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domingo, 15 de novembro de 2015

Lembre-se de quem é o verdadeiro inimigo

Quando você acha que não pode piorar, é aí que a situação fica ainda pior só pra queinar sua língua. Não é? Pois foi mais ou menos isso que aconteceu a Katniss na sequência de Jogos vorazes, Jogos vorazes - Em chamas (Catching fire, 2013). Pensando estar livre das garras do Capitol após sobreviver ao brutal massacre na arena, e ainda conseguindo salvar Peeta no meio do caminho, Katniss achou que nunca mais seria importunada na vida. Coitada.


Voltando ao Distrito 12, a vida seguia aparentemente normal. A diferença estava em pequenos detalhes: Katniss (Jennifer Lawrence) e Peeta (Josh Hutcherson) estão morando com suas famílias na Vila dos Vitoriosos, que é praricamente abandonada - e, além deles, só Haymitch (Woody Harrelson) vive lá; Katniss não precisa mais caçar para sobreviver, ela e Peeta voltaram a ter a mesma interação que tinham antes dos Jogos - ou seja, quase nenhuma.

Com a proximidade de um novo Massacre Quaternário chegando, uma excêntrica (pra ficar com a palavra bonita) variação festiva e comemorativa da 75ª edição dos Jogos Vorazes, Peeta e Katniss têm de provar para todos que ainda são aquele jovem casal apaixonado para todo mundo. Mas nem todos engoliram aquela mentira. Principalmente o presidente Snow (Donald Sutherland), que viu naquela atitude de "não vou morrer como você escolheu" algo como "não mais me subordinar aos seus mandos e desmandos". Um verdadeiro desafio ao poder que Snow detinha, uma fagulha capaz de incendiar uma rebelião de verdade. Não foi surpresa que os distritos tenham começado a resistir, mas poucos tinha informações sobre esses ataques.

Katniss não sabia. Katniss não se importava. Ela só queria paz, queria poder voltar a caçar na floresta, quem sabe enfim engatar um romance com Gale (Liam Hemsworth). Mas, como Haymitch depois a avisou, "não havia como descer daquele trem". Uma vez campeã, ela teria que se tornar mentora do novo ceifado assim como Haymitch fizera com ela e Peeta. O que ela não esperava era o peso extra da vigilância de Snow sobre ela.

Sob a ameaça velada de ter seus parentes e amigos torturados ou mortos, Katniss deveria provar para Snow que ela não tinha intenções revolucionárias. Portanto, deveria provar que seu amor por Peeta era maior do que tudo. Obviamente Snow sabia que Katniss havia armado aquilo de "morreremos juntos" sem estar apaixonada por Peeta, então seria um tanto prazeroso para ele vê-la se esforçar. De qualquer forma, haveria alguma forma de puni-la pela audácia, e ele tinha um plano.


Com a ajuda de Plutarch Heavensbeen (Phillip Seymour Hoffman, uma pena nos deixar tão cedo), o novo organizador dos Jogos, havia uma forma de matar Katniss se ter as mãos sujas de sangue ou tranformá-la em um mártir. Colocando-a novamente na arena, junto de outros ex-vitoriosos, seria uma forma de cortar o mal pela raiz: se ela morresse, e ele faria de tudo para isso, melhor para ele; se ela ainda assim sobrevivesse, teria compreendido a lição: nem mesmo os vitoriosos são mais poderosos que o Presidente.

Revoltada com a situação de ter que voltar para a arena, triste por ver o que estava acontecendo nos outros distritos (a forma como os rebeldes estavam sendo massacrados) e no seu próprio, Katniss está entre a cruz e a espada. Na arena, sua única preocupação é tentar novamente salvar Peeta, e talvez a si própria, mas sem despertar a fúria de Snow.

Sabendo dos planos de Katniss, e também sabendo que, sozinha, ela não conseguirá, Haymitch a aconselha a escolher aliados. Além dos deslocados que ele selecionou, Haymitch tratou de organizar novos aliados: Johanna (Jenna Malone, sensacional) e Finnick () são dois dos mais letais jogadores, e se unem a Katniss e Peeta para levar a cabo um plano arriscadíssimo, onde Katniss é a peça-chave - e, por isso mesmo, precisa ser salva a qualquer custo.

Em chamas não só complementa a estória iniciada no interessante Jogos vorazes, ele amplia a dinâmica. Aqueles arranhões na superfície que foram dados no primeiro longa são agora pequenos cortes sangrentos: a rebelião dos oprimidos está fora de controle, e Snow vai sentir pela primeira vez a mordida da traição. Katniss está mais confusa do que nunca, sempre com medo de que algo aconteça à sua família e seu coração não sabe de quem ela mais precisa, Gale ou Peeta. E, enquanto ela descobre que é parte de algo muito maior, nós acompanhamos como os nós vão sendo fechados.


É muito interessante ver como tudo se desenrola e aquela crescente sensação de que não vai acabar bem. Lembro que, ao ler o livro, pensei que aquele havia sido um jeito interessante de não se prolongar em um assunto que a autora talvez não dominasse (e aqui falo especificamente da arena tropical), mas a verdade é que não havia mesmo porque se prolongar nas lutas sangrentas e sem sentido. A luta maior estava por vir, e a sensação de responsabilidade cai sobre os ombros de Katniss ao mesmo tempo em que tomamos consciência do problema - e pior, da solução. Obviamente, sendo a segunda parte de uma trilogia, o filme é a parte de transição do ciclo e termina em aberto. A esperança (com trocadilhos, por favor) é de que o final da estória, a ser contado em duas partes, faça juz a este começo promissor.

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