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sábado, 28 de abril de 2012

Uma atuação para deixar Chaplin orgulhoso


Para interpretar um ator como Charles Chaplin, só mesmo alguém com um talento do tamanho de Robert Downey Jr.. E isso fica evidente nos melhores momentos da cinebiografia dirigida por Richard Attenborough, que são as reproduções das criações geniais do ator e diretor. Downey Jr. é magistral ao reencarnar um dos maiores personagens do cinema, o vagabundo Carlitos. Qualquer falha seria desrespeitosa, mas ele encara a tarefa com muita dignidade e a graça que lhe é necessária. O resultado é divertido, uma verdadeira homenagem.

O brilho do ator só não é maior nos outros momentos por conta da própria estrutura do filme, extremamente longo e burocrático na maior parte do tempo. Ao tentar contar a história do artista desde a tenra infância até seus últimos dias, já exilado na Suíça, sem escolher um recorte específico, o roteiro perde em profundidade. Difícil formar uma opinião sobre o homem Charles Chaplin depois de ver o longa. O excesso de personagens secundários e a superficialidade do relacionamento do protagonista com suas mulheres e mesmo seus colegas de trabalho transforma a narrativa numa enciclopédia visual. Nem mesmo o elenco estelar, que inclui Dan Akroyd, Kevin Kline, Milla Jovovich, Marisa Tomei e Diane Lane consegue se destacar. Moira Kelly, que interpreta duas personagens, Hetty Kelly e Oona O'Neil, ambas grandes paixões de Chaplin, chama mais atenção com sua meiguice.


Quando investe mais no drama humano, a cinebiografia funciona melhor. A comovente atuação de Geraldine Chaplin, filha do cineasta, como sua avó, Hannah, comprova isso. Incapaz de criar os próprios filhos, ela serviu de inspiração para o caçula a seguir carreira artística. Mesmo num asilo, nunca foi esquecida por eles. Esse é o tipo de informação que emociona e que diz muito sobre o personagem retratado, mais do que a derradeira sequência do tributo do Oscar, feita somente para levar o público às lágrimas. 

Quanto às motivações estéticas, políticas e empresariais do artista, o filme não acrescenta muito. Não me parece justo reduzir a consciência crítica de Tempos modernos a um certo constrangimento por sua própria riqueza num período em que os Estados Unidos enfrentavam sua maior crise econômica. O grande ditador, ao menos, foi melhor contextualizado: a convicção de Chaplin em adiar ao máximo o cinema falado escapou por pouco de ser tratada como capricho.

E achei muito simpática a tentativa de recriar o clima de cinema mudo nas cenas em que Chaplin corre o risco de ter seu filme confiscado. Apesar de ser uma sequência um tanto deslocada num filme absolutamente formal (e careta, pode-se dizer), valeu o esforço de se aproximar um pouco mais da arte de um gênio. Ele merece.

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