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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Animais fantásticos e onde habitam

No início, somos apresentados a Newt Scamander (Eddie Redmayne, especialmente dedicado à construção do herói), um viajante inglês que chega à Nova Iorque em meio a uma crise: Grindewald (que, já foi anunciado, será vivido por Johnny Depp nas continuações dessa saga) está causando o caos em toda parte do mundo e seus ataques ameaçam expor o mundo bruxo. Muitos não-mágicos - como os americanos chamam os trouxas - já perceberam os indícios de bruxaria e estão revoltados e com medo. Eles tem até razão em temer, de certa forma, mas os bruxos do Ministérios da Magia Americana (chamada MACUSA) estão empenhados em amenizar os impactos das ações de Grindewald e prendê-lo o quanto antes (de preferência, antes que uma guerra civil se instaure entre bruxos e não-mágicos.

Eis um filme que causou muita expectativa nos fãs de Harry Potter e do universo mágico criado por J.K. Rowland: Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016)  não é, como muitos podem esperar, uma continuação da saga - é, na verdade, uma história anterior. Passado nos Estados Unidos dos anos 1920 e tendo apenas um ator britânico no elenco, o filme pode causar estranheza por vários motivos. Mas tendo um pouco de paciência, é fácil se encantar novamente com o universo mágico.

Tina (Waterston), Newt (Redmayne), Queenie (Sudol) e Jacob (Fogler) - os novos protagonistas

Percival Graves (Farrel): auror
Newt é tímido e atrapalhado, e acaba sempre envolvido em "acidentes". Não poderia ser de outra forma que ele conseguiria se meter nesse enredo: em sua mala mágica, que ele carrega em suas viagens ao redor do mundo, ele coleciona e abriga animais fantásticos (cuidando para sua conservação, estudando e catalogando espécies e propriedades); mas quando um simpático - e adoravelmente terrível! - pelúcio escapa da mala em meio a um protesto dos Novos Salemeicos (não-mágicos radicais), ele está em apuros. Em meio a tudo isso, há uma criatura invisível destruindo a cidade e causando muita dor de cabeça a Percival Graves (Colin Farrel), um auror que não mede esforços para encontrar a tal besta.

Newt e o pelúcio: o bichinho é tão fofo e hilário quanto é encrenqueiro e sem-vergonha
Tina Goldstein (Katherine Waterston), uma ex-auror, está vigiando o protesto e percebe que algo está errado com Newt. Vigiando-o, vê quando ele - novamente - acaba por acidentalmente introduzir Jacob Kowalski (Dan Fogler), um não-mágico, no mundo bruxo. Ele é apenas um homem que sonha abrir uma padaria - e está buscando recursos para isso - mas que tem o infortúnio de ter uma mala igual a de Newt. Sim, vem muita confusão daí. Mas Tina está obstinada a voltar a seu antigo trabalho e acha que o caso-Newt-Scamander vai lhe garantir o retorno ao Ministério. O que ninguém esperava era que os acontecimentos fossem mudar dramaticamente tão rápido - nem tão cedo.

Tina e Newt com Graves no Ministério: a mala mágica causou muitos problemas
Animais Fantásticos e Onde Habitam é uma espécie de introdução àquela atmosfera de magia que nós nos acostumamos a ver durante a saga Harry Potter, mas não é um filme que se sustente para não-iniciados no mundo bruxo da autora da saga e roteirista deste longa J. K. Rowland. Creio que seja difícil para quem nunca ouviu falar em "trouxas", "Ministério da Magia", "legilimência" e "elfos domésticos", por exemplo; mas há também uma familiaridade em personagens cativantes que pode agradar ao leigos. Para quem já é fã, a temática mais adulta e menos maravilhosa da magia pode causar cera estranheza no início - mas é muito fácil superar e se entregar ao enredo.

Newt Scamander é tão carismático que deve ganhar o coração dos fãs
A comparação com Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001) é inevitável, mas é também positiva. Em ambos há uma primeira fase de ambientação e apresentação dos personagens - e, diferente de Hogwarts, a cidade não é um ponto fundamental na história. Enquanto vamos nos habituando aos nomes e rostos, descobrimos o fantástico que habita na mala de Scamander: o universo e as criaturas lindas, divertidas, interessantes e maravilhosas, ao mesmo tempo em que começamos a nos afeiçoar a ele. A dedicação do personagem a essas criaturas é lindamente interpretada por Redmayne, e vai ser difícil não se apegar a ele.

Jacob aprendendo com Newt como cuidar dos animais fantásticos como o simpático Picket, um tronquilho
Outra diferença básica entre A Pedra Filosofal e Animais Fantásticos é que os personagens não estão descobrindo a magia  - a não ser o não-mágico Jacob, mas sim o que eles realmente são. Essa busca pela própria identidade é o que move os quatro personagens principais - Newt, Jacob, Tina e Queenie (Allison Sudol), irmã dela - que são obrigados a enfrentar perigos numa mudança drástica de rotina. Nada jamais será a mesma coisa depois que esses quatro se encontram, e apenas uma prévia dos terríveis acontecimentos que estão por vir foram mostrados.

Picquery (Ejogo): apagada
Pode não haver um castelo mágico empolgante ou o ar infanto-juvenil fantástico que a saga original, mas o carisma do personagem Scamander e a química entre os protagonistas promete fazer dessa nova empreitada cinematográfica um sucesso de público e crítica. A produção primorosa, já velha conhecida dos fãs, é de tirar o fôlego. Todo o elenco está muito bem em cena (uma exceção, talvez, para Carmen Ejogo e sua fraca presença como Seraphina Picquery, presidente da MACUSA). Efeitos especiais elaborados tornam as criaturas ainda mais fantásticas e o 3D realça muito bem os momentos mais impactantes sem ser "demais".

Para aqueles que são fãs e sentiam saudade de esperar um novo lançamento da franquia a cada Natal, Animais Fantásticos e Onde Habitam vai cumprir o papel com louvor - a sensação que fica ao final, no gancho para a sequência, lembra muito a virada de clima que acontece em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (2004) que é, na verdade, quando Harry deixa de começar a entender a magia e precisa enfrentar seus medos para não sucumbir ao mal. A começar a história nesse nível, a expectativa para as sequências só aumentam. E pelo que sabemos, J. K. sabe como nos surpreender.

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