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domingo, 28 de junho de 2015

Eu queria mais contexto...

Reconstrução de época: oK! Atuação: (muito) ok! Roteiro: .... é.... dava para melhorar hein. Podem me criticar "haters da internet", mas eu esperava mais de Meu Pé Esquerdo.

O longa que deu o primeiro Oscar a Daniel Day-Lewis e conta a história do escritos e pintor irlandês Christy Brown. Nascido em 1932, o artista tinha paralisia cerebral e conseguia mover apenas o pé esquerdo. Eram os anos 30, sua família era pobre e grande, demorou algum tempo para alguém perceber a consciência e inteligência de Cristy.

Quando isso finalmente acontece, ele cresce "evoluindo" por conta própria sempre com uma relação forte com a mãe. Até que já um jovem adulto, suas obras chamam atenção, e ele finalmente consegue ajuda profissional para sua condição. E consequentemente melhorar de vida, em qualidade e financeiramente.

Embora seja verdade, é lugar comum dizer, que as atuações de Day-Lewis e Brenda Fricker são excepcionais. Enquanto o "ator pirado do método" mergulha de vez nas características de Brown Fricker fornece o suporte para que essa intensidade funcione e dialogue com o público.


Estão nos roteiros as maiores falhas de Meu Pé Esquerdo. A começar por pressupor que o expectador já conhece a figura do protagonista. A compreensão de em que período histórico se passa a história fica a cargo da bagagem do expectador. Uma vez, que além de usar dos tempos narrativos diferentes, datas são raras, e nem mesmo o contexto histórico ajuda. Brown nasceu em 1932, tinha uma guerra à caminho, e nada é mencionado sobre este período, e as dificuldades de todos naquela época. Sem contar que ele tem vários irmãos, nenhum deles precisou servir?

Alais, quantos irmãos ele tem? Sabemos que são muitos, volta e meia aparece mais um bebê. Mas estes vão e vem, as meninas então, simplesmente desaparecem! De acordo com o Google, ele tinha nada menos que 21 irmãos. 21! Porque não usar isso, para agravar ainda a complexidade de sua vida?

Episódico, algumas situações deixam a sensação de que faltou um encerramento, como o caso da escada. Outras, parecem acontecer rápido demais, sério que ele só precisou de um concerto musical para conquistar sua futura esposa. Isso enquanto ela lia sua auto-biografia, e acompanhava os comentários do próprio retratado? 

Meu Pé Esquerdo traz ótimas atuações, mas tem um roteiro episódico, e com espaços em brancos. Eu esperava mais. Mais contexto, mais história, e arcos desenvolvidos de forma mais uniforme.

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