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domingo, 26 de julho de 2015

Simplificando a complexidade!

Satsuki tem 10 anos, Mei 4, sua mãe está muito doente, internada por meses, seu pai precisa sozinho dar conta das despesas e de sua educação. Uma mudança para uma casa de campo quase abandonada é necessária para ficar mais próximo do hospital. Ainda assim, as meninas conseguem ficar animadas com "a casa nova", e os arredores, os vizinhos, o jardim...

E que jardim, cheio de "espíritos da floresta" (os chamo assim por falta de palavra melhor para explicar esses seres da natureza tão enraizados nas obras de Miyazak). Bichinhos de fuligem, pequenos animaizinhos, outros grandes e brilhantes que podiam muito bem viver no País das Maravilhas, e claro Totoro.

Reais, metáforas ou válvulas de escape para a complexa situação em que Satsuki e Mei vivem. A compreensão do que são essas criaturas vai depender da idade do expectado, e pode, aliais deve, mudar com o tempo. É difícil até acreditar que o filme foi feito para um público específico, meninas pequenas. Eficiente e simples, assim é Meu amigo Totoro.

A animação de 1988, só foi descoberta pelo pessoal do lado de cá do globo, depois do sucesso de A Viagem de Chihiro (ainda existem muitos que não o conhecem). E apesar da distância de datas entre as produções Totoro, já traz todas as características consagradas dos estúdios Ghibli, que tanto encantaram em Chihiro. 

Trata de problemas complexos de forma simples, sem evitar que os personagens cresçam ao longo da jornada. Traz um mundo mágico e repleto de mitologia e metáforas. Um momento de vôo encantador (e também tem metáfora aí). E protagonistas femininas fortes. Devo admitir aqui, o único escorregão da animação: como essas meninas gritam! 

Não sei se é uma diferença cultural, ou  Miyazak ainda estava descobrindo "como criar suas meninas". Mas para Satsuki e Mei tudo é empolgante e assustador ao extremo. Elas se empolgam, se assustam, sempre em grande escala e volume alto. Mas a falta de sutileza momentânea é compensado por todos os outros aspectos positivos mencionados nos parágrafos anteriores. 
Meu amigo Totoro é um ótimo próximo próximo passo neste universo único dos estúdios Ghibli. Simples, complexo, delicado e lúdico, precisa pedir mais de uma animação?

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