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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Não é um clássico à toa

O início de O exterminador do futuro 2 é um dos menos inspirados que eu já vi na vida. Ou alguém fica com vontade de assistir a um filme que começa dizendo que tudo que aconteceu antes vai se repetir? Fala sério, né, James Cameron! Mas a gente perdoa o deslize porque o clima de déja vu não se concretiza, e o que vem a seguir é um filme de ação muito do bem feito, com humor na medida certa, diálogos impagáveis e até uma mensagem bonita e pertinente, que passa longe do blablablá apocalíptico que toma conta de muitas ficções científicas que adoram jogar os homens contra as máquinas, mas só sabem dizer o óbvio.

Vou te dizer que é muito legal acompanhar a transformação da heroína Sarah Connor (Linda Hamilton), antes uma simples garçonete, em uma guerrilheira de primeira, mas fiquei emocionada mesmo ao ver que ela se livrou do penteado cafonérrimo do primeiro longa. A gente adora os anos 80 e tal, mas, convenhamos, não se pode aproveitar nada da moda daquela época. E quer coisa mais década de 90 que ouvir "You could be mine", do Guns? Falem o que quiser de John Connor, mas ele tinha bom gosto. Aliás, Cameron não podia ter tido mais feliz na escalação do ator mirim Edward Furlong: apesar de ser só um moleque, dá pra reconhecer perfeitamente no jovem rebelde (com causa) a personalidade de um futuro líder. Muita responsabilidade para alguém tão jovem, e ele se sai muito bem.


Muito boa também a sacada de o protetor do menino ser a cara do terminator mau do original: garante alguns bons momentos de tensão até a gente descobrir que o vilão agora é o T-1000 (Robert Patrick). Mas melhor ainda é ver o ciborgue programado para matar antes e perguntar depois virar um cara legal. Ele aprendendo a falar de um jeito mais cool com John é de chorar de rir. E nunca pensei que um simples sorriso pudesse ser tão difícil (e, no caso dele, tão assustador). Mas adoro também suas frases quase monossilábicas, as melhores de todo o filme. Saca só: depois de jurar que não vai assassinar todo mundo, ele atira sem dó nem piedade nos pés do segurança e manda um "Ele vai viver". Sensacional! Claro que isso deve ao, hã, show de interpretação de Arnold Schwarzenegger. Ninguém mais perfeito para o papel, talvez só Ricardo Macchi.


Sobre as cenas de ação, até eu que não sou muito fã de sequências intermináveis de tiros, perseguições e explosões, tenho que dar o braço a torcer. Tudo irretocável, desde os incríveis efeitos especiais, moderníssimos para a época, até a espetacular fuga de Sarah do sanatório. É preciso reconhecer, Hollywood também acerta de vez em quando. Ainda mais quando um filme não se resume só a pólvora: claro que não estaremos subjugados por uma inteligência artificial em 2029, mas que há muito que se pensar sobre os rumos que vamos dando à nossa tecnologia, isso há. E não existe verdade maior do que a dita no filme: "É da natureza dos seres humanos destruírem uns aos outros". É por essas e outras que eu faço uma proposta ao diretor, agora um ecochato, que só tem olhos para a fantasiosa Pandora: caro Cameron, por que não abandonar os smurfs matrixianos e voltar para os exterminadores? Eles são muito mais legais.

1 comentários:

Fabiane Bastos disse...

Assino em baixo! Aliais agente devia mesmo fazer um abaixo assinado. Quanto deve custar p/ mandar uma carta p/ Pandora? Talvez tenha internet lá!