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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Bem vindo à 76º edição dos Jogos Vorazes!

Bem vindo à 76º edição dos Jogos Vorazes! - É o que um dos personagens acertadamente aponta ainda no início do longa. Partindo exatamente de onde o longa anterior parou, Jogos Vorazes: A Esperança - o final não demora muito tempo para explicar a nova condição de Peeta (Josh Hutcherson), transformado em arma pela capital, e para encerrar as últimas estratégias no Distrito 13. É hora de tomar a Capital, e o Presidente Snow (Donald Sutherland) garante a dificuldade, e o show, transformando a cidade em uma gigantesca arena.

Ameaça constante de conviver com o, agora inimigo Peeta. Tentar compreender as disputas políticas e evitar se tornar um joguete delas. Além de uma guerra aberta com um inimigo muito bem preparado. É com tudo isso que Katniss (Jennifer Lawrence) precisa lidar neste último capitulo. Tarefa tão complicada que o triângulo amoroso entre ela Peeta e Gale, tem pouca impacto seja na protagonista, ou nos expectadores (o que não nos poupa de uma cena onde os "boys magia", discutem enquanto a mocinha dorme, meio Crepúsculo). De fato, os protagonistas não parecem sentir muita coisa, diante do choque de uma guerra, ou do estresse pós traumático, causado pela arena ou pela enorme quantidade de mortes.

Sim, mortes! Muitas delas. Afinal é uma franquia que tem início em um "jogo", que mata 23 adolescentes anualmente, não faria sentido tentar poupar seis leitores/expectadores à essa altura da trama. Uma guerra tem consequências feias, e é preciso lidar com elas.

É para dar espaço à ação e as consequentes mortes, que os questionamentos políticos bastante abordados em Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1, aqui ficam em segundo plano. Ganhando maior destaque apenas nos últimos minutos da projeção. Logo é uma pena que os personagens estejam "em choque" durante a ação, obrigatoriamente seguindo em frente sem pausas para o luto. É preciso cumprir a missão custe o que custar.

Também, é uma pena que a câmera tremida (um acerto para lidar com o excesso de violência no primeiro filme), aqui não funcione tão bem. Especialmente se combinada ao 3D convertido. Com a fotografia mais sombria, as lentes dos óculos que escurecem ainda mais, e a câmera frenética, não se espante ao se perder a ação em alguns momentos. Mesmo para quem leu os livros, é provável um ou outro momento de: cadê fulano? Já morreu e eu não vi?


Ao simplificar a trama de Suzanne Collins, para caber em pouco mais de duas horas de duração, alguns problemas de abordagem ficam evidentes. Como perda de função de Joana (Jena Malone) e Beete (Jeffrey Wright), comum em adaptações com muitos personagens. O reaparecimento inexplicado de Enobaria, carreirista que sobreviveu ao massacre quaternário. A "ponta de luxo" de Gwendoline Christie (Brienne de Game of Thrones), escalação celebrada para uma passagem tão rápida que sequer lembramos o nome de sua personagem. Ou ainda saltos de tempo, e mudanças rápidas demais, como a evolução do quadro de Peeta.


Mas não se engane! Este é sim, um bom filme e um ótimo desfecho para a franquia, que pretende fazer nossos jovens pensarem. E ainda é uma última chance de ver o ótimo trabalho de Philip Seymour Hoffman, que faleceu durante as filmagens. Um dos personagens mais interessantes, Plutarch Heavensbee ainda está presente. Olhos muito treinados podem perceber um detalhe ou outro em CGI. Há ainda momentos que Haymitch (Woody Harrelson) entrega seu recado. Nada que destoe das atitudes do personagem, ou andamento da trama.

Jogos Vorazes: A Esperança - o final, encerra bem a franquia de Katniss, embora funcione melhor com seus antecessores. Tem questionamentos e conceitos interessantes, além de ser uma supre produção caprichada e com elenco eficiente. Então, ligue o cérebro, faça aquela maratona com os filmes anteriores, evite as sessões 3D e aproveite, a última e politicamente mais eficiente edição dos Jogos Vorazes!

Resenha publicada originalmente no blog Ah! E por falar nisso, em 18/11/2015

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