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terça-feira, 19 de junho de 2012

Quando as estrelas trabalham para o filme

Dietrich e Laughton: atuações memoráveis
O filme não seria a mesma coisa se não fosse a espetacular atuação de Charles Laughton no papel do carrancudo advogado Wilfrid Robarts. Entendam, o filme é ótimo, e levando em consideração minha falta de paciência para filmes de tribunal, esse prendeu minha atenção do início ao fim. Mas boa parte da minha atenção se deve à brilhante interpretação de Laughton, que fez um admirável trabalho de composição de personagem. Não posso fazer comparações com o personagem do livro porque não li, mas a caracterização dele foi cuidadosa e extremamente bem executada. Charles dá vida ao advogado rabugento e estressado Wilfrid, excelência em casos criminais. Ao retornar às atividades de seu escritório, estava proibido por seu médico de atender aos casos que mais gosta (assim como beber e fumar charutos). Mas seu parceiro aparece com um cliente e uma história estranha demais, um caso para especialistas: uma senhora muito rica foi encontrada morta por um homem, Leonard Vole (Tyrone Power), que havia pouco tempo se tornado seu amigo. Todas as evidências levavam à acusação dele, enquanto ele jurava inocência. Ele havia se tornado o único herdeiro de toda a fortuna dela, portanto era bastante óbvio que ele se tornasse o principal suspeito. A única testemunha que poderia salvá-lo da acusação era sua esposa Christine (Marlene Dietrich, soberba), uma mulher dura e que estava ciente da condição delicada do marido. Mas ela, ao que tudo indica, sentia ciúmes da relação do marido com a senhora, e parece muito disposta a defender o marido a qualquer custo - afinal, ele havia tirado da Alemanha e salvado sua vida.

Com medo de que eu testemunho pudesse ser de má influência aos jurados (uma mulher extremamente devotada ao marido faria e diria qualquer coisa para inocentá-lo, certo?), Wilfrid decide não chamá-la para o julgamento. No entanto, ela aparece e é sua principal testemunha... De acusação. Com sua mão sobre a bíblia, ela jura contar toda a verdade e relata o que de fato aconteceu: seu marido havia chegado mais tarde no dia do assassinato, com os punhos do casaco manchados de sangue e dizendo que havia conseguido, que tinha se livrado dela. Uma reviravolta e tanto no caso. A frágil saúde do sr. Robarts dá sinais de não aguentar muito mais novidades no caso, mas ele insiste em se manter à frente da defesa. Quando tudo parecia perdido, uma testemunha, de última hora, faz uma misteriosa ligação para o escritório e diz ter provas contra a esposa de Vole - ela teria um amante, e estaria armando para que o marido fosse preso para que ela fugisse com a fortuna dele. Mais uma reviravolta.

Srta. Plimsoll e o (nem tão) paciente sr. Robard: doses de humor em meio ao "climão"

Confrontando novamente acusado, a esposa e as novas evidencias, chegamos ao final surpreendente. Um roteiro intrincado, cheio de reviravoltas, de detalhes, como toda boa história policial. Uma boa dose de humor, principalmente na relação enfermeira-paciente de Robard e a srta. Plimsoll (Elsa Lanchester, ótima), interpretações grandiosas de Laughton e Dietrich, a direção segura de Wilder e o desfecho inesperado. Personagens cativantes, história envolvente. Deixou um gostinho de "quero mais".

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