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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Sobre a morte, o universo e tudo mais...

Até agora conhecemos vampiros que eram apenas máquinas de matar. Não que saíssem atirando suas presas para todo lado, mas no sentido de não refletirem nas ações que precisam tomar para sobreviver. Fossem charmosos como Drácula e Miriam Blaylock, animalescos como Nosferatu, ou inconsequentes e em busca de aventuras como a gangue de Os garotos perdidos, todos tinham uma coisa em comum: matar não era problema.

Então, chegam os atormentados vampiros de Anne Rice, que não apenas pensam sobre a morte, mas alimentam sentimentos em relação a essa necessidade biológica particular dos não-mortos. E como sentem!

Louis (Brad Pitt), um proprietário de terras do século XVIII, desistira da vida quando perdeu esposa e filho. Em sua busca pela morte, acaba encontrando-a de forma inusitada através da figura do insano Lestat (Tom Cruise). Entretanto, se tornar um vampiro e morrer não são necessariamente a mesma coisa.

Agora, inconformado com a necessidade de matar para sobreviver, e atormentado pela desconhecida razão de sua exitência, Louis é incapaz de aproveitar as "vantagens" de ser um vampiro. Problema que Lestat decide resolver ao "adotar" Claudia (Kirsten Dunst), criando uma vampira criança. E completando sua bizarra e desconexa família "feliz".

Enquanto para Lestat a morte é uma agradável e divertida necessidade, que deve ser preservada e praticada com estilo, Louis aceita sua condição, por Claudia, embora permaneça atormentado pelos mesmos motivos. Mas é Claudia que tem o melhor dos dilemas, de uma criança mimada, torna-se um ser com décadas de idade eternamente preso no corpo de uma criança. Cruise e Pitt, na época considerados apenas rostinhos bonitos, realmente se saem muito melhor que o esperado. Mas perto da precoce Kirsten Dunst ficam pequenos. É possivel ver em sua expressão, o peso da idade da pequena vampira, embora a atriz não passasse dos 12 anos na época das filmagens.


Se havia muito charme na ideia de ter o privilégio de assistir à evolução do mundo por séculos, este logo se perde na visão de Claudia, com uma noção assustadora. De que adianta assistir à evolução, se não se pode evoluir junto?


E por falar na evolução, é redundante (afinal concorreu a um Oscar), mas necessário chamar atenção para a impecável direção de arte, que cobre 200 anos da história da humanidade. Através de dois século de história, o roteiro viaja rápido e sem rodeios. O texto soa piegas e meloso em excesso sim, mas creio ser um problema herdado do livro, e sua temática. São seres atormentados e cheios de pompa, mas seu jeito "afetado" de falar se torna suportável diante da simpatia de suas sombrias personalidades.

Aparece ainda um recém-chegado a Hollywood Antonio Bandeiras, como uma esperança, fracassada, de respostas para sua existência. Embora possa parecer frustante a ausência de respostas, para esta blogueira que vos escreve, parece bastante real e lógico. Oras, se nós não temos as respostas, por que eles deveriam tê-las? Contudo, não deixa de irônico que seres com tantos poderes, e que constantemente tem influência sobre a morte, não tenham sequer uma pista sobre a vida morte, o universo e tudo mais.

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