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sábado, 27 de outubro de 2012

Os historiadores que me perdoem...

Sim! Os supostos historiadores sérios que teriam encontrado a real origem do Rei Arthur que me perdoem, mas sua versão da história do mais famoso rei bretão é totalmente desprovido de carisma ou competência. Ah! E por falar nisso creio que não exista uma viva alma que "compre" esses fatos históricos.

- Chegamos em Nárnia? - Não é Winterfell!!
Garotos pagãos da grã bretanha são recrutados para lutar por Roma, e só serão livres após 15 anos de serviços prestados. O grupo de Arthur chegou ao seu último dia, mas recebe uma última missão, suicida é claro! Resgatar uma família romana instalada ao norte da muralha que delimita o fim do território de Roma na grã-bretanha, uma terra dominada por selvagens. Nessa jornada finalmente descobrem a verdadeira Roma, que os inimigos podem ser outros, e resolvem buscar a liberdade da terra que defenderam em nome de terceiros.

Norte, muralha, selvagens.... Depois que aceitei o fato de que John Snow não ia aparecer, deu para perceber: a grande defesa de roma contra o norte mais parece um gráfico de video-game de 16 bits, que uma construção sólida e indestrutível.

E nada explica o fato de uma família importante o suficiente para inspirar um resgate suicida (como o do Soldado Ryan), viver em terras tão perigosa e fora dos domínios de seu reino. Ou a relutância de seu dono de abandonar uma terra que é pura lama, neve e selvagens. Ok, eles são apenas um pretexto, vamos aos personagens principais da história.

Amigos, sim. Compreensivos, não!
Após 15 anos de luta os cavaleiros de Arthur (Clive Owen), são apenas sete: Lancelot (Ioan Gruffudd), Tristan (Mads Mikkelsen), Gawain (Joel Edgerton), Galahad (Hugh Dancy), Bors (Ray Winstone) e Dagonet (Ray Stevenson). Deixando bastante vazia o belo cenário da mesa redonda criado apenas para uma cena. A sequencia serve apenas pontuar as diferença entre Roma e aquela parte de seu império, e para mostrar que Arthur vê seus companheiros como iguais, embora não escute ou aceite opiniões de ninguém. Nem mesmo de seu melhor amigo, Lancelot, com quem tem uma amizade expressada inteiramente por discussões. (?!) Afinal ambos, são bravos guerreiros, que carregam o pesar de várias batalhas. Dramático!!!

Se Artur e Lancelot não dividirem uma cena de camaradagem sequer é estranho, imagine uma Guinevere (Keira Knightley) guerreira. Não, ela não é uma donzela treinada nas artes da batalha para auto-defesa. Ela é uma selvagem, que após ser resgatada pelos cavaleiros se une a eles, e executa um papel crucial na batalha final. Triângulo amoroso? Não chega nem a flerte. (E olha que asssisti à versão do diretor sem cortes).
Quero de volta meu figurino de "Piratas do Caribe"!!!

Sou simplesmente mal (e barbudo).
Merlin? Um coadjuvante sem muita importância, da mesma "tribo" de Guinevere. Temos ainda o saxão incontestável e unilateralmente malvado, vivido por Stellan Skarsgård. E claro, os outros cavaleiros, o engraçado, o mudo, o cheio de filhos, e por aí vão os estereótipos.

Das várias diferentes lendas que conhecemos sobre Arthur, o roteiro faz uso apenas de uma subversão da história de Escalibur. Seguindo um roteiro raso e previsível que funcionaria do mesmo jeito se os personagens se chamassem, João, José e Maria e o impasse se passasse em uma terra medieval imaginária em uma das luas de Júpiter.

Restariam ainda as batalhas, afinal com a verba que o nome do produtor Bruckheimer atrai seria mais que suficiente para criar duelos épicos, certo? Errado! Muita fumaça (será para não mostrar o numero pequeno de figurantes?), difícil entender o que está acontecendo, ante que a batalha se acabe. Batalha essa iniciada com um discurso de encorajamento feito para apenas 5 pessoas, que conhecem o palestrante desde sempre.  Logo, não precisam de esclarecimento dos motivos da batalha.


Salva-se aí, a visualmente bela batalha sobre o lago congelado. E um ou outro momento de inspiração da direção de arte. A pouco exibida távola é bastante bonita. Apenas isso não faz jus ao mito de Arthur e seus cavaleiros. Nem mesmo descobrimos, se a criança (membro mais importante da família que deveriam resgatar), cresceu uma pessoa melhor para Roma. Caso contrário, toda busca e mortes será realmente em vão.

 Os historiadores que defendem essa versão (se é que existem), que me perdoem. Pois eu não perdoo quem cometeu esse filme.

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