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sábado, 2 de junho de 2012

Quem sai ganhando?

Taylor (Charlie Sheen): "A guerra vai estar sempre com você"

Todo o mundo sabe que a Guerra do Vietnã é o calcanhar de Aquiles dos americanos. A guerra que eles não ganharam. Tocar numa ferida dolorida não é uma tarefa fácil, e expor uma opinião tão forte é mais que um ato de coragem. Platoon (Platoon, ) é marcante por essa postura, por mostrar pra todo mundo que guerra é parte da natureza humana, e que o inimigo nem sempre está do outro lado da trincheira. Mais do que qualquer coisa, guerra é imunda, injusta, cruel e leva qualquer um à loucura.

Porque atirar em inocentes e ameaçar crianças não parece ser terror suficiente...

O diretor Oliver Stone explora a humanidade numa guerra. Os tipos diferentes de soldados, com suas histórias precedentes, suas culturas pessoais tão distintas entre eles, e como eles se posicionam perante as dificuldades enfrentadas. Racismo, classicismo, religião, ideologias. Quem acreditava que isso ficava pra trás quando se tinha um inimigo em comum viu no relato do recruta Taylor (Charlie Sheen, ótimo e surpreendendo em um papel sério) que não é bem assim que a banda toca. A única hora em que os soldados são uma coisa só é quando estão mortos. Chocante a cena no fim do filme, em que os tratores levam centenas de corpos para serem enterrados no buraco criado no chão por uma bomba aérea. Todos viram uma massa indefinida de corpos mutilados e queimados, o sangue e a lama grudados aos farrapos dos uniformes camuflados... 



Cena clássica, a morte do Sargento Elias (Dafoe): traição e briga de egos, o inimigo estava do seu lado da trincheira
O horror da guerra não é só pelo resultado final, pela quantidade de baixas. As personalidades transformadas, o estresse, as brigas de ego, as dificuldades enfrentadas, as baixas dos amigos de pelotão, a saudade de casa, a consciência de que ninguém, na verdade, gostaria de estar em guerra. Taylor, por ter tido a oportunidade de estudar em uma faculdade (uma condição mais privilegiada que os demais colegas recrutas), ainda demora um pouco mais pra perder a humanidade. Tanto que cai no choro após ter humilhado um aldeão deficiente - coisa que só fez pra extravasar o medo e a angústia que sentia - e chega a defender as meninas vietnamitas do estupro de seus colegas. Mas ao ver que o Sargento Barnes (Tom Berenger, excelente) matou o mais centrado Sargento Elias (Willem Dafoe, também excelente) por puro egocentrismo, o véu da 'união do time' caiu por completo e sua revolta (por sua escolha em ter se voluntariado, por causa da morte de Elias - que ele poderia ter evitado, por conta da guerra inútil) teve, enfim, a válvula de escape. Numa outra circunstância, ele teria pensado duas vezes antes de atirar em um homem moribundo. Mas ali era guerra, e as regras são outras. E só quem sobrevive a uma é capaz de entender o drama e a dificuldade de se manter vivo - e íntegro - no meio do caos. Um filme emocionante, duro, que mostra de forma crua a estupidez e a crueldade que é uma guerra. A mensagem é muito clara:  numa guerra, ninguém sai ganhando. 

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