quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Adoráveis Mulheres


Por Ana Beatriz Marin

Em sua estreia solo como diretora, com Lady Bird - A Hora de Voar, Greta Gerwig mostrou os conflitos e inseguranças de uma jovem de 17 anos (interpretada por Saoirse Ronan) prestes a terminar o ensino médio (high school nos Estados Unidos) e ingressar na universidade. Apesar de todos os dilemas enfrentados – e dos questionamentos típicas da adolescência –, é uma moça forte, independente e que luta para conseguir aquilo a que se propõe. Pela obra, ela foi indicada ao Oscar Melhor Direção (foi a quinta mulher a concorrer na categoria) e Saoirse, ao de Melhor Atriz. Em Adoráveis Mulheres, que estreia nesta quinta-feira (9), as duas retomam a parceria para novamente mostrar a força do feminino.

O filme é uma nova adaptação para o cinema do romance Mulherzinhas, publicado por Louisa May Alcott em 1868, e narra o périplo de Jo March (Saoirse) para se firmar como escritora numa sociedade machista durante os anos da Guerra de Secessão nos Estados Unidos (entre 1861 e 1865). A narrativa ganha em ritmo ao alternar passado e presente para mostrar o desenrolar de sua vida e o de suas três irmãs, vividas por Emna Watson (Meg), Florence Pugh (Amy) e Eliza Scanlen (Beth). As quatro têm personalidades distintas, mas com algo em comum: estão dispostas a viver a vida do jeito que lhes apetece.

O filme acompanha o amadurecimento das irmãs March
É um longa leve e gostoso de assistir, mas o roteiro, também assinado por Greta Gerwig, carece de originalidade. Com uma certa sagacidade, é possível identificar os pontos de giro que o filme vai dar e o caminho que a história de todas elas vai tomar. Ou seja, não surpreende. As interpretações, porém, são convincentes, o que torna a obra mais palatável. Vale lembrar que, pelo papel, Saoirse Ronan foi indicada ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz em filme dramático, mas perdeu para Renée Zellweger (por Judy).

Os homens têm papel secundário na trama, à exceção de Laurie (Timothée Chalamet), cuja chegada terminará por modificar certas dinâmicas e relações familiares. De certa forma, é a presença dele na vida da família March que dará pé para que duas das irmãs, Jo e Amy, discutam e reflitam sobre o papel das mulheres na sociedade e na relação com os homens. Como já foi dito, é um filme sobre mulheres fortes e a força do feminino. Alguns questionamentos ficaram para trás (como a necessidade de fazer um bom casamento), outros ainda soam bem atuais.

Jo (Saoirse Ronan) e Laurie (Timothée Chalamet): uma relação tumultuada
Por isso, para quem não conhece a história, pode parecer estranho o final escolhido para Jo (se você não viu as três versões anteriores e não leu o livro, não sou eu quem vai contar...). Mas há uma explicação. Louisa May Alcott foi criada num ambiente não convencional para os padrões da época. Defendeu o direito de ganhar a vida por méritos próprios e de forma independente e a não se casar. Mas não pôde publicar o final que queria para a protagonista em Mulherzinhas. A forma encontrada (assista ao filme!), pelo menos, mostra uma visão igualitária do matrimônio. Prestem atenção.

O elenco é formado ainda por Meryl Streep (como a tia rica, velha e mal-humorada), Laura Dern (mãe das jovens), Chris Cooper, Bob Odenkirk, James Norton e Tracy Letts.

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