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sábado, 26 de março de 2011

Do you believe in life after love?


Ok, eu preciso desabafar: levei um susto ao ver Cher em Feitiço da lua. Eu não estava preparada para vê-la com aquele coque horroroso, os fios brancos na testa, as roupas recatadas, a sobrancelha por fazer... Mas quer saber o melhor? Sua personagem, Loretta, é a maior prova de que as aparências enganam. Com aquela cara de quietinha, fez Danny Aiello se ajoelhar e pedi-la em casamento do jeito que ela quis. Tem ou não tem moral? Orgulho!

Mas vamos combinar que esse relacionamento não era bem motivado pela paixão, né? Viúva precoce, desta vez ela queria mesmo tudo que não pôde ter no seu primeiro matrimônio: vestido branco, buquê, a companhia do pai até o altar, a festa... Porque Loretta acreditava piamente que foi a cerimônia simples no cartório, dispensando todo o ritual casamentício, que determinou sua má sorte desde então. Fica fácil entender que era um misto de carência, de solidão, de conveniência. Mas daí a gente acreditar que ela se apaixona por Ronny (Nicolas Cage) em uns vinte minutos, no máximo, e é correspondida, é um pouco demais, não? Mas isto não é the real life, é... cinema. É por isso que pode. E é por isso que é bonitinho.


Só que, nem mesmo nos filmes, o destino nos dá tudo de bandeja. Ronny, a paixão fulminante e avassaladora, vem a ser irmão do noivo. E agora, Loretta? Assumir o romance e cancelar seu compromisso (lembre-se: sua sogra está quase batendo as botas) ou manter sua palavra e viver um casamento infeliz? Hein? Dou-lhe uma, dou-lhe duas... Vendido para a senhorita que votou na opção "Nenhuma das anteriores". Ela nem teve muito tempo para pensar sobre o assunto... O desfecho para esse imbróglio todo não deixa de ser engraçado, com aquele climão diante de toda a família, os silêncios constrangedores... Bom demais! Pra uma ficção, que fique bem claro. Na vida, uma situação dessas poderia causar muitos problemas, drama, drama, drama. Ainda bem que na telona as coisas podem ser mais light.

Falando assim, pode parecer até que o filme é daqueles água com açúcar em que tudo se resolve num passe de mágica. Na maior parte, é sim. Mas, além do tom de fábula, alguns personagens parecem ser mesmo de carne e osso, como a gente. A história dos pais de Loretta, que vivem um casamento de aparências, com muitas mágoas no meio do caminho, poderia acontecer com qualquer um, e é contada de um jeito tocante. Impossível não notar como a melancolia da mãe contrasta com a animação da filha, tão apaixonada que, do dia pra noite, resolveu dar um belo upgrade no visual. Aliás, essa sim é a Cher que eu conheço: poderosa!

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