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sábado, 21 de janeiro de 2012

O poder da música



Jackie Robin demonstrando seu talento e perseguindo seu sonho

O cantor de jazz (The jazz singer, 1927) é um emocionante relato da busca de um sonho. Jackie Rabinowitz é judeu e foi doutrinado pelo pai para ser o cantor da sinagoga, assim como haviam sido seus ancestrais. Jackie, porém, tinha no coração a vontade de cantar para outros públicos - o que desgostou basteante a seu pai. A mãe entendia que seu filho tinha outra vocação que não a sinagoga, mas o pai não. Após uma surra, Jackie cumpre sua promessa de não mais retornar a casa. Anos se passaram e Jackie começa a ser reconhecido por seu talento.

Cantando em um bar, é convidad por Rose, uma talentosa corista, a se apresentar com ela. Com um bom emprego, conseguindo viver de seu talento, Jackie mantém contato com a mãe. O pai o havia desconsiderado como filho. Rose acaba sendo chamada para trabalhar em Nova Iorque e deixa a companhia, Jackie segue cantando e sua estrela começa a brilhar. Chega sua grande chance: Rose consegue uma oportunidade para ele se apresentar na Brodway. Estando próximo de sua antiga casa pela primeira vez em muitos anos, Jackie resolve visitar os pais. Sua mãe o recebe com muito amor, mas o pai se escandaliza ao chegar em casa e ver o filho cantando uma de suas músicas do futuro show para a mãe e o expulsa de casa. Magoado, Jackie promete nao retornar.

A dúvida o consome: abandonar o sonho ou partir o coração de sua amada mãe?

Quando o pai cai doente às vésperas de uma data comemorativa da comunidade judaica, um amigo da família vai ao teatro sugerir a Jackie que volte a cantar na sinagoga. Mas, às vésperas de sua grande estreia na Brodway, e ressentido pela expulsão de casa, Jackie se nega a ir cantar. Decide seguir seu sonho, o palco é onde ele pertence. Mas, ao ver sua mãe falando com ele que talvez essa seja a última oportunidade de que seu pai o ouça cantar, pois está seriamente doente, seu coração fica balançado. Ele se lembra de sua história, da história de seu povo. E a dúvida o consome. Após o ensaio principal, ele visita o pai. e após muita dúvida e discussão sobre seguir seu coração (onde estaria? No teatro, cantando para multidões? Ou na sinagoga, cantando para seu povo e honrando o nome da família?), Jackie canta para seu povo durante o grande evento. Feliz por ouvir seu filho antes de partir, o rabino o perdoa e o aceita como filho novamente. E Jackie não desistiu e seu sonho. No fim do filme, ele está no palco cantando uma emocionada declaração de amor à mãe, que sempre o compreendeu.

O show tem que continuar!

O filme é emocionante do início ao fim, e como surpresa nos revela pequenos diálogos falados. É basicamente um filme mudo, com a trilha sonora instrumental e cartelas com as falas mais importantes das personagens. Mas as canções todas são de áudio captado, ou seja, a voz dos cantores/atores é ouvida. Um diálogo inteiro é sonorizado, quando o cantor volta à casa e mostra duas músicas que cantaria no show para a mãe. Logo em seguida, quando o pai chega e se depara com a cena, voltam as cartelas. Achei o máximo! Como primeira incursão do cinema falado, é uma espécie de híbrido: a linguagem e interpretação ainda são ao estilo cinema mudo, mas a sutil introdução de canções cantadas pelos próprios atores (e não mais somente as músicas instrumentais como parte da trilha sonora) e um diálogo inteiro falado pelos atores é um passo gigantesco na história do cinema. Um marco emocionante e memorável.

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