3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Terra Nostra, Família Nostra

Confesso, não fazia ideia do que esperar de O Quatrilho. Mesmo porque, na época de seu lançamento e alardeada indicação ao Oscar, não tinha idade para prestar atenção nesse tipo de longa. E se assistir filmes nacionais recém lançados, que não sejam comédia ou biografia é complicado, imagina um drama dos anos 90?

Dois casais de imigrantes italianos do início do século XX, formam uma sociedade para conseguir a tão sonhada terra.  Vivendo sob o mesmo teto logo o marido de uma se interessa pela esposa do outro. Quando a reciproca se torna verdadeira, o casal foge deixando seus respectivos cônjuges na tão sonhada terra, sob os olhares preconceituosos da sociedade. Patricia Pillar e Bruno Campos, dão vida aos amantes Terêsa e Massimo. Enquanto Glória Pires e Alexandre Paternost interpretam os pares abandonados Pierina e Ângelo.

O roteiro é simples e lento, curiosamente não é chato. A vagareza do desenvolvimento da história parece nos envolver na rotina daqueles italianos de forma que novela global nenhuma conseguiu. Massimo leva anos para ousar chegar perto de Teresa, o que torna sua fuga desesperada verossímil e aceitável. Eles já perderam muito tempo! A torcida pelo romance é reforçada pela apatia de Pirina, que acredita que tudo dará certo se homem e mulher apenas desempenharem seus papéis. E pela preferência de Ângelo pelo trabalho, o que deixa Teresa em segundo plano.

Com a história fortemente atrelada às personagens, esta não funcionaria bem com um elenco fraco. A dedicação do elenco é visível, destaque para Glória Pires. Sua sempre contida Pirina, economiza nas expressões, mas nunca é insuficiente ao passar o que a personagem pensa ou sente.

Reconstrução histórica impecável e coadjuvantes de luxo completam a produção.Gianfrancesco Guarnieri (Padre Giobbe), Cecil Thiré (Padre Gentile) e José Lewgoy (Rocco), aparecem mais para situar o expectador na época e sociedade que a italianada vive, que para relamente fazer diferença na trama principal.

Não é um filme excepcional, nem uma história inédita. Mas é uma boa história, bem contada e sobre pessoas de verdade. Poderia acontecer com seu vizinho, parente, com você, por isso é eficiente. Como bônus, ainda apresenta um pouco da cultura trazida pelos italianos que aos poucos se integraram à nossa cultura.

E pensar que a maioria de nós aprendeu sobre imigrantes italianos nas mirabolantes tramas globais. A vida real pode ser mais simples, e mesmo assim muito interessante. Capiche!

2 comentários:

Hugo disse...

Fabiane, passei por aqui para retribuir os parabéns pelos 4 anos de blog.

Que continue por muito tempo.

Até mais

Fabiane Bastos disse...

Só p/ constar:
Vc sabe que eu sô a mesma Fabiane do Ah, e por falar nisso... né? Vc me parabenizou pelos 4 anos lá. hehehe.

Se preocupe não, esse aki também vai chegar nos 4 anos, já percorremos metade do caminho.

Valeu!!!