3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

sábado, 3 de novembro de 2012

Misticismo, enfim

Finalmente uma versão da história do rei Arthur como eu estava acostumada a ouvir: cheia de mistério e magia. Confesso que gosto de um clima fantasioso, fantástico nas histórias mais clássicas e ver que elas são retratadas de uma maneira mais mística se elas nasceram dessa forma. E aqui, em As brumas de Avalon (The mists of Avalon, 2001), temos o que faltava nas outras versões que assistimos durante o mês Rei Arthur aqui no blog. Morgana finalmente ganha a importância que eu me lembrava na história; mais do que isso, ela narra toda a trajetória de Arthur, desde antes mesmo de seu nascimento. Arthur não é só um bom rei ou um rei corno. Tem toda uma explicação para sua atitude (ou falta dela). Na verdade, aqui ele não é o protagonista. Mas é nesse filme, dentre todos os que vimos aqui no blog, em que o mito foi melhor explicado e representado.

Trio parada dura: Lancelot, Arthur e Guinevere, bem defendidos pelo trio de atores
Morgana (Julianna Margulies, que eu sempre vou lembrar como a doutora do Plantão Médico) conta toda a história do nascimento de Arthur, seu meio irmão e futuro rei da Grã-Bretanha. Filha do rei Gorlois (Clive Russel) e Igraine (Caroline Goodal), que nasceu em Avalon, morava no castelo de seu pai juntamente com a tia, irmã mais nova de Igraine, Morgause (Joan Allen, maleficamente perfeita em sua interpretação). Um dia elas recebem uma visita que mudará para sempre suas vidas e o destino do país: a irmã mais velha, Vivienne (Angelica Houston, a eterna Mortícia Adams), a Grande Sacerdotisa de Avalon, Senhora do Lago, e Merlin (Michael Byrne) chegam com uma grande notícia para Igraine: ela dará à luz o futuro grande rei, àquele que trará a paz e acabará com a ameaça saxã. Este filho, porém, não será filho de seu marido, um rei cristão, mas sim de um homem que professa a fé pela Deusa. Indignada, fiel ao seu esposo, Igraine reluta em aceitar. Porém, quando seu marido é convocado à presença do grande rei, Igraine conhece Uther Pendragon (Mark Lewis Jones) e imediatamente se apaixona por ele. Não por ter reconhecido o símbolo que Merlin havia dito que o pai de seu futuro filho teria, mas por haver algo mágico entre eles - e Uther não foi nem um pouco sutil ao revelar seu interesse por Igraine. Nomeado pelo grande rei como seu sucessor, Uther convoca Gorlois para lutar por ele. Enciumado, Gorlois planeja um ataque surpresa para matar Uther. Avisado por Igraine através da mágica aparição em sua barraca, Uther mata Gorlois e vai para seu castelo tomar Igraine por esposa. Morgana havia previsto a morte do pai, e sua tia Morgause nem ficou tão abalada pela morte do cunhado ou pela dor da irmã pois conhecera um rei que a tornaria sua rainha.

Quase chorei com essa fofura chorando...
Uther e Igraine se casam e tem um herdeiro, e Morgana se apaixona pelo irmãozinho. Um pouco maiores, Arthur (Freddie Higmore, vocês não imaginam o escândalo que eu fiz quando vi que o pequeno Arthur era o menininho fofo de Em busca da Terra do Nunca!) e Morgana tornam-se inseparáveis. Camelot vive seus dias de glória,e há paz em todo o reino. Então, Vivienne reaparece para levar os pequenos para Avalon, afim de que sejam educados na fé na Deusa. Apesar dos protestos da irmã, os irmãos são levados para a mística ilha - porém tomam tutores e destinos diferentes. Merlin leva Arthur para o sul, e Morgana seguiu com Vivienne para o norte. Treinada para ser a nova Senhora do Lago, depois de muitos anos, conhece seu primo Lancelot (Michael Vartan, um Lancelot bem digno) quando ele vai visitar à mãe. De imediato sente alguma coisa a mais pelo primo. Mas quando eles estão a sós no círculo sagrado, Lancelot vê uma procissão cristã e uma bela moça através da neblina. Pede à prima que a desfaça e então conhece Guinevere (Samantha Mathis). Com ciúmes do amor que viu nascer diante de seus olhos, Morgana refaz a neblina e Lancelot se despede de Avalon para lutar pela Grã-Bretanha. Quando chega a época do ritual da fertilidade, Morgana é oferecida a um guerreiro campeão. Sem saberem seus nomes ou rostos, tem uma única noite juntos. Eles não sabiam, mas Vivienne e Merlin haviam planejado para que Morgana e Arthur tivessem um herdeiro para ser o legítimo grande rei devoto da Deusa. Arthur retorna para Camelot em tempo de ver seu pai morrer, e Igraine refugia-se num convento.

