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segunda-feira, 15 de março de 2010

Dá um sorrisinho pro papai...

Porque as pessoas têm que colocar o nariz onde não são chamadas?



A primeira impressão é a que fica, certo? Então, devo admitir: não gostei do filme. O mais engraçado é que eu gosto de outros filmes do diretor inglês Ridley Scott (Gladiador, Cruzada, Falcão Negro em perigo), mas esse, que o projetou ao estrelato, não me agradou. E por um único fato: é recheado de clichês.


Sinopse: tripulação da nave exploradora Nostromo decide investigar um sinal recebido em um planeta inóspito e muito longe de casa, mesmo que alguns dos tripulantes não concordem com a decisão. O local parece desabitado e são encontrados ovos de uma espécie desconhecida. Um dos tripulantes é atacado e todos voltam à nave, com o ser acoplado ao tripulante - ao que parece, é isso o que o mantém vivo. Com a morte do visitante, o tripulante parece estar saudável e quer retornar à ativa. Mas o alien invasor deixou uma réplica em seu interior, que sai de dentro de seu corpo, matando-o, e que se esconde na nave. Todos os outros tripulantes estão sob ameaça e vão morrendo aos poucos, até que a última sobrevivente consegue, enfim, se livrar do alien após destruir a nave-mãe e fugir numa outra nave de fuga.


O roteiro é interessante, e eu também já esperava que um filme de alienígenas fosse nojento, mas ficou uma sensação de "esperava mais que isso". Vale dizer que assisti a versão do diretor, de 2003, mas ele próprio afirma (em um adendo no próprio dvd, exibido antes da versão modificada) que as alterações não são muito importantes porque ele próprio considera a versão de 1979 uma boa versão. Deve ter sido jogada de marketing, até pela cara dele ao falar dessa nova versão. Enfim.


O que mais me frustrou foram os clichês. Óbvio, eu ja sabia que a Ripley (Sigourney Weaver) não iria morrer - até porque ela aparece em pelo menos uma sequencia da série. Mas não é só isso. O filme tinha tudo pra ser o suspense perfeito, o monstro era a ameaça perfeita porque ninguém sabia como lidar, nem como matar a coisa. Mas esbarra em sustos previsíveis, como o gato atrás da porta (e ter que voltar à nave para salvar o gatinho nos últimos segundos antes que tudo fosse para os ares também é o fim), ou ir fuçar os ovos alienígenas dentro de uma nave estranha, longe dos companheiros, ou o monstro estar escondido na nave de fuga em posição fetal, entre as ferragens. Acabou ficando ridículo, porque eu imaginei ele grutando "buuuuuuuu!" e aí foi-se embora o clima de terror. As mortes também eram meio previsíveis, todo mundo que se isola em filmes de suspense acaba morrendo primeiro, de morte rápida e suja - só os mocinhos tem direito à tortura e monólogo do vilão antes de serem salvos antes do golpe final. Nem o clichê da mocinha gostosona foi esquecido. Ou será que era realmente importante que a Ripley "pagasse cofrinho" para encarar o coisa-feia?! Tudo isso junto tirou o charme que o filme tinha. Pra mim, que não sou fã de filmes com alienígenas, precisava me surpreender muito pra ganhar meu "ok". Mas isso é totalmente pessoal. Não estou tirando nenhum mérito do filme, de forma alguma.




Tenho que admitir que é um bom filme, tecnicamente falando: o elenco é formidável, a fotografia é maravilhosa e as equipes de efeitos especiais e maquiagem também merecem créditos. Maravilhosa a cena em que os humanos descobrem que um dos integrantes da equipe é um andróide. Quem criou também aquela coisa nojenta que fica grudada na cara do astronauta desavisado também mecere créditos... Me dá ânsia só de lembrar, me sinto sufocada só de imaginar aquilo grudado... Eca! Fora um corte ou outro de câmera que eu achei meio sem sincronia (pode ser culpa da versão nova), a direção também é caprichada, do tipo que faz a gente perceber que o diretor estava apaixonado pelo projeto. Os cenários futuristas da década de 70 são sempre cheios de botões inúteis e luzinhas piscantes, mas eram realmente bonitos. Só lembro da Sigourney Weaver no Oscar da semana passada, falando justamente dos cenários, da impressão que eles causaram nela. "Eram tão lindos, fiquei maravilhada. Pena que eles foram completamente destruídos durante as filmagens". Tenho que concordar.



Coisinha nojenta...



Um filme muito impressionante, um vilão que até hoje permanece no imaginário dos vilões mais nojentos do planeta e que até hoje é referência em ficção-científica, uma heroína inspiradora: se ela conseguiu enfrentar um predador superior a ela só com um lança-chamas (que ela nem sabia se ia ajudar de verdade) e um zarpão pra salvar um gatinho, não dá mais para ter nojo ou medo de matar uma barata.

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