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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Lady Bird: É Hora de Voar


Lady Bird (Lady Bird, 2018) é um filme regular, e seu destaque é somente o ótimo desempenho de atuação da dupla principal. Apesar disso, está indicado a 5 prêmios Oscar desse ano - incluindo as duas atrizes nos prêmios de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante. A trama gira em torno do amadurecimento de Christine "Lady Bird" McPherson (Saoirse Ronan), uma adolescente que está buscando pela própria identidade enquanto precisa lidar com o conservadorismo da cidade onde mora (Sacramento, Califórnia), a severa educação da mãe, Marion (Laurie Metcalf), as expectativas - ou falta delas - em relação ao seu futuro e as primeiras desilusões amorosas.

Lady Bird (Ronan) e Jules (Beanie Eldenstein): duas vertentes da adolescência de Sacramento

Christine é uma jovem de aspirações artísticas que mora no interior da Califórnia e sonha em atravessar o país para viver em Nova Iorque - ou pelo menos em qualquer outra cidade onde vários outros artistas famosos viveram. É mais ou menos assim que a personagem se apresenta para o público, demonstrando sua visão romântica e quase infantil de liberdade. Ela, na verdade, é mais uma adolescente comum querendo se destacar da multidão, mas, diferente das outras meninas, ela quer uma liberdade diferente: ela quer ser ela, independente do que isso realmente signifique. Então ela decide que criara seu próprio caminho a começar pela escolha do próprio nome. Se autobatiza "Lady Bird" e espera que os outros aceitem e respeitem sua decisão (embora não seja tão fácil assim). 

Lady Bird e a mãe, Marion (Metcalf): tão diferentes, tão iguais

Sua relação com a mãe é tensa, pois as duas tem gênio forte porém enxergam a vida de forma diferente. Enquanto Lady Bird se esforça para quebrar algumas regras (mas sem tanto esforço, ou dano às regras), Marion se desdobra no trabalho como enfermeira em clínica psiquiátrica para sustentar a família. Com visões tão diferentes de mundo - uma tentando manter o controle e sobrecarregada com responsabilidades, a outra querendo se permitir viver intensamente - e sem conseguirem chegar a um senso comum, as duas vivem às turras. Quando Larry (Tracy Letts, em belo trabalho), pai da jovem, perde o emprego e Lady Bird está prestes a tentar uma vaga na universidade, o frágil equilíbrio nessa balança sofre seu abalo mais forte.

Danny (Lucas Hedges) e a grande casa azul: o sonho de perfeição de qualquer jovem
Lady Bird retrata bem uma fase importante da vida, e que muitas vezes é neglicenciada. A adolescência é uma fase de descobertas e molde de caráter, e é a duras penas que Lady Bird vai aprender que a próxima fase é ainda pior. A diretora e roteirista Gerta Gerwig acerta ao tratar de forma tão natural, sem estereótipos forçados, a realidade agridoce da juventude: eles querem mais responsabilidades, mais aventura, parecer mais maduros do que realmente são - porém receber todas essa carga pode ser tremendamente assustador. Provavelmente foi esse o motivo da indicação desse longa nas outras 3 categorias em que concorre ao Oscar, Melhor Roteiro e Direção (Gerta Gerwig) e Melhor Filme; porém, se comparado a outros filmes que poderiam ter entrado na disputa, o longa perde força. Ainda assim, é bastante emocionante, divertido e gostoso de assistir. 

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