casa de Xavier, uma mansão enorme e elaborada como um refúgio fortemente guardado, alguns dos jovens mutantes mais talentosos que puderam recrutar: Mística (Jennifer Lawrence, incrível a naturalidade dessa mulher), Fera (Nicholas Holt, o Markus de "Um grande garoto"), Banshee (Caleb Landry Jones), Destrutor (Lucas Till) para tentar acabar com os planos malignos de Shaw.

O é que é o mais legal desse filme é que nenhum dos mutantes é uma unanimidade. Nenhum deles conhece completamente seu potencial - nem mesmo Xavier, nem mesmo Shaw (que parece ser o mais experiente de todos no contexto). Todos estão se descobrindo, e é legal a gente perceber que os mutantes também são "gente como a gente", cheios de indecisões, insegurança, mas com uma vontade enorme de viver. Lidar com as transformações do corpo são tão complicadas para jovens adolescentes normais quanto para mutantes, e isso fica bem claro. O filme tem um ritmo constante que cativa, leva você a acompanhar o desenrolar da trama quase sem sentir - ao chegar no desfecho, entendemos tudinho o que aconteceu. Tem algumas falhas? Sim, principalmente no excesso de personagens secundários - mas isso é um problema bem maior nos quadrinhos onde foi inspirado, então até que não faz tanta diferença assim aqui no filme. Mas os atores escolhidos foram certeiros na composição de seus personagens, tanto mocinhos quanto vilões - e futuros vilões. Efeitos especiais incríveis e uma direção constante, interpretações seguras e um roteiro redondo, personagens cativantes e um universo maravilhoso a ser explorado. Primeira Classe pode não ter mostrado nossos heróis da forma que a gente queria ver, mas nos deixa muito mais empolgados e esperançosos de que os próximos filmes serão bem melhores do que esse - o que não é pouca coisa.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A coisa agora ficou séria...


Depois do crash course, agora é hora de aprofundar um pouquinho o conhecimento nos personagens. Focado bastante no passado do personagem de Wolverine (Hugh Jackman, arrasando novamente), X-Men 2 (X2, 2003) apresenta novos mutantes e uma ameaça dentro de casa.

Desde que os mutantes foram descobertos, os humanos tem que enfrentar um dilema: o que fazer com eles? Domá-los? Exterminá-los? Controlá-los? Esquecê-los? Adotá-los? Um cientista militar, William Stryker (Brian Cox) parece decidido: usar os poderes mutantes como arma, e quanto aos que forem inúteis ou possíveis ameaças, que sejam exterminados. Um homem prático, não? Depois que o presidente americano sofre um atentado por um mutante teleportador, obviamente que ele fica mais suscetível a ouvir o que Stryker tem a dizer. A população também fica mais favorável ao controle dos mutantes, ainda apavorada com os últimos incidentes. Começa, então uma caçada aos mutantes - e eles tem que se virar para lutar pelo seu direito de viver. E cada um vai lutar como pode.

Magneto (Sir Ian McKellen) ainda está sob custódia do governo em sua prisão de plástico e é utilizado por Stryker para obter informações sobre mutantes. Ele usa um misterioso soro que faz com que os mutantes sob seu efeito obedeçam cegamente aos seus planos, mas os pupilos de Xavier (Sir Patrick Stewart) não estão dispostos a deixar que ele se saia bem na empreitada, afinal aprenderam que nenhuma raça é superior à outra.

A alegoria da temática mutante como um retrato da humanidade nunca esteve maistual mas o filme em si é tão fraco aue nem isso se destaca. É meio frustrante ver personagens queridos tão subaproveitados e até caricaturados (exceções para os excelentes trabalhos e comstruções de Jackman, McKellen e Stewart). Para ser bem sincera, só assisti a esse filme porque era continuação do primeiro e eu esperava que se superasse e talvez até surpreendesse. Mas nada disso acontece. Então, o que resta é ver e aproveitar as cenas de ação, as atuações do trio supracitado e saborear umas pipocas. Diversão passageira e esquecível. Ainda bem que rendeu billheteria e a franquia pode continuar e evoluir!

