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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

"Afinal amanhã é outro dia"

"Será que elas usavam mesmo essas coisas?" Não adianta! Essa é sempre a primeira coisa que me vem a cabeça quando assisto a E o Vento levou. Era muita armação, pano, e desconforto para ficar parecendo um bolinho confeitado. Felizmente isso passa depois de uns 10 minutos, o que é quase tempo nenhum perto das quase quatro horas de filme.

Scarlett O'Hara (Vivien Leigh) é a filha mimada de um rico fazendeiro sulista dos Estados Unidos, que nutre um amor impossível por um homem comprometido. Voluntariosa ela tenta de tudo para conseguir o que quer, no caso Ashley (achou o nome do personagem estranho, olha o nome do ator, Leslie Howard). Desde casamentos por ciúme, interesse, falsa amizade e até caridade forçada. Para complicar um pouco mais, o cenário é da Guerra Civil estadunidense. E entre um casamento e outro (são 3!) Scarlet enfrenta a guerra, a doença, a miséria, o trabalho duro, o sucesso, a perda dos pais, amigos, filha. Volta e meia recebendo ajuda de Reth Butler (Clark Gable). Um aproveitador cujo amor declarado ela rejeita (mesmo depois de casada com ele), e só percebe que o sentimento é reciproco quando é tarde demais. (Ufa, é grande mesmo)

Em uma época cheia de regras e pudores (quando um abraço causa um dramalhão e boa moça tira soneca durante as festas), Scarlet passa por cima de tudo para sobreviver. Quando o mundo real bate em sua porta e a acorda de seu estilo de vida confortável, ela enfreta seus problemas sem hesitar. Ainda assim, ela não deixa de ser mimada e voluntariosa, seu atrevimento naturalmente irritante é por vezes sua melhor arma. Ela até aprende algumas coisas durante a jornada, a maioria quando é tarde demais. É a história dela, sua jornada em busca do deseja, seja realmente importante ou mero capricho.

E sim, tem muitas coisas que para nós soa muito estranho. Todos os negros são gentis, sem vontade própria, e tem voz engraçada. Seus donos são bons e protetores (tá!). Melanie (Olivia de Havilland) esposa de Ashley é boazinha demais, nada a tira do sério. Mas tudo passa despercebido diante do charme que só os épicos Hollywoodianos da época tem. A grandiosidade dos cenários, os belos figurinos, os closes dramáticos, as caretas e falas teatrais (Oh! Reth!), o glamour das estrelas, a musica marcante, e o ritmo nada apressado de contar uma história. Hoje em dia se o filme passa de duas horas é longo demais. Boas histórias, as vezes, precisam de mais tempo. E o Vento levou é uma dessas histórias.

O resultado da correria atual, é que todo mundo já ouviu falar, viu algum tipo de párodia ou homenagem, ou ouviu a marcante trilha de Max Steiner (alô Dona Florinda!). Mas quem hoje em dia tem tempo para realmente assitir E o Vento Levou? Sem interrupções, de uma tacada só? (se bem que em capítulos daria uma ótima novela, e esse é o pais da novela!).

Pode até ser grande, mas é uma boa história, muito bem contada. Na boa! Mesmo depois de longos 233 minutos, eu continuaria assistindo. Saber se Scarlet finalmente cansou de lutar ou conseguiu alcançar seu último capricho. Acho que ela teve sucesso. Afinal, nas palavras dela, amanhã é outro dia! Que começe tudo outra vez.

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