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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

May day! May day!


Vou te contar, esse foi o filme mais difícil de ver até agora. Isso pelo simples fato de eu morrer de medo de mar aberto. Qualquer filme que fale sobre mares em fúria, surf, naufrágios, expedições submarinas etc. são difíceis pra mim (à exceção de Procurando Nemo, mas esse não conta para a finaldade desse blog). E Tubarão (Jaws) não me ajudou em nada quanto a superar esse medo. Beleza, é tudo mentira porque é cinema. Tá bom. Não duvido nada de que realmente exista um monstro gigante comedor de "qualquer coisa apetitosa que sangre e apareça no meu caminho". Imagine, então, meu desespero ao assistir impotente a esse tubarão assassino rondando três homens num barco com motor quebrado e naufragando, sem qualquer comunicação com a terra e sem nenhuma arma realmente qualificada pra matar o bichano? Eu gritava, me contorcia, fechava os olhos... Que agonia! Minha irmã dava gargalhadas do outro quarto.


E não adianta, não consigo não me envolver com os filmes a que assisto - e Tubarão é um filme envolvente. A minha primeira impressão foi de estar vendo o filme errado: jovens da geração "paz e amor" relaxavam e cantavam à beira da praia. Tudo muito anos 70, o filme ia com jeitão de "Sessão da tarde" até o momento em que a menina resolve se jogar nua no mar pra provocar o rapaz. Pronto. Lá vem a câmera subaquática que te faz ter a perspectiva do tubarão assassino, você está olhando pra sua presa, e de repente, você é a pobre garota que se debate desesperada, lutando para não ser afogada, tentando pedir socorro pro amigo que não a escuta de tão chapado que estava, tentando se agarrar no sinaleiro... Até que simplesmente some na água. Some a isso a trilha sonora inconfundível e a morte dolorosa da personagem fica gravada na memória. Isso em 10 minutos de filme. Quanto faltava pro final?


A tensão é constante, desde a primeira morte. Tanto por causa da ameaça no mar quanto pelo clima em terra firme. É verão e temporada turística em Amity, o prefeito não quer que os turistas sejam impedidos de ir às praias - o que o leva a não interditá-las imediatamente, causando a segunda morte do filme. Aliás, todas as cenas de morte são muito fortes. Tem sangue pra tudo o que é lado, violentíssimas. A gente acompanha indícios de que há um tubarão na área, que ele está presente (a trilha não te deixa dúvida), mas o bichão só aparece atacando de verdade no fim do filme, quando três homens (o xerife, o oceanógrafo e o pescador-caçador) são caçados em alto-mar. Aliás, cada personagem tem uma história carregada. O prefeito que quer manter as aparências "pelo bem do povo", a mãe transtornada, o xerife impotente, o pescador-caçador de tubarões e sobrevivente da Segunda Guerra, o oceanógrafo rico que usa a fortuna pra se dedicar à sua paixão... Até o tubarão é interessante: ele sabe o que faz quando está caçando, e isso faz de você a presa.


Outra coisa que merece destaque: os efeitos especiais. Sim, estão superdefasados, mas ainda impressionam. A textura da pele do tubarão parece de verdade, os movimentos supermecânicos da bocarra são compensados pelo terror da cena (realize um tubarão de 7 metros e 3 toneladas quebrando o seu barco pra te devorar ou estar submerso e ter sua gaiola de proteção estraçalhada - com você lá dentro)


Não é um filme que te mate de susto, é suspense na sua essência: visceral, te faz acompanhar impotente as situações na tela, te faz refém, te faz querer largar o filme pela metade, mas você já não pode mais porque precisa saber o que vai acontecer no final. Como é que eles vão se safar dessa?! Quem é que consegue escapar dessa coisa?! Surpreendente, intenso, tenso, chocante, nojento, clássico, imperdível.

2 comentários:

Giselle de Almeida disse...

Ei, eu só dava gargalhadas porque a minha agonia já tinha acabado!

Fabiane Bastos disse...

Tô começando a achar que essa experiência foi muito traumática para vocês! Ainda bem que o próximo filme é light.