3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

sábado, 10 de agosto de 2013

Psicopatia infantil

Na década de 1950, pouco se sabia sobre o Transtorno de Personalidade Dissocial. Acreditava-se que psicopatas e sociopatas era em grande maioria resultado do meio em que vivem. Pessoas de classe média, de boa família não teriam esse tipo de personalidade. Pensamento preconceituoso? Muito. Mas nem de longe este é o ponto mais alarmante do universo de Tara Maldita.

Se é difícil imaginar que um adulto "bem nascido" possa ter uma psicopatia, imagina desconfiar da pequena Rhoda (Patty McCormack). Uma garotinha de 8 anos, com gosto para vestidos fofos, educação de princesa e angelicais trancinhas loiras. É preciso muito tempo e vários incidentes estranhos para que a mãe Christine (Nancy Kelly) perceba que há algo de errado com sua amada filha.

A partir daqui, acompanhamos o dilema de uma mãe que sozinha tenta descobrir se está exagerando ou se sua filha realmente não é o anjinho que aparenta. E se sim, o que fazer com a pestinha?

É claro, era 1956, e crianças malvadas eram literalmente uma novidade. Logo, não vemos realmente Rhoda praticando as maldades. Mas insinuações são claras, e a habilidade de dissimular de McComarck é suficiente para desconfiarmos da perfeição em forma de menina assim que a vemos.

Patty é uma graça, mas é Nancy Kelly quem carrega o longa. Sua inicial descrença e posterior desespero dão o tom do suspense. Intenso e imprevisível o ritmo pode parecer lento para a geração pós MTV, mas não é cansativo graças ao elenco e a uniformidade com que as informações e acontecimentos são revelados.

O elenco é excelente. E a trilha sonora com a "assustadora" canção infantil francesa criou regra para trilhas sonoras de filmes de terror com crianças que se mantém até hoje.  O único grande porém é o final. Apesar de surpreendente ao ponto de trazer uma cartela nos créditos pedindo que os expectadores mantenham o segredo e não estragem a surpresa para quem ainda não viu, é perceptível a adição de duas cenas para amenizar o choque.  Nada que desvalorize o longa.

Com roteiro e elenco herdados do teatros, o longa ainda traz uma elegante apresentação do elenco ao fim do filme. Os atores são apresentados como no palco, com direito a reverências, esperando apenas nossos muito merecidos aplausos.

0 comentários: