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sábado, 24 de março de 2012

Alternativa à história real

Logo antigo da universal. Longa, tensa e impressionante conversa entre um ameaçador Coronel Nazista e um simples fazendeiro que parece ter algo a esconder. Massacre de uma família indefessa. Garota sobrevivente foge sozinha para um mundo selvagem familiarmente emoldurado por uma porta. O enquadramento lembra a cena final de Rastros de Ódio. Falatório, violência e referência a sétima arte. Alguém aí duvida que este é um longa de Tarantino?

"Au revoir Shoshana" - estilo Rástros de Ódio.
Se a cena inicial de Bastardos Inglórios deixa claro à que veio, nem de longe consegue apresentar toda a trama que acompanha dois planos distintos de vingança contra os Nazistas. Onde curiosamente a vingaça de Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), a moça que presenciou o massacre de sua família, e dos Bastardos Inglórios do título culminam em um mesmo clímax.

Após fugir e reconstruir sua vida como dona de cinema, a moça vê sua chance de ouro ao ter sua sala de projeção escolhida como local de estréia de um filme nazista. Os Bastardos são um grupo de soldados judeu-americanos que atuam nas linhas inimigas com o objetivo de arrancar o maior número possível de escalpos nazistas. Eles pretendem encerrar a guerra na mesma premier, onde estará todo o alto escalão da SS, incluindo o próprio Führer.

Difícil não simpatizar com um longa que oferece uma alternativa mais rápida e eficaz para o desfecho da segunda guerra. Embora completamente inverosímel e mirabolante, e com personagens absurdamente caricatas. Não que essas caracterósticas sejam um problema. A falta de veracidade garante a surpresa na trama, e as personages unilaterais facilita o que-é-quem, entre tantas personagens. Deve-se excluir aqui,  o Coronel Hans Landa (Christoph Waltz), cara malvado, inteligente que sente extremo prazer e orgulho em seu trabalho de "detetive", e que coloca a causa própria a frente de qualquer outra. Magistralmente interpretado por Waltz já entrou para lista de grandes vilões do cinema.

Brad Pitt também se sai bem como líder caipira dos bastardos. Nada mais engraçado que o italiano carregado de sotaque do Tenente Aldo Raine ao trabalar sobre disfarce. Já a outra "cabeça" do plano Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent),  mantém o tom inexpressivo quase todo o tempo (a exceção é a cena do almoçao com Landa). Se o tom "francesa blasé" é proposital ou falha da atuação não tenho certeza.

O elenco ainda conta com Diane Kruger, como uma diva de cinema. Mike Meyers desviando a atenção, como um General Aliado, em uma única cena (o que o Austin Powers está fazendo ali). E o, então, pouco conhecido Michael Fassbender, que gostou tanto de ser caçador de Nazistas que logo descolou o papel de Magneto em X-Men - Primeira Classe. A maioria dos atores atende bem às necessidades, o que inclui apresentar os chefes nazistas como um bando de patetas, que não conquistariam nem a chave de seus quartos, que dirá a Europa.

Dividido em capítulos, o longa intercala as várias narrativas até que estas se encontrem no desfecho de forma competente. Desta vez, a violência tradicional tarantinesca perde mais espaço para, os também tarantinescos, diálogos. O que para alguns podem parecer se arrastar, como na cena do bar no porão, ou nas tentativas do soldado/ator em impressionar Shoshana.

Cheio de referências a arte do cinema, das quais meu reles, conseguiu identificar apenas uns 15%. Bastardos Inglórios é adoravelmente irreal, violento e bem executado. Mas, novamente, essa é apenas a minha repes opinião.

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