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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

12 macacos por JG

*Análise do cinéfilo convidado JG. Quer ver seu texto aqui também? Mande por e-mail, ou entre em contato via Facebook.

Falar dos 12 macacos é como entrar na mente humana e fazer chacoalhar nossos pensamentos sobre realidade e compromisso social.
Sempre que vemos um filme apocalíptico temos alguns pontos que são sempre abordados. Mas a maioria dos filmes aborda o apocalipse como um ato que já aconteceu e que um bando de sobreviventes luta para sobreviver. E na maioria também, morrem todos ou quase todos. Rsrs

Além da sanguinolenta matança descompromissada dos filmes, temos algumas mensagens para o mundo real a fim de que sejamos mais bonzinhos e evitemos que um “T-Virus” exploda a repimboca da parafuseta e mate todo mundo.

Ok! E o que isso tem haver com os 12 macacos? BADA BIM BADA BUM BADA... NADA! (Beackman!) TG (Terry Gilliam) explora o filme de uma forma fofa! Troque o “F” por um “D” hehehe...

Vamos por partes!

1 – Ele não explora o apocalipse em si. A maioria morreu e os que sobreviveram foram para “ZION” viver no subsolo... (Parece Matrix né?!). Lá nos esgotos eles estudam vários jeitos de resolver o pepino. Como fazem isso?! Voltando no tempo oras! Simples! (Pow! Em 2035 já rola um back to the future!)

O interessante neste fato, é que fica muito complicado você falar de apocalipse, SEM APOCALIPSE. Não rola um zumbi, um cadáver, nada! O filme só joga pra gente a idéia. Morreu todo mundo e agora temos que ir ao passado e tentar fazer um mundo melhor!

Aliás, essa é a grande mensagem do filme. Desde os olhos do pequeno Cole vendo sua própria morte até a trilha sonora, simples e tão enigmática quanto o filme: Precisamos olhar para trás e mudarmos o presente para evitarmos um apocalipse. Gilliam enche a tela de “Easter Eggs” que nos remontam essa idéia. Ele explora em vários aspectos (sociais, morais, musicais e visuais) que devemos olhar realmente pro passado e vermos a influência disso no mundo que estamos vivendo.

Vou falar do Easter Egg mais na frente. Vamos ao ponto 2.

2 – A construção do James Cole. Considerado pelos cientistas como um grande observador, ele é construído por esta temática realmente. Desde os primeiros segundos do filme em que o pequeno Cole entra em cena com um olhar perplexo por ver a si mesmo morrendo (acredito que ele realmente soubesse de quem se tratava) até cada POV (Point Of View) que o Gilliam faz do Cole, observando placas, pessoas, notícias de jornais e frases ouvidas. Cole é sempre visto com um olhar triste, longe, muitas vezes chorando. Mas não é um depressivo, é um desesperado por respostas para salvar pessoas.

O tempo corre rápido. Talvez por isso tenhamos o primeiro Easter Egg (O Símbolo dos 12 macacos) 1 macaco para marcação de um relógio. E um relógio marcando 3 horas em sua logo. Porque 3 horas? Ainda não consegui descobrir (mesmo depois de ver quase 30 vezes).

3 – Jeffrey Goines – O sábio lunático. Vou começar a falar do brilhante personagem estrelado por Brad Pitt com uma pergunta: QUAL A CREDIBILIDADE DE UM LUNÁTICO? Sim! Vamos a uma pincelada de socialismo. O que é um ser com distúrbio mental? Que credibilidade ele tem? David e Janet Peoples usam deste estereótipo para falar grandes verdades. No primeiro de um dos vários discursos protagonizados por Jeffrey, em que ele apresenta a ala psiquiátrica ele mostra a televisão e lança a frase: “Tem televisão! Está tudo ali. Veja, ouça, ajoelhe e reze.” E ele inicia um discurso onde se você não se submete ao mundo capitalista, ao consumo de tudo que vê, estará internado, pois, não faz parte da sociedade. Loucura? Creio que não. Brad Pitt como sempre rouba a cena e faz você ficar com cacoetes ao longo do filme. Perfeito. Daria um bom coringa talvez! O.O (BLASFÊMIA!)

Eu não poderia encerrar aqui minha abordagem sobre a construção dos personagens, mas preciso. E preciso também pular algumas nuances sociais do filme, confesso que se as blogueiras me derem oportunidade talvez um dia eu fale mais sobre o impacto social que o filme quer trazer subliminarmente. Paro por aqui esta parte. E vamos para outra tão interessante quanto.

EASTER EGGS! YES!
Confesso que quando pego um filme complexo pela frente revejo várias vezes para entrar na mente do escritor, roteirista e do diretor. Com os 12 macacos não foi diferente. Cada momento que vejo este filme descubro coisas interessantes. Mas Gilliam deixa vários rastros do que eu abordei até aqui sobre o cunho social e a crítica às mudanças que precisam ser feitas no presente para preservarmos a espécie humana. Vou trazer 4 Easter Eggs e deixar para vocês acharem mais...

1 – Relógio dos 12 macacos – O Filme é todo movido na questão temporal estão em 2035 e voltam pro passado, pro futuro, e ficam nessa paranóia o filme todo. Então o pessoalzinho do mundo subliminar do filme resolve colocar este relógio na logo deles. A única coisa intrigante é porque o relógio marca as 3 horas?
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2 – Músicas – O filme não tem uma trilha muito sofisticada, mas se a gente parar e analisar as músicas ouvidas por Cole e Railly, ganhamos mais uma idéia do que se quer passar com o filme. O tema dos 12 macacos é extremamente marcante (e até macabro às vezes), mas ele vem num ritmo, numa espécie de circo dos horrores. Talvez inspirado pelo hospício onde a idéia do exército surge. Mas a outras músicas são bem mais diretas nas suas mensagens. Analisem comigo pessoas.

Algumas músicas:
What a wonderful world – Louis Armstrong (Preciso comentar?)
SleepWalk – B.J. Cole (Cole… interessante) Sonâmbulo
Vertigo Theme – do filme Vertigo de Hitchcock
The Earth Died Screaming

O filme sempre nos remete ao que seria o mundo se ele fosse diferente e o que ele se tornou por deixarmos de sonhar.

3 – Mais relógios. Agora na bancada dos cientistas, vários relógios podem ser vistos. O vício pelo tempo... e a perda de tempo que ocasionou o apocalipse.

4 – 1ª Guerra mundial? Ué... Porque?! Porque trazer esse tema? Uma cena de 1 minuto no meio do filme. Uma crítica sutil sobre a insanidade humana, criada por lúcidos governantes. Mostrando que os problemas são bem antigos. E as soluções humanas são na sua maioria irracionais.

Todos nós temos nossos momentos irracionais, todos os nossos momentos irracionais geram conseqüências que nos prejudicam, seja no presente ou num futuro que nem imaginamos.

O filme nos alerta para isso. Nos leva para o passado, para vermos o presente e imaginarmos o futuro. E critica bem de perto a sociedade como a culpada pelo seu próprio extermínio.

12 macacos. Ele nos mostra o quão somos mais irracionais que os próprios macacos.

JG

4 comentários:

Alysson Mello disse...

quero ver depois dessa resenha fiquei muito interessado em assistir.

Fabiane Bastos disse...

Assista sim. Nosso cinéfilo convidado defende muito bem o longa, não acha?

Até!

Robson Souza disse...

Deixa eu "viajar" um pouco nas ideias aqui no futuro.... easter eggs: na cena em que ela o pergunta se ele os matou, ele faz aquela famosa referência "(só) vejo gente morta", conseguiu ligar?
E a parte dos doze macacos colocando o plano em prática, onde o restante do "clube" demonstra sua admiração pelo personagem do Brad Pitt, uma ligação perfeita ao "Clube da Luta" (creio que usam uma fala do filme ali).
3 horas na logo.... filme com cunho pós apocalíptico, com pessoas pregando o livro das revelações bíblicas, alertando sobre se arrependerem e se converterem dos seus atos pecaminosos, o 3 só pode ser uma referência direta a Trindade Santa, Pai, filho e Espírito Santo.

Robson Souza disse...

Ahhh.... 12 discípulos de Jesus será que acrescenta mais alguma coisa? Ou só me faz "viajar" demais por hj? rsrs Curti muito o filme, tem muita informação bacana pra refletir... abraço!