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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Muito mais que apenas 'lindo e fofo'

A turminha e o Robô
Robôs, duelos medievais, uma busca por um coração pelo espaço sideral, dentões e coelhos. Não, não posso resumir A princesa e o robô (1983) assim... Deixa eu tentar de novo. Um Romeu e Julieta de coelhos do espaço, um Mágico de Oz tupiniquim. Não, também não...

Ainda não achei uma forma de classificar essa fofíssima animação da Turminha. Confesso que fiquei surpresa (e feliz) ao ver o resultado da nossa votação. Em meio a tantos títulos de HQ, colocamos nosso representante e, em tempos de filmes de super-heróis refinados, efeitos especiais mirabolantes etc., essa animação de 1983 (tem muito fã de Homem-Aranha e Batman, só pra citar os que estão em cartaz agora, que nem era nascido nessa época) foi a escolhida. Talvez pelo saudosismo, por querer saber 'de onde é que vocês tiraram esse filme?', da curiosidade de nunca ter ouvido falar. Não sabemos o que levou o público a escolher essa simpática história, mas me sinto agradecida.

A gente começa acompanhando o torneio no planeta Cenourion, onde o campeão vai se casar com a princesa Mimi. Mas Mimi já é apaixonada por um simpático guarda da Guarda do rei. Lorde Coelhão, um coelhinho pequeno, rabugento e com fome de poder, quer ganhar a qualquer custo e lança mão de qualquer artifício para poder ganhar o direito de se casar com Mimi - só para poder ser rei um dia. Eis que aparece o Coelho Negro, pedindo para participar do torneio. Mimi reconhece seu amado por causa do coração estampado em seu peito. Feito campeão após derrotar os outros competidores, inclusive Lorde Coelhão, o Robô é impedido de casar-se com sua amada. Lorde Coelhão inventa uma lei em que diz que só pode casar com a princesa aquele que tiver um coração de verdade. E, assim, ele é banido do planeta e despejado na Terra, onde os 'míseros terráqueos' não poderão fazer nada para ajudar. Coelhão wins. Será?

O malvado (e tampinha) Lorde Coelhão
Na Terra, Robozinho encontra a Turma da Mônica e mostra um vídeo contando sua história. Eles vibram, torcem, querem bater no Lorde Coelhão (isso veio da Mônica, claro)... Mas na hora de ir ajudá-lo (ir com ele até uma estrela Pulsar, que modifica todos aqueles que forem atingidos por uma centelha de sua luz), a turminha não aceita. Imagina quanto tempo eles iriam ficar de castigo quando as mães descobrissem que eles não voltaram pro jantar porque foram pro espaço ajudar o robô?! Anjinho é o único que fica com o Robozinho, e tenta convencer a turminha a ajudar. Quando consegue amolecer o coração da turminha, pedem ajuda ao Franjinha pra conseguir uma nave espacial e ir em busca da estrela Pulsar mais próxima. Lorde Coelhão fica sabendo dos planos do Robô por causa de seu espião Zolhudo (uma larva com asas diminutas e 2 olhos gigantescos muito esquisita e atrapalhada). Entre acertos, emboscadas, mentiras contadas e muita coragem, o grupo chega à tal estrela e conseguem um coração para o Robô, que volta à tempo de se casar com sua princesa - não, sem antes, um último duelo contra o malvado Lorde Coelhão.


Animação tradicionalíssima e de fácil entendimento para as crianças: não há grandes mudanças de plano, os cenários são simples e fazem focar nos personagens em cena. As lições de moral estão sempre ali, apesar de ser um longa da era 'antes do politicamente correto' (onde você veria num filme atual da Disney as crianças se recusarem a ajudar o robozinho perdido, por exemplo? Ou ver o personagem principal sacar uma pistola e apontar para a própria cabeça?). Faz também a criança ver que nem sempre o que parece, é. Um robô, sem coração, conseguia ter mais sentimentos que o vilão, que era um coelho de verdade. Maurício de Souza sempre teve uma forma muito particular de chegar nas crianças com suas histórias da Turma da Mônica. Ele fala coisas contundentes de forma simples e fáceis de assimilar por elas, simplesmente porque fala a linguagem delas. Em todas as gibis existe esse tom de 'moral da história', mas nunca é nada imposto. As crianças descobrem através da tentativa e erro, como acontece na maioria das vezes no mundo real. A princesa e o robô vem ensinar o valor do amor e do coração bondoso (o Coelho Negro nunca quis matar o vilão, apesar de todas as maldades que ele fez com ele), da boa vontade em ajudar o próximo, do trabalho em equipe. Um filme fofo e divertido, que merece ser lançado em dvd para que outras crianças possam se encantar com ele - assim como nós nos encantamos ontem e hoje. Não duvido nada de me encantar com ele de novo amanhã...

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