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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

1 ideia 2 propósitos!

Passei os primeiro dez minutos, após o final de Asas do desejo absorta. Congelada, encarando a tela, tentando entender o que achei do longa. Estranho, sem dúvida, mas não detestável ou desinteressante. Damiel (Bruno Ganz) passou a eternidade observando nosso mundo, nosso cotidiano, ouvindo nossos pensamentos. Depois de tanto tempo o anjo decidiu que quer mais que sua existência eterna podia lhe dar. Queria, as atividades cotidianas, os problemas, as oscilações da nossa vidinha cotidiana e efêmera.

Enquanto isso nós aqui embaixo, pensamos muito, muito mesmo! Presos egoisticamente a nossos problemas terrenos. E se considerarmos que o filme se passa na Berlin ainda dividida, o panorama não melhora muito. Ouvir os pensamentos e preocupações cotidianas daquelas pessoas, sejam elas realmente complicadas ou não, é uma forma diferente e delicada de retratar uma época.

E apesar da vida ser como era, Damiel ainda prefere viver aqui. Sua escolha rende a melhor sequencia do filme. Uma inigualável cena de "descoberta do mundo", onde cores, e sensações simples como frio ou o gosto do café, são as melhores coisas da vida. Admirável e divertidíssimo acompanha-lo nessas novas sensações.

Asas do desejo, é estranho! É como uma daquelas poesias complicadas da aula de literatura. Você sabe que é importante, consegue perceber sobre o que se trata, mas continua com aquela sensação de que não compreendeu tudo. Agora troque a roupagem política pelo romance impossível, a linguagem rebuscada pela fórmula tradicional de romances dramáticos hollywoodianos, o que sobra?


Cidade dos anjos conta a história do romance impossível entre o anjo Seth (Nicolas Cage), e a cirurgiã Maggie (Meg Ryan). Em comum com Asas do desejo, a condição de existência dos anjos, que aqui além de nos observar e ouvir, também são encarregados por nos levar quando deixamos a vida. Além, é claro, de algumas referências que fazem valer apena assistir os filmes em sequencia. A mais evidente delas, o anjo caído que ensina a Seth como se tornar um de nós.

Infinitamente mais fácil de acompanhar e entender, afinal segue todas as formas tradicionais da narrativa estrategicamente pensadas para te emocionar. Funcionaria melhor não fosse a terrível cara de "paisagem angelical" de Cage. E o final triste forçado, que faz a maioria chorar aos baldes, mas nesta blogueira que vos escreve da apenas a sensação de "Ah! é sério isso?".

A relação ente Seth ser um "anjo da morte" e Maggie alguém que luta pela vida, é até interessante, mas pouco explorada.  É abandonada assim que o romance entra em cena. Salva-se a boa trilha sonora que na época do lançamento vendeu muitos CDs.

Eis aqui uma coisa que os seres celestiais de ambos os longas anotariam em seus caderninhos de "coisas interessantes dos humanos": a capacidade de usarmos uma mesma ideia para contar histórias distintas. Se uma delas é melhor, ou mais importante que a outra, vai depender da opinião de cada um.

1 comentários:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Gosto muito de ASAS DO DESEJO. O roteiro e a fotografia são poesia da melhor qualidade. Já o melô de Meg Ryan...

O Falcão Maltês