3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Surrealismo na veia

Buñuel se preparando para a temida cena do vazamento de olho


Confesso que eu não fazia idéia da real conotação da expressão "é surreal!" até ver este filme. Com roteiro, direção e atuação de dois mestres do movimento surrealista, Buñuel e Dalí, é lógico que não dava para esperar uma lógica na narrativa (com perdão do trocadilho).

O filme é curto, com várias imagens aparentemente desconexas - mas que deviam ter algum tipo de lógica para eles - e que você não entende como começa e muito menos o que aconteceu no final. Não tenho vergonha de falar, não entendi nada do que vi. E fiquei chocada com a cena do vazamento do olho, que, para mim, foi de longe a mais desconexa. Acho que eu reagi como a audiência da época: fiquei perplexa, chocada, não entendi nada e não gosti do que vi. Outras cenas também são chocantes, como ver o rapaz vibrar ao assistir à morte da moça que, em estado de choque, não desviou do carro que a tropelou. Ou a cena mais estranha, a que o homem começa a puxar a parede dela saem um piano, dois soldados e um animal (que me pareceu ser um burro) morto, por cima do piano.


Já falei que, para mim, bons filmes são boas histórias, bem contadas, dirigidas e interpretadas. Não consigo ver uma história, nem mesmo achar um sentido. E o filme é exatamente isso. Uma rápida jogada no Google e uma luz é jogada nas idéias, mas nem assim dá pra compreender. Como qualquer obra surrealista, não dá pra se racionalizar o que se vê. As imagens são reproduções de fragmentos de sonhos de Buñuel e Dalí, imagina se há lógica nisso?! Mas ser um expoente do movimento não quer dizer que vá agradar. E, convenhamos, acho que eles não estavam nem um pouco interessados em agradar. Respeito a estética, mas foi, de longe, o filme mais louco que eu já vi na vida. Literalmente, "surreal".

0 comentários: