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domingo, 13 de outubro de 2013

Festa estranha, com gente esquisita

Phillip (Granger) e Brandon (Dall): dois assassinos que resolvem dar uma festinha pós-crime

Festim diabólico (Rope, 1948) foi um tanto decepcionante para mim. Nem mesmo meu querido James Stewart no elenco conseguiu me prender à estória contada pelo mestre do suspense. Pensar em um assassinato a sangue frio por pura vaidade é algo bastante macabro, e Hitchcock o relata com extrema elegância em sua obra - mas talvez eu ainda estivesse impressionada com o dinamismo e a sequência de fatos ocorridos em Psicose (que vimos também para o blog, você pode conferir minha análise clicando aqui). Mas deixa eu contar pra vocês o que acontece na tela.

O filme começa mostrando o brutal assassinato de um homem, enforcado dentro de um apartamento (em plena luz do dia) por outros dois homens elegantemente vestidos. Aos poucos, descobre-se que a vítima era David Kentley (Dick Hogan), amigo dos dois rapazes que o enforcaram. Estes são Brandon Shaw (John Dall, excelente) e Philip Morgan (Farley Granger), que o assassinaram por pura vaidade. Baseado na estranha lógica de um ex-diretor de seu antigo colégio - uma teoria envolvendo seres humanos superiores e inferiores, estes podendo ser descartados pelos primeiros - Brandon levou a cabo o assassinato do amigo pura e simplesmente porque podia. Ele queria cometer o crime perfeito, e convenceu o medroso amigo Philip a participar do projeto - que incluía uma macabra celebração da morte do amigo com um jantar no dia e local do crime.

Depois de matarem David, Brandon e Philip escondem o corpo em cima de um baú na sala de estar, planejando se livrar dele no dia seguinte. Brandon havia marcado o jantar especialmente para "sambar na cara da sociedade"; já que ele tinha planejado o crime perfeito, queria celebrar sua genialidade acreditando que ninguém desconfiaria. A psicopatia de Brandon era tamanha que ele a lista de convidados para o jantar incluía sua ex-namorada e atual noiva de David, Janet Walker (Joan Chandler); um outro amigo e também ex-namorado de Janet, Kenneth Lawrence (Douglas Dick) - e ainda quis servir de "Santo Antônio" para eles; os pais de David, e somente o pai, o senhor Kentley (Cedric Hardwick), compareceu; e o mentor involuntário da sua macabra ideia, Rupert Cadell (James Stewart, excelente como sempre). 

Quem poderia desconfiar que David estava "presente" no local?

Cadell, aliás, fora chamado porque, para Brandon, ele iria apreciar sua atitude. Uma massagem no ego, eu diria. Brandon acreditava que ele seria o único a compreender a beleza (?!) de seu crime, e também tornaria mais interessante o jantar já que havia a possibilidade dele perceber o que estava acontecendo muito antes dos outros sequer desconfiarem. Ora, que seria do crime prefeito se não houvesse algum risco para sua perfeita conclusão? Philip estava nervoso demais, preocupado com as consequências e imediatamente arrependido de ter feito o que fez. Brandon estava radiante de confiança.

O filme transcorre nesse ambiente, a casa de Brandon como cenário, o baú com o corpo de David servindo de aparador para o jantar e o grupo de amigos do falecido banqueteando enquanto Brandon espera a oportunidade de contar a Cadell o que ele acabara de fazer. Cadell percebe que há algo errado naquela ocasião, principalmente por causa do sumiço de David - o jovem nunca se atrasava, e agora tinha desaparecido sem dar satisfações a ninguém. Depois de várias insinuações estranhas e da indisposição do senhor Kentley em permanecer no local enquanto sua esposa estava passando mal com a preocupação pelo desaparecimento do filho, Brandon considerou seu plano concluído. Sua obra-prima estava realizada. O que ele não contava era com a desaprovação de Cadell, que se mostrou horrorizado quando descobriu o que acontecera naquela sala durante o dia.

Quem sabe o delegado vá apreciar a sua obra-prima, rapazes?

Para mim, Festim diabólico foi uma experiência interessante. Não é que o filme seja ruim ou que seja desinteressante, apenas achei maçante o fato de só haver um único cenário e os longos planos sequência com diálogos recheados de informação. Obviamente esses dois fatores foram os fatos que tornaram esse filme célebre, e a genialidade do diretor não pode ser posta em dúvida por isso. Talvez eu estivesse esperando mais ação do filme, e a forma como foi montado (incrivelmente bem editado, dando a impressão que não há cortes no filme todo, como se estivéssemos mesmo no local, acompanhando todo o desenrolar da trama) nos põe impotentes na resolução do caso. Se em outros filmes do diretor a gente fica com o coração na mão pela expectativa do fim, de "quando é que vão perceber isso?", nesse filme apenas temos que esperar que Cadell ligue os pontos e resolva a questão. Senti falta de um elemento surpresa, ou algo que agitasse a trama. Talvez se eu tivesse visto o filme em outro dia, quando a adrenalina estivesse mais em alta, a experiência fosse diferente, mas, por hoje, fico com essa opinião.

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