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016) é o típico filme em que o trailer engana: promete muito e entrega pouco. Faço parte do time que não havia ouvido falar sobre o grupo de supervilões, então garanto que o filme não veio aqui para explicar nada. Para quem já conhecia o grupo das hqs, talvez faça mais sentido. Mas, ainda assim, o filme desaponta.

Em uma introdução apressada, apesar de bastante estilosa, conhecemos todos os integrantes do grupo formado por Amanda Waller (Viola Davis, divinérrima). Ela tem todas as informações sobre os vilões - e deixa a entender que tem informações sobre todo mundo mesmo - e aparece em um jantar com representantes do exército afim de convencê-los a usar o seleto grupo como uma arma. Afinal Superman foi um presente divino: e se ele fosse um "terrorista" e quisesse tomar a Casa Branca? A quem eles iriam a recorrer? Em quem eles iriam botar a culpa?

Demonstrando seu invejável poder de persuasão, Waller consegue convencê-los de que sua ideia é boa ao demonstrar controle sobre Magia (Cara Delavigne). Ela é uma entidade ancestral que habita a Terra há muito tempo e que se apossou do corpo da arqueóloga June Moone. Waller prova que tem controle sobre o coração de Magia/Moone e então consegue a liberação pra montar uma força tarefa supersecreta, que só entrará em ação quando um caso muito grave acontecer.

O que ninguém esperava era que eles fossem entrar em ação tão cedo. Magia consegue se libertar do frágil controle de June e acorda seu irmão, outra entidade superpoderosa. Revoltada com a forma como os humanos a tratam e a aprisionam, como eles pararam de venerá-los como deuses, Magia pretende criar uma máquina que elimine os humanos ingratos e que retome o poder para si e seu irmão. Ante tamanha ameaça, é hora de o Esquadrão Suicida salvar o mundo.

Escrito assim, parece até empolgante. Mas a dura verdade é que Esquadrão Suicida parece um conjunto de cenas de ação mal coreografadas e editadas de qualquer jeito, como se fosse uma versão não finalizada do longa. Os personagens são introduzidos de forma superficial e logo são jogados no front. Não há tempo para se criarem laços de amizade/amor/ódio/rivalidade, por isso soa tão inconcebível a aliança. A ação inicial já é a principal, e o clímax é um festival de clichês e soluções apressadas que deixa tudo muito morno.

Aliás, nenhum dos vilões-heróis parece ser realmente capaz de combater uma "ameaça Superman" - ao menos da forma como foi apresentado, já que essa foi a desculpa usada para reunir os talentos deles. Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) aparece para uma piada e para justificar o CGI; Bumerangue (Jai Courtney) não diz a que veio; Katana (Karen Fukuhara) sofre com o subaproveitamento de sua magnífica arma e pelo excesso de grandes vilões no grupo, El Diablo (Jay Hernandez) poderia ser muito mais terrível e impressionante do que só a aparência bizarra de seu intérprete.

Mas o mais confuso de tudo são os relacionamentos amorosos. O casal June Moone e Rick Flag (Joel Kinnaman, o novo Robocop) tem muita história para ser explorada, porém quase nada vem à tona e o que é mostrado torna-se um dramalhão mexicano. Talvez tenha sido a solução para não tirar o foco do principal e mais badalado (e controverso) casal Arlequina (Margot Robbie) e Coringa (Jared Leto). E, bem, eles são um caso à parte. Robbie constrói uma Arlequina adorável, e algumas das cenas mais divertidas são com ela. Porém o timing da personagem está completamente comprometido pela edição, que não valoriza as muitas cenas de luta nem as melhores tiradas dos personagens.

 Já o caso do Coringa é um pouco diferente. Preocupado em distanciar e criar uma nova vida para este personagem depois da maravilhosa versão de Heath Ledger, Leto criou um palhaço gângster cheio de cacoetes e olhares arregalados. Desnecessário. O jogo psicológico do Coringa é muito mais cruel se feito com a sutileza de uma ameaça velada ou numa jura de amor falsa. É assim que ele manipula e desconstrói a doutora Harley Quinn. E, não, ele não a ama - no máximo, gosta dela rastejando aos pés dele. E esse é o maior erro. O enfoque no relacionamento romântico dos dois é equivocado e, além do mais, tira a atenção do restante do filme. A sensação no fim é a de que quiseram misturar dois filmes em um: o do Esquadrão Suicida e o do "casal" Coringa e Arlequina, de tão deslocados que estão no contexto. Em miúdos, não deu certo.

São muitos os furos no roteiro, muitos personagens subaproveitados, muitos tiros a la Rambo e pouco efeito dramático, muitos clichês e coisas ridículas (sim, eu falo da Magia endeusada, que precisa rebolar - literalmente - para lançar feitiços e explicar o plano maligno). À excessão de Viola Davis, Joel Kinnaman e Margot Robbie, todo o resto do elenco deixa a desejar em algum momento. Will Smith, apesar de dar seu recado como Pistoleiro, aparece como um protagonista herói em meio a um grupo de vilões, sendo até mais presente na liderança do grupo do que o verdadeiro mocinho, Joel Kinnaman (Rick Flag). Fica a sensação de que ele não se conformou em não ser o centro das atenções e quis que seu personagem se sobressaísse aos demais. Não deu pra entender.

Muito mais erros que acertos, uma decepção para quem esperou tanto pelo resultado final. É preciso que os estúdios entendam que não são só cenas intermináveis de ação, uma musa badass, caríssimos efeitos especiais e algumas piadas aleatórias que fazem um bom filme de super-herói. O trailler, com Queen de trilha sonora, em seus poucos minutos consegue ser mais empolgante e interessante que a versão final.

Ah!, aguardem os créditos finais. A cena é curta, mas vale a pena.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Vencendo preconceitos

Por muitos anos eu evitei assistir a Meu pé esquerdo (My left foot, 1989) por um simples detalhe: eu temia que o filme fosse daqueles chororôs intermináveis que passam na Sessão da Tarde; aqueles que buscam te emocionar com a estória de superação do protagonista, mas são mais água com açúcar do que qualquer coisa. Preconceito? Sim, totalmente. Mas acho bacana que não tenha visto antes, talvez eu não estivesse pronta para apreciar toda a beleza dessa obra - talvez, nem mesmo agora eu o esteja.

Christy Brown (Lewis, sensacional é pouco) é um menino que nasceu em uma família muito pobre. Sua deficiência motora o limitava a mal conseguir balbuciar algumas palavras mesmo quando já deveria saber andar e falar normalmente, mas o garoto não se deixava abater.  Apesar da frustração por não poder se comunicar como deveria, com o apoio da mãe amorosa e dos irmãos, Christy conseguiu sobreviver à infância dura e o preconceito de seu próprio pai, o que foi muito mais difícil do que vencer suas próprias limitações.

Christy se torna um exemplo para qualquer ser humano de que se houver vontade de ser mais do que se pode ser, e com o apoio e incentivos certos, qualquer um pode ser feliz. A premiada e delicada interpretação de Lewis, que viveu com maestria as diferentes fases da vida de Christy e não se limitou a apenas algo físico - as emoções de Christy borbulhavam sob a sua dificuldade motora, e foram maravilhosamente expressas pelo ator - são o principal atrativo do filme, mas não é a única coisa boa do filme. Sem apelar para o melodrama, a relação mãe e filho emociona e encoraja a rever nossa perspectiva de vida: e se fosse mos nós, mãe ou filho, nessa situação? Sensacional.

Um filme delicado, emocionante e divertido, com uma grande lição de vida ao final. O tipo exato de filme que eu adoro. Suspeitíssima em recomendar para alguém, mas mesmo assim, insisto: vale mais do que a pena.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A lenda de Tarzan

A lenda de Tarzan (The legend of Tarzan, 2016) é um filme fraco. A empolgação pelos efeitos visuais e pela história pós-descoberta do Rei da Selva morre na praia depois de tentar se salvar em nomes de peso no elenco. Além das jovens promessas Margot Robbie, que interpreta Jane, e de Alexander Skasgaard, o próprio Tarzan, Samuel L. Jackson, Christoph Waltz, Djimon Housoun e Jim Broadbent engrossam a lista dos atores que participam do longa - mas que, infelizmente, não impedem que o barco afunde.

A estória começa com um grupo de estrangeiros liderados pelo capitão Rom (Waltz), um enviado do rei belga, invadindo o coração da África atrás de diamantes raros. Eles já contavamm com a presença da perigosa tribo que protegia o lugar, mas ninguém esperava o que viria a seguir. O chefe da tribo, Mbonga (Housoun), faz um acordo com Rom: o deixaria explorar a região atrás de diamantes se ele lhe trouxesse seu maior inimigo: Tarzan (Skarsgaard). Na Inglaterra, o jovem John Clayton III, conhecido como lorde Greystone (o nome verdadeiro de Tarzan), recebe propostas de voltar ao Congo para promover um acordoe paz: as circunstâncias envolviam a exploração de terras africanas por um rei praticamente falido e boatos de escravidão, além de uma tentativa política obtenção do monopólio de extração de diamantes no Congo ao custo de um genocídio em massa.

Relutante, pois agora já estava há quase dez anos longe da floresta - e porque estava finalmente cumprindo o sonho de seu pai, de voltar ao seu lar - e se habituava com os novos costumes e confortos de uma vida civilizada (e rica), Tarzan acaba convencido a intervir na questão pelo aconselhamento de George Washington Williams (Jackson), um político americano amigo de Tarzan disposto a impedir que o tal rei seja bem sucedido na empreitada.

Quem fica empolgada com a volta à África é Jane Porter(Robbie), agora casada com John/Tarzan. Ela fica feliz pela oportunidade de se reencontrar com suas raízes e seus amigos - afinal fora criada também na selva africana, mesmo que em condições bem mais favoráveis que o próprio marido. Assim, eles voltam para o Congo e se reencontram com a antiga tribo onde Jane fora criada e ajudava o pai a ensinar inglês para os nativos. Por alguns momentos, tudo parecia dar certo.

Logo que a notícia de que Tarzan estava a caminho do Congo, Lom preparou sua armadilha. Sua ideia era capturar Tarzan e entregá-lo a Mbonga, mas ele não contava com a ajuda de Washington nem com a resistência dos homens da tribo. Com Jane cativa, ele sabia que era questão de tempo até que Tarzan fosse atrás dele para salvá-la - então o plano B estava em ação.

O roteiro é a principal falha, pois tenta emendar várias nuances em um único longa e nada parece funcionar direito. Há muito o que se poderia explorar, mas tudo fica superficial e fica bem claro que é tudo desculpa para efeitos especiais jorrarem na tela - até o físico de Tarzan é alterado digitalmente, e não funciona. O drama de adaptação ao novo mundo e o conflito de volta às origens é muito mal explorado, a intervenção-americana-defensora-da-liberdade-do-mundo é quase patética (a não ser por uma sequência onde o personagem de Samuel L. Jackson praticamente personifica a história do país e faz um mea culpa naquele discurso), a mal resolvida querela  entre Tarzan e Mbonga é um bom argumento que foi praticamente ignorado - e o talentoso Housoun foi terrivelmente subaproveitado.

São muitas as falhas no caminho, mas o filme também tem seus méritos: Jane vem embalada no empoderamento feminino, mas tudo dentro do contexto (afinal, o filme se passa no início do século XX), o personagem de Jackson funciona bem como alívio cômico apesar de estar muito deslocado no contexto, além da fotografia que se sobressai aos efeitos especiais em excesso (e, por várias vezes, toscos).

