3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
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formando cinéfilas melhores!

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Sete homens e um destino

Um faroeste moderno à moda antiga. Acho que é assim que posso definir essa ótima surpresa que é Sete homens e um segredo (The magnificent seven, 2016). A estória clássica do mocinho versus bandido, onde o gatilho mais rápido vence, ganha bons ingredientes sem perder o charme clássico do gênero.

A cidadezinha de Rose Creek é formada por homens e mulheres camponeses, em sua maioria. Mas a ambição sem limites de Baetholomeu Bogue (Peter Saarsgard), que deseja explorar todo o ouro da região. Revoltados com a forma coo são explorados, alguns moradores resolvem se reunir em um comitê e decidir o que fazer: uns querem paz, outros querem luta, outros quer fugir, outros ainda preferem negociar. Mas Bogue decide por eles: decidido a dar uma lição contra quem quiser se opor a ele, deflagra um massacre na cidade.

Pouco tempo depois, em outra cidade perto dali, o justiceiro Chisolm (Denzel Washington) chega em seu cavalo e logo a cidade sabe que vem encrenca por aí. Buscando por um fugitivo, encontra Joshua Faraday (Chris Pratt, também conhecido como Starlord) ganhando a vida como sabe -roubando no jogo. Este fica impressionado com a forma como Chisolm age e como é respeitado, embora ele próprio também seja tão perigoso quanto. Depois de se apresentarem, cada um segue seu rumo. O que eles não esperavam era que teriam um destino a cumprir.

Emma Cullen (Hayley Bennet, uma grata surpresa) é viúva de um dos homens assassinados em Rose Creek. Ela e seu amigo Teddy Q. (Luke Grimes)resolveram buscar ajuda para vingar sua cidade. A princípio pouco interessado, ele viu o desespero dos dois e a determinação de Emma. Ao ouvir quem havia tomado a cidade, ele decide que irá ajudar. Mas, para isso, precisará de ajuda.

Assim, Faraday é o primeiro a ser recrutado. Indo com o grupo mais por gosto pelo perigo do que pelo dinheiro, acaba sendo enviado por Chisolm para recrutar o lendário Goodnight Robicheaux (Ethan Hawke, excelente) e acaba por convence-lo a fazer negócio. No pacote, fora incluso Billy Rock (Byung-hun Lee, em ótima parceria com Hawke), imigrante chinês mais que habilidoso e novo braço direito de Goodnight.

Chisolm consegue recrutar Vásquez (Manuel García-Rulfo), outro procurado de sua lista, e juntos eles partem para mais um último recrutamento: Jack Horne (Vincent D'Onofrio, maravilhoso). Renimado caçador de índios, já estava velho e sem trabalho. Mesmo ele não sendo mais o mesmo homem que era, eles precisavam seguir adiante. Havia pouco tempo antes que Bigue retornasse de sua viagem de negócios, e aquela era a janela de tempo mais preciosa e curta para agir.

Sendo assim falta apenas o sétimo e último homem mais perigoso da região para termos o nosso magnífico grupo, certo? Bem, essa é uma parte que eu não gostaria de estragar.
O filme tem vários acertos, a começar pela escalação do elenco. Todos parecem bastante confortáveis com os papéis a que foram designados, e o grupo agindo na tela tem bastante química. Fotografia, direção de arte e edição são acertadas, enfatizando a beleza das cenas de ação sem jamais roubar a cena. Apesar do ritmo mais ágil, típico dos roteiros modernos, há espaço para várias tomadas lentas como nos velhos clássicos de faroeste. É bastante interessante ver como os elementos novos e antigos se misturam harmonicamente no longa, e o resultado é bastante agradável.

O longa tem boas chances de fazer sucesso nas bilheterias brasileiras, pois o bom humor bem pontuado e as explosivas e rápidas cenas de ação devem agradar ao público mais jovem e o clima nostálgico embala até os que não são muito fãs dos faroestes tradicionais - mesmo àqueles que, assim como eu, não assistiram ao clássico original. Ótima pedida para o fim de semana.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Ok, escolha não escolher, mas sustente isso!

Escolha vida. Escolha um emprego. Escolha uma carreira. Escolha uma família. Escolha uma merda de uma televisão grande, escolha máquinas de lavar, carros, CD players e abridores de lata elétricos. Escolha boa saúde, colesterol baixo, e plano dentário. Escolha prestações fixas para pagar. Escolha uma casa para morar. Escolha seus amigos. Escolha roupas de lazer e uma bagagem que combine. Escolha um terno feito do melhor tecido. Escolha se masturbar e pensar quem diabos você é em uma manhã de domingo. Escolha sentar no sofá assistindo programas que nada te acrescentam, game shows, estufar-se comendo um monte de porcarias. Escolha apodrecer no fim de tudo, numa casa miserável, envergonhando os pirralhos egoístas que você gerou para te substituírem. Escolha seu futuro. Escolha sua vida. Mas por que eu iria querer me preocupar em fazer coisas como essas? Eu escolhi não escolher uma vida: eu escolhi outra coisa. E a razão? Não há razões. Quem precisa de motivos quando se tem heroína?
Ah.... esse monólogo despejado sobre o expectador em um ritmo frenético, durante uma fuga com o sotaque charmoso de Ewan McGregor parecia tão promisso inicialmente não é? Até que ele chega à parte dos motivos e eles se resumem à heroina. Aí não demora muito para você perceber, que o discurso de "escolher, não escolher" é vazio e um disfarce para as verdadeiras escolhas que aqui são as mais idiotas possíveis. Como poderia ser diferente? Os personagens estão chapados.


