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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O que você faria?


Favor reparar na cara de felicidade da marmota. Grata.

Era isso o que eu me perguntava durante todo o filme. O que eu faria se eu ficasse presa em um loop de tempo? Pior, e se esse fosse um dos dias mais chatos da sua vida? Feitiço do tempo (Groundhog day, 1993) mostra como um apresentador de tv acaba preso nessa enrascada do destino, sem nenhum aviso prévio e sem saber como sair dessa. Sabe o que ele fez? A única coisa lógica a se fazer: aproveitou a chance.

Phil Connors (Bill Murray, excelente) é um apresentador de tv frustrado. Garoto do tempo, é mandado para cobrir pela quarta vez o Dia da Marmota em uma cidadezinha minúscula no interior dos Estados Unidos. O motivo? Se a marmota Phil acordasse e visse a própria sombra (?!) era garantido de que o inverno seria mais longo. Animadíssimo (só que não) para o evento, Phil mal se importa com a novata produtora Rita (Andie McDowell) que irá acompanhá-lo na cobertura. Fazendo juz à sua má fama de egoísta, ele não liga para os colegas de trabalho nem para qualquer outra coisa a não ser seu mau humor por conta do trabalho chato.

O dia começa mal quando a música chata o desperta para uma manhã fria e sem graça. O simpático povo da cidade parece ser irritantemente agradável de propósito. Depois de gravar a chamada que precisava - Phil, a marmota, havia visto sua sombra, afinal - tudo o que ele quer é ir embora da cidade. Mas não dá. A forte nevasca que ele previra no noticiário chegara e as saídas da cidade estavam bloqueadas. Obrigado a ficar mais um dia na cidade, Phil parece aceitar mais um contratempo em sua vida apenas esperando que o dia seguinte seja melhor. Mas ao acordar, ele percebe que algo está diferente.

Como havia dormido em um hotel diferente ao voltarem do bloqueio na estrada, ele estranhou estar no quarto de hotel onde se acomodara quando chegou à cidade. A música despertadora era a mesma, até os comentários dos apresentadores. Havia algo estranho. Phil encontra as mesmas pessoas, que falam e fazem as mesmas coisas. ele começa a duvidar de si mesmo. Estaria sonhando? No dia seguinte, a mesma coisa. Assustado, ele tenta comentar sobre sua estranheza com Rita, sua produtora. Ela obviamente não o compreende, nem acredita. Phil começa a procurar um jeito de sair dali, daquele dia maluco. Observa a rotina da pequena cidade, e tenta reconstruir passos para mudar algo. Nada acontece, ele volta a acordar na mesma cama de hotel como se nada tivesse acontecido. O que fazer, então? Bem, quais eram as opções?

Rita (McDowell) e Phill (Murray): será que ele enlouqueceu?
Opção 1: Aproveitar. Phil começa a agir temerosamente. Usa de seu charme para namorar um pouco, assalta um banco, faz besteira e vai pra cadeia... Ah, tá tudo bem! Que problema teria nisso? Phil não esperava que Rita fosse ser um problema. Não importava que tramas ele inventasse, que coisas ele descobrisse sobre ela, quantas vezes ele tentasse: ele nunca conseguia leva-la para a cama. Cada noite terminava com uma bofetada diferente na cara. O que lhe restava, então?

Opção 2: tentar se matar. Ora, é certo que se a gente morre, tudo acaba, certo? Na verdade... Não para Phil. Não importa qual forma ele tentasse, não conseguia morrer e acabava por acordar novamente no hotel. Pobre Phil. A situação só piorava, e já não havia mais o que fazer. Ele ainda tentou uma terceira opção, bancar o herói. Seu dia se tornou extremamente corrido enquanto ele tentava salvar todo mundo - especialmente os em iminência de morrer. Mas não importa o que faça, Phil descobre que não há nada que ele possa fazer que mude o que aconteça.

O filme é sobre um mesmo dia que se repete infinitamente, mas é uma alegoria maravilhosa para nossas vidas. Sabe a nossa rotina chata, os nossos desejos frustrados, nossas tentativas e erros que não dão em lugar algum? É isso. Essa é a vida, mas a gente nunca se dá conta porque estamos ocupados passando por ela e sempre esperando algo mais do futuro. O amanhã, tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe, prometendo que tudo pode ser muito diferente. Mas e se o amanhã nunca chegar? Tudo o que temos é o hoje, e é nesse hoje que precisamos aprender a sermos melhores pessoas, a ouvir nossos corações, aproveitar os momentos de diversão... Tudo.

Um filme divertidíssimo, com um Bill Murray inspirado, e uma mensagem maravilhosa no fim de tudo é o que te espera nesse filme. Se você gosta de explicações - sobrenaturais ou não - vai ficar decepcionado, mas a maior graça é justamente não ter porquê de acontecer nem saber porquê acabou. Uma grata surpresa, e mais um filme ótimo na minha listinha crescente de "assistidos"!

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