Por fim, A lenda de Tarzan é um filme de roteiro e direção confusos, onde fica claro que muitas vontades diferentes tentaram se encaixar em um único roteiro e não deu muito certo. Ficamos sem entender se é um drama, um romance ou um filme de ação. Deve surpreender quem esperava uma versão live action da animação da Disney (a memória mais acessada da maioria do público) ou até um reboot dos filmes clássicos do rei da selva, mas também deve decepcionar quem esperava algo mais do longa.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Caça-fantasmas


Sabe aquele povo que reclamou muito de ter uma nova equipe de caçadores de fantasmas formada só por mulheres? Que não deveriam mexer em clássicos e tentar renovar franquias adoradas pelo público? Pois bem. Esse povo está prestes a queimar a língua como nunca antes. Caça-fantasmas (Ghostbusters, 2016) é uma delícia de filme, que respeita os seus antecessores e consegue se firmar como uma obra memorável: mais do que um simples reboot, o longa é o primeiro passo para a renovação. 

Erin Gilbert (Kristen Wiig) está se preparando para uma apresentação na Universidade de Columbia que poderá lhe render uma cadeira na instituição. Preocupada em não fazer feio, ela se aquece na sala - porém é interrompida por um homem. Ele tem um livro em suas mãos, um livro escrito por Erin, mas ela nega até a morte que isso tenha acontecido. Afinal, uma professora universitária de ciências não poderia se dar ao luxo de acreditar em fantasmas, não é? Mas o homem precisava de ajuda: segundo ele, um fantasma havia se manifestado no museu que era sua propriedade. O que a intrigava era como ele havia descoberto aquele livro. Uma simples pesquisa na internet e ela descobre que ex-amiga e co-autora do livro, Abby Yates (Melissa McCarthy) fora a responsável por colocar o livro online. Pressionada por seu chefe a ser exemplar ou sua chance de obter a cadeira iria pelo ralo, ela resolve procurar Abby para convencê-la a tirar o livro de circulação de vez.

Durante um passeio no museu, você vê um fantasma: quem você vai chamar?
Mas ao encontrar Abby em um laboratório experimental, as coisas não saem como o planejado. Ao contar do ocorrido, Abby e sua assistente Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) encontram uma coincidência - e, em se tratando de cientistas, elas não acreditam em tais coisas. Abby combina com Erin que vai tirar o livro do ar se ela a apresentar a esse homem misterioso. Erin concorda, louca para se ver livre daquele passado. Mas o que elas testemunham na casa reaviva as crenças de Erin em fantasmas - e a fazem perder seu emprego. Quando elas decidem reativar suas pesquisas, elas agora vão precisar de um novo lugar para começar.

Abby (McCarthy), Erin (Wiig), Holtzman (McKinnon) e Patty (Jones) no metrô: coragem
Ao mesmo tempo, Patty Tolan (Leslie Jones), uma funcionária do metrô, tem um dia diferente em sua rotina. Surpreendida por um cara muito esquisito, que começa uma estória sobre "o quarto cataclismo" e depois some nos trilhos do metrô, Patty se vê obrigada a ir atrás do cara antes que ele se machuque. O que ela vê, porém, é um fantasma muito pouco amigável. Impressionada, só existe uma alternativa para ela. Quem vocês acham que ela vai chamar? Chegando ao novo QG das cientistas especializadas em fantasmas pouco depois de elas terem escolhido seu novo assistente/secretário Kevin Beckman (Chris Hemsworth), ela pede ajuda às moças. Com um segundo fantasma aparecendo em tão pouco tempo, as cientistas vão à loucura - Holtz estava doida para estar os novos "brinquedinhos".

As Caça-Fantasmas prontas para ação!
Depois de comprovarem a existência de outros fantasmas em Nova Iorque, e de chamarem muita atenção para si (e para o fato de existirem fantasmas de verdade), as caça-fantasmas agora tem que enfrentar outra ameaça: os que querem desmascará-las. Para evitar causar pânico generalizado, muitos vão tentar ridicularizá-las. Justo agora que um grupo tão heterogêneo conseguiu se entender e que elas estavam cada vez mais próximas de provar que não eram loucas? Seria esse o fim do sonho?!

Kevin (Hemsworth): a prova de que beleza não serve pra muita coisa
Devo dizer que me contive ao contar esse breve resumo do roteiro. As piadas, as sacadas, as referências... Tudo foi tão bem azeitado que fica difícil comentar qualquer coisa sem estragar as surpresas. As risadas vem com naturalidade, seja pela nostalgia gostosa que nos invade, seja pelas interpretações inspiradas do quarteto principal. McCarthy, Wiig, McKinnon e Leslie estão absolutamente à vontade e se divertindo, e isso se reflete no trabalho que elas entregaram. Dá gosto de ver como as meninas estão afinadas! Quem surpreende é Hemsworth, que não teve medo de sair da pose de galã e "enfiou o pé na jaca" em um personagem divertido, completamente diferente daquele super-herói famoso - e não deixa a desejar ao contracenar com comediantes de peso. O roteiro é bem amarrado, salpicando com humor e referências o bom mote do novo surgimento da equipe. As luxuosas participações especiais, principalmente a dos caça-fantasmas originais, estão espalhadas por todo o longa. Ah!, e não se esqueça: não saia da sala antes dos créditos finais! 


A tarefa era hercúlea: atualizar o clássico mantendo seu espírito, agradar aos fãs mais ferrenhos e conquistar toda uma nova geração de fãs, não decepcionar nos efeitos especiais e superar as expectativas (e comentários preconceituosos) de muita gente "do contra". Fico extremamente feliz de ver que a produção tirou de letra! - e  ainda aproveitou para brincar com isso. O diretor Paul Feig acertou em cheio, orquestrando com maestria elenco, produção, ritmo, humor, referências, efeitos especiais e transformando tudo em um longa divertidamente delicioso. O gostinho de anos 80 está presente, mesmo com toda a nova tecnologia envolvida. Que venham as continuações.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Procurando Dory

Anos depois do sucesso de público, crítica e bilheteria de Procurando Nemo, a continuação Procurando Dory (Finding Dory, 2016) chega às telonas brasileiras para a alegria de pequenos e marmanjos. Dory é a peixinha azul que sofre de perda de memória recente que ajuda Marlin a encontrar Nemo no primeiro filme. Agora, são eles quem deverão ajudá-la a encontrar seu passado.

Quando criança, Dory (Elle DeGeneres/Maíra Góes) foi ensinada por seus pais Jenny (Diane Keaton) e Charlie (Eugene Levy)a dizer às pessoas que ela sofria de perda de memória recente, para facilitar sua vida. Eles também a incentivavam a aprender coisas novas e a se virar sozinha. Mas como Dory se lembrou dessas coisas? Intrigada com o surgimento dessa lembrança, ela, que agora vivia nos corais australianos junto com seus novos amigos, decide que é hora de explorar o oceano de novo para reencontrar seus pais.

Meio a contra-gosto, Marlin (Albert Brooks/Júlio Chaves) se vê pressionado por Nemo (Hayden Rowlence) a enfrentar a imensidão azul para aju dar a amiga. Então os três embarcam em uma nova jornada com apenas uma pista, vinda da falha memória de Dory: o nome "a joia de Morro Bay" aparece em sua mente e é esse lugar (meio vago) que eles vão procurar. Pegando carona com a tartaruga Crush (Andrew Stanton/Cláudio Galvan), eles chegam ao mar da Califórnia.

Encontram um mar muito mais poluído e sombrio, cheio de restos de lixo humano, inclusive carros e contêiner naufragados. Nessas águas escuras escondem-se perigos que eles não fazem ideia, mas a ânsia de Dory por encontrar seus pais antes que sua memória os apague novamente é tanta que eles se tornam imprudentes. Ao despertarem um enorme polvo e se salvarem por pouco, Marlin está chateado com a amiga por ter posto a vida de Nemo em perigo. Bastaram alguns minutos de desatenção para que eles se perdessem um do outro.

Assim, Dory acaba encontrando um jeito inusitado de entrar no Instituto de Vida Marinha - um centro de recuperação para animais marinhos coletados na baía de Morro Bay. Na área de quarentena, ela encontra Hank (Ed O'Neil/Antônio Tabet), um polvo mal-humorado que usa de suas táticas ninja de camuflagem para conseguir escapar do oceano - se ele for considerado saudável, ele será retornado ao mar e isso é o que ele não quer. Primeiro ele tenta roubar a etiqueta de Dory, que o levaria para o Aquário de Cleveland e lá ele teria uma vida pacífica. Mas sua tática não deu muito certo, então ele resolve ajudar Dory e ganhar a etiqueta de presente.

Enquanto isso, Marlin e Nemo se veem desesperados por terem perdido Dory e um mar tão longe e tão diferente de casa. Descobrem estar no local certo, ao menos encontraram a Jóia de Morro Bay. Mas os leões marinhos Fluke (Idris Elba) e Leme (Dominic West) não parecem ser de muita ajuda, com seu jeitão preguiçoso... Quem sabe a amiga deles, Becca, pode ser de maior ajuda?

Enquanto Marlin e Nemo se aventuram numa missão de resgate com uma passarinho pra lá de esquisita como sua única ajuda, Dory descobre que suas memórias ficam cada vez mais fortes, e que ela se lembra de muito mais coisas do que imaginava. Reencontrando uma amiga de infância (uma tubarão-baleia meio cega) e fazendo novos amigos, Dory não desiste de seguir a única pista que tem para encontrar os pais: sua intuição.

Muito além de ser apenas mais uma luxuosa animação, Procurando Dory é mais um exemplo de filme feito para a família que acerta em cheio. O visual interessante e bonito, assim como a trama cheia de ação, são apostas certas para divertir aos pais e responsáveis que forem assistir ao longa com as crianças. A participação de Marília Gabriela na dublagem brasileira é um bônus para os pais - talvez não pela graça da personagem em si, mas por reconhecer a voz tão marcante da apresentadora e a forma como ela aparece em cena.

Sempre válido lembrar que o alvo principal é o público infantil, e nisso o filme acerta em cheio ao debater de forma divertida os laços familiares e a inclusão social (ou você acha que é por acaso que novos peixes com deficiência aparecem e se tornam peças fundamentais para a trama?), além de ser um importante lembrete de que todos nós somos capazes de fazer qualquer coisa se tivermos coragem e motivação para tanto - independente de nossas dificuldades.

É bem interessante perceber que todos os personagens, de certa forma, tem algum problema que o impediria de ser bem-sucedido sozinho, mas juntos eles são mais fortes e alcançam objetivos. Essa é uma mensagem bastante clara e importante, que é passada da melhor forma possível. Como não poderia deixar de ser, o longa é bem mais emotivo que o primeiro por se tratar de uma busca por um passado incerto, mas é uma emoção menos impactante (traumática?) do que a sequência inicial de seu antecessor. Mas isso também não quer dizer que não dá para se divertir e gargalhar com as trapalhadas dos peixinhos! No fim, fica o sentimento de esperança e a sensação da missão cumprida - a espera, enfim, acabou (bem).

Ah, não se esqueça! Tem cena pós-créditos imperdível para quem viu todo o primeiro filme.
Bônus: chegue cedo à sua sessão! O curta Piper (Piper, 2016) passa antes do longa e narra a estória de um passarinho que, incentivado pela mãe, aprende como fazer para pegar os mariscos mais gostosos. Uma animação luxuosíssima (a praia parece uma filmagem real em vez de criada no computador, de tão bem feita) e superfofa que vai divertir às crianças e fazer refletir sobre se arriscar e vencer seus próprios medos.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

A aventura de infância que ainda queremos ter!

Talvez as gerações atuais, trancadas em apartamentos com os narizes enfiados em seus tablets e celulares, não tenham este desejo. Mas quem cresceu nas décadas de 1980 e 90, ou antes disso sempre quiseram partir em uma aventura. A diferença é que a criançada de antes de 1985, tinham outras aventuras como referência. Nós queríamos ser Goonies*.


São os últimos dias dos Goonies em suas casas, logo todos serão despejados e se mudarão para lugares diferentes. Inconformados os amigos Mikey (Sean Astin**), Bocão (Corey Feldman), Gordo (Jeff Cohen) e Dado (Jonathan' Ke Huy Quan) resolvem encontrar um jeito de resolver a situação. Mas são crianças, logo sua melhor opção de busca é o sótão. Surpresa! Não é que o grupo encontra um mapa do tesouro! Sem nem cogitar que o achado não seja verídico a gurizada resolve encontrar o tesouro do Pirata Willy Caolho e pagar as hipotecas.

Não demora muito para o irmão mais velho de Mikey, Brand (Josh Brolin) as meninas Andy (Kerri Green) e Steff (Martha Plimpton) completarem o grupo. Também não demora muito para a criançada cruzar com os vilões do filme a família Fratelli, recém saída (leia-se fuga) da cadeia. É recente mesmo, esta é a cena de abertura do filme.

Os Goonies seguem as pistas, encontram os bandidos, se separam, são mantidos em cativeiro, desvendam enigmas, enfrentam armadilhas antigas, encontram lugares incríveis e até arrumam um tempinho para o namorico. Sim "namorico" pois tudo isso vem embalado tanto com a ingenuidade dos anos 80, quanto com a inexistência do politicamente correto.

Gordo e os Fratelli, uma das melhores cenas do filme. A dublagem é um show à parte!
E por falar em politicamente correto, este filme nunca seria produzido hoje em dia. O rival de Brand faz uma brincadeira que quase o mata. Gordo é trancado em um Freezer com um cadáver. O Bullying "entre amigos" rola solto. E ainda tem a estátua quebrada na "parte favorita da mamãe". Isso tudo passava à tarde na TV, sem grandes censuras. E pasmem a maioria de nós, não ficou traumatizada por isso.

De volta ao filme, o clima é de caça ao tesouro, em um estilo Indiana Jones juvenil. Com roteiro de Chris Columbus, direção de Richard Donner e produção de Steven Spielberg, o filme pode não ser perfeito (convenhamos nenhum é!). Seus personagens são caricatos, e exagerados propositalmente A jornada é um tanto quanto improvável.

Entretanto, tem um roteiro coeso e inteligente, que não subestima seus pequenos expectadores, além de interessar também aos mais velhos. Os personagens são carismáticos, e a direção de arte é perfeita, e aida funcionam muito bem ao lado dos efeitos práticos. Duvida? O filme completou 30 anos em 2015, e a máscara do Slot ainda assusta muita gente.

Os Goonies é um retrato fiel do espirito de uma época, que talvez não exista mais. Divertia e inspirava dezenas de aventuras no quintal de casa (eu juro que procurei meu próprio mapa do tesouro, mas aqui em casa não tem sótão). Passa com louvor no teste do tempo, a única parte difícil é fazer com que as novas gerações tenham acesso à ele, em meio as barreiras do "politicamente correto" e a concorrência dos celulares e tablets. 30 anos mas com disposição de 12!

*O nome Goonie, que só entendi depois de adulta vem do lugar onde as crianças moram. As Docas Goon.

** Para quem ficou com a sensação de "conheço esse ator de algum lugar", vamos ao quem é quem em Goonies! O protagonista Mikey  é vivido por Sean Astin, o Sam de O Senhor dos Anéis. Brand é Josh Brolin que você viu em MIB3. O Data, Jonathan Ke Quan também é o ajudante mirim Short Round, em Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984). Bocão, Corey Feldman era um rosto mirim recorrente na sessão da tarde, participando de produções como Gremlins (1984), Conta Comigo (1986) e Os Garotos Perdidos (1987). Confira por onde anda todo o elenco aqui.


Confira nosso especial sobre Os Goonies, publicado quando o longa completou 30 anos. Também não deixe de conferir a resenha do livro baseado no filme lançado pela Darkside, e a comparação Filme vs Livro.