Os amigos Mark Renton (Ewan McGregor), Sic Boy (John Lee Miller), Spud (Ewen Bremmer), Tommy (Kevin McKidd) e Begbie (Robert Carlyle), são jovens, educados e com boas condições de vida, e como muitos escolhem a vida louca das drogas. Cada um com seu narcótico, estilo e falsas tentativas de ficar sóbrios. Acompanhamos suas desventuras pela cidade de Edimburgo, e os extremos de seus vícios, atitudes impensadas e relacionamento nada construtivo. Nem mesmo problemas com a justiça colocam um freio no grupo.

Super elogiado na ocasião de seu lançamento (1996), o filme abordaro extremo da desilusão em uma geração regida pela sociedade de consumo. Estes adotam a marginalidade como protesto, o que não é uma boa escolha afinal. O retrato de uma época

Trainspotting - sem limites, é uma excelente adaptação. Uma produção bem dirigida, com ritmo frenético e um elenco de "futuras" estrelas, em um eficiente primeiro trabalho de peso. Entretanto é 2016, o mundo mudou, filmes inspirados nestes foram feitos à exaustão e agora. O resultado: se você, assim como eu, só o viu agora este longa soa apenas como mais um deles.

Um pensamento fica com certeza: não importa quais sejam minhas escolhas, estou feliz por não precisar ver a supra-mencionada cena do banheiro, ou um bebê mecatrônico no teto, para não escolher o mesmo caminho de Renton e cia.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Star Trek - Sem fronteiras

Star Trek - Sem Fronteiras (Star Trek Beyond, 2016) tem tudo para agradar a fãs da série - dos mais novos aos mais antigos - e para ser uma das maiores bilheterias do ano. Efeitos especiais incríveis, trilha sonora excelente, elenco afinado e um roteiro convincente fazem de Star Trek - Sem fronteiras um filme emocionante (por vários motivos) e empolgante. Começando pouco depois do último filme (Star Trek - Além da escuridão, 2013 - o filme mais fraco dessa trilogia, até agora), o longa demonstra que a nova franquia ainda tem muito fôlego para continuar.


A missão de reconhecimento da Enterprise já está em seu segundo ano da missão de cinco, e, com poucas pausas para descanso, todos os tripulantes começam a sofrer. Capitão Kirk (Chris Pine) percebe os efeitos em si e em seus amigos, e começa a planejar sua saída do comando da nave em breve. Spock (Zachary Quinto) e a tenente Uhura (Zoe Saldanha) também sentem os efeitos de passarem tanto tempo juntos, assim como Hikaru Sulu (John Cho) percebe o sacrifício que é estar longe de sua família. Com tantas insatisfações juntas, os tripulantes não perceberam que tinham em mãos algo muito precioso.

Em sua última visita a um planeta recém-mapeado, Kirk obteve um objeto raro e tentou conciliar a paz entre duas espécies. A negociação não deu muito certo, e o objeto fora armazenado. Durante a pausa para reabastecimento e breve descanso, um chamado urgente de socorro leva Kirk a recrutar todos de volta à Enterprise: uma nave fora atacada em uma nebulosa não-mapeada e a capitã precisa de ajuda para resgatar os sobreviventes do ataque.

Sem demora, eles resolvem ajudar. Só não esperavam ser atacados com tamanha violência e eficácia. Com a nave seriamente danificada, eles descobrem ter sido pegos em uma emboscada: o objeto inofensivo que Kirk tentou negociar era exatamente o que Krall (Idris Elba) precisava para completar seu plano.

Sem ter como impedir o roubo do objeto, mal conseguindo salvar a própria pele, Kirk vê a sua amada nave cair por terra completamente destruída e sua tripulação ser capturada. Com alguns poucos membros ainda livres, como os engenheiros Scotty (Simon Pegg, que também assina o roteiro) e Checov (Anton Yelchin, morto esse ano em um bizarro acidente), Spock e Magro (Karl Urban), Kirk tenta encontrar um jeito de reunir o grupo e pedir reforços da Federação. Contando com a ajuda de Jaylah (Sofia Boutela), outra alienígena que também tenta desesperadamente fugir daquele planeta e do vilão Krall, Kirk e companhia descobrirão que os planos para o uso do artefato são ainda mais sombrios do que eles poderiam imaginavar.

