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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Um pouco mais de Heath Ledger

Heath Andrew Ledger foi um ator excepcional. Morreu jovem e tragicamente, quando estava no auge do sucesso e do reconhecimento pelo seu talento, deixando milhares de fãs ao redor do mundo um pouco órfãos. Australiano, filho de uma professora francesa e um piloto de corridas escocês, seu nome foi inspirado no personagem Heathcliff de O morro dos ventos uivantes, de Emily Bronte. Sua irmã mais velha também foi batizada conforme inspiração no livro favorito da mãe deles, e se chama Katherine, formando o casal principal do romance. Ainda adolescente (nascido em 1979), o ator se mudou em 1998 para os Estados Unidos em busca de oportunidades na carreira artística (desde 1992, trabalhava para produções na tv australiana) e seu papel de Patrick Verona em 10 coisas que eu odeio em você (10 things I hate about you, 1999) foi o primeiro sucesso de uma carreira meteórica em Hollywood.

A adaptação da peça shakespeariana rendeu frutos para os protagonistas, e Ledger recebeu um convite para participar da megaprodução O patriota (The patriot, 2000), em que fazia o filho de Mel Gibson. Heath era conhecido por seu talento e entrega aos personagens, e ele alternava as escolhas de seus personagens atuando em blockbusters e filmes mais conceituais. 2005 foi um ano importante para Heath: quatro filmes em cartaz, um fracasso de crítica e público, uma indicação ao Oscar, um casamento e uma filha o aguardavam naquele ano. Casanova (Casanova, 2005) é considerado seu pior desempenho, tanto em bilheteria quanto em reconhecimento dos críticos. Mas um de seus papéis mais marcantes veio no mesmo ano: causou rebuliço interpretando o caubói gay de O segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain, 2005), do diretor Ang Lee, veio a primeira indicação ao Oscar de melhor ator - mas, curiosamente, o único prêmio obtido com esse papel foi o de Melhor Beijo no MTV Movie Awards. Nos sets ele conheceu um de seus melhores amigos, o ator Jake Gyllenhall (que interpretou seu par romântico no filme) e sua futura esposa, a atriz Michelle Williams. Do relacionamento, nasceu a menina Matilda Rose, em outubro daquele ano.

Em 2008, seu maior sucesso de crítica e público: sua interpretação do maior vilão dos quadrinhos, o Coringa de Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008) é algo atemporal e unânime. Não há quem encontre defeitos na caracterização do personagem: sombrio, sarcástico, caótico, sádico. Absolutamente perfeito. Sua obra-prima. Infelizmente, Heath não teve tempo de colher os frutos de sua melhor atuação - em 2008, quando Cavaleiro das Trevas ainda estava em pós-produção e enquanto ainda estava trabalhando nas filmagens de O mundo imaginário do Dr. Parnassus (The imaginarium of Doctor Parnassus, 2009), aos 28 anos, Heath foi encontrado morto em seu apartamento no SoHo, em Nova Iorque. Houve muito burburinho por conta das circunstâncias de sua morte: Ledger havia se divorciado de Michelle Williams um ano antes e muito se especulou sobre sua depressão e um possível suicídio/overdose de drogas; mas a polícia forense anunciou como causa mortis intoxicação acidental de remédios prescritos (um coquetel de drogas legais, em geral antidepressivos, que ele misturou sem saber dos possíveis resultados). Ninguém esperava que um jovem tão talentoso e no auge do sucesso poderia ter um fim tão trágico. Cavaleiro das Trevas foi lançado e houve mudanças na estratégia de marketing (que focava bastante no vilão Coringa) como uma forma de proteger e respeitar os familiares de Ledger por sua perda. Mesmo assim, muita gente foi aos cinemas só pra ver a última atuação dele (os produtores de Dr. Parnassus decidiram utilizar um recurso inusitado para que a participação de Ledger pudesse ser mantida: chamaram os atores Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel para interpretar o mesmo personagem e dar continuação na história do homem que passa entre mundos através de um espelho - o que justificaria a mudança completa do físico). 

A interpretação do Coringa rendeu a Ledger os prêmios póstumos de Melhor Ator Coadjuvante: Bafta, Globo de Ouro, SAG e o Oscar, além de Melhor Vilão no MTV Movie Awards. Ele, que havia sido indicado várias vezes a prêmios de melhor ator e ator coadjuvante, mas não havia sido premiado nenhuma vez, e quando realizou o papel de sua vida, infelizmente já não estava mais por estas bandas para receber a devida homenagem. Seu sonho de ser diretor também foi interrompido: com dois videoclipes e um curta como experiência, ele se preparava para rodar seu primeiro longa. A se pensar em seu talento e dedicação na preparação de seus personagens, era de se esperar que ele seria um bom diretor. Nos resta admirar e rever sempre seus filmes, rindo e nos emocionando com o talento deste talentoso e saudoso ator.

2 comentários:

renatocinema disse...

Uma perda sentida, a meu ver, até hoje.

Batman teria um Coringa mágico em seu encerramento se não tivéssemos perdido esse grande ator.

abs

Geisy Almeida disse...

Concordo, Renato.

O Coringa realmente foi a obra-prima dele. Vai fazer muita falta para os próximos filmes do herói e Ledger vai fazer muita falta pra gente.

Abraços, obrigada pela visita! =D