Morgause toma Mordred de Morgana e o cria como filho por puro interesse
As peças vão se movendo: Arthur e Lancelot tornam-se grandes amigos, Guinevere chega para casar-se com o grande rei e rola aquele climão.  Morgana também tem seu momento climão com Arthur, quando ele confessa à irmã que é apaixonado pela bela donzela que viu somente uma vez, durante o ritual de fertilidade.  É aqui que ela descobre a trama de Vivienne e  fica revoltada ao descobrir-se grávida. Morgana corta relações com Vivienne e busca auxílio na tia Morgause. Seu filho nasce lá, e quase é morto por Morgause - ela só decide salvá-lo quando Morgana, em delírio, conta que ele é filho de Arthur. Então ela resolve criar o menino para que, no futuro, possa usá-lo como arma contra o rei. Enquanto isso, Morgause, a invejosa, usa de seus conhecimentos mágicos para amaldiçoar Guinevere, e ela se torna infértil. Louca para dar um herdeiro para o rei, ela se agarra a qualquer crença que prometa fazê-la engravidar. Até pede a Morgana para que a ajude, mesmo sendo ela devotadamente cristã e receosa dos rituais pagãos. Na noite da fertilidade, Morgana dá a Guinevere um amuleto e quando a noite chega, o inesperado acontece. Arthur, completamente bêbado, pede para Lancelot fazer um filho em Guinevere por ele. E para que ela não se sinta mal, ele estaria lá com eles. Depois de algum tempo, Guinevere não engravida e começa a se punir por seu pecado (amar Lancelot e Arthur, e por ter aceitado ir para a cama com os dois), e culpa Morgana e seu feitiço por isso. Como forma de vingança, resolve indicá-la para se casar com um rei aliado de Arthur. O que ninguém sabia era que Morgana estava envolvida com o filho dele. Para não desapontar o irmão, Morgana aceita o casamento. Os anos se passam, e Mordred (Hans Matheson) descobre que é filho de Arthur e resolve que deveria assumir o trono.

Mordred, ambicioso e sem coração. Também, foi criado por uma víbora...
Mordred arma para que Guinevere e Lancelot sejam pegos em flagrante para que caiam na desgraça do rei e do reino. Pura vingança, já que ela quis que Arthur não o reconhecesse como herdeiro quando ouviu Mordred contando ao pai a história toda. Lancelot consegue fugir com Guinevere, e Arthur cai em desgraça pois não consegue ser justo quando se trata de seu grande amor e seu melhor amigo. Mordred assume o controle de Camelot. Vivienne em Avalon sente o que está acontecendo, e teme pelo fim de Avalon. Não era esse o rei que ela tinha em mente, não era esse o salvador que ela havia planejado. Unindo-se a Morgana, voltam a Camelot para aliarem-se a Arthur, mas Mordred e Morgause se interpõem no caminho. Após uma discussão, Morgause tenta matar Vivienne, mas ela se defende e acaba por matar a irmã mais nova. Mordred não pensa duas vezes: mata Vivienne e foge. Morgana aconselha Arthur a lutar uma última vez, para salvar sua honra. No combate final, Mordred está do lado inimigo, e mesmo com um última esforço, Morgana não consegue evitar que seu filho mate o próprio pai. Morgana ainda tenta voltar com Arthur para Avalon, mas a ilha se recusa a receber seus filhos. Então Morgana faz a única coisa que podia fazer: se deixa perder nas brumas de Avalon. O barco onde estava segue até o convento onde Igraine havia se refugiado. Guinevere também estava lá, deixada por Lancelot quando fugiram dos cavaleiros que buscavam vingança à honra do rei. Lá, Morgana encontrou paz pelo resto da vida, principalmente por ver que a Deusa não havia morrido, apenas adotado um novo manto e um novo espaço dentro do cristianismo.

Morgana sustenta o filme, do início ao fim
O filme é uma adaptação do romance de Marion Zimmer Bradley e foi originalmente criado para ser uma série de tv. Quem leu os livros (infelizmente ainda não sou um deles) diz que o filme é uma afronta à história contada pela autora, que não tem muito a ver. Como não li ainda, não posso fazer essa comparação. Mas digo que achei o filme, no mínimo, interessante. Conta a história da forma mística a que já estamos acostumados a ouvir e, como um relato desse misticismo, funciona muito bem. Tem um quê de dramalhão mexicano? Sim. Mas a história de Arthur, com ou sem magia envolvida, é uma história muito triste. Ainda mais contada pela visão da irmã. Muita coisa foi mudada da história original do livro? Pode ser, mas foi tudo muito bem explicado. Tudo foi bem retratado, e o roteiro não ficou com pontas soltas. Julianna Margulies está ótima como Morgana, e apesar de algumas atuações burocráticas, todo o elenco esteve bem. Destaque para Joan Allen, que fez uma Morgause odiosa como qualquer grande vilã pode (e deve) ser, e Michael Vartan, bonito e amargurado na medida certa para ser Lancelot. Talvez depois que eu leia os livros eu partilhe o sentimento de revolta dos fãs para com este filme. Mas, no momento, digo que gostei da produção. Não que seja memorável, mas foi honesta no que se propôs.

0 comentários: