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sábado, 8 de outubro de 2011

Filme de vampiros como tem que ser

Miriam (Deneuve) e John (Bowie) caçando na noite de Nova Iorque
Esqueça essa história de vampiros purpurinados: vampiro de verdade é enigmático, sensual, traiçoeiro, se alimenta de sangue. Fome de viver (The Hunger, 1983) é um ótimo filme de vampiros e traz consigo toda a mística criada em cima desses tão controversos personagens - só não se prende ao convencional: ao conntrário, toma a liberdade de criar um pouco em cima do estereótipo de vampiro a que estamos acostumados. Mas, ao contrario do 'vampiro que brilha no sol', aqui a tônica é outra: como morre um vampiro?
Miriam (Catherine Deneuve, linda e enigmática) é uma vampira que vem através dos séculos se mantendo jovem e imortal - mas seus parceiros não. Por algum motivo inexplicável, após alguns (muitos) anos de convivência, seus parceiros acabam por envelhecer e morrer. Uma morte de vampiro: não morrer como nós humanos mortais, mas ficar trancafiados dentro de um caizão no sótão, ainda sobrevivendo apesar de já não ter mais condições de se alimentar. Esse foi o fim encontrado por John (David Bowie, estranho toda vida) e muitos outros parceiros de Miriam. Ela até se ressente de ver seu parceiro morrendo, mas não é da natureza vampiresca lutar pela sobrevivência - e nessa briga, o mais fraco sempre perde.
John, em um desesperado ato de luta pela sobrevivência, já sentindo os efeitos extraordinariamente brutais que a velhice lhe causava, procura pessoalmente a doutora Sarah (Susan Sarandon, uma das melhores atrizes que eu já vi atuar até hoje), uma vez que ela havia publicado um livro sobre o sono como cura para o envelhecimento. Não havia solução para o caso de John, claro. Mas ele estava disposto a tentar, por amor à Miriam. Nem se alimentar mais (pobre Alice, a estudante de violino que frequentava a casa do casal!) resolvia o problema.
Porque o 'pra sempre' sempre acaba...
E Miriam, é claro, já sabia o que ia acontecer com John. E, convenhamos, deve ser muito chato ter que passar o resto da eternidade sozinho. Portanto, ela já havia escolhido sua nova parceira: a própria doutora Sarah. Com seus poderes mediúnicos, conseguiu seduzir a doutora, e a transformou em vmapira. O que ela não sabia era o que estava pra acontecer... (não posso deixar de comentar: eu bem vi um quê de Bia Falcão - personagem de Fernanda Montenegro em uma novela das 20h - no final do filme).
Um roteiro muito bem amarrado, com a mística vampiresca em sua essência, uma trilha sonora perfeita para o suspense e um final desconcertante. Deu medo de assistir em determinadas horas (acho que vou ter pesadelos à noite, não tava preparada para as cenas finais não...), e a condução do tema foi interessante e é daquele tipo que te prende à tela - mesmo que você não queira ver o que está acontecendo. As cenas e o clima gótico são bonitas e casaram bem com o estilo 80's do filme, e a elegância clássica de Deneuve em cada cena (mesmo na de sexo) é um show à parte. A maquiagem também merece destaque: o que foi aquela caracterização do envelheciemtno de Bowie? Perfeito!
Para quem não gosta de filmes de suspense, é um ótimo filme de vampiro. Para quem não gosta de filme de vampiro, é um ótimo filme de suspense. Para quem não gosta nem de filme de vampiro, nem de suspense, vale a pena dar uma conferida e acabar com essa cisma - até porque não é todo dia que se tem Bowie, Deneuve e Sarandon no mesmo filme.

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