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domingo, 3 de agosto de 2014

Podia ser muito melhor


Acho que Barnabás (Depp) concorda...
Acho que Tim Burton está sofrendo de um mal chamado "expectativa exagerada dos fãs". Explico. Não faz tanto tempo que Sombras da noite (Dark Shadows, 2012) foi lançado, e me lembro com clareza da expectativa de alguns fãs quanto a esse filme. Era muito comum ouvir (ler) comentários do tipo "agora sim vamos ver um bom filme de vampiro!", "Depp como vampiro vai ser demais!", "clima sombrio do Burton e filme de vampiro, até que enfim!". O que a maioria não esperava era uma comédia - que é o que realmente o filme é. O longa foi baseado em uma série cômica dos anos 1970, então porquê não aceitar o fato de ser uma comédia de vampiro? Muita, mas muita gente mesmo, sequer deu chance pro filme. Ok, nem tudo é só mimimi de fã revoltz. O filme não é lá um primor - até porque, a meu ver, foi muito tímido ao explorar a comédia em si. Burton trabalhou bastante a comicidade sutil e fiou-se no carisma de Depp para dar vida à excentricidade de Barnabás Collins, o tal vampiro do filme. Uma pena.

Angie (Green): nunca compre briga com uma bruxa
Barnabás Collins (Depp) é um menino inglês que viaja com os pais para colonizar a distante América ainda no século 18. Lá a família prospera e eles chegam a construir uma cidade para si, Collinsport, e um castelo magnífico para chamar de lar - Collinwood. Quando já estava um rapaz, Barnabás acaba se envolvendo com Angelique (Eva Green, estranhamente linda e péssima atriz), uma criada. O que ele não imaginava era que ela ficaria obcecada por ele e que, por vingança de ter seu coração partido pela indiferença de Barnabás, ela iria lançar uma maldição sobre ele e sua família. Afinal, de todas as criadas do castelo, ele tinha que ter arrumado briga com uma bruxa, não é? Pois bem. Angelique matou os pais de Barnabás e fez a jovem Josette (Bella Heathcote, quase inexpressiva), por quem ele era apaixonado, suicidar-se. Quando ele tenta dar cabo da própria vida, ela o transforma  em vampiro para que sofra pela eternidade. Como se não bastasse, ela ainda joga a cidade inteira contra ele e o condena a ser enterrado em um caixão, e ainda rogou praga para a família - que todos morreriam até não sobraria nenhum Collins para contar a história. Isso é que se pode chamar de rancor!

Parece que todo mundo esperava mais, até os próprios Collins
Quase 200 anos depois, Barnabás é desenterrado por acidente e retorna a Collinwood em um momento delicado. Há apenas quatro herdeiros restantes: Elizabeth (Michelle Pfeifer, ótima), sua filha Carolyn (Chloë Grace Moretz, para sempre a HitGirl), o irmão de Elizabeth, Roger (Johnny Lee Miller), e o jovem David (Gulliver McGrath, um mini clone de Jack Black). David é assombrado pelo espírito da mãe, que morreu de forma estranha em um acidente náutico, e ninguém dá muita bola para o garoto em casa. Contratam uma psiquiatra na tentativa de ajudar o garoto, a doutora Julia Hoffman (Helena Bonham Carter, em participação pequena), que nos últimos 3 anos não fez muita coisa além de morar com os Collins e embriagar-se. Uma governanta, a jovem Victoria Winters - que é, na verdade Maggie Evans - foi contratada para cuidar do garoto, mas ela também esconde alguma coisa em seu passado. Além deles, os outros habitantes da casa são dois criados: um faz-tudo muito esquisito e uma senhora com os dois pés na cova. Retornando ao lar, Barnabás tenta reestruturar a família e a empresa, que fora engolida pela concorrência - uma tal de Angie havia transformado Collinsport em Angel Bay e dominado a indústria de pesca. Sim, Angie é a bruxa Angelique. Barnabás e Angie vão disputar o domínio pela região enquanto ele tenta seguir o lema dos Collins: família em primeiro lugar.

Desperdício de boas piadas
Acontece que Barnabás se apaixona por Victoria, já que ela é a cara de sua amada Josette; Angie torna-se cada vez mais ardilosa em sua vingança e... Não acontece muito mais coisa empolgante. Tem lá a festa com Alice Cooper (em pessoa) e a descoberta da lobisomen-menina na família, mas falta alguma coisa mais. A personagem de Bonham Carter é dispensável, e quase não há o tal "sombrio Tim Burton", então eu esperava mais do humor sagaz. Piadinhas como a do Mefistófeles e sobre a estranha figura do astro do rock, a caracterização esquisita da bruxa de Green no embate final, Barnabás tentando se adaptar aos novos tempos, os hippies, a estranha relação da família Collins... Tudo ficou subaproveitado. Fiquei com a sensação de que o diretor ficou pressionado entre arriscar algo mais ousado e ter que repetir sucesso de parceria. Outra coisa que me irritou muito foi a atuação de Johnny Depp. Ele parecia se divertir com as garras novas de seu personagem, mas o gestual exagerado não combinou com o restante da atuação do elenco - então ele se sobressai do modo errado. Mesmo não sendo uma obra-prima, e apesar de todos os problemas, eu gosto desse filme. Só não dá pra rever a cada fim de ano, como o meu preferido Mãos-de-Tesoura.

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