3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

domingo, 12 de abril de 2015

Quem tem medo do Búfalo Bill?

Provavelmente quase ninguém que assistiu a O Silêncio dos Inocentes, apesar de Bill ser o criminoso procurado em questão. É o Dr. Hannibal Lecter que realmente tememos (e fingimos que não admiramos, em sua condição de um dos maiores vilões do cinema). Mas não se engane não há personagens desinteressantes ou peças soltas neste suspense (sim, suspense! Não parece um terror para mim.).

Afinal o próprio Búfalo Bill (Ted Levine, assustador), teoricamente apenas um pretexto para o encontro entre os protagonistas, sequestra e deixa suas vítimas definharem para que possa retirar mais facilmente sua pele. Matéria prima de seus trabalho de alfaiataria. Ah! Não mencionei? É claro que há SPOILERS nesta resenha neste relato de uma humilde amante do cinema.

É por causa de sua série de assassinatos que Clarice Starling (Jodie Foster), ainda em treinamento para o FBI, é recrutada para entrevistar outro assassino em série. O Dr. Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), que além de sociopata é psicólogo, logo um ótimo recurso para compreender a mente de outros assassinos em série. O problema é que Lecter é extremamente inteligente e tem gênio forte, colaborar com os mocinhos não é sua praia. A aparentemente frágil Clarice é uma tentativa desesperada de fazê-lo colaborar.

Acertou quem deduziu que deste encontro nasceria um complexa relação de aprendiz/paciente e mestre/terapeuta, entre a novata em treinamento, e o assassino cheio de truques. Um deles é estabelecer a uma relação "quid pro quo" com Clarice. Fazendo com que ao mesmo tempo que tentemos desvendar um crime também fiquemos cientes do passado da protagonista. Saber o que move Clarice, não apenas à torna mais interessante, como mais rico e coerente seu crescimento durante o caso. De "não agente" inexperiente, à única que segue a pista correta.

Pasmem, Foster e Hopkins criam toda essa "cumplicidade" em apenas 4 cenas! Inclua aqui em suas atuações incríveis, detalhes pequenos de postura e até a inervante escolha de nunca piscar adotada por Hopkins. Uma variedade de detalhes e escolhas que não vou fingir ser capaz de dissecar. Logo, recomento este ultra detalhado texto, de Pablo Vilaça. Que analisa o filme de uma infinidade de ângulos que espero um dia estar apta a enxergar.

E se você é cinéfilo, ou simpatizante, já deve ter aprendido que cinema é uma obra coletiva. Logo o êxito desta obra prima recente não é mérito apenas de Foster e Hopkins. A direção com escolhas inteligentes, os figurinos e cenário cheios de conteúdo à cerca de quem os usa, e a montagem coerente e fluida. Criam um misterioso quebra cabeças, com pistas e mensagens escondidas durante todo o longa. 

O Silêncio dos Inocentes é obrigatório para qualquer amante da sétima arte. Para ser visto, revisto e estudado. Tão bem produzido que chega ser intimidante para blogueiros cinéfilos em treinamento que se dispõe a analisá-los. Logo, não é surpresa termos demorado 5 anos para colocar o longa na lista. Acho que no final das contas temos medo sim de Búfalo Bill e cia!

P.S.: Aos que vivem celebrando as mulheres fortes do cinema, parem de esquecer de mencionar Clarice Starling  em suas listas!

0 comentários: