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segunda-feira, 10 de maio de 2010

E eu achava que era paranóica

Cena preferida, diálogo com dupla legenda: quem nunca falou uma coisa enquanto pensava outra?

Sempre ouvi falar dos filmes do Woody Allen, mas não me lembro de ter visto nenhum até este. Neste Noivo neurótico, noiva nervosa percebi algumas pinceladas do que as pessoas tanto falam sobre seus trabalhos. Parece ser um filme autobiográfico, e, nesse caso, egocêntrico. Como poderia, então ser entitulado Annie Hall no original? Taí um raro caso em que a tradução do título fica melhor que o original. Confesso que achei estranho ele mesmo ser o protagonista. Mas acho que entendo porque essa opção: somente ele poderia interpretar a si próprio sem ficar caricato.

É difícil ser Woody Allen. Ser inteligente e neurótico, sofrer com as paranóias mas sentir um certo prazer em tê-las (quem faz mais de 15 anos de terapia e não evolui é porque gosta). E é isso que faz ele ser ele mesmo, e ele não quer mudar porque senão perderia sua identidade; então não muda e continua sofrendo e vivendo nesse ciclo, arrastando a todos (família, amigos, namorada) para o olho do furacão. Meio egocêntrico, mas fascinante (e, convenhamos, um tanto chato). Mas nem por isso deixei de gostar do filme.

Interessante também as soluções para o filme. Às vezes me sentia assistindo a um episódio de Lost, de tanto "flash foward" na história. Mas os diálogos entre as personagens no presente e no passado são interessantíssimas. O humor inteligente agrada e as atuações super naturais também. Mas, cá entre nós, o cara é meio pedante. Gente, quem é que iria querer namorar com um cara que não para de falar um minuto sequer?! E que sempre acha que os outros são burros?! Que sempre fica com aquela cara de que "comeu e não gostou"? Annie (Diane Keaton) realmente amava muito o Ally (alter-ego de Allen) para ficar tanto tempo com ele. Eu não teria tanta paciência - até porque acho que sou tão paranóica quanto ele. Pensando bem, acho que não. Nem tanto.

Aprendi com esse filme que "existem 2 tipos de vida no mundo, as horríveis e as miseráveis"; que mesmo que não surta efeito, todos deveriam fazer terapia; e que não preciso ter vergonha por achar que os (pseudo) intelectuais são chatos e pedantes. Se até o Ally preferia ver o jogo dos Knicks, porque eu devo querer parecer ser mais sábia do que sou?

Ah, e preciso comentar:
- Christopher Walken sempre me deu medo. Não imaginava que ele (bem) mais novo fosse ser tão estranho quanto é hoje em dia.
- Jeff Goldblum faz uma ponta mínima em uma cena do filme. Até aí, tudo bem. Mas o filme é de 1977 e ele já devia ter uns bons 25 anos... E tá com a mesma cara até hoje. O que leva à pergunta: quantos anos ele tem agora? Ou à outra, ainda mais intrigante: onde fica a fonte? Quero um pouquinho dessa água também.

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