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domingo, 22 de junho de 2014

Nem sempre é uma caixinha de surpresas

Assim como o futebol, o cinema pode ser uma caixinha de surpresas. Entretanto em ambas as artes há momentos em que nada surpreende, este é o caso de Um Time Show de Bola. Uma pena, já que mesmo quando nosso time perde as surpresas costumam ser muito mais satisfatórias.

Amadeo não era um dos garotos mais memoráveis da vizinhança, mas teve seu momento de glória ao derrotar o valentão Ezequiel, em sua mesa de totó (pebolim). Ezequiel por outro lado nunca superou a derrota, e anos mais tarde retorna para se vingar não apenas de Amadeo, mas de toda a cidade. O agora maior astro de futebol do mundo quer transformar toda a cidadezinha em uma espécie de complexo exportivo/parque temático, cujo tema, é claro, é sei futebol.

Narrado por uma criança, não é difícil adivinhar que o narrador é o próprio protagonista. Difícil é entender como o menino não percebeu que os principais personagens da história para dormir tem o nome de seus pais. Talvez por que, como seus progenitores, não é um personagem bem desenvolvido.

Amadeo é aficionado por totó, e por Laura, mas não tem coragem de se declarar para garota, ou muito menos descobrir outra coisa em que seja bom. E não fosse a falta total de alternativa, diante da ameaça de Ezequiel, continuaria assim por anos. Laura, única personagem feminina da trama, bem que ensaia ser uma mulher forte, mas fracassa antes mesmo de começar e se torça a tradicional mocinha a ser resgatada/conquistada. Já Ezequiel é o vilão egocêntrico e cego pela própria vaidade.

O time de ferro que magicamente ganha vida, e seria o diferencial do longa, são por sua vez um bando de caricaturas e referências a estereótipos e jogadores famosos. São divertidos, mas na realidade não acrescentam nada ao longa. A pausa para seu resgate no lixão, na verdade apenas adia o confronto principal, inserindo aventuras episódicas que não pretendem chegar a lugar algum.

Mas nem tudo é sem graça em um jogo sem surpresas. O espero visual é o destaque deste longa, desde os bonecos de latão desgastados após de décadas de partidas épicas, até o impossível estádio da partida final, construido com a cidade em meio às arquibancadas. Só questiono mesmo, a escolha das cores dos times. Preto para os vilões, é obvio, mas funciona. Já o verde grama do time de mocinhos se confunde com o gramado nas belas tomadas aéreas. Mas, quem sou eu para questionar, quando os próprios argentinos decidem que os bons usam verde e amarelo?

Com um diretor renomado no comando, Juan José Campanella (O Segredo dos Seus Olhos), o longa futebolistico tem boa intenção e animação impecáveis. Mas não decide que história quer contar, não desenvolve bem os personagens humanos, e não dá a devida importância aos mágicos bonecos de totó, que ora parecem se importar com Amadeu, ora tem seus próprios conflitos, ou ainda servem apenas de alivio cômico. E na maioria dos casos abusando das referências, desde as mais óbvias como 2001 - Uma Odisséia no Espaço (1968), até as acidentais ue vão surgir na mente de um ou outro expectador. Ou foi apenas eu que lembrei de Querida Encolhi as Crianças, quando o pequeno time faz sua performance no "campo para humanos"?

Uma pena! Pois sabemos que aventuras nostálgicas com brinquedos dão certo, e diferente de Andy, Amadeo teve a incrível chance de realmente ver seus brinquedos tomarem vida. Um Time Show de Bola, podia ser a versão latina, para amantes de futebol, de Toy Story. Mas, surpresa!!! Não é.

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