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domingo, 24 de agosto de 2014

Todo o país tem suas Divas!

Edith Piaf é a da França. Admito, a tomar pelo filme, eu não gostaria de Edith. Bêbada e escandalosa (francês aos berros é realmente irritante) na juventude, e diva com "D" maiúsculo, cheia de vontades na "maturidade". Mas, eu não deveria estar julgando o comportamento de uma pessoa que sequer ouvi cantar em vida, mas a soberba atuação, que me fez esquecer que a, então desconhecida em Hollywood, Marion Cotillard estava ali em algum lugar.

Nascida durante a primeira guerra a pequena, e de saúde frágil, Edith, foi abandonada por sua mãe. Viveu com sua avó cafetina, quase perdeu a visão, antes de viver no circo com seu pai. Ainda menina começou a cantar nas ruas, e por sorte foi "descoberta" ainda na juventude. Mesmo assim sua vida não deixou de ser conturbada, com os amigos do submundo, os vícios, romances, e as vontades de uma diva.

E a sinopse é simples assim, porque é tudo que podemos captar do mal executado roteiro, que tenta traçar paralelos entre a jovem e a idosa Piaf. Mas só consegue confundir aqueles que não conhecem a história da cantora francesa.

E mesmo sem conhecer Piaf profundamente pontas soltas são evidentes. A interprete nasceu na França durante a Primeira Guerra mundial, o inevitavelmente  leva o expectador a imaginar como a jovem Piaf passará pela segunda gerra, na Paris sitiada pelos Nazistas. Mas o período completamente ignorado pelo longa. Assim como a resposta ao que realmente aconteceu com o personagem de Gérard Depardieu. 

Tudo isso entre idas e vindas de personagens, mal apresentados, em diferentes idades, que ficam ainda mais difíceis de distinguir na fotografia escura utilizada durante quase todo o longa. A fotografia no entanto acerta ao optar pela ausência de cores na infância difícil e nos últimos momentos de vida de Edith.

Ao final das contas todo o mérito do longa está na atuação (e na impressionante maquiagem), que transformam a bela Marion Cotillard, na não tão bela Piaf. E se a testa maior, as sobrancelhas desenhadas e a prótese dentária recriam o visual da cantora. A postura curvada, os trejeitos desajeitados, o visível desconforto no palco na juventude, a falta de sutileza em seu auge, e a decadência física em sua velhice, tornam sua intérprete o grande mérito do longa. 
Sem jeito mandou lembranças!
É pela excêntrica Piaf que expectador fica, apesar da confusão cronológica e de fatos que o roteiro cria. Os mais dedicados podem até tentar conhecer um pouco mais sobre sua vida. A maioria vai apreciar melhor seu repertório (Cotillard não interpretou as canções, a intenção era ter a presença de Piaf no longa através de sua forte e incomparável voz). E provavelmente, todos vão admirar a veracidade da mulher apresentada pelo filme. Uma mulher que enfrentou muitas dificuldades, com uma fragilidade que desaparecia quando sua voz entrava em cena. Com uma personalidade nem sempre agradável, cheia de vontades, e passível de erros. Mas que ainda sim, nos encanta, e nos mantém atentos até o fim da projeção. Como toda Diva é capaz afinal.

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