O que mais gostei nesse novo Star Trek foi perceber como esse filme foi pensado e produzido com carinho. Fica evidente que roteiristas, atores, produtores, todos trabalharam em conjunto para fazer esse filme dar certo (uma coisa rara de se ver, como ficou evidente em alguns dos filmes de heróis mais recentes). Com um roteiro coeso, cheio de referências emocionantes ao passado da série original e com links para o futuro da saga nos cinemas, o longa acerta em cheio ao confirmar a boa química do trio principal (Kirk-Pine, Spock-Quinto e Magro-Urban) e combinar ação e emoção em doses iguais.

O que vemos na tela é algo bastante atual, com o apelo visual que só as modernas técnicas de efeitos são capazes de criar, com bastante ritmo e respiros cômicos realmente divertidos e muito bem pontuados. Novos personagens são introduzidos e homenagens são prestadas aos membros da tripulação que partiram dessa vida aqui, do lado de fora das telonas. A polêmica em torno do personagem Sulu ser gay cai por terra: a breve menção ao assunto é sutil, delicada, cuidadosa e, ao mesmo tempo, impactante - justamente por não interferir em absolutamente nada no produto final.

O filme agrada a quem curte o gênero sci-fi, mas também entretém quem está afim de um bom passatempo. Existem questões mais profundas a serem comentadas depois do filme acabar, o que também é uma boa sacada (afinal, quem nunca se sentiu esgotado com o ritmo de trabalho, mesmo fazendo o que ama, ou se perguntou se estava fazendo a escolha certa?). A sensação que eu tive ao subirem os créditos foi a de que eu passei o tempo todo com um sorriso no rosto, uma nostalgia gostosa de ver e compreender o carinho com que fizeram esse filme - e olha que conheço bem pouco do universo trekker! O longa tem um "jeitão" saudosista, como se buscasse voltar às raízes, mas o resultado final é superior: moderno, ousado, divertido.

Se a série começou com certas dúvidas se agradaria ao público e aos fãs mais ferrenhos (e talvez tenha precisado de um vilão de peso no segundo longa para se estabilizar), a partir deste Sem fronteiras se prova como uma franquia vitoriosa: seguindo pelo caminho trilhado, da delicadeza em abordar temas polêmicos, do respeito à saga original e aos fãs, do roteiro bem estruturado, dos efeitos especiais magníficos e sem excessos, não há fronteiras para o futuro e o sucesso.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Não é sempre que temos um filme como este!!!

Desenhos existem no mundo real. Dito isto, o grande magnata da animação é assassinado e o principal suspeito é o comediante Roger Rabbit. O coelho animado afirma, armara uma cilada para ele. E implora para que Eddie Valiant Investigue seu caso. Mas, o detetive perdeu o interesse em casos envolvendo desenhos desde que seu irmão foi assassinado por um.

Não fosse pela frase inicial deste texto é provável que ao ler a sinopse acima você não se desse conta de que Uma Cilada para Roger Rabbit é um filme com personagens animados. E como a maioria dos longas desse tipo, é confundido por um filme para crianças. Não é! Ou melhor, também é.

A criançada com certeza vai adorar a ideia dos desenhos no mundo real, e a comicidade natural deles. Entretanto sua trama deve e será apreciado pelas mentes adultas. Afinal é um filme de detetive, com assassinato, bode expiatório, supervilões, uma garota muito bonita (não é culpa dela, ela só foi desenhada assim...), e tudo que um bom mistério pode proporcionar. Ah! E também é uma comédia dos anos de 1988, logo tudo é abordado com muito bom humor e a violência é cartunesca, e ainda sem os pudores exagerados do politicamente correto.

Tenho certeza!
É assim mesmo que os desenhos são "filmados"
Não bastasse ser um filme com um ótimo roteiro, e bem desenvolvido Uma Cilada para Roger Rabbit é inigualável. Não era a primeira vez que humanos e desenhos contracenavam, mas esta foi a primeira vez que acreditamos que os personagens de traço e tinta estavam de fato em frente as câmeras. A qualidade da técnica que une live-action e animação é excelente e sobreviveu ao tempo. Mesmo assistido hoje deixa muito filme atual, repleto do mais caro CGI, parecendo trabalho amador.

É claro! As ótimas atuações do elenco liderado por Bob Hoskins (Eddie Valiant), Charles Fleischer (voz de Roger Rabbit) e Christopher Lloyd (Juiz Doom), são peças chaves no sucesso da empreitada. Esta tem a produção de Steven Spielberg e direção de Robert Zemeckis.

Achou pouco? Spielberg pôs seus contatos para trabalhar e conseguiu os direitos dos personagens de diferentes estúdios para participações especiais. Assim podemos ver Pato Donald e Patolino duelando no piano, Mickey e Pernalonga saltando de para-quedas, e ver interação de desenhos de diferentes épocas como a Betty Boop, ainda em preto e branco. Todos em potas de luxo, já que as animações principais do filme Roger, sua esposa Jessica, o bebê Herman e o Táxi Benny são personagens criados para o longa.

Bom roteiro, produção impecável, efeitos especiais que resiste ao tempo e seus personagens favoritos. Um filme assim não aparece sempre!
Tem tantos personagens aí, que você nem conhece a metade. Conhece?

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

De primeira classe

X-Men - Primeira Classe (X-Men - First Class, 2011) é um filme ótimo. O melhor dos mutantes, até agora. Que venham os mimimis dos fãs da HQ e as revoltas dos puristas que odeiam adaptações. Os mutantes aqui apresentados não são os da primeira formação, e muitos mutantes mais legais ficaram de fora dessa escalação. Mas o filme é bom, funciona como um entretenimento inteligente e uma ótima introdução aos mutantes para quem é absolutamente leigo no assunto - melhor que o primeiro X-men, em que tudo foi muito apressado. 

Na década de 1970 conhecemos um jovem brilhante, que defende a teoria da evolução das espécies através da mutação genética. O que ninguém sabe é que ele é um mutante, e seu poder telepático ainda em desenvolvimento é muitas vezes utilizado para conquistar garotas em bares. Sim, caros leitores, estou falando de Charles Xavier (James McAvoy, cada vez melhor), que futuramente será conhecido como o professor Xavier. Quando a agente Moira (Rose Byrne) testemunha um encontro muitíssimo suspeito entre um senador e um grupo de mutantes, ela decide buscar ajuda. Recruta o especialista em mutação genética Xavier para orientá-la. O que eles não sabiam é que havia um outro jovem que também sofria de mutação genética, que estava atrás de vingança. Eric Lansher (Michael Fassbender, #SenhorMultiplica) tem poderes magnéticos e consegue manipular metal - já descobriu quem ele vai se tornar, não é? - e está atrás do homem que lhe arruinou a vida: quando ainda criança, nos campos de concentração, um tenebroso Shaw (Kevin Bacon, em boa atuação) o forçou a testar seus limites e assassinou sua mãe na sua frente, traumatizando para sempre o garoto. Agora que estava adulto, e conseguia dominar seu dom, decidiu caçá-lo. O que ninguém sabia era que Shaw era um mutante, e havia se associado a outros poderosos companheiros a fim de conquistar mais poder político.

Os planos de Shaw incluíam uma guerra nuclear - e estávamos em época de Guerra Fria, não se esqueça - onde ele poderia absorver toda aquela energia e tornar-se ainda mais poderoso, além de eliminar a maioria dos humanos ralé. Eric, Xavier e Moira unem forças para evitar que a tragédia se concretize, mas tem que enfrentar a má vontade das autoridades e a descrença de todos. Reúnem na antiga casa de Xavier, uma mansão enorme e elaborada como um refúgio fortemente guardado, alguns dos jovens mutantes mais talentosos que puderam recrutar: Mística (Jennifer Lawrence, incrível a naturalidade dessa mulher), Fera (Nicholas Holt, o Markus de "Um grande garoto"), Banshee (Caleb Landry Jones), Destrutor (Lucas Till) para tentar acabar com os planos malignos de Shaw.

O é que é o mais legal desse filme é que nenhum dos mutantes é uma unanimidade. Nenhum deles conhece completamente seu potencial - nem mesmo Xavier, nem mesmo Shaw (que parece ser o mais experiente de todos no contexto). Todos estão se descobrindo, e é legal a gente perceber que os mutantes também são "gente como a gente", cheios de indecisões, insegurança, mas com uma vontade enorme de viver. Lidar com as transformações do corpo são tão complicadas para jovens adolescentes normais quanto para mutantes, e isso fica bem claro. O filme tem um ritmo constante que cativa, leva você a acompanhar o desenrolar da trama quase sem sentir - ao chegar no desfecho, entendemos tudinho o que aconteceu. Tem algumas falhas? Sim, principalmente no excesso de personagens secundários - mas isso é um problema bem maior nos quadrinhos onde foi inspirado, então até que não faz tanta diferença assim aqui no filme. Mas os atores escolhidos foram certeiros na composição de seus personagens, tanto mocinhos quanto vilões - e futuros vilões. Efeitos especiais incríveis e uma direção constante, interpretações seguras e um roteiro redondo, personagens cativantes e um universo maravilhoso a ser explorado. Primeira Classe pode não ter mostrado nossos heróis da forma que a gente queria ver, mas nos deixa muito mais empolgados e esperançosos de que os próximos filmes serão bem melhores do que esse - o que não é pouca coisa.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A coisa agora ficou séria...


Depois do crash course, agora é hora de aprofundar um pouquinho o conhecimento nos personagens. Focado bastante no passado do personagem de Wolverine (Hugh Jackman, arrasando novamente), X-Men 2 (X2, 2003) apresenta novos mutantes e uma ameaça dentro de casa.

Desde que os mutantes foram descobertos, os humanos tem que enfrentar um dilema: o que fazer com eles? Domá-los? Exterminá-los? Controlá-los? Esquecê-los? Adotá-los? Um cientista militar, William Stryker (Brian Cox) parece decidido: usar os poderes mutantes como arma, e quanto aos que forem inúteis ou possíveis ameaças, que sejam exterminados. Um homem prático, não? Depois que o presidente americano sofre um atentado por um mutante teleportador, obviamente que ele fica mais suscetível a ouvir o que Stryker tem a dizer. A população também fica mais favorável ao controle dos mutantes, ainda apavorada com os últimos incidentes. Começa, então uma caçada aos mutantes - e eles tem que se virar para lutar pelo seu direito de viver. E cada um vai lutar como pode.

Magneto (Sir Ian McKellen) ainda está sob custódia do governo em sua prisão de plástico e é utilizado por Stryker para obter informações sobre mutantes. Ele usa um misterioso soro que faz com que os mutantes sob seu efeito obedeçam cegamente aos seus planos, mas os pupilos de Xavier (Sir Patrick Stewart) não estão dispostos a deixar que ele se saia bem na empreitada, afinal aprenderam que nenhuma raça é superior à outra.

A alegoria da temática mutante como um retrato da humanidade nunca esteve maistual mas o filme em si é tão fraco aue nem isso se destaca. É meio frustrante ver personagens queridos tão subaproveitados e até caricaturados (exceções para os excelentes trabalhos e comstruções de Jackman, McKellen e Stewart). Para ser bem sincera, só assisti a esse filme porque era continuação do primeiro e eu esperava que se superasse e talvez até surpreendesse. Mas nada disso acontece. Então, o que resta é ver e aproveitar as cenas de ação, as atuações do trio supracitado e saborear umas pipocas. Diversão passageira e esquecível. Ainda bem que rendeu billheteria e a franquia pode continuar e evoluir!

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016) é o típico filme em que o trailer engana: promete muito e entrega pouco. Faço parte do time que não havia ouvido falar sobre o grupo de supervilões, então garanto que o filme não veio aqui para explicar nada. Para quem já conhecia o grupo das hqs, talvez faça mais sentido. Mas, ainda assim, o filme desaponta.

Em uma introdução apressada, apesar de bastante estilosa, conhecemos todos os integrantes do grupo formado por Amanda Waller (Viola Davis, divinérrima). Ela tem todas as informações sobre os vilões - e deixa a entender que tem informações sobre todo mundo mesmo - e aparece em um jantar com representantes do exército afim de convencê-los a usar o seleto grupo como uma arma. Afinal Superman foi um presente divino: e se ele fosse um "terrorista" e quisesse tomar a Casa Branca? A quem eles iriam a recorrer? Em quem eles iriam botar a culpa?

Demonstrando seu invejável poder de persuasão, Waller consegue convencê-los de que sua ideia é boa ao demonstrar controle sobre Magia (Cara Delavigne). Ela é uma entidade ancestral que habita a Terra há muito tempo e que se apossou do corpo da arqueóloga June Moone. Waller prova que tem controle sobre o coração de Magia/Moone e então consegue a liberação pra montar uma força tarefa supersecreta, que só entrará em ação quando um caso muito grave acontecer.

O que ninguém esperava era que eles fossem entrar em ação tão cedo. Magia consegue se libertar do frágil controle de June e acorda seu irmão, outra entidade superpoderosa. Revoltada com a forma como os humanos a tratam e a aprisionam, como eles pararam de venerá-los como deuses, Magia pretende criar uma máquina que elimine os humanos ingratos e que retome o poder para si e seu irmão. Ante tamanha ameaça, é hora de o Esquadrão Suicida salvar o mundo.

Escrito assim, parece até empolgante. Mas a dura verdade é que Esquadrão Suicida parece um conjunto de cenas de ação mal coreografadas e editadas de qualquer jeito, como se fosse uma versão não finalizada do longa. Os personagens são introduzidos de forma superficial e logo são jogados no front. Não há tempo para se criarem laços de amizade/amor/ódio/rivalidade, por isso soa tão inconcebível a aliança. A ação inicial já é a principal, e o clímax é um festival de clichês e soluções apressadas que deixa tudo muito morno.

Aliás, nenhum dos vilões-heróis parece ser realmente capaz de combater uma "ameaça Superman" - ao menos da forma como foi apresentado, já que essa foi a desculpa usada para reunir os talentos deles. Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) aparece para uma piada e para justificar o CGI; Bumerangue (Jai Courtney) não diz a que veio; Katana (Karen Fukuhara) sofre com o subaproveitamento de sua magnífica arma e pelo excesso de grandes vilões no grupo, El Diablo (Jay Hernandez) poderia ser muito mais terrível e impressionante do que só a aparência bizarra de seu intérprete.

