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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Não rolou medinho, mas...


Era para dar medo? Sério, não me assustou. Acho que minha primeira sessão de O iluminado sofreu de dois males cinematograficos distintos. O primeiro é a expectativa gerada pelos diversos elogios e pela importância de filme, diretor, autor e elenco. O segundo é o efeito esgotamento do tema devido ao excesso de plágios, referencias e refilmagens. Fazer o quê? Quando é bom todos querem fazer igual.

Não me levem a mal. Adorei o filme! Narrativa perfeita, cenários, fotogafias, diálogos dignos da importância que é conferida ao longa, criando todo aquele clima de suspense e medo. E a impecável atuação de Jack Nicholson faz até a gente relevar a cara de peixe morto de Shelley Duval.

Entretanto, de alguma forma, eu sabia que rumos o longa tomaria, o que iria acontecer. O único mistério era como e quando as coisas aconteceriam, e a explicação para os enigmáticos eventos. Quem assistiu ao longa já sabe: o desfecho deixa mais dúvidas que respostas. Eu até que gosto disso, possibilita a minha mente divertidas "viagens na maionese". Com isso restou apenas o quando e como as coisas acontecem, e nisso o longa é perfeito.

Jack Torrance (Jack Nicholson) aceita um trabalho de vigia de um hotel no Colorado durante a baixa temporada do inverno. Muda-se para o local com a mulher Wendy (Shelley Duval), e o filhinho Danny (Danny Lloyd), um menino com dons "iluminados". Isolado pela neve no período mais frio, o trabalho no hotel é difícil devido a síndrome de isolamento, que pode causar temperamento agressivo nas pessoas. Aparentemente é isso que acontece com Jack após alguns meses. Entretanto, as habilidades paranormais do menino nos mostram outros motivos, muito mais preocupantes, para a loucura de Jack. 

Inspiração e versão do longa: advinha quais assustam mais?
Entre cenas de marasmo e cotidiano, a narrativa nos faz esperar sustos fáceis. Entretanto, quando achamos que a trilha vai dar um salto, acompanhada de uma sequência de sustos rápidos (o tradicional "buh!"), somos aterrorizados por sequências longas e apavorantes. Daquelas de querer fechar os olhos (nunca mais verei gêmeas de mãos dadas do mesmo jeito).

Conforme as história se desenvolve, o marasmo vai diminuindo, e a tensão aumentando. Até o ponto insuportável, onde a ameaça é real e a corrida pela sobrevivência, necessária. Kubrick provou que, se quer causar medo de verdade, você não deve assustá-lo por um minuto, mas apavorá-lo por horas, dias. 

Poderia até pontuar aqui as cenas que não me assustaram na hora, mas que, com certeza, se firmaram em meu subconsciente. Se eu me deparar com algo levemente semelhante na vida real, ficaria mais apavorada que criança em dia de vacinação. Mas isso levaria horas, pois teria que citar ao menos metade do longa. Por isso afirmo: O Iluminado não dá medo, mas é assustador. Terror psicológico, todos os cinéfilos recomendam! 


Um ótimo filme que gostaria de ter curtido mais. Os diversos plágios, referencias e refilmagens, tornaram algumas coisas, previsíveis. Mesmo assim, já virei fã. Não daquelas que contam as balançadas do bastão de basebal (41), ou o número de vezes que Danny diz "redrum" (43), ou ainda quantas vezes as assombrações piscam (sim, existem fãs assim!). Mas, daquelas que topam, a qualquer momento, entrar em longas discussões sobre a foto da última cena. Ou toparia assistir a tudo novamente, tentando entender seus enigmas.

Agora vou ter que ler o livro para descobrir se é mais assustador ou apenas dá medo.

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