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sábado, 28 de janeiro de 2012

Não basta ter cor...

Como cinéfila sempre estranhei o fato de sabermos pouco sobre os primeiros filmes coloridos. Que houve dificuldade em encontrar tecnologias eficientes resistência em usa-las por décadas é sabido. Mesmo assim é curioso que os pioneiros da cor (presente em quase 100% dos filmes atuais), não recebam tantos louros como os do som, computação gráfica, novo 3D, entre outros.

Foi assim que que Vaidade e Beleza foi muito injustiçado não apenas na história do cinema, mas em sua semana aqui no blog. A única forma que consegui assistir ao longa foi com uma cópia bastante castigada. Imagem "gasta", som sujo e, como miséria pouca é bobagem, sem legendas. Claro, a Lei Murphy ainda deu sua participação interrompendo a sessão a cada 10min, com telefonemas, visitas e afins. Não importa o filme, bom ou ruim, é uma injustiça assistir nessas condições. Mas desafio é desafio...

Becky Sharp (Miriam Hopkins), é uma moça de origem pobre que sonha viver na alta sociedade. É claro, para conseguir isso no século XIX, existte só uma maneira, casando com um ótimo partido. Por isso logo que deixa a escola para moças Becky começa a agir. Com muita lábia logo se instala na casa de uma colega de escola, Amelia Sdley (Frances Dee), e tenta fazer com que o irmão da moça a proponha casamento. Quando o rapaz decide não casar com uma pobretona, logo a moça traça um novo plano. Cheia de improviso, lábia e bastante manipuladora, a moça joga suas iscas na esperança de fisgar um bom partido, em uma sociedade vaidosa preconceituosa e muito preocupada com as aparências.

Parece Orgulho e Preconceito com uma protagonista politicamente incorreta. Qualidade que pode tornar o jogo muito mais interessante, com a anti-heroína que amamos odiar e por quem ainda torcemos apesar de tudo. Contudo, as personagens do filme são as únicas que a Becky Sharp de Miriam Hopkins consegue enganar. Apesar de ter todas as armas, beleza, esperteza, francês fluente, coragem, falta à moça a simpatia para  fazer quem está do lado de cá da tela torcer por ela. Espero um dia conseguir ler o livro, ou assistir outra de suas inúmeras adaptações, para ter certeza de quem possui pouco carisma, se à personagem, o roteiro. ou a intérprete.

Sem acreditar na protogonista sobra apenas a tecnologia, que para nós não é novidade. O filme é colorido sim, mas poderia ser preto e branco, o advento da cor não acrescenta muito à história ou direção de arte (esperar muito deste último seria até maldade, eles estavam começando algo novo).Novamente, vale lembrar que assisto com os olhos de alguém de nossos tempos, com quase um século de cores em filmes de distância. Não faço ideia do impacto que Beck Sharp causou em sua estréia, se é que causou. Culpa da pouca informação disponível sobre a produção, seu lançamento e seus resultados.

Vaidade e Beleza não me conquistou, é verdade. Mas deixou uma forte sensação de injustiça com obra. Talvez, se melhor cuidada, arquivada e apresentada agregasse mais valor que apenar ser colorido.

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