Mas o mais confuso de tudo são os relacionamentos amorosos. O casal June Moone e Rick Flag (Joel Kinnaman, o novo Robocop) tem muita história para ser explorada, porém quase nada vem à tona e o que é mostrado torna-se um dramalhão mexicano. Talvez tenha sido a solução para não tirar o foco do principal e mais badalado (e controverso) casal Arlequina (Margot Robbie) e Coringa (Jared Leto). E, bem, eles são um caso à parte. Robbie constrói uma Arlequina adorável, e algumas das cenas mais divertidas são com ela. Porém o timing da personagem está completamente comprometido pela edição, que não valoriza as muitas cenas de luta nem as melhores tiradas dos personagens.

 Já o caso do Coringa é um pouco diferente. Preocupado em distanciar e criar uma nova vida para este personagem depois da maravilhosa versão de Heath Ledger, Leto criou um palhaço gângster cheio de cacoetes e olhares arregalados. Desnecessário. O jogo psicológico do Coringa é muito mais cruel se feito com a sutileza de uma ameaça velada ou numa jura de amor falsa. É assim que ele manipula e desconstrói a doutora Harley Quinn. E, não, ele não a ama - no máximo, gosta dela rastejando aos pés dele. E esse é o maior erro. O enfoque no relacionamento romântico dos dois é equivocado e, além do mais, tira a atenção do restante do filme. A sensação no fim é a de que quiseram misturar dois filmes em um: o do Esquadrão Suicida e o do "casal" Coringa e Arlequina, de tão deslocados que estão no contexto. Em miúdos, não deu certo.

São muitos os furos no roteiro, muitos personagens subaproveitados, muitos tiros a la Rambo e pouco efeito dramático, muitos clichês e coisas ridículas (sim, eu falo da Magia endeusada, que precisa rebolar - literalmente - para lançar feitiços e explicar o plano maligno). À excessão de Viola Davis, Joel Kinnaman e Margot Robbie, todo o resto do elenco deixa a desejar em algum momento. Will Smith, apesar de dar seu recado como Pistoleiro, aparece como um protagonista herói em meio a um grupo de vilões, sendo até mais presente na liderança do grupo do que o verdadeiro mocinho, Joel Kinnaman (Rick Flag). Fica a sensação de que ele não se conformou em não ser o centro das atenções e quis que seu personagem se sobressaísse aos demais. Não deu pra entender.

Muito mais erros que acertos, uma decepção para quem esperou tanto pelo resultado final. É preciso que os estúdios entendam que não são só cenas intermináveis de ação, uma musa badass, caríssimos efeitos especiais e algumas piadas aleatórias que fazem um bom filme de super-herói. O trailler, com Queen de trilha sonora, em seus poucos minutos consegue ser mais empolgante e interessante que a versão final.

Ah!, aguardem os créditos finais. A cena é curta, mas vale a pena.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Vencendo preconceitos

Por muitos anos eu evitei assistir a Meu pé esquerdo (My left foot, 1989) por um simples detalhe: eu temia que o filme fosse daqueles chororôs intermináveis que passam na Sessão da Tarde; aqueles que buscam te emocionar com a estória de superação do protagonista, mas são mais água com açúcar do que qualquer coisa. Preconceito? Sim, totalmente. Mas acho bacana que não tenha visto antes, talvez eu não estivesse pronta para apreciar toda a beleza dessa obra - talvez, nem mesmo agora eu o esteja.

Christy Brown (Lewis, sensacional é pouco) é um menino que nasceu em uma família muito pobre. Sua deficiência motora o limitava a mal conseguir balbuciar algumas palavras mesmo quando já deveria saber andar e falar normalmente, mas o garoto não se deixava abater.  Apesar da frustração por não poder se comunicar como deveria, com o apoio da mãe amorosa e dos irmãos, Christy conseguiu sobreviver à infância dura e o preconceito de seu próprio pai, o que foi muito mais difícil do que vencer suas próprias limitações.

Christy se torna um exemplo para qualquer ser humano de que se houver vontade de ser mais do que se pode ser, e com o apoio e incentivos certos, qualquer um pode ser feliz. A premiada e delicada interpretação de Lewis, que viveu com maestria as diferentes fases da vida de Christy e não se limitou a apenas algo físico - as emoções de Christy borbulhavam sob a sua dificuldade motora, e foram maravilhosamente expressas pelo ator - são o principal atrativo do filme, mas não é a única coisa boa do filme. Sem apelar para o melodrama, a relação mãe e filho emociona e encoraja a rever nossa perspectiva de vida: e se fosse mos nós, mãe ou filho, nessa situação? Sensacional.

Um filme delicado, emocionante e divertido, com uma grande lição de vida ao final. O tipo exato de filme que eu adoro. Suspeitíssima em recomendar para alguém, mas mesmo assim, insisto: vale mais do que a pena.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A lenda de Tarzan

A lenda de Tarzan (The legend of Tarzan, 2016) é um filme fraco. A empolgação pelos efeitos visuais e pela história pós-descoberta do Rei da Selva morre na praia depois de tentar se salvar em nomes de peso no elenco. Além das jovens promessas Margot Robbie, que interpreta Jane, e de Alexander Skasgaard, o próprio Tarzan, Samuel L. Jackson, Christoph Waltz, Djimon Housoun e Jim Broadbent engrossam a lista dos atores que participam do longa - mas que, infelizmente, não impedem que o barco afunde.

A estória começa com um grupo de estrangeiros liderados pelo capitão Rom (Waltz), um enviado do rei belga, invadindo o coração da África atrás de diamantes raros. Eles já contavamm com a presença da perigosa tribo que protegia o lugar, mas ninguém esperava o que viria a seguir. O chefe da tribo, Mbonga (Housoun), faz um acordo com Rom: o deixaria explorar a região atrás de diamantes se ele lhe trouxesse seu maior inimigo: Tarzan (Skarsgaard). Na Inglaterra, o jovem John Clayton III, conhecido como lorde Greystone (o nome verdadeiro de Tarzan), recebe propostas de voltar ao Congo para promover um acordoe paz: as circunstâncias envolviam a exploração de terras africanas por um rei praticamente falido e boatos de escravidão, além de uma tentativa política obtenção do monopólio de extração de diamantes no Congo ao custo de um genocídio em massa.

Relutante, pois agora já estava há quase dez anos longe da floresta - e porque estava finalmente cumprindo o sonho de seu pai, de voltar ao seu lar - e se habituava com os novos costumes e confortos de uma vida civilizada (e rica), Tarzan acaba convencido a intervir na questão pelo aconselhamento de George Washington Williams (Jackson), um político americano amigo de Tarzan disposto a impedir que o tal rei seja bem sucedido na empreitada.

Quem fica empolgada com a volta à África é Jane Porter(Robbie), agora casada com John/Tarzan. Ela fica feliz pela oportunidade de se reencontrar com suas raízes e seus amigos - afinal fora criada também na selva africana, mesmo que em condições bem mais favoráveis que o próprio marido. Assim, eles voltam para o Congo e se reencontram com a antiga tribo onde Jane fora criada e ajudava o pai a ensinar inglês para os nativos. Por alguns momentos, tudo parecia dar certo.

Logo que a notícia de que Tarzan estava a caminho do Congo, Lom preparou sua armadilha. Sua ideia era capturar Tarzan e entregá-lo a Mbonga, mas ele não contava com a ajuda de Washington nem com a resistência dos homens da tribo. Com Jane cativa, ele sabia que era questão de tempo até que Tarzan fosse atrás dele para salvá-la - então o plano B estava em ação.

O roteiro é a principal falha, pois tenta emendar várias nuances em um único longa e nada parece funcionar direito. Há muito o que se poderia explorar, mas tudo fica superficial e fica bem claro que é tudo desculpa para efeitos especiais jorrarem na tela - até o físico de Tarzan é alterado digitalmente, e não funciona. O drama de adaptação ao novo mundo e o conflito de volta às origens é muito mal explorado, a intervenção-americana-defensora-da-liberdade-do-mundo é quase patética (a não ser por uma sequência onde o personagem de Samuel L. Jackson praticamente personifica a história do país e faz um mea culpa naquele discurso), a mal resolvida querela  entre Tarzan e Mbonga é um bom argumento que foi praticamente ignorado - e o talentoso Housoun foi terrivelmente subaproveitado.

São muitas as falhas no caminho, mas o filme também tem seus méritos: Jane vem embalada no empoderamento feminino, mas tudo dentro do contexto (afinal, o filme se passa no início do século XX), o personagem de Jackson funciona bem como alívio cômico apesar de estar muito deslocado no contexto, além da fotografia que se sobressai aos efeitos especiais em excesso (e, por várias vezes, toscos).

Por fim, A lenda de Tarzan é um filme de roteiro e direção confusos, onde fica claro que muitas vontades diferentes tentaram se encaixar em um único roteiro e não deu muito certo. Ficamos sem entender se é um drama, um romance ou um filme de ação. Deve surpreender quem esperava uma versão live action da animação da Disney (a memória mais acessada da maioria do público) ou até um reboot dos filmes clássicos do rei da selva, mas também deve decepcionar quem esperava algo mais do longa.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Caça-fantasmas


Sabe aquele povo que reclamou muito de ter uma nova equipe de caçadores de fantasmas formada só por mulheres? Que não deveriam mexer em clássicos e tentar renovar franquias adoradas pelo público? Pois bem. Esse povo está prestes a queimar a língua como nunca antes. Caça-fantasmas (Ghostbusters, 2016) é uma delícia de filme, que respeita os seus antecessores e consegue se firmar como uma obra memorável: mais do que um simples reboot, o longa é o primeiro passo para a renovação. 

Erin Gilbert (Kristen Wiig) está se preparando para uma apresentação na Universidade de Columbia que poderá lhe render uma cadeira na instituição. Preocupada em não fazer feio, ela se aquece na sala - porém é interrompida por um homem. Ele tem um livro em suas mãos, um livro escrito por Erin, mas ela nega até a morte que isso tenha acontecido. Afinal, uma professora universitária de ciências não poderia se dar ao luxo de acreditar em fantasmas, não é? Mas o homem precisava de ajuda: segundo ele, um fantasma havia se manifestado no museu que era sua propriedade. O que a intrigava era como ele havia descoberto aquele livro. Uma simples pesquisa na internet e ela descobre que ex-amiga e co-autora do livro, Abby Yates (Melissa McCarthy) fora a responsável por colocar o livro online. Pressionada por seu chefe a ser exemplar ou sua chance de obter a cadeira iria pelo ralo, ela resolve procurar Abby para convencê-la a tirar o livro de circulação de vez.

Durante um passeio no museu, você vê um fantasma: quem você vai chamar?
Mas ao encontrar Abby em um laboratório experimental, as coisas não saem como o planejado. Ao contar do ocorrido, Abby e sua assistente Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) encontram uma coincidência - e, em se tratando de cientistas, elas não acreditam em tais coisas. Abby combina com Erin que vai tirar o livro do ar se ela a apresentar a esse homem misterioso. Erin concorda, louca para se ver livre daquele passado. Mas o que elas testemunham na casa reaviva as crenças de Erin em fantasmas - e a fazem perder seu emprego. Quando elas decidem reativar suas pesquisas, elas agora vão precisar de um novo lugar para começar.

Abby (McCarthy), Erin (Wiig), Holtzman (McKinnon) e Patty (Jones) no metrô: coragem
Ao mesmo tempo, Patty Tolan (Leslie Jones), uma funcionária do metrô, tem um dia diferente em sua rotina. Surpreendida por um cara muito esquisito, que começa uma estória sobre "o quarto cataclismo" e depois some nos trilhos do metrô, Patty se vê obrigada a ir atrás do cara antes que ele se machuque. O que ela vê, porém, é um fantasma muito pouco amigável. Impressionada, só existe uma alternativa para ela. Quem vocês acham que ela vai chamar? Chegando ao novo QG das cientistas especializadas em fantasmas pouco depois de elas terem escolhido seu novo assistente/secretário Kevin Beckman (Chris Hemsworth), ela pede ajuda às moças. Com um segundo fantasma aparecendo em tão pouco tempo, as cientistas vão à loucura - Holtz estava doida para estar os novos "brinquedinhos".

As Caça-Fantasmas prontas para ação!
Depois de comprovarem a existência de outros fantasmas em Nova Iorque, e de chamarem muita atenção para si (e para o fato de existirem fantasmas de verdade), as caça-fantasmas agora tem que enfrentar outra ameaça: os que querem desmascará-las. Para evitar causar pânico generalizado, muitos vão tentar ridicularizá-las. Justo agora que um grupo tão heterogêneo conseguiu se entender e que elas estavam cada vez mais próximas de provar que não eram loucas? Seria esse o fim do sonho?!

Kevin (Hemsworth): a prova de que beleza não serve pra muita coisa
Devo dizer que me contive ao contar esse breve resumo do roteiro. As piadas, as sacadas, as referências... Tudo foi tão bem azeitado que fica difícil comentar qualquer coisa sem estragar as surpresas. As risadas vem com naturalidade, seja pela nostalgia gostosa que nos invade, seja pelas interpretações inspiradas do quarteto principal. McCarthy, Wiig, McKinnon e Leslie estão absolutamente à vontade e se divertindo, e isso se reflete no trabalho que elas entregaram. Dá gosto de ver como as meninas estão afinadas! Quem surpreende é Hemsworth, que não teve medo de sair da pose de galã e "enfiou o pé na jaca" em um personagem divertido, completamente diferente daquele super-herói famoso - e não deixa a desejar ao contracenar com comediantes de peso. O roteiro é bem amarrado, salpicando com humor e referências o bom mote do novo surgimento da equipe. As luxuosas participações especiais, principalmente a dos caça-fantasmas originais, estão espalhadas por todo o longa. Ah!, e não se esqueça: não saia da sala antes dos créditos finais! 


A tarefa era hercúlea: atualizar o clássico mantendo seu espírito, agradar aos fãs mais ferrenhos e conquistar toda uma nova geração de fãs, não decepcionar nos efeitos especiais e superar as expectativas (e comentários preconceituosos) de muita gente "do contra". Fico extremamente feliz de ver que a produção tirou de letra! - e  ainda aproveitou para brincar com isso. O diretor Paul Feig acertou em cheio, orquestrando com maestria elenco, produção, ritmo, humor, referências, efeitos especiais e transformando tudo em um longa divertidamente delicioso. O gostinho de anos 80 está presente, mesmo com toda a nova tecnologia envolvida. Que venham as continuações.