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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Caça-fantasmas


Sabe aquele povo que reclamou muito de ter uma nova equipe de caçadores de fantasmas formada só por mulheres? Que não deveriam mexer em clássicos e tentar renovar franquias adoradas pelo público? Pois bem. Esse povo está prestes a queimar a língua como nunca antes. Caça-fantasmas (Ghostbusters, 2016) é uma delícia de filme, que respeita os seus antecessores e consegue se firmar como uma obra memorável: mais do que um simples reboot, o longa é o primeiro passo para a renovação. 

Erin Gilbert (Kristen Wiig) está se preparando para uma apresentação na Universidade de Columbia que poderá lhe render uma cadeira na instituição. Preocupada em não fazer feio, ela se aquece na sala - porém é interrompida por um homem. Ele tem um livro em suas mãos, um livro escrito por Erin, mas ela nega até a morte que isso tenha acontecido. Afinal, uma professora universitária de ciências não poderia se dar ao luxo de acreditar em fantasmas, não é? Mas o homem precisava de ajuda: segundo ele, um fantasma havia se manifestado no museu que era sua propriedade. O que a intrigava era como ele havia descoberto aquele livro. Uma simples pesquisa na internet e ela descobre que ex-amiga e co-autora do livro, Abby Yates (Melissa McCarthy) fora a responsável por colocar o livro online. Pressionada por seu chefe a ser exemplar ou sua chance de obter a cadeira iria pelo ralo, ela resolve procurar Abby para convencê-la a tirar o livro de circulação de vez.

Durante um passeio no museu, você vê um fantasma: quem você vai chamar?
Mas ao encontrar Abby em um laboratório experimental, as coisas não saem como o planejado. Ao contar do ocorrido, Abby e sua assistente Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) encontram uma coincidência - e, em se tratando de cientistas, elas não acreditam em tais coisas. Abby combina com Erin que vai tirar o livro do ar se ela a apresentar a esse homem misterioso. Erin concorda, louca para se ver livre daquele passado. Mas o que elas testemunham na casa reaviva as crenças de Erin em fantasmas - e a fazem perder seu emprego. Quando elas decidem reativar suas pesquisas, elas agora vão precisar de um novo lugar para começar.

Abby (McCarthy), Erin (Wiig), Holtzman (McKinnon) e Patty (Jones) no metrô: coragem
Ao mesmo tempo, Patty Tolan (Leslie Jones), uma funcionária do metrô, tem um dia diferente em sua rotina. Surpreendida por um cara muito esquisito, que começa uma estória sobre "o quarto cataclismo" e depois some nos trilhos do metrô, Patty se vê obrigada a ir atrás do cara antes que ele se machuque. O que ela vê, porém, é um fantasma muito pouco amigável. Impressionada, só existe uma alternativa para ela. Quem vocês acham que ela vai chamar? Chegando ao novo QG das cientistas especializadas em fantasmas pouco depois de elas terem escolhido seu novo assistente/secretário Kevin Beckman (Chris Hemsworth), ela pede ajuda às moças. Com um segundo fantasma aparecendo em tão pouco tempo, as cientistas vão à loucura - Holtz estava doida para estar os novos "brinquedinhos".

As Caça-Fantasmas prontas para ação!
Depois de comprovarem a existência de outros fantasmas em Nova Iorque, e de chamarem muita atenção para si (e para o fato de existirem fantasmas de verdade), as caça-fantasmas agora tem que enfrentar outra ameaça: os que querem desmascará-las. Para evitar causar pânico generalizado, muitos vão tentar ridicularizá-las. Justo agora que um grupo tão heterogêneo conseguiu se entender e que elas estavam cada vez mais próximas de provar que não eram loucas? Seria esse o fim do sonho?!

Kevin (Hemsworth): a prova de que beleza não serve pra muita coisa
Devo dizer que me contive ao contar esse breve resumo do roteiro. As piadas, as sacadas, as referências... Tudo foi tão bem azeitado que fica difícil comentar qualquer coisa sem estragar as surpresas. As risadas vem com naturalidade, seja pela nostalgia gostosa que nos invade, seja pelas interpretações inspiradas do quarteto principal. McCarthy, Wiig, McKinnon e Leslie estão absolutamente à vontade e se divertindo, e isso se reflete no trabalho que elas entregaram. Dá gosto de ver como as meninas estão afinadas! Quem surpreende é Hemsworth, que não teve medo de sair da pose de galã e "enfiou o pé na jaca" em um personagem divertido, completamente diferente daquele super-herói famoso - e não deixa a desejar ao contracenar com comediantes de peso. O roteiro é bem amarrado, salpicando com humor e referências o bom mote do novo surgimento da equipe. As luxuosas participações especiais, principalmente a dos caça-fantasmas originais, estão espalhadas por todo o longa. Ah!, e não se esqueça: não saia da sala antes dos créditos finais! 


A tarefa era hercúlea: atualizar o clássico mantendo seu espírito, agradar aos fãs mais ferrenhos e conquistar toda uma nova geração de fãs, não decepcionar nos efeitos especiais e superar as expectativas (e comentários preconceituosos) de muita gente "do contra". Fico extremamente feliz de ver que a produção tirou de letra! - e  ainda aproveitou para brincar com isso. O diretor Paul Feig acertou em cheio, orquestrando com maestria elenco, produção, ritmo, humor, referências, efeitos especiais e transformando tudo em um longa divertidamente delicioso. O gostinho de anos 80 está presente, mesmo com toda a nova tecnologia envolvida. Que venham as